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(Este artigo é uma atualização de outro do mesmo nome escrito por mim
em 1957, e ainda hoje é lido e transcrito em todo o movimento espírita.).
Muito se tem escrito e discutido, nos últimos tempos, no movimento
espírita a questão homossexual. A discussão, como vem ocorrendo, me parece
fora do seu contexto real. Numa boa aplicação do pensamento lógico, antes de
se abordar a parte, deve-se conseguir uma clara visão do todo. Está a se
debater o homossexualismo, sem haver sido deslindada a problemática sexual.
Sócrates desmascarou a pretensa "sabedoria" de muitos dos
seus contemporâneos, pedindo a eles que definissem os termos que usavam.
"Incorporando" o método socrático, deveríamos estar questionando os
espíritas que pensam: "O que é o sexo?" E não vale a breve
resposta: é um sistema orgânico que permite a reprodução das espécies.
Não só é uma resposta óbvia, como simplista e incompleta, Senão vejamos,
rapidamente: sendo o sexo apenas para perpetuação da espécie, porque muitos
animais, em estado de natureza, praticam o homossexualismo, que não atende ‘a
finalidade instintiva da reprodução?
Estudando a Codificação e as obras espíritas, psicografadas ou não,
tidas como adequadas, por causa dos médiuns e espíritos que as assinam, não
consegui, até o momento, fazer uma idéia clara do que, em última analise,
seja "sexo". Praticá-lo é uma coisa, saber o que realmente é,
outra.
No Livro dos Espíritos, a única abordagem direta sobre o assunto, é a
seguinte: "Os Espíritos tem sexos? 'Não como vós o entendeis, porque os
sexos dependem da organização. Existe entre eles amor e simpatia, porém
fundados sobre a similitude dos sentimentos'") (Livro dos Espíritos,
Fundação Lar Harmonia, 2007, questão 200).
Em francês, o termo "organisation" tem os mesmo significados
que em português e, também, o "organismo", sendo que, hoje em dia,
neste sentido, é empregado, como em português, com um complemento
aclamatório: "organização física, corporal, orgânica" etc.). Pela
resposta, os espíritos estariam destituídos de sexo, no sentido biológico, isto
é, não possuiriam aparelho reprodutor, logo, também não teriam hormônios
sexuais em sua estrutura, mas sim uma outra forma de manifestação (não
como o entendeis ou seja, diferente daquilo que temos e sabemos). E,
pelo que se sabe do mundo espiritual, não poderiam tê-lo, pois seria,
enquanto órgão, desnecessário, pois não se reproduziriam (aplicando-se o
critério de universalidade dos ensinos dos espíritos ao assunto, não existe
um coeficiente expressivo de mensagens que revelem a ocorrências de
reprodução sexual entre os espíritos. Uma afirmação de um espírito, através
de um médium, segundo Kardec, não constitui nem evidência, quanto mais prova.
Qualquer afirmação nesse sentido deveria trazer uma justificativa
pormenorizada sobre a questão, bem como uma real explicação do por que não
foi abordado até hoje por diversas outras mensagens espirituais). Ainda,
segundo a resposta, eles se vinculam no mundo espiritual por
"sentimento", por afinidade eletiva.
Fica, contudo, uma pergunta, sendo que o corpo é estruturado e mantido
pela organização perispiritual, de onde vem o impulso que fixa, durante a
organogênese, a definição do gênero em sentido físico? Há que se buscar
respostas efetivas, e não "petitio principii" ou floreios verbais,
muito bonitos e emocionantes, mas sem significação concreta, tais como:
"almas passivas e almas ativas", pois ainda cabe perguntar: o
que são almas passivas, e porque o são, assim como as ativas. Como se vê,
uma resposta desse tipo é adiar o problema, e não solucioná-lo.
Freud concebeu o sexo, em ultima analise, como uma forma de energia, a libido.
Os teosofistas e hinduístas também se referem a uma energia sexual, própria
da alma que, a semelhança da libido, poderia ser "sublimada", ou
seja, transferida para outro tipo de atividade do individuo (o que a
Psicologia Analítica contesta, porque faz da libido energia própria do
psiquismo e não do sexo em particular). André Luiz descreve o sexo como uma
manifestação de uma energia específica: o amor, pelo qual os seres se
alimentam uns aos outros. Então, dever-se-ia entender que os espíritos, nas
Obras Básicas, ao falarem de "amor e simpatia", estariam querendo
dizer que a libido é uma energia da alma como um todo? Porém, permanece a questão, o
que é o sexo? O que faz ele se diferenciar, quando a alma encarna? Uma
especulação: será que essa definição é uma prerrogativa genética? Isto é,
será que a fusão dos gametas masculinos e femininos, em condições normais,
estabelece, aleatoriamente ou segundo um impulso do inconsciente do
reencarnante, o seu gênero orgânico? Como disse, essas considerações são
meramente especulativas.
É necessário, portanto, que, a partir de princípios solidamente
estabelecidos, se possa discutir, não só o homossexualismo, mas todas as
formas de manifestação da sexualidade, sem pré-conceitos nem
hipocrisia, como atualmente acontece me larga escala no movimento espírita.
Inclusive tem de se abordar, com mais profundidade, a prática sexual
de forma geral. E não falo apenas de perversões ou sexolatria, mas sim da
"normalidade" da prática sexual. Porque, senão, estaremos a dividir
o mundo entre os certos (aqueles que praticam o sexo normal) e os
errados (os que se permitem variações diversas durante a prática), o
que é um preconceito absurdo. E o que é "normal", na prática
sexual? Existirá um "check list" de atos, atitudes, palavras e
pensamentos que podem, ou não, serem realizados durante o ato sexual? É dito
que o instinto é uma inteligência que mais acerta do que a volição, ora, o
que muitos chamam de desvios morais na prática sexual é
moeda corrente no mundo animal. E agora? Não se venha que o argumento de que
não somos animais, porque o somos. O sexo entre parceiros sem compromisso
matrimonial é certo ou não? Para mim essa é uma pergunta retórica, pois os
costumes já estabeleceram essa prática como socialmente normal, desde a
revolução sexual que a pílula anticoncepcional provocou. Isto sem referência
ao adultério, que, eticamente significa uma deslealdade entre parceiros
comprometidos. Ora, com tantas coisas a serem resolvidas, que dizem respeito
à vivência sexual, espero que os que vivem a "ditar cátedra" quanto
a homossexualidade, já tenham resolvido estas "simples" questões em
suas vidas.
De minha parte, posso dizer que ainda estou meditando sobre elas, e
buscando respostas, e isto sem enfrentar a angustiante problemática da
homossexualidade, que os preconceitos estigmatizam de forma cruel, e no caso
do Movimento Espírita, em atentado à Lei do Amor e Caridade.
