Que mundo é esse?


- Que mundo é esse?
A ciência em que pese seus avanços não exime o enfermo do câncer.

- Que mundo é esse?
No leito de dor, em agonia suplica o doente pelo fio de vida, ao lado próximo, o jovem se intoxica no vício em degradante declínio físico e moral.

- Que mundo é esse?
Na locomoção na rota da vida ultrapassam os valores, colorindo o próximo com a ingratidão, egoísmo, humilhação e prepotência.

- Que mundo é esse?
Onde a orfandade padece da insensibilidade do homem.

- Que mundo é esse?
Onde campeia o comércio da dor e do choro, insensível ao amor fraterno.

- Que mundo é esse?
Onde moramos como infelizes e robotizados pelas nossas tendências, deixamos coletividade e nos vestimos no individualismo.

- Que mundo é esse?
Onde Deus está ausente na essência e presente na superficialidade.

- Que mundo é esse?
É o mundo que construímos e hoje o estamos caiando...

Esse é o mundo que ainda merecemos!

Espírito Fabiano -  Dan


PS

     

A Língua




Não obstante pequena e leve, a língua é, indubitavelmente, um dos fatores determinantes do destino das criaturas;
Ponderada – favorece o juízo.
Leviana – descortina a imprudência.
Alegre – espalha otimismo.
Triste – semeia desânimo.
Generosa – abre caminho à elevação.
Maledicente – cava despenhadeiros.
Gentil – provoca reconhecimento.
Atrevida – traz a perturbação.
Serena – produz calma.
Fervorosa – impõe a confiança.
Descrente – invoca a frieza.
Bondosa – ajuda sempre.
Cruel – fere implacável.
Sábia – ensina.
Ignorante – complica.
Nobre – tece o respeito.
Sarcástica – improvisa o desprezo.
Educada – auxilia a todos.
Inconsciente – gera amargura.
Por isso mesmo, exorta JESUS:
Não procures o arqueiro nos olhos do teu irmão, quando trazes uma trave nos teus.
A língua é bússola de nossa alma, enquanto nos demoramos na Terra.
Conduzamo-la na romagem do mundo para a orientação do Senhor, porque, em verdade, ela é a força que abre as portas do nosso coração às fontes luminosas da vida ou às correntes escuras da morte.

Espírito André Luiz - Psicografia de Chico Xavier

Prece de Outro Mundo









Senhor Jesus! Caminham entre o tumulto e a pressa e buscam a paz mesmo no silêncio, transitam pela vida como pessoas e não como irmãos. Não se ouvem uns aos outros, e nem mesmo TE ouvem, pobres de espírito e ignorantes; Caminham como crianças ainda aprendendo a andar; E cada um cria a sua história de enredos sombrios; Simuladores de amizades, cínicos no amor; Repelem a bondade e TUAS lições milenares, e assim, fadigam-se na imprudência, aborrecem-se com quimeras, recolhