Perseverar
...perseveremos no bem sobretudo.
...a estrada provavelmente se nos erigirá lodacenta ou agressiva pelos tropeços e espinhos que apresente ...
Perseveremos servindo para transpô-la.
...o ambiente terá surgido carregado de nuvens, na condensação de injúrias ou incompreensões que nos circundem...
Perseveremos ofertando aos outros o melhor de nós em favor dos outros e os outros nos auxiliarão para vencer as sombras e dissipá-las.
...ansiedades e esperanças nos visitam a alma, transformando-se em obstáculos para a obtenção da alegria que nos propomos alcançar...
Perseveremos agindo na prática do bem e, dentro desse exercício salutar de sublimação, surpreenderemos, por fim, a região de acesso às bênçãos que buscamos.
...as lutas e desafios se nos avolumam na marcha...
perseveremos na humildade e na paciência que nos garantirão a segurança e a tranqüilidade das quais não prescindimos para seguir adiante.
...discórdias e problemas repontam das tarefas a que consagramos as nossas melhores forças...
Perseveremos na serenidade e na elevação, dentro dos encargos que nos assinalem a presença onde estivermos, e seremos aqueles ingredientes indispensáveis de união e de paz nos grupos do serviço de que partilhamos atendendo às obrigações que nos competem ao espírito de equipe.
...filhos, provas e tribulações, pedras e espinhos, conflitos e lágrimas, desarmonias e empeços existirão sempre na estrada que se nos desdobra à visão...
no entanto, se é fácil começar o apostolado do amor, é sempre difícil continuar em direção do remate vitorioso.
...perseverar é o impositivo de que não nos será lícito fugir...
Perseverar trabalhando e servindo, entendendo e edificando, aprendendo e redimindo...
...perseverar sempre de modo a nunca desanimar na construção do bem a fim de merecermos o bem maior.
Espírito: Bezerra de Menezes
Psicografia de Chico Xavier. Livro: Bezerra, Chico e Você
A Palavra de Jesus
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| Meimei |
Reunião de 6 de outubro de 1955.
Na parte final de nossas tarefas, tivemos a alegria de ouvir
Meimei, a nossa abnegada irmã de sempre, que nos falou, comovida, sobre a
palavra de Jesus.
Meus irmãos.
Deus nos abençoe.
A palavra do Cristo é a luz acesa para encontrarmos na sombra
terrestre, em cada minuto da vida, o ensejo divino de nossa construção
espiritual.
Erguendo-a, vemos o milagre do pão que, pela fraternidade, em nós
se transforma, na boca faminta, em felicidade para nós mesmos.
Irradiando-a, descobrimos que a tolerância por nós exercida se
converte nos semelhantes em simpatia em nosso favor.
Distribuindo-a, observamos que o consolo e a esperança, o carinho
e a bondade, veiculados por nossas atitudes e por nossas mãos, no socorro aos
companheiros mais ignorantes e mais fracos, neles se revelam por bênçãos de
alegria, felicitando-nos a estrada.
Geme a Terra, sob o pedregulho imenso que lhe atapeta os
caminhos...
Sofre o homem sob o fardo das provações que lhe aguilhoam a
experiência.
E assim como a fonte nasce para estender-se, desce o dom inefável
de Jesus sobre nós para crescer e multiplicar-se.
Levantemos, cada hora, essa luz sublime para reerguer os que caem,
fortalecer os que vacilam, reconfortar s que choram e auxiliar os que padecem.
O mundo está repleto de braços que agridem e de vozes que
amaldiçoam.
Seja a nossa presença junto dos outros algo do Senhor inspirando
alegria e segurança.
Não nos esqueçamos de que o tempo é um empréstimo sagrado e quem
se refere a tempo diz oportunidade de ajudar para ser ajudado, de suportar para
ser suportado, de balsamizar as feridas alheias para que as nossas feridas
encontrem remédio e sacrificarmo-nos pela vitória do bem, para que o bem nos
conduza à definitiva libertação.
Nós que tantas vezes temos abusado das horas para impor, aos que
nos seguem, o Reino do Senhor, à força de reprovações e advertências, saibamos
edificá-lo em nós próprios, no silêncio do trabalho e da renúncia, da humildade
e do amor.
Meus irmãos, no seio de todos os valores relativos e instáveis da
existência humana, só uma certeza prevalece – a certeza da morte, que restitui
às nossas almas os bens ou os males que semeamos nas almas dos outros.
Assim, pois, caminhemos com Jesus, aprendendo a amar sempre, repetindo
com Ele, em nossas proveitosas dificuldades de cada dia: - “Pai Nosso, seja
feita a vossa vontade, assim na Terra como nos Céus.”
Chico Xavier
Pense nisso, o que é sexo
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(Este artigo é uma atualização de outro do mesmo nome escrito por mim
em 1957, e ainda hoje é lido e transcrito em todo o movimento espírita.).
Muito se tem escrito e discutido, nos últimos tempos, no movimento
espírita a questão homossexual. A discussão, como vem ocorrendo, me parece
fora do seu contexto real. Numa boa aplicação do pensamento lógico, antes de
se abordar a parte, deve-se conseguir uma clara visão do todo. Está a se
debater o homossexualismo, sem haver sido deslindada a problemática sexual.
Sócrates desmascarou a pretensa "sabedoria" de muitos dos
seus contemporâneos, pedindo a eles que definissem os termos que usavam.
"Incorporando" o método socrático, deveríamos estar questionando os
espíritas que pensam: "O que é o sexo?" E não vale a breve
resposta: é um sistema orgânico que permite a reprodução das espécies.