Escrito por Djalma Argollo às 09h18
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Pense nisso, o que é sexo
Palavras iluminadas
Sê generoso na prosperidade e grato no infortúnio.
Sê digno de confiança de teu próximo e dirige-lhe um olhar alegre e amável.
Sê um tesouro para o pobre, um conselheiro para o rico;
Responde ao apelo do necessitado e preserva sagrada a tua promessa.
Sê imparcial em teu juízo e cauteloso no que dizes.
A ninguém trates com injustiça e mostra toda humildade a todos os homens.
Sê como uma lâmpada para aqueles que andam nas trevas,
Sê causa de júbilo para o entristecido, um mar para o sequioso,
Um refúgio para o aflito, um apoio e defensor da vítima da opressão.
Que a integridade distinga todos os teus atos.
Sê um lar para o estranho, um bálsamo para quem sofre,
Uma torre de força para o fugitivo.
Para o cego deves tu ser olhos, e
Para os pés dos errantes, uma luz que guie.
Bahá ‘u’
lláh
Trabalhemos Amando
Na noite de 22 de abril de 1954,
o nosso Instrutor Emmanuel voltou a utilizar-se do equipamento mediúnico (Chico
Xavier) e, talvez porque os componentes do Grupo houvessem palestrado, antes da
reunião, sobre as diversas categorias das entidades espirituais que se
comunicam conosco, o venerável orientador tomou o assunto por tema de sua
mensagem que passamos a transcrever.
Meus amigos, trabalhemos amando.
A fim de que a glória do espírito se exprima, através do cérebro, na
cintilação do pensamento, é preciso que a cabeça se ajuste aos variados
departamentos do veículo carnal.
Para isso, é indispensável que cada elemento do corpo seja respeitado em
sua função específica.
Os olhos são funcionários da visão.
Os ouvidos são sentinelas do conhecimento.
As narinas são guardiãs do olfato.
A língua é a escultora da palavra.
O coração é o ministro do equilíbrio.
As mãos são artistas do trabalho.
Os pés são escravos da sustentação.
Temos, contudo, outros cooperadores em atividades mais humildes.
A epiderme é um manto protetor.
Os pulmões são câmaras de ar respiratório para a garantia da existência.
O estômago é o alambique da digestão.
O fígado é um condensador de energia vital.
O baço é um gerador de sangue.
O pâncreas é o excretor de enzimas.
Os intestinos são vasos de seleção técnica.
Os rins são filtros seguros e diligentes.
Os gases são recursos destinados à expulsão de venenos letais.
Tudo na colmeia celular do campo físico é solidariedade perfeita, com
especiais objetivos de progresso e aprimoramento.
Uma reunião de trabalhos mediúnicos é igualmente um corpo simbólico, exigindo
que a direção considere, em seu devido valor, todas as peças de sua composição
espiritual.
Espíritos angélicos são mensageiros de amor.
Espíritos instrutores são emissários de sabedoria.
Espíritos amigos são frascos de remédio curativo ou de perfume
amenizante.
Espíritos familiares são bênçãos de reconforto. Espíritos sofredores são
avisos à imprevidência.
Espíritos ignorantes são desafios à boa-vontade.
Espíritos em desequilíbrio são exercícios de paciência.
Espíritos cristalizados no mal são apelos ao bem.
Espíritos obsessores são oportunidades de concurso fraterno.
Espíritos necrosados na delinquência ou no vício são convites à oração.
Meus amigos, para a caridade tudo é grande! Na sementeira de luz, não há
serviço insignificante.
Na obra de redenção, não há tarefas desprezíveis.
Para as Leis Eternas, a mão do legislador que lavra um decreto é tão
venerável quanto a do enfermeiro que alivia uma chaga.
Trabalhemos, pois, amando, e que o Senhor nos abençoe.
Espírito Emmanuel
Soluções Terapêuticas da Medicina Espirita
Diante das enfermidades o Espiritismo não recomenda o conformismo, por isso é justo buscar a medicina terrena, que pode suavizar a dor e refrear a doença no limite da permissão de Deus. Se a Providência Divina pôs os remédios ao nosso alcance é porque podemos e precisamos utilizá-los a fim de combater as energias danosas que migraram do perispírito para o corpo físico.
Tem médico receitando bom humor, outro trocando remédio por aulas de surf para tratar doenças crônicas e até aquele que investe em comida fresquinha, saudável e barata. O médico Garth Davis, do Mermorian Herman Medical Center, no Texas, vem chamando atenção por cuidar de seus pacientes de uma forma muito orgânica. [1] Davis costuma receitar alimentos frescos como tratamento. Para isso, ele criou sua própria farmácia responsável por distribuir legumes, verduras e frutas orgânicas, a Farmacy Stand. Garth fechou uma parceria com a Kristina Gabrielle Carrillo-Bucaram, fundadora da Rawfully Organic, a maior rede de cooperação sem fins lucrativos de alimentos orgânicos com sede em Houston. [2]
Sem entrar no mérito das eficácias da alimentação sadia, dos medicamentos fitoterápicos, alopáticos ou homeopáticos, cremos que as causas das doenças transpõem os aspectos biológicos. Há enfermidades que exigem tratamentos demorados, outras vezes precisamos até de cirurgia, mas tudo tem sua matriz na alma e está sob as diretrizes da “Lei de Causa e Efeito”, que visa despertar a reforma moral do doente através de processos dolorosos.
Qualquer medida preventiva ou profilática em relação às doenças tem que se iniciar na conduta mental do doente, exteriorizando-se na ação moral que reflete o velho conceito latino: mens sana in corpore sano. A doença não é uma causa, é uma consequência proveniente dos alentos negativos que circundam os nossos organismos psicossomático e físico.
O controle das energias mento-espiritual é proeza dos pensamentos, dos desejos e dos sentimentos, portanto possuímos potências energéticas que nos causam saúde ou doenças em razão das disciplinas ou desordens mentais e emocionais. Por conseguinte, “assim como o corpo físico pode ingerir alimentos venenosos que lhe intoxicam os tecidos, também o organismo perispiritual absorve elementos que lhe degradam, com reflexos sobre as células materiais”. [3]
Se ainda não conseguimos disciplinar e dominar as emoções e mantemos paixões (ódio, inveja, mágoa, rancor, ideia de vingança), invariavelmente entraremos em sintonia com os irmãos enfermos do plano espiritual (obsessores), que emitirão fluidos maléficos para impregnar nosso perispírito, intoxicando-nos com suas emissões de energias insalubres, podendo nos levar a doenças crônicas.
Os médicos de boa formação espírita compreendem muito bem que a resposta para as enfermidades, que há milênios perturba a humanidade, está em nossa mente. Sobre a base dos estudos de médicos encarnados e desencarnados, a medicina à luz do espiritismo vem se fortalecendo cada vez mais na Terra. São enfermos e médicos, que encontraram na Doutrina Espírita diferentes interpretações para toda e qualquer enfermidade.
Ao contrário dos médicos tradicionais, os médicos espíritas dizem anular paradigmas ao avaliar, em seus consultórios, também a essência (alma) daquele paciente que busca socorro. Seja diante de um simples resfriado, um transtorno mental ou até mesmo um câncer, os médicos que abraçam o Espiritismo, ao contrário do médico clássico, não analisam no paciente apenas o corpo biológico enfermo, mas o espírito, a alma e suas vivências morais, que dizem muito para o diagnóstico eficaz.
Não ignoram os médicos espiritas que a saúde e a doença estão enraizados no espírito e não na matéria, como acredita a medicina clássica. Obviamente os tratamentos à luz do Espiritismo não abandonam os remédios tradicionais e tampouco as tecnologias, porém vão além. Propõem os recursos terapêuticos da água fluidificada. Indicam o passe, isto é, a transfusão de energias fisiopsíquicas através das emissões de magnetismo pela imposição das mãos de um médium. E ainda sugerem a técnica básica do tratamento da obsessão fundamentada na doutrinação dos espíritos envolvidos, encarnados e desencarnados.
Todos tipos de doenças pertencem às provas e às vicissitudes da vida terrena. São intrínsecos à nossa natureza material e à inferioridade do mundo que habitamos. Nos orbes mais adiantados, física e moralmente, o corpo humano, mais refinado e menos pesado, não está sujeito às mesmas doenças a que está exposto no nosso, e o corpo não é minado pela devastação das paixões. Se Deus não quisesse que pudéssemos curar ou aliviar os sofrimentos mentais e físicos, em certos casos, não teria colocado diversos meios medicinais à nossa disposição. Ao lado da medicação ordinária, elaborada pela ciência, o magnetismo e a desobsessão nos deram a conhecer o poder da ação dos Espíritos, e o Espiritismo veio comprovar-nos o potencial da mediunidade curativa e a poderosa influência da prece.
Jorge Hessen
[1] Disponível em http://razoesparaacreditar.com/saude/medico-cuida-de-paciente-com-alimentos-frescos-em-vez-de-remedios/ acessado em 25/06/2016
[2] idem
[3] Xavier , Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de janeiro: ED. Feb, 1999
No Trato com os Sofredores
Espírito Efigênio S. Vítor
Psicofonia Chico Xavier
Reunião da noite de 20 de setembro de 1956.
Para reconforto da nossa equipe de trabalho, quem compareceu no horário dedicado às instruções foi o nosso amigo espiritual Efigênio S. Vitor, que prelecionou, com felicidade e segurança, quanto ao impositivo da fraternidade cristã, no trato com os Espíritos sofredores.
Nossos modestos apontamentos desta noite objetivam acordar-nos a atenção para a responsabilidade no trato com os desencarnados sofredores, transviados em treva e perturbação.
É imprescindível aplicar a psicologia cristã em todas as fases do intercâmbio.
Em várias circunstâncias, essas entidades jazem extremamente ligadas aos nossos corações.
O obsessor muita vez será o companheiro enternecidamente querido à nossa alma e que se nos distanciou do caminho. Será um pai muito amado que nos partilhou a luta em passado próximo... Será uma criatura jungida a nós outros, através de vínculos preciosos que o pretérito nos restitui...
A amnésia temporária, que nos é imposta durante a reencarnação, à maneira de supremo recurso da Lei Divina para acomodar-nos a mente enfermiça à extirpação dos males profundos que nos atormentam a alma, não nos exime da cortesia e do respeito para com os seres que nos compartilham a sorte.
Daí procede o imperativo de muito carinho, prudência e ponderação na abordagem das mentes desequilibradas que nos visitam.
A sessão mediúnica para socorro a desencarnados padecentes pode ser comparada a uma clínica psiquiátrica, funcionando em nome da bondade de Nosso Senhor Jesus - Cristo.
O doutrinador ou os doutrinadores são médicos e enfermeiros com obrigações muito graves para com os necessitados e pacientes que os procuram.
Não podemos esquecer que o desencarnado dessa condição, transportando imensos conflitos em si próprio, é assim como pilha ressecada, com perda quase absoluta de potência elétrica, acolhendo-se numa pilha nova, carregada de energia – o médium a que se ajusta -, fazendo retinir a campainha das manifestações sensoriais, de modo a reequilibrar-se com a eficiência possível.
O médico sensato, frente ao enfermo que lhe pede auxílio, decerto não entrará em pormenorizadas indagações quanto a deslizes que terá ele cometido, por infortúnio da própria situação.
Não usará franqueza destrutiva.
Saberá dosar a verdade, veiculando-a através da água viva do amor, suscetível de regenerar os tecidos lesados por moléstias indefiníveis.
Invocará a essência do socorro divino, que palpita em toda a Natureza, estimulando-lhe, assim, a confiança.
Situá-lo-á no otimismo, na alegria e na esperança, a fim de que o poder curativo do Criador em cada célula viva possa entrar em ação.
E o doutrinador, na assembléia mediúnica, é um agente da mesma espécie, atendendo a uma dupla de pacientes, que, no caso, vem a ser o desencarnado doente e o médium que o abriga, pois que qualquer golpe vibrado sobre a entidade comunicante percutirá, de modo imediato, sobre a organização perispirítica do instrumento em serviço.
É por essa razão que, muitas vezes, se o doutrinador não se precata contra semelhantes perigos, o medianeiro humano, não obstante amparado por benfeitores responsáveis, costuma retirar-se da tarefa assistencial predisposto a perturbações orgânicas, porquanto, entre a organização medianímica que auxilia e o doutrinador que esclarece, se entrosam elos sutis de força, em torno do necessitado que está recolhendo o recurso de que precisa, a fim de refazer-se.
O desencarnado sofredor, no momento em que se comunica, permanece, dessa forma, temporariamente, quase que na posição de um filho espiritual das forças conjugadas do doutrinador e do médium.
Eis aí a razão por que devemos prezar com mais veemência a responsabilidade nos serviços desse teor.
Fazem-se indispensáveis a serenidade e a tolerância. E em qualquer fase mais complexa do esforço protecionista recordemos a oportunidade da prece como medicação inadiável para que a bênção de Mais Alto se registre na obra de solidariedade cristã que nos propomos efetuar.
Não nos esqueçamos, assim, de que na comunhão com as mentes torturadas, já libertas do vaso físico, é imprescindível aprendamos, com Jesus, a servir com paciência e carinho, para que a nossa máquina de trabalho não se resseque, por falta de combustível da humildade e do amor.
Reunião de Desobsessão
Essa
reunião é privativa e visa a auxiliar a desencarnados e encarnados em processo
de reajusto e à defesa do Centro Espírita contra as investidas de espíritos
avessos a Doutrina Espírita.