Não só é uma resposta óbvia, como simplista e incompleta, Senão vejamos,
rapidamente: sendo o sexo apenas para perpetuação da espécie, porque muitos
animais, em estado de natureza, praticam o homossexualismo, que não atende ‘a
finalidade instintiva da reprodução?
Estudando a Codificação e as obras espíritas, psicografadas ou não,
tidas como adequadas, por causa dos médiuns e espíritos que as assinam, não
consegui, até o momento, fazer uma idéia clara do que, em última analise,
seja "sexo". Praticá-lo é uma coisa, saber o que realmente é,
outra.
No Livro dos Espíritos, a única abordagem direta sobre o assunto, é a
seguinte: "Os Espíritos tem sexos? 'Não como vós o entendeis, porque os
sexos dependem da organização. Existe entre eles amor e simpatia, porém
fundados sobre a similitude dos sentimentos'") (Livro dos Espíritos,
Fundação Lar Harmonia, 2007, questão 200).
Em francês, o termo "organisation" tem os mesmo significados
que em português e, também, o "organismo", sendo que, hoje em dia,
neste sentido, é empregado, como em português, com um complemento
aclamatório: "organização física, corporal, orgânica" etc.). Pela
resposta, os espíritos estariam destituídos de sexo, no sentido biológico, isto
é, não possuiriam aparelho reprodutor, logo, também não teriam hormônios
sexuais em sua estrutura, mas sim uma outra forma de manifestação (não
como o entendeis ou seja, diferente daquilo que temos e sabemos). E,
pelo que se sabe do mundo espiritual, não poderiam tê-lo, pois seria,
enquanto órgão, desnecessário, pois não se reproduziriam (aplicando-se o
critério de universalidade dos ensinos dos espíritos ao assunto, não existe
um coeficiente expressivo de mensagens que revelem a ocorrências de
reprodução sexual entre os espíritos. Uma afirmação de um espírito, através
de um médium, segundo Kardec, não constitui nem evidência, quanto mais prova.
Qualquer afirmação nesse sentido deveria trazer uma justificativa
pormenorizada sobre a questão, bem como uma real explicação do por que não
foi abordado até hoje por diversas outras mensagens espirituais). Ainda,
segundo a resposta, eles se vinculam no mundo espiritual por
"sentimento", por afinidade eletiva.
Fica, contudo, uma pergunta, sendo que o corpo é estruturado e mantido
pela organização perispiritual, de onde vem o impulso que fixa, durante a
organogênese, a definição do gênero em sentido físico? Há que se buscar
respostas efetivas, e não "petitio principii" ou floreios verbais,
muito bonitos e emocionantes, mas sem significação concreta, tais como:
"almas passivas e almas ativas", pois ainda cabe perguntar: o
que são almas passivas, e porque o são, assim como as ativas. Como se vê,
uma resposta desse tipo é adiar o problema, e não solucioná-lo.
Freud concebeu o sexo, em ultima analise, como uma forma de energia, a libido.
Os teosofistas e hinduístas também se referem a uma energia sexual, própria
da alma que, a semelhança da libido, poderia ser "sublimada", ou
seja, transferida para outro tipo de atividade do individuo (o que a
Psicologia Analítica contesta, porque faz da libido energia própria do
psiquismo e não do sexo em particular). André Luiz descreve o sexo como uma
manifestação de uma energia específica: o amor, pelo qual os seres se
alimentam uns aos outros. Então, dever-se-ia entender que os espíritos, nas
Obras Básicas, ao falarem de "amor e simpatia", estariam querendo
dizer que a libido é uma energia da alma como um todo? Porém, permanece a questão, o
que é o sexo? O que faz ele se diferenciar, quando a alma encarna? Uma
especulação: será que essa definição é uma prerrogativa genética? Isto é,
será que a fusão dos gametas masculinos e femininos, em condições normais,
estabelece, aleatoriamente ou segundo um impulso do inconsciente do
reencarnante, o seu gênero orgânico? Como disse, essas considerações são
meramente especulativas.
É necessário, portanto, que, a partir de princípios solidamente
estabelecidos, se possa discutir, não só o homossexualismo, mas todas as
formas de manifestação da sexualidade, sem pré-conceitos nem
hipocrisia, como atualmente acontece me larga escala no movimento espírita.
Inclusive tem de se abordar, com mais profundidade, a prática sexual
de forma geral. E não falo apenas de perversões ou sexolatria, mas sim da
"normalidade" da prática sexual. Porque, senão, estaremos a dividir
o mundo entre os certos (aqueles que praticam o sexo normal) e os
errados (os que se permitem variações diversas durante a prática), o
que é um preconceito absurdo. E o que é "normal", na prática
sexual? Existirá um "check list" de atos, atitudes, palavras e
pensamentos que podem, ou não, serem realizados durante o ato sexual? É dito
que o instinto é uma inteligência que mais acerta do que a volição, ora, o
que muitos chamam de desvios morais na prática sexual é
moeda corrente no mundo animal. E agora? Não se venha que o argumento de que
não somos animais, porque o somos. O sexo entre parceiros sem compromisso
matrimonial é certo ou não? Para mim essa é uma pergunta retórica, pois os
costumes já estabeleceram essa prática como socialmente normal, desde a
revolução sexual que a pílula anticoncepcional provocou. Isto sem referência
ao adultério, que, eticamente significa uma deslealdade entre parceiros
comprometidos. Ora, com tantas coisas a serem resolvidas, que dizem respeito
à vivência sexual, espero que os que vivem a "ditar cátedra" quanto
a homossexualidade, já tenham resolvido estas "simples" questões em
suas vidas.