"Cada templo espírita deve e precisa possuir a sua equipe de servidores da
desobsessão quando não seja destinada a socorrer as vítimas da desorientação
espiritual que lhe rondam as portas para defesa e conservação de se mesma
(...)". Com base nesta afirmativa do Espírito de André Luiz, no intróito
da obra "Desobsessão", psicografia pelos médiuns Francisco Cândido
Xavier e Waldo Vieira,e nas instruções dadas por ele neste livro para
realização das reuniões privativas ( sem público) destinas à desobsessão, elas
deveram ser assim processadas:
1-
COMPOSIÇÃO DA MESA DIRETORA DOS TRABALHOS
Os
componentes da reunião, que nunca excederam ao número de quatorze, assumirão
funções específicas. Num grupo de até 14 integrantes, por exemplo, trabalharam
2 a 4 esclarecedores incluindo-se o
próprio dirigente da reunião, 2 a 4 médiuns passistas e 2 a 3 médiuns
psicofônicos.
2-
PREPARAÇÃO DO AMBIENTE ESPIRITUAL
(Tempo
aproximado em minutos)
Os
livros para leitura preparatória no grupo serão, de preferência:
a. "O Evangelho segundo
o Espiritismo";
b. "O Livro dos
Espíritos";
c. uma obra subsidiária que
comente os ensinamentos
do Cristo à nos dar Doutrina Espírita: "Pão Nosso", "Vinha de Luz", "Fonte Viva", "Palavras de Vida Eterna" etc.
do Cristo à nos dar Doutrina Espírita: "Pão Nosso", "Vinha de Luz", "Fonte Viva", "Palavras de Vida Eterna" etc.
Nota:
A leitura, que não ultrapassará 15 min, constituir-se-á, preferentemente, de um
item "O Livro dos Espíritos" e de um trecho de um dos livros de
comentários evangélicos. O dirigente, antes da prece inicial, diminuirá o grau
de luminosidade do ambiente.
3-PRECE
INICIAL
A
prece inicial obedecerá à concisão e à simplicidade e será proferida pelo
dirigente da reunião ou por quem este indicar.
4-
DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS
a. Manifestação inicial do
mentor. Feita a oração inicial o dirigente e a equipe mediúnica esperaram que o
mentor do grupo se manifeste pelo médium
psicofônico.
b. Manifestações dos
enfermos espirituais.
Observação: A palestra reeducativa com cada desencarnado em desequilíbrio, ressalvadas as situações excepcionais, não perdurará, assim, além de dez minutos.
Observação: A palestra reeducativa com cada desencarnado em desequilíbrio, ressalvadas as situações excepcionais, não perdurará, assim, além de dez minutos.
c. Radiações. O diretor do
grupo, terminadas as tarefas de desobsessões, rogará aos companheiros reunidos
vibrações de amor e tranqüilidade para os que sofrem. Um dos componentes da
equipe nomeado pelo dirigente poderá articular uma prece em voz alta, lembrando
na oração os enfermos espirituais que se comunicaram, os desencarnados que
participaram silenciosamente da reunião, os doentes nos hospitais, os irmãos
carentes de socorro e alivio, internados em casas assistenciais e instituições
congêneres.
d. Passes. Os médiuns passistas,
deslocando-se de seus lugares logo que o conjunto entre em silêncio necessário
às radiações atenderão aos passes, ministrando-os a todos os componentes do
grupo, sejam médiuns ou não. Os que vão
receber os passes não precisão mudar de posição.
e. Manifestação final do
mentor. O dirigente da reunião aguardará a manifestação do orientador
espiritual da reunião ou de algum instrutor desencarnado que deseje transmitir
aviso ou anotação edificante para estudo
e meditação do agrupamento. Na hipótese de se verificar que o orientador
desencarnado não deseja trazer nenhum aviso ou instrução, o dirigente fará a
prece final.
5-
PRECE FINAL
A
prece final obedecerá à concisão e à simplicidade e será proferida pelo dirigente da reunião ou
por quem este indicar.
6-
ENCERRAMENTO
Terminada
a prece final, o dirigente, com uma frase breve, dará a reunião por encerrada e
fará no recinto a luz plena.
IMPORTANTE:
Vale esclarecer que a reunião pode terminar antes do prazo de duas horas, a
contar da prece inicial, evitando-se, no entanto, exceder esse limite de tempo.
7-
RECOMENDAÇÕES
a. "Abster-se da
realização de sessões públicas para assistência a desencarnados sofredores, de
vez que semelhante procedimento é falta de caridade para com os próprios
Espíritos socorridos, que sentem, torturados, o comentário crescente e mal são
em torno de seu próprio infortúnio"
b. "evitar, quanto
possível, sessões sistematizadas de desobsessão, sem a presença de dirigentes
que reunam, em si, moral evangélica e suficientemente conhecimento
doutrinário"
c. pontualidade é sempre
dever, mas na desobsessão assume caráter solene;
d. a desobsessão deve ser
praticada no templo espírita, ao invés de ambientes outros, de caráter
particular. No templo espírita, os instrutores desencarnados conseguem
localizar recursos avançados do plano espiritual para o socorro a obsidiados e
obsessores;
e. os integrantes da equipe
precisam cultivar atitude mental digna, desde cedo, principalmente no dia
marcado para as tarefas de desobsessão;
f. a alimentação, durante
as horas que precedem o serviço de intercâmbio espiritual, será leve;
g. após o trabalho, seja ele
profissional ou doméstico, braçal ou mental, faça o seareiro da desobsessão o
horário possível de refazimento do corpo e da alma;
h. pelo menos durante alguns
minutos horas antes dos trabalhos, seja qual for a posição que ocupe no
conjunto, dedique-se o companheiro de serviço à prece e à meditação;
i. na chegada de enfermos e
obsidiados, sem aviso prévio, sejam adultos ou crianças, o doente e os
componentes podem ser admitidos, por momentos rápidos, na fase preparatória dos
serviços programados, recebendo passes e orientação. Findo o socorro breve,
retirar-se-ão do recinto;
j. manter registro dos
nomes e respectivos endereços dos assistidos;
k. é desaconselhável a
manifestação simultânea de duas ou mais entidades carentes de auxílio. Caso
isso se verifique, o dirigente alertará os médiuns no sentido de contê-las;
l. só se permitirá
passividade, no máximo, quatro vezes por reunião a cada médium;
m. deverá ser evitado que os
manifestantes doentes subvertam a ordem com pancadas (batimentos de mãos e
pés), ou outras manifestações ruidosas;
n. não é necessário a
presença do obsidiado na reunião de desobsessão (salvo orientaçao do Mentor)
para receber auxilio dos benfeitores espirituais;
o. em nenhuma circunstância,
o dirigente garantirá a cura ou marcará prazo para o restabelecimento completo
dos doentes, em particular dos obsidiados, sob pena de cometer leviandade;
p. quando a equipe dedicada
à desobsessão for chamada ao contato de determinado enfermo, retido no próprio
lar ou hospital, e havendo possibilidades para isso, indiscutivelmente a visita
deverá ser feita, porem o grupo deve fazer-se representar por uma comissão de
companheiros junto ao doente. Essa comissão deverá recolher o nome e o endereço
do irmão necessitado, abstendo-se da ação mediúnica diante dele, no que tange a
doutrinação e ao socorro aos desencarnados sofredores, reservando-se semelhante
tarefa para o recinto dedicado a esta mister;
q. os esclarecedores
deverão ser preparados, devidamente, para substituir o dirigente da reunião nos
seus impedimentos;
r. o dirigente deve:
i. "falar aos
comunicantes perturbadores e infelizes, com dignidade e carinho, entre a
energia e a doçura, detendo-se exclusivamente no caso em pauta"
ii. "em oportunidade
alguma, polemizar, condenar ou ironizar, no contato com os irmãos infelizes da
Espiritualidade"
iii. "oferecer a
intimidade fraterna aos comunicantes, aplicando o carinho da palavra e o fervor
da prece, na execução da enfermagem moral que lhes é necessária"
iv. "suprir indagações
no trato com as entidades infortunadas, nem sempre em dia com a própria
memória, como acontece a qualquer doente grave encarnado"
Palestra Educativa
Na noite de 16 de fevereiro de 1956, fomos felicitados com a visita do nosso amigo espiritual, P.Comanducci, que foi médium extremamente devotado à causa do bem, cuja palavra passou a enfeixar a palestra educativa, aqui expressa:
Se há entidades desencarnadas que obsidiam criaturas humanas, temos criaturas humanas que vampirizam as entidades desencarnadas.
Isso é extremamente sabido.
Morando hoje, porém, no mundo dos Espíritos, em verdade não sei onde é maior a percentagem daquelas mentes que se consagram a semelhantes explorações.
Se da Terra para o além-túmulo, se do além-túmulo para a Terra...
Daí a necessidade do mais amplo cuidado nas instituições espírita-cristãs, em nossas lutas no intercâmbio.
Temos por diretriz clara e simples a Codificação do Missionário excelso que no século passado se entregou de alma e corpo à exumação dos princípios evangélicos, para trazer-nos, em nome do Cristo, a edificação de nossa fé.
Ainda assim, somos largamente tentados a favorecer a movimentação descendente do serviço que devemos à Humanidade, de vez que o menor esforço é uma espécie de “tiririca” no campo doutrinário em que fomos situados para aprender e servir.
Em plena fase de nossa iniciação no conhecimento espírita, habitualmente tomamos contacto com amigos desencarnados, detentores de conhecimento menos elevado que o nosso, a se nos ajustarem ao modo de ser e de viver, através dos fios da afetividade nem sempre bem conduzida, e, de imediato, somos induzidos aos problemas do favor.
Dificuldades morais cristalizam-se, obscuras, porque, se há desencarnados com vocação da sanguessuga, há muitos companheiros na carne com a inquietação da “chupeta”.
E ao invés do trabalho de recuperação de nossos próprios destinos, muitas vezes somos vítimas das próprias distrações, criando desajustes que, hoje aparentemente inofensivos, nos aguardam, amanhã, à feição de grandes desequilíbrios.
É necessário intensificar em nossas casas de ação um vasto trabalho de estudo e discernimento, para que a embarcação de nosso ideal não permaneça à matraca sobre as águas traiçoeiras da preguiça e da mistificação.
Não encontramos nos livros do Codificador qualquer conselho a determinados tipos de requisições ao mundo espiritual.
Não vemos Allan Kardec organizando reuniões ou círculos de prece para atender a comezinhas questões da luta humana, questões essas que exprimem lições indispensáveis à consolidação de nossa fé operosa e construtiva.
Não encontramos no Evangelho, fonte máter do Espiritismo, em suas linhas essenciais, qualquer atitude do Cristo que assegure imunidades à magia da delinqüência.
Decerto, observamos o Senhor cercado por doentes que reclamavam alívio...
Vemo-lo, seguido de mães sofredoras, de crianças sem lar, de velhos sem esperança, de mutilados sem rumo, suplicando luz e coragem, amparo e esclarecimento, de modo a superarem mazelas e fraquezas, e reparamo-lo distribuindo o remédio, o socorro moral, a consolação e a bênção, a frase compassiva e o socorro de amor...
Entretanto, nunca vimos o Excelso Benfeitor, junto de romanos influentes, cogitar de propinas materiais a benefício dos aprendizes da Boa-Nova, não observamos a fé procurando impetrar o apoio celeste para matrimônios de força, para diminuir querelas na justiça humana, nem para a solução de quaisquer assuntos de natureza inferior, que, atinentes à experiência carnal, servem simplesmente como recursos de aprendizado, no campo de provas em que somos naturalmente localizados na Terra, para a consumação de nosso resgate ou para a elevação de nossas experiências.
Eis a razão pela qual, na posição de médium desencarnado que agora somos, podemos assegurar-vos que qualquer displicência da nossa parte, no assunto em lide; gera problemas muito difíceis para a nossa vida no Além, porquanto, se determinadas soluções reclamam amor, exigem também fortaleza de ânimo, para atingirem o desejável remate, com a dignidade precisa.
Não podemos escorraçar os que rogam obséquios do Além, em muitas ocasiões com vistas à criminalidade, mas não será lícito contemporizar com o intuito perverso que, muitas vezes, lhes dita os impulsos.
Indiscutivelmente, não podemos abraçar a tolerância com o mal, mas não será justo fugir à paciência, em benefício das vítimas dele, para que o espinheiro das trevas seja extirpado da região de serviço em que o Senhor nos localiza.
Muitos daqueles que hoje indagam pela possibilidade de cooperação inferior, amanhã podem solicitar o concurso genuíno do Céu.
Daí a nossa condição de hífens da caridade entre desencarnados menos esclarecidos e amigos humanos menos avisados, e, daí, o imperativo de muita serenidade, com o Evangelho do Senhor a reger a existência, para que não venhamos a escorregar no desfiladeiro da sombra.
É necessário estender mãos abertas e fraternais aos infelizes que se fazem vitimas da ignorância e da má-fé, contudo é indispensável que nosso coração não se imante aos propósitos menos dignos de que são portadores, a fim de que estejamos, no Espiritismo e na Mediunidade, atentos aos nobres deveres que nos prendem aos compromissos assumidos.
Na vida espiritual, encontrei muitos obstáculos que até hoje ainda não consegui de todo liquidar, em razão de minha imprevidência no trato com os interesses da alma. .