De minha parte, posso dizer que ainda estou meditando sobre elas, e
buscando respostas, e isto sem enfrentar a angustiante problemática da
homossexualidade, que os preconceitos estigmatizam de forma cruel, e no caso
do Movimento Espírita, em atentado à Lei do Amor e Caridade.
Escrito por Djalma Argollo às 09h18
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Palavras iluminadas
Sê generoso na prosperidade e grato no infortúnio.
Sê digno de confiança de teu próximo e dirige-lhe um olhar alegre e amável.
Sê um tesouro para o pobre, um conselheiro para o rico;
Responde ao apelo do necessitado e preserva sagrada a tua promessa.
Sê imparcial em teu juízo e cauteloso no que dizes.
A ninguém trates com injustiça e mostra toda humildade a todos os homens.
Sê como uma lâmpada para aqueles que andam nas trevas,
Sê causa de júbilo para o entristecido, um mar para o sequioso,
Um refúgio para o aflito, um apoio e defensor da vítima da opressão.
Que a integridade distinga todos os teus atos.
Sê um lar para o estranho, um bálsamo para quem sofre,
Uma torre de força para o fugitivo.
Para o cego deves tu ser olhos, e
Para os pés dos errantes, uma luz que guie.
Bahá ‘u’
lláh
Trabalhemos Amando
Na noite de 22 de abril de 1954,
o nosso Instrutor Emmanuel voltou a utilizar-se do equipamento mediúnico (Chico
Xavier) e, talvez porque os componentes do Grupo houvessem palestrado, antes da
reunião, sobre as diversas categorias das entidades espirituais que se
comunicam conosco, o venerável orientador tomou o assunto por tema de sua
mensagem que passamos a transcrever.
Meus amigos, trabalhemos amando.
A fim de que a glória do espírito se exprima, através do cérebro, na
cintilação do pensamento, é preciso que a cabeça se ajuste aos variados
departamentos do veículo carnal.
Para isso, é indispensável que cada elemento do corpo seja respeitado em
sua função específica.
Os olhos são funcionários da visão.
Os ouvidos são sentinelas do conhecimento.
As narinas são guardiãs do olfato.
A língua é a escultora da palavra.
O coração é o ministro do equilíbrio.
As mãos são artistas do trabalho.
Os pés são escravos da sustentação.
Temos, contudo, outros cooperadores em atividades mais humildes.
A epiderme é um manto protetor.
Os pulmões são câmaras de ar respiratório para a garantia da existência.
O estômago é o alambique da digestão.
O fígado é um condensador de energia vital.
O baço é um gerador de sangue.
O pâncreas é o excretor de enzimas.
Os intestinos são vasos de seleção técnica.
Os rins são filtros seguros e diligentes.
Os gases são recursos destinados à expulsão de venenos letais.
Tudo na colmeia celular do campo físico é solidariedade perfeita, com
especiais objetivos de progresso e aprimoramento.
Uma reunião de trabalhos mediúnicos é igualmente um corpo simbólico, exigindo
que a direção considere, em seu devido valor, todas as peças de sua composição
espiritual.
Espíritos angélicos são mensageiros de amor.
Espíritos instrutores são emissários de sabedoria.
Espíritos amigos são frascos de remédio curativo ou de perfume
amenizante.
Espíritos familiares são bênçãos de reconforto. Espíritos sofredores são
avisos à imprevidência.
Espíritos ignorantes são desafios à boa-vontade.
Espíritos em desequilíbrio são exercícios de paciência.
Espíritos cristalizados no mal são apelos ao bem.
Espíritos obsessores são oportunidades de concurso fraterno.
Espíritos necrosados na delinquência ou no vício são convites à oração.
Meus amigos, para a caridade tudo é grande! Na sementeira de luz, não há
serviço insignificante.
Na obra de redenção, não há tarefas desprezíveis.
Para as Leis Eternas, a mão do legislador que lavra um decreto é tão
venerável quanto a do enfermeiro que alivia uma chaga.
Trabalhemos, pois, amando, e que o Senhor nos abençoe.
Espírito Emmanuel
Soluções Terapêuticas da Medicina Espirita
Diante das enfermidades o Espiritismo não recomenda o conformismo, por isso é justo buscar a medicina terrena, que pode suavizar a dor e refrear a doença no limite da permissão de Deus. Se a Providência Divina pôs os remédios ao nosso alcance é porque podemos e precisamos utilizá-los a fim de combater as energias danosas que migraram do perispírito para o corpo físico.
Tem médico receitando bom humor, outro trocando remédio por aulas de surf para tratar doenças crônicas e até aquele que investe em comida fresquinha, saudável e barata. O médico Garth Davis, do Mermorian Herman Medical Center, no Texas, vem chamando atenção por cuidar de seus pacientes de uma forma muito orgânica. [1] Davis costuma receitar alimentos frescos como tratamento. Para isso, ele criou sua própria farmácia responsável por distribuir legumes, verduras e frutas orgânicas, a Farmacy Stand. Garth fechou uma parceria com a Kristina Gabrielle Carrillo-Bucaram, fundadora da Rawfully Organic, a maior rede de cooperação sem fins lucrativos de alimentos orgânicos com sede em Houston. [2]
Sem entrar no mérito das eficácias da alimentação sadia, dos medicamentos fitoterápicos, alopáticos ou homeopáticos, cremos que as causas das doenças transpõem os aspectos biológicos. Há enfermidades que exigem tratamentos demorados, outras vezes precisamos até de cirurgia, mas tudo tem sua matriz na alma e está sob as diretrizes da “Lei de Causa e Efeito”, que visa despertar a reforma moral do doente através de processos dolorosos.