É por isso que, ao nos comunicarmos convosco, nesta noite, solicitai a todos os companheiros, presentes e ausentes, cautela contra o menor esforço, o terrível escalracho que nos ameaça a esfera de manifestações. É por esse motivo que vos pedimos estudo e boa-vontade.
Não nos reportamos, no entanto, simplesmente ao ato de ler.
Leitura só por si, na alimentação da alma, equivale a simples ingestão de alimentos na sustentação do corpo.
Imprescindíveis se fazem a meditação e a aplicação do conhecimento superior para o acrisolamento do espírito, tanto quanto são necessárias a digestão e a assimilação dos valores ingeridos para a saúde e a robustez do veículo carnal de que nos utilizamos na Terra.
A alma necessita incorporar a si mesma os recursos que lhe são administrados pela Providência Divina, através das divinas instruções que fluem do Evangelho, que se derrama da Codificação Kardequiana e que vertem das mensagens de elevado teor, para que esteja realmente em dia com as obrigações que lhe cabem no mundo.
Procuremos, assim, a nossa posição de aprendizes fiéis ao Cristo e de trabalhadores leais da nossa Causa, porque, segundo as facilidades do intercâmbio, estabelecidas em nossos templos de caridade e de fé, ou faremos do Espiritismo um oráculo tendencioso e tumultuário, para a satisfação de baixos caprichos humanos, ou convertê-lo-emos no grande santuário de nossa ascensão para a Divina Imortalidade, através da sublimação de nossa vida.
Espírito P. Comanducci
Lenda da Estrela Divina
Reunião da noite de 5 de julho de 1956.
Para surpresa nossa, quem nos brindou com
a sua visita, ao final de nossas tarefas, foi o Irmão X, que pela primeira vez
falou em nosso recinto, insuflando-nos vigorosa emoção.
De passagem por nosso templo, trago-vos à
meditação um apólogo simples.
Convencido de que somente através do
próprio trabalho conseguiria entesourar as bênçãos de seu Divino Criador, o
Homem compareceu diante do Altíssimo e rogou humildemente:
Pai, aspiro a conquistar a vossa grandeza
infinita... Que fazer para penetrar os domínios da vossa glória?
O Todo-Compassivo louvou-lhe os propósitos
e determinou:
– Desce à Terra e convive com os teus
irmãos.
O Homem nasceu e renasceu, muitas vezes,
adquirindo experiência em diversas nações, e voltou ao Paraíso, ostentando na
fronte a auréola da Cultura.
Não contente, entretanto, pediu ao Soberano
da Vida:
Pai, anseio conhecer-vos a força... Como
proceder para atingir semelhante graça?
O Todo-Bondoso afagou-lhe a alma inquieta
e ordenou:
– Desce à Terra e dirige os teus irmãos.
O Homem nasceu e renasceu, muitas e muitas
vezes, fazendo leis e gastando fortunas, construindo fronteiras e levantando
monumentos religiosos, plasmando a beneficência e disciplinando as sociedades,
brandindo armas e desfraldando bandeiras, mandando e comandando, fascinado
pelos poderes e pelos bens da Terra, como se os bens e os poderes da Terra lhe
pertencessem, e retornou ao Lar Eterno, guardando nas mãos o cetro da Autoridade.
Não contente, todavia, suplicou ao Senhor
Supremo:
– Pai, suspiro por aprender convosco a
criar emoções sublimes... Como agir para entender a vossa beleza augusta?
O Todo-Sábio contemplou-o, benevolente, e
aconselhou:
– Desce à Terra e procura formar
pensamentos iluminados e nobres para consolo e progresso de teus irmãos.
O Homem nasceu e renasceu, muitas e muitas
vezes, trabalhando a pedra e o metal, a madeira e a argila, a palavra e o som,
o pincel e a rima, e retornou à Luz das Luzes, transportando nos olhos e nos
ouvidos, na língua e nos dedos a magia da Arte.
Contudo, não satisfeito ainda, rojou-se
aos pés do Senhor e pediu em lágrimas:
– Meu Pai, tenha saudades de vosso
convívio... Não quero apartar-me de vosso olhar! Que fazer para demorar-me nos
Céus?
O Todo-Misericordioso abraçou-o com
ternura e ajuntou:
– Ah! meu filho, que pedes tu agora? Para,
que te detenhas no Céu é necessário desças à Terra e ajudes a teus irmãos.
E o Homem nasceu e renasceu, por longos e
longos séculos, sofrendo, sem reclamar, injúrias e ultrajes, lapidações e
calúnias, miséria e abandono, chagas e açoites, procurando auxiliar os outros
sem cogitar do auxílio a si mesmo, até que, um dia, terrìvelmente fatigado e
sozinho, mas de coração alegre e consciência tranqüila, retornou aos Eternos
Tabernáculos.
Não precisou, no entanto, anunciar a sua
presença, porque as Portas Celestiais se lhe descerraram ditosas.
Flores inclinaram-se-lhe à passagem.
Constelações saudavam-no em regozijo.
Anjos cantavam, em surdina, celebrando-lhe
o triunfo.
E o próprio Senhor, na carruagem
resplendente de sua Glória, veio recebê-lo nos Pórticos Sagrados, exclamando,
de braços abertos:
- Bem-aventurado sejas, filho meu!...
Agora a Criação inteira é tua... Todos os meus segredos te pertencem. E,
estejas onde estiveres, viveremos juntos para sempre.
Esmagado de júbilo, em riso e pranto, o
Homem compreendeu, sem palavras, que a felicidade do amor puro lhe fluía
sublime dos refolhos do ser, em torrentes de alegria misteriosa...
É que ele trazia, fulgente no coração, a
Estrela Divina da Humildade.
Desde então, pôde habitar na Casa do
Senhor por longos dias...
Irmão X
Experiência “Pré-Morte” Sanciona Imortalidade
Em 1998, durante uma regata, Lars Grael, iatista brasileiro,
detentor de 2 medalhas olímpicas, teve 2 paradas cardíacas após sua perna
direita ter sido decepada por uma lancha que o atropelou quando velejava em
Vitória. Ao ser amputada a sua perna e perder muito sangue, Grael teve paradas
cardíacas e conheceu uma experiência de quase-morte. Nas palavras do próprio
Lars, “foi uma experiência muito difícil de descrever”. O médico José Carlos
Ramos de Oliveira, outro sobrevivente de parada cardíaca, endossa a sensação de
Lars: “só quem passou por isso sabe o que é uma “experiência de quase morte”.
Outro caso foi a de Maria Aparecida Cavalcanti , radialista e professora
universitária em São Paulo, que afirma ter passado por 3 “experiências de
quase-morte”. O relato abaixo se refere à segunda dessas experiências, ocorrida
depois de um desastre automobilístico em Santa Catarina, em 1994.