Qualquer medida preventiva ou profilática em relação às doenças tem que se iniciar na conduta mental do doente, exteriorizando-se na ação moral que reflete o velho conceito latino: mens sana in corpore sano. A doença não é uma causa, é uma consequência proveniente dos alentos negativos que circundam os nossos organismos psicossomático e físico.
O controle das energias mento-espiritual é proeza dos pensamentos, dos desejos e dos sentimentos, portanto possuímos potências energéticas que nos causam saúde ou doenças em razão das disciplinas ou desordens mentais e emocionais. Por conseguinte, “assim como o corpo físico pode ingerir alimentos venenosos que lhe intoxicam os tecidos, também o organismo perispiritual absorve elementos que lhe degradam, com reflexos sobre as células materiais”. [3]
Se ainda não conseguimos disciplinar e dominar as emoções e mantemos paixões (ódio, inveja, mágoa, rancor, ideia de vingança), invariavelmente entraremos em sintonia com os irmãos enfermos do plano espiritual (obsessores), que emitirão fluidos maléficos para impregnar nosso perispírito, intoxicando-nos com suas emissões de energias insalubres, podendo nos levar a doenças crônicas.
Os médicos de boa formação espírita compreendem muito bem que a resposta para as enfermidades, que há milênios perturba a humanidade, está em nossa mente. Sobre a base dos estudos de médicos encarnados e desencarnados, a medicina à luz do espiritismo vem se fortalecendo cada vez mais na Terra. São enfermos e médicos, que encontraram na Doutrina Espírita diferentes interpretações para toda e qualquer enfermidade.
Ao contrário dos médicos tradicionais, os médicos espíritas dizem anular paradigmas ao avaliar, em seus consultórios, também a essência (alma) daquele paciente que busca socorro. Seja diante de um simples resfriado, um transtorno mental ou até mesmo um câncer, os médicos que abraçam o Espiritismo, ao contrário do médico clássico, não analisam no paciente apenas o corpo biológico enfermo, mas o espírito, a alma e suas vivências morais, que dizem muito para o diagnóstico eficaz.
Não ignoram os médicos espiritas que a saúde e a doença estão enraizados no espírito e não na matéria, como acredita a medicina clássica. Obviamente os tratamentos à luz do Espiritismo não abandonam os remédios tradicionais e tampouco as tecnologias, porém vão além. Propõem os recursos terapêuticos da água fluidificada. Indicam o passe, isto é, a transfusão de energias fisiopsíquicas através das emissões de magnetismo pela imposição das mãos de um médium. E ainda sugerem a técnica básica do tratamento da obsessão fundamentada na doutrinação dos espíritos envolvidos, encarnados e desencarnados.
Todos tipos de doenças pertencem às provas e às vicissitudes da vida terrena. São intrínsecos à nossa natureza material e à inferioridade do mundo que habitamos. Nos orbes mais adiantados, física e moralmente, o corpo humano, mais refinado e menos pesado, não está sujeito às mesmas doenças a que está exposto no nosso, e o corpo não é minado pela devastação das paixões. Se Deus não quisesse que pudéssemos curar ou aliviar os sofrimentos mentais e físicos, em certos casos, não teria colocado diversos meios medicinais à nossa disposição. Ao lado da medicação ordinária, elaborada pela ciência, o magnetismo e a desobsessão nos deram a conhecer o poder da ação dos Espíritos, e o Espiritismo veio comprovar-nos o potencial da mediunidade curativa e a poderosa influência da prece.
Jorge Hessen
[1] Disponível em http://razoesparaacreditar.com/saude/medico-cuida-de-paciente-com-alimentos-frescos-em-vez-de-remedios/ acessado em 25/06/2016
[2] idem
[3] Xavier , Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de janeiro: ED. Feb, 1999
No Trato com os Sofredores
Espírito Efigênio S. Vítor
Psicofonia Chico Xavier
Reunião da noite de 20 de setembro de 1956.
Para reconforto da nossa equipe de trabalho, quem compareceu no horário dedicado às instruções foi o nosso amigo espiritual Efigênio S. Vitor, que prelecionou, com felicidade e segurança, quanto ao impositivo da fraternidade cristã, no trato com os Espíritos sofredores.
Nossos modestos apontamentos desta noite objetivam acordar-nos a atenção para a responsabilidade no trato com os desencarnados sofredores, transviados em treva e perturbação.
É imprescindível aplicar a psicologia cristã em todas as fases do intercâmbio.
Em várias circunstâncias, essas entidades jazem extremamente ligadas aos nossos corações.
O obsessor muita vez será o companheiro enternecidamente querido à nossa alma e que se nos distanciou do caminho. Será um pai muito amado que nos partilhou a luta em passado próximo... Será uma criatura jungida a nós outros, através de vínculos preciosos que o pretérito nos restitui...
A amnésia temporária, que nos é imposta durante a reencarnação, à maneira de supremo recurso da Lei Divina para acomodar-nos a mente enfermiça à extirpação dos males profundos que nos atormentam a alma, não nos exime da cortesia e do respeito para com os seres que nos compartilham a sorte.
Daí procede o imperativo de muito carinho, prudência e ponderação na abordagem das mentes desequilibradas que nos visitam.
A sessão mediúnica para socorro a desencarnados padecentes pode ser comparada a uma clínica psiquiátrica, funcionando em nome da bondade de Nosso Senhor Jesus - Cristo.