“No momento do acidente, eu me senti tragada por um ‘túnel de
vento’. Fiquei flutuando no asfalto e vendo o carro capotar num barranco. Outro
carro parou e 3 homens saíram dele. Um deles desceu o morro e disse: ‘Tem uma
mulher morta ali’. Era eu. Não tive nenhum choque ao ver o corpo – apenas
lamentei, em pensamento, o que tinha sofrido. Fora do corpo, conseguia enxergar
em todas as direções ao mesmo tempo. Então eu avistei 2 pessoas flutuando acima
do morro. Uma delas era uma mulher morena. A outra, a silhueta de um homem
alto, me pareceu conhecida – apesar de ser transparente. A moça esticou o braço
direito e disse, sem mexer a boca: ‘tenha calma; isso está na sua programação’.
Essa frase funcionou para mim como uma senha. Era como se eu resgatasse toda a minha
memória. Deslizei em direção à dupla, mas lembrei que meu único filho de 12
anos estava sozinho num chalé sem vizinhos e sem telefone. Alguém precisava
resgatá-lo. Nesse mesmo instante, fui tragada de novo pelo túnel e voltei ao
corpo. Daí senti uma dor horrível. Foi o único jeito de avisar a família sobre
o acidente e resgatar meu filho.”[1]
O Dr. Raymond Moody popularizou o termo “experiência de
quase-morte” em seu livro “Vida após a vida”, escrito em 1975. Posteriormente,
em 1982, o pesquisador George Gallup Jr. e William Proctor publicaram a
“Aventuras na imortalidade”, um livro que aborda a “experiência de quase-morte”
baseado em duas pesquisas do Instituto Gallup, refletindo especificamente a
quase morte e a crença na vida após a morte. Outro distinto estudioso Kenneth
Ring, um dos mais prolíficos pesquisadores e autores de estudos sobre
“experiência de quase-morte”, relata um grande número de indivíduos que
adquiriram autoconfiança e se tornaram mais extrovertidos após a experiência.
Kenneth também verificou que as pessoas que passam por “experiência de
quase-morte” tendem a perceber um aumento no senso de sentimentos religiosos e
crença em um mundo espiritual.
As teorias que explicam as “experiências de quase-morte” caem em
duas categorias básicas: explicações científicas (incluindo médicas,
fisiológicas e psicológicas) e explicações transcendentes (incluindo
espirituais e religiosas). Obviamente, essas últimas não podem ser provadas nem
negadas. A explicação metafísica mais comum é que alguém que passa por uma
“experiência de quase-morte” está, na verdade, experimentando e lembrando de
coisas que aconteceram com sua consciência não corpórea (espiritual).
É natural que a ciência clássica – cuja realidade só admite o
que pode ser observado e medido – não corrobora a retórica mística, mas não
oferece meios de resolver essa questão, os cientistas têm tão-somente
comprovado que as drogas cetamina [2] e PCP (cloridrato de fenciclidina), por
exemplo, podem criar sensações nos usuários que são quase idênticas a muitas
“experiências de quase-morte”. Obviamente, isso apenas raspa a superfície das
explicações possíveis para uma “experiência de quase-morte”.
Relatos sobre visões do que ocorre ‘do lado de lá’ são tão
antigos quanto às pirâmides egípcias, às epopéias gregas e aos registros das
civilizações indianas e chinesas. Na obra “República”, de Platão narra-se a
história de um soldado morto pelo inimigo que viajou para a Terra dos Mortos,
mas foi proibido de beber do Rio do Esquecimento porque tinha que retornar à
vida. Relatos mais atuais de visões perto da morte foram feitos por Ernesto
Bozzano em 1908, descreveu que muitas pessoas, em seu leito de morte, afirmavam
ver pessoas conhecidas que já haviam morrido. Em 1927, o físico inglês sir
William Barrett, membro da Royal Society, publicou o livro Deathbed Visions, no
qual relata que essas pessoas não só viam parentes e amigos falecidos, mas
contavam histórias de outros mundos. Na década de 1960, o parapsicólogo
americano Karlis Osis fez um estudo-piloto sobre essas visões e encontrou
algumas coincidências, como o fato de a maioria dos testemunhos se referir a
conversas com pessoas já mortas.
Para alguns pesquisadores tais experiências sugerem a existência
da mente, ou consciência, independentemente do cérebro, ou mesmo da existência
e sobrevivência da “alma”. Obviamente que outros pesquisadores, os
materialistas, têm convicção de que tais experiências são apenas o produto de
um cérebro em estado fisiológico alterado. Naturalmente isso não invalida suas
pesquisas , pois os Benfeitores do Além explicam que “assim como o Espírito
atua sobre a matéria, também esta reage sobre ele, dentro de certos limites, e
que pode acontecer impressionar-se o Espírito temporariamente com a alteração
dos órgãos pelos quais se manifesta e recebe as impressões”. [3]
A Doutrina Espírita fornece elementos que permitem concluir que
muitas das “experiências e quase morte” resultam do desligamento parcial do
perispirito. Na questão 157 de O Livro dos Espíritos , Kardec indagou: No
momento da morte, a alma sente, alguma vez, qualquer aspiração ou êxtase que
lhe faça entrever o mundo aonde vai de novo entrar? Os Espíritos alumiaram o
tema respondendo: “Muitas vezes a alma sente que se desfazem os laços que a
prendem ao corpo. Já em parte desprendida da matéria, vê o futuro desdobrar-se
diante de si e goza, por antecipação, do estado de Espírito.”[4]. Na questão
407 o Codificador perguntou: É necessário o sono completo para a emancipação do
Espírito? Os Seres do Além responderam: “Não; basta que os sentidos entrem em
torpor para que o Espírito recobre a sua liberdade. Desde que haja prostração
das forças vitais, o Espírito se desprende, tornando-se tanto mais livre,
quanto mais fraco for o corpo.” [5] Além disso, na questão 424 o mestre lionês esquadrinhou
de forma sutil: Por meio de cuidados dispensados a tempo, podem reatar-se laços
prestes a se desfazerem e restituir-se à vida um ser que definitivamente
morreria se não fosse socorrido? A resposta dos Espíritos: “Sem dúvida e todos
os dias tendes a prova disso.”[6]
A morte não é mais a mesma. Hoje um coração parado não significa
que seu dono vá, necessariamente, passar para o “lado de lá”. Graças a uma
série de procedimentos médicos e um aparelhinho chamado desfibrilador, uma
parcela razoável de pacientes dados como mortos tem sido “ressuscitada” nas
UTIs mundo afora. Várias dessas pessoas têm histórias para contar. São
histórias que desconcertam a ciência com perguntas muito difíceis – e que só
agora começam a ser respondidas. As “experiências de quase-morte” parecem
oferecer alguma esperança de que a morte não é necessariamente algo a ser
temido, nem é o fim da consciência. Mesmo a ciência tem dificuldades para lidar
com a morte – a comunidade médica tem se debatido por décadas com definições específicas
para morte clínica, morte orgânica e morte cerebral.