O doutrinador ou os doutrinadores são médicos e enfermeiros com obrigações muito graves para com os necessitados e pacientes que os procuram.
Não podemos esquecer que o desencarnado dessa condição, transportando imensos conflitos em si próprio, é assim como pilha ressecada, com perda quase absoluta de potência elétrica, acolhendo-se numa pilha nova, carregada de energia – o médium a que se ajusta -, fazendo retinir a campainha das manifestações sensoriais, de modo a reequilibrar-se com a eficiência possível.
O médico sensato, frente ao enfermo que lhe pede auxílio, decerto não entrará em pormenorizadas indagações quanto a deslizes que terá ele cometido, por infortúnio da própria situação.
Não usará franqueza destrutiva.
Saberá dosar a verdade, veiculando-a através da água viva do amor, suscetível de regenerar os tecidos lesados por moléstias indefiníveis.
Invocará a essência do socorro divino, que palpita em toda a Natureza, estimulando-lhe, assim, a confiança.
Situá-lo-á no otimismo, na alegria e na esperança, a fim de que o poder curativo do Criador em cada célula viva possa entrar em ação.
E o doutrinador, na assembléia mediúnica, é um agente da mesma espécie, atendendo a uma dupla de pacientes, que, no caso, vem a ser o desencarnado doente e o médium que o abriga, pois que qualquer golpe vibrado sobre a entidade comunicante percutirá, de modo imediato, sobre a organização perispirítica do instrumento em serviço.
É por essa razão que, muitas vezes, se o doutrinador não se precata contra semelhantes perigos, o medianeiro humano, não obstante amparado por benfeitores responsáveis, costuma retirar-se da tarefa assistencial predisposto a perturbações orgânicas, porquanto, entre a organização medianímica que auxilia e o doutrinador que esclarece, se entrosam elos sutis de força, em torno do necessitado que está recolhendo o recurso de que precisa, a fim de refazer-se.
O desencarnado sofredor, no momento em que se comunica, permanece, dessa forma, temporariamente, quase que na posição de um filho espiritual das forças conjugadas do doutrinador e do médium.
Eis aí a razão por que devemos prezar com mais veemência a responsabilidade nos serviços desse teor.
Fazem-se indispensáveis a serenidade e a tolerância. E em qualquer fase mais complexa do esforço protecionista recordemos a oportunidade da prece como medicação inadiável para que a bênção de Mais Alto se registre na obra de solidariedade cristã que nos propomos efetuar.
Não nos esqueçamos, assim, de que na comunhão com as mentes torturadas, já libertas do vaso físico, é imprescindível aprendamos, com Jesus, a servir com paciência e carinho, para que a nossa máquina de trabalho não se resseque, por falta de combustível da humildade e do amor.
Reunião de Desobsessão
Essa
reunião é privativa e visa a auxiliar a desencarnados e encarnados em processo
de reajusto e à defesa do Centro Espírita contra as investidas de espíritos
avessos a Doutrina Espírita.
"Cada templo espírita deve e precisa possuir a sua equipe de servidores da
desobsessão quando não seja destinada a socorrer as vítimas da desorientação
espiritual que lhe rondam as portas para defesa e conservação de se mesma
(...)". Com base nesta afirmativa do Espírito de André Luiz, no intróito
da obra "Desobsessão", psicografia pelos médiuns Francisco Cândido
Xavier e Waldo Vieira,e nas instruções dadas por ele neste livro para
realização das reuniões privativas ( sem público) destinas à desobsessão, elas
deveram ser assim processadas:
1-
COMPOSIÇÃO DA MESA DIRETORA DOS TRABALHOS
Os
componentes da reunião, que nunca excederam ao número de quatorze, assumirão
funções específicas. Num grupo de até 14 integrantes, por exemplo, trabalharam
2 a 4 esclarecedores incluindo-se o
próprio dirigente da reunião, 2 a 4 médiuns passistas e 2 a 3 médiuns
psicofônicos.
2-
PREPARAÇÃO DO AMBIENTE ESPIRITUAL
(Tempo
aproximado em minutos)
Os
livros para leitura preparatória no grupo serão, de preferência:
a. "O Evangelho segundo
o Espiritismo";
b. "O Livro dos
Espíritos";
c. uma obra subsidiária que
comente os ensinamentos
do Cristo à nos dar Doutrina Espírita: "Pão Nosso", "Vinha de Luz", "Fonte Viva", "Palavras de Vida Eterna" etc.
do Cristo à nos dar Doutrina Espírita: "Pão Nosso", "Vinha de Luz", "Fonte Viva", "Palavras de Vida Eterna" etc.
Nota:
A leitura, que não ultrapassará 15 min, constituir-se-á, preferentemente, de um
item "O Livro dos Espíritos" e de um trecho de um dos livros de
comentários evangélicos. O dirigente, antes da prece inicial, diminuirá o grau
de luminosidade do ambiente.
3-PRECE
INICIAL
A
prece inicial obedecerá à concisão e à simplicidade e será proferida pelo
dirigente da reunião ou por quem este indicar.
4-
DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS
a. Manifestação inicial do
mentor. Feita a oração inicial o dirigente e a equipe mediúnica esperaram que o
mentor do grupo se manifeste pelo médium
psicofônico.
b. Manifestações dos
enfermos espirituais.
Observação: A palestra reeducativa com cada desencarnado em desequilíbrio, ressalvadas as situações excepcionais, não perdurará, assim, além de dez minutos.
Observação: A palestra reeducativa com cada desencarnado em desequilíbrio, ressalvadas as situações excepcionais, não perdurará, assim, além de dez minutos.
c. Radiações. O diretor do
grupo, terminadas as tarefas de desobsessões, rogará aos companheiros reunidos
vibrações de amor e tranqüilidade para os que sofrem. Um dos componentes da
equipe nomeado pelo dirigente poderá articular uma prece em voz alta, lembrando
na oração os enfermos espirituais que se comunicaram, os desencarnados que
participaram silenciosamente da reunião, os doentes nos hospitais, os irmãos
carentes de socorro e alivio, internados em casas assistenciais e instituições
congêneres.
d. Passes. Os médiuns passistas,
deslocando-se de seus lugares logo que o conjunto entre em silêncio necessário
às radiações atenderão aos passes, ministrando-os a todos os componentes do
grupo, sejam médiuns ou não. Os que vão
receber os passes não precisão mudar de posição.
e. Manifestação final do
mentor. O dirigente da reunião aguardará a manifestação do orientador
espiritual da reunião ou de algum instrutor desencarnado que deseje transmitir
aviso ou anotação edificante para estudo
e meditação do agrupamento. Na hipótese de se verificar que o orientador
desencarnado não deseja trazer nenhum aviso ou instrução, o dirigente fará a
prece final.
5-
PRECE FINAL
A
prece final obedecerá à concisão e à simplicidade e será proferida pelo dirigente da reunião ou
por quem este indicar.
6-
ENCERRAMENTO
Terminada
a prece final, o dirigente, com uma frase breve, dará a reunião por encerrada e
fará no recinto a luz plena.
IMPORTANTE:
Vale esclarecer que a reunião pode terminar antes do prazo de duas horas, a
contar da prece inicial, evitando-se, no entanto, exceder esse limite de tempo.
7-
RECOMENDAÇÕES
a. "Abster-se da
realização de sessões públicas para assistência a desencarnados sofredores, de
vez que semelhante procedimento é falta de caridade para com os próprios
Espíritos socorridos, que sentem, torturados, o comentário crescente e mal são
em torno de seu próprio infortúnio"
b. "evitar, quanto
possível, sessões sistematizadas de desobsessão, sem a presença de dirigentes
que reunam, em si, moral evangélica e suficientemente conhecimento
doutrinário"
c. pontualidade é sempre
dever, mas na desobsessão assume caráter solene;
d. a desobsessão deve ser
praticada no templo espírita, ao invés de ambientes outros, de caráter
particular. No templo espírita, os instrutores desencarnados conseguem
localizar recursos avançados do plano espiritual para o socorro a obsidiados e
obsessores;
e. os integrantes da equipe
precisam cultivar atitude mental digna, desde cedo, principalmente no dia
marcado para as tarefas de desobsessão;
f. a alimentação, durante
as horas que precedem o serviço de intercâmbio espiritual, será leve;
g. após o trabalho, seja ele
profissional ou doméstico, braçal ou mental, faça o seareiro da desobsessão o
horário possível de refazimento do corpo e da alma;
h. pelo menos durante alguns
minutos horas antes dos trabalhos, seja qual for a posição que ocupe no
conjunto, dedique-se o companheiro de serviço à prece e à meditação;
i. na chegada de enfermos e
obsidiados, sem aviso prévio, sejam adultos ou crianças, o doente e os
componentes podem ser admitidos, por momentos rápidos, na fase preparatória dos
serviços programados, recebendo passes e orientação. Findo o socorro breve,
retirar-se-ão do recinto;
j. manter registro dos
nomes e respectivos endereços dos assistidos;
k. é desaconselhável a
manifestação simultânea de duas ou mais entidades carentes de auxílio. Caso
isso se verifique, o dirigente alertará os médiuns no sentido de contê-las;
l. só se permitirá
passividade, no máximo, quatro vezes por reunião a cada médium;
m. deverá ser evitado que os
manifestantes doentes subvertam a ordem com pancadas (batimentos de mãos e
pés), ou outras manifestações ruidosas;
n. não é necessário a
presença do obsidiado na reunião de desobsessão (salvo orientaçao do Mentor)
para receber auxilio dos benfeitores espirituais;
o. em nenhuma circunstância,
o dirigente garantirá a cura ou marcará prazo para o restabelecimento completo
dos doentes, em particular dos obsidiados, sob pena de cometer leviandade;
p. quando a equipe dedicada
à desobsessão for chamada ao contato de determinado enfermo, retido no próprio
lar ou hospital, e havendo possibilidades para isso, indiscutivelmente a visita
deverá ser feita, porem o grupo deve fazer-se representar por uma comissão de
companheiros junto ao doente. Essa comissão deverá recolher o nome e o endereço
do irmão necessitado, abstendo-se da ação mediúnica diante dele, no que tange a
doutrinação e ao socorro aos desencarnados sofredores, reservando-se semelhante
tarefa para o recinto dedicado a esta mister;
q. os esclarecedores
deverão ser preparados, devidamente, para substituir o dirigente da reunião nos
seus impedimentos;
r. o dirigente deve:
i. "falar aos
comunicantes perturbadores e infelizes, com dignidade e carinho, entre a
energia e a doçura, detendo-se exclusivamente no caso em pauta"
ii. "em oportunidade
alguma, polemizar, condenar ou ironizar, no contato com os irmãos infelizes da
Espiritualidade"
iii. "oferecer a
intimidade fraterna aos comunicantes, aplicando o carinho da palavra e o fervor
da prece, na execução da enfermagem moral que lhes é necessária"
iv. "suprir indagações
no trato com as entidades infortunadas, nem sempre em dia com a própria
memória, como acontece a qualquer doente grave encarnado"
Palestra Educativa
Na noite de 16 de fevereiro de 1956, fomos felicitados com a visita do nosso amigo espiritual, P.Comanducci, que foi médium extremamente devotado à causa do bem, cuja palavra passou a enfeixar a palestra educativa, aqui expressa:
Se há entidades desencarnadas que obsidiam criaturas humanas, temos criaturas humanas que vampirizam as entidades desencarnadas.