Jorge Hessen
Nota e referências
bibliográficas:
[1] Disponível em < http://super.abril.com.br/ciencia/na-fronteira-da-morte > acesso no dia 21/05/2016
[2] É uma droga dissociativa usada para fins de anestesia, com efeito hipnótico e
características analgésicas
[3] Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, questão 374a, Rio de Janeiro: Ed. FEB 2001
[4] Idem questão 157
[5] Idem questão 407
[6] Idem questão 424
A Parábola do Semeador
Afluindo uma grande multidão e vindo ter com ele
gente de todas as cidades, disse Jesus em parábola:
“Saiu o semeador para semear a sua semente. E
quando semeava, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do Céu
a comeram. Outra caiu sobre a pedra; e tendo crescido, secou, porque não tinha
umidade. Outra caiu no meio dos espinhos; e com ela cresceram os espinhos, e
sufocaram-na. E outra caiu na boa terra, e, tendo crescido, deu fruto a cento
por um. Dizendo isto clamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.
“Os seus discípulos perguntaram-lhe o que
significava esta parábola. Respondeu-lhes Jesus: A vós é dado conhecer os
mistérios do Reino de Deus, mas aos outros se lhes fala em parábolas, para que
vendo não vejam: e ouvindo não entendam”.
“O sentido da parábola é este:
A semente é a palavra de Deus. Os que estão à beira
do caminho são os que têm ouvido; então vem o diabo e tira a palavra dos seus
corações, para que não suceda que, crendo, sejam salvos. Os que estão sobre a
pedra são os que, depois de ouvirem, recebem a palavra com gozo; estes não têm
raiz e crêem por algum tempo, mas na hora da provação voltam atrás. A parte que
caiu entre os espinhos, estes são os que ouviram, e, indo seu caminho, são
sufocados pelos cuidados, riquezas e deleites da vida e o seu fruto não
amadurece. E a que caiu na boa terra, estes são os que, tendo ouvido a palavra
com coração reto e bom, a retêm e dão frutos com perseverança”.
(Mateus, XIII, 1-9 – Marcos, IV. 1-9 – Lucas, VIII, 4-15.)
(Mateus, XIII, 1-9 – Marcos, IV. 1-9 – Lucas, VIII, 4-15.)
A
Parábola do Semeador é a parábola das parábolas: sintetiza os caracteres
predominantes em todas as almas, ao mesmo tempo que nos ensina a distingui-las
pela boa ou má vontade com que recebem as novas espirituais.
Pelo
enredo do discurso vemos aqueles que, em face da palavra de Deus, são “beiras
do caminho” onde passam todas as idéias grandiosas como gentes nas estradas,
sem gravarem nenhuma delas; são “pedras” impenetráveis às novas idéias, aos
conhecimentos liberais; são “espinhos” que sufocam o crescimento de todas as
verdades, como essas plantas espinhosas que estiolam e matam os vegetais que
tentam crescer nas suas proximidades.
Mas
se assim acontece para o comum dos homens, como para a grande parte terra
improdutiva, que faz parte do nosso mundo, também se distingue, dentre todos,
uma plêiade de espíritos de boa vontade, que ouvem a palavra de Deus, põe-na
por obra, e dessa semente bendita resulta tão grande produção que se pode
contar a “cento por uma”.
De
maneira que a “semente” é a palavra de Deus, a lei do amor que abrange a
Religião e a Ciência, a Filosofia e a Moral, inclusive os “profetas” e se
resume no ditame cristão: “Adora a Deus e faze o bem até os teus próprios
inimigos”.
A
palavra de Deus, a “semente”, é uma só, quer dizer, é sempre a mesma que tem
sido apregoada em toda parte, desde que o homem se achou em condições de
recebê-la. E se ela não atua com a mesma eficácia em todos, deriva esse fato da
variedade e da desigualdade de Espíritos que existem na Terra; uns mais
adiantados, outros mais atrasados; uns propensos ao bem, à caridade, à
liberalidade, à fraternidade; outros propensos ao mal, ao egoísmo, ao orgulho,
apegados aos bens terrenos, às diversões passageiras.
A
terra que recebe as sementes, representa o estado intelectual e moral de cada
um: “beira do caminho, pedregal, espinhal e terra boa”.
Acresce
ainda que nem todos os pregoeiros da palavra a apregoam tal como ela é, em sua
simplicidade e despida de formas enganosas. Uns revestem-na de tantos
mistérios, de tantos dogmas, de tanta retórica; ornam-na com tantas flores que,
embora a “palavra permaneça”, fica obscurecida, enclausurada na forma, sem que
lhe possa ver o fundo, o âmago, a essência!
Muitos
a pregam por interesse, como o “mercenário que semeia”; outros por vanglória,
e, grande parte, por egoísmo.
Nestes
casos não dissipam as trevas, mas aumentam-nas; não abrandam corações, mas
endurecem-nos; não anunciam a palavra, mas dela fazem um instrumento para
receber ouro ou glórias.
Para
pregar e ouvir a palavra, é preciso que não a rebaixemos, mas a coloquemos
acima de nós mesmos; porque aquele que despreza a palavra, anunciando-a ou
ouvindo-a, despreza o seu instituidor, e como disse ele: “Quem me despreza e
não recebe as minhas palavras, tem quem o julgue; a palavra que falei, esta o
julgará no último dia: Sermo, quem locutus sum, ille judicabit eum in novíssimo
dia”. (João, XII, 48.).
Que
belíssimo quadro apresenta-se às nossas vistas, quando, animados pelo
sentimento do bem e da nossa própria instrução espiritual, lemos, com atenção,
a Parábola do Semeador! À nossa frente desdobra-se vasto campo, onde aparece a
extraordinária figura do excelso semeador, o maior exemplificador do amor de
todas as idades, e aquele monumental sermão ressoa aos nossos ouvidos,
convidando-nos à prática das virtudes ativas, para o gozo das bem-aventuranças
eternas!
O
Espiritismo, Filosofia, Ciência e Religião, independente de todo e qualquer
sectarismo, é a doutrina que melhor nos põe a par de todos esses ditames,
porque ao lado dos salutares ensinos, faz realçar a sobrevivência humana, base
inamovível da crença real que aperfeiçoa, corrige e felicita!
Que
os seus adeptos, compenetrados dos deveres que assumiram, semelhantes ao
semeador, levem a todos os lares e plantem em todos os corações, a semente da
fé que salva, erguendo bem alto essa luz do Evangelho, escondida sob o alqueire
dos dogmas e dos falsos ensinos que tanto têm prejudicado a Humanidade!
Cairbar Schutel
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