Isso é extremamente sabido.
Morando hoje, porém, no mundo dos Espíritos, em verdade não sei onde é maior a percentagem daquelas mentes que se consagram a semelhantes explorações.
Se da Terra para o além-túmulo, se do além-túmulo para a Terra...
Daí a necessidade do mais amplo cuidado nas instituições espírita-cristãs, em nossas lutas no intercâmbio.
Temos por diretriz clara e simples a Codificação do Missionário excelso que no século passado se entregou de alma e corpo à exumação dos princípios evangélicos, para trazer-nos, em nome do Cristo, a edificação de nossa fé.
Ainda assim, somos largamente tentados a favorecer a movimentação descendente do serviço que devemos à Humanidade, de vez que o menor esforço é uma espécie de “tiririca” no campo doutrinário em que fomos situados para aprender e servir.
Em plena fase de nossa iniciação no conhecimento espírita, habitualmente tomamos contacto com amigos desencarnados, detentores de conhecimento menos elevado que o nosso, a se nos ajustarem ao modo de ser e de viver, através dos fios da afetividade nem sempre bem conduzida, e, de imediato, somos induzidos aos problemas do favor.
Dificuldades morais cristalizam-se, obscuras, porque, se há desencarnados com vocação da sanguessuga, há muitos companheiros na carne com a inquietação da “chupeta”.
E ao invés do trabalho de recuperação de nossos próprios destinos, muitas vezes somos vítimas das próprias distrações, criando desajustes que, hoje aparentemente inofensivos, nos aguardam, amanhã, à feição de grandes desequilíbrios.
É necessário intensificar em nossas casas de ação um vasto trabalho de estudo e discernimento, para que a embarcação de nosso ideal não permaneça à matraca sobre as águas traiçoeiras da preguiça e da mistificação.
Não encontramos nos livros do Codificador qualquer conselho a determinados tipos de requisições ao mundo espiritual.
Não vemos Allan Kardec organizando reuniões ou círculos de prece para atender a comezinhas questões da luta humana, questões essas que exprimem lições indispensáveis à consolidação de nossa fé operosa e construtiva.
Não encontramos no Evangelho, fonte máter do Espiritismo, em suas linhas essenciais, qualquer atitude do Cristo que assegure imunidades à magia da delinqüência.
Decerto, observamos o Senhor cercado por doentes que reclamavam alívio...
Vemo-lo, seguido de mães sofredoras, de crianças sem lar, de velhos sem esperança, de mutilados sem rumo, suplicando luz e coragem, amparo e esclarecimento, de modo a superarem mazelas e fraquezas, e reparamo-lo distribuindo o remédio, o socorro moral, a consolação e a bênção, a frase compassiva e o socorro de amor...
Entretanto, nunca vimos o Excelso Benfeitor, junto de romanos influentes, cogitar de propinas materiais a benefício dos aprendizes da Boa-Nova, não observamos a fé procurando impetrar o apoio celeste para matrimônios de força, para diminuir querelas na justiça humana, nem para a solução de quaisquer assuntos de natureza inferior, que, atinentes à experiência carnal, servem simplesmente como recursos de aprendizado, no campo de provas em que somos naturalmente localizados na Terra, para a consumação de nosso resgate ou para a elevação de nossas experiências.
Eis a razão pela qual, na posição de médium desencarnado que agora somos, podemos assegurar-vos que qualquer displicência da nossa parte, no assunto em lide; gera problemas muito difíceis para a nossa vida no Além, porquanto, se determinadas soluções reclamam amor, exigem também fortaleza de ânimo, para atingirem o desejável remate, com a dignidade precisa.
Não podemos escorraçar os que rogam obséquios do Além, em muitas ocasiões com vistas à criminalidade, mas não será lícito contemporizar com o intuito perverso que, muitas vezes, lhes dita os impulsos.
Indiscutivelmente, não podemos abraçar a tolerância com o mal, mas não será justo fugir à paciência, em benefício das vítimas dele, para que o espinheiro das trevas seja extirpado da região de serviço em que o Senhor nos localiza.
Muitos daqueles que hoje indagam pela possibilidade de cooperação inferior, amanhã podem solicitar o concurso genuíno do Céu.
Daí a nossa condição de hífens da caridade entre desencarnados menos esclarecidos e amigos humanos menos avisados, e, daí, o imperativo de muita serenidade, com o Evangelho do Senhor a reger a existência, para que não venhamos a escorregar no desfiladeiro da sombra.
É necessário estender mãos abertas e fraternais aos infelizes que se fazem vitimas da ignorância e da má-fé, contudo é indispensável que nosso coração não se imante aos propósitos menos dignos de que são portadores, a fim de que estejamos, no Espiritismo e na Mediunidade, atentos aos nobres deveres que nos prendem aos compromissos assumidos.
Na vida espiritual, encontrei muitos obstáculos que até hoje ainda não consegui de todo liquidar, em razão de minha imprevidência no trato com os interesses da alma. .
É por isso que, ao nos comunicarmos convosco, nesta noite, solicitai a todos os companheiros, presentes e ausentes, cautela contra o menor esforço, o terrível escalracho que nos ameaça a esfera de manifestações. É por esse motivo que vos pedimos estudo e boa-vontade.
Não nos reportamos, no entanto, simplesmente ao ato de ler.
Leitura só por si, na alimentação da alma, equivale a simples ingestão de alimentos na sustentação do corpo.
Imprescindíveis se fazem a meditação e a aplicação do conhecimento superior para o acrisolamento do espírito, tanto quanto são necessárias a digestão e a assimilação dos valores ingeridos para a saúde e a robustez do veículo carnal de que nos utilizamos na Terra.
A alma necessita incorporar a si mesma os recursos que lhe são administrados pela Providência Divina, através das divinas instruções que fluem do Evangelho, que se derrama da Codificação Kardequiana e que vertem das mensagens de elevado teor, para que esteja realmente em dia com as obrigações que lhe cabem no mundo.
Procuremos, assim, a nossa posição de aprendizes fiéis ao Cristo e de trabalhadores leais da nossa Causa, porque, segundo as facilidades do intercâmbio, estabelecidas em nossos templos de caridade e de fé, ou faremos do Espiritismo um oráculo tendencioso e tumultuário, para a satisfação de baixos caprichos humanos, ou convertê-lo-emos no grande santuário de nossa ascensão para a Divina Imortalidade, através da sublimação de nossa vida.
Espírito P. Comanducci
Lenda da Estrela Divina
Reunião da noite de 5 de julho de 1956.
Para surpresa nossa, quem nos brindou com
a sua visita, ao final de nossas tarefas, foi o Irmão X, que pela primeira vez
falou em nosso recinto, insuflando-nos vigorosa emoção.
De passagem por nosso templo, trago-vos à
meditação um apólogo simples.
Convencido de que somente através do
próprio trabalho conseguiria entesourar as bênçãos de seu Divino Criador, o
Homem compareceu diante do Altíssimo e rogou humildemente:
Pai, aspiro a conquistar a vossa grandeza
infinita... Que fazer para penetrar os domínios da vossa glória?
O Todo-Compassivo louvou-lhe os propósitos
e determinou:
– Desce à Terra e convive com os teus
irmãos.
O Homem nasceu e renasceu, muitas vezes,
adquirindo experiência em diversas nações, e voltou ao Paraíso, ostentando na
fronte a auréola da Cultura.
Não contente, entretanto, pediu ao Soberano
da Vida:
Pai, anseio conhecer-vos a força... Como
proceder para atingir semelhante graça?
O Todo-Bondoso afagou-lhe a alma inquieta
e ordenou:
– Desce à Terra e dirige os teus irmãos.
O Homem nasceu e renasceu, muitas e muitas
vezes, fazendo leis e gastando fortunas, construindo fronteiras e levantando
monumentos religiosos, plasmando a beneficência e disciplinando as sociedades,
brandindo armas e desfraldando bandeiras, mandando e comandando, fascinado
pelos poderes e pelos bens da Terra, como se os bens e os poderes da Terra lhe
pertencessem, e retornou ao Lar Eterno, guardando nas mãos o cetro da Autoridade.
Não contente, todavia, suplicou ao Senhor
Supremo:
– Pai, suspiro por aprender convosco a
criar emoções sublimes... Como agir para entender a vossa beleza augusta?
O Todo-Sábio contemplou-o, benevolente, e
aconselhou:
– Desce à Terra e procura formar
pensamentos iluminados e nobres para consolo e progresso de teus irmãos.
O Homem nasceu e renasceu, muitas e muitas
vezes, trabalhando a pedra e o metal, a madeira e a argila, a palavra e o som,
o pincel e a rima, e retornou à Luz das Luzes, transportando nos olhos e nos
ouvidos, na língua e nos dedos a magia da Arte.
Contudo, não satisfeito ainda, rojou-se
aos pés do Senhor e pediu em lágrimas:
– Meu Pai, tenha saudades de vosso
convívio... Não quero apartar-me de vosso olhar! Que fazer para demorar-me nos
Céus?
O Todo-Misericordioso abraçou-o com
ternura e ajuntou:
– Ah! meu filho, que pedes tu agora? Para,
que te detenhas no Céu é necessário desças à Terra e ajudes a teus irmãos.
E o Homem nasceu e renasceu, por longos e
longos séculos, sofrendo, sem reclamar, injúrias e ultrajes, lapidações e
calúnias, miséria e abandono, chagas e açoites, procurando auxiliar os outros
sem cogitar do auxílio a si mesmo, até que, um dia, terrìvelmente fatigado e
sozinho, mas de coração alegre e consciência tranqüila, retornou aos Eternos
Tabernáculos.
Não precisou, no entanto, anunciar a sua
presença, porque as Portas Celestiais se lhe descerraram ditosas.
Flores inclinaram-se-lhe à passagem.
Constelações saudavam-no em regozijo.
Anjos cantavam, em surdina, celebrando-lhe
o triunfo.
E o próprio Senhor, na carruagem
resplendente de sua Glória, veio recebê-lo nos Pórticos Sagrados, exclamando,
de braços abertos:
- Bem-aventurado sejas, filho meu!...
Agora a Criação inteira é tua... Todos os meus segredos te pertencem. E,
estejas onde estiveres, viveremos juntos para sempre.
Esmagado de júbilo, em riso e pranto, o
Homem compreendeu, sem palavras, que a felicidade do amor puro lhe fluía
sublime dos refolhos do ser, em torrentes de alegria misteriosa...
É que ele trazia, fulgente no coração, a
Estrela Divina da Humildade.
Desde então, pôde habitar na Casa do
Senhor por longos dias...
Irmão X
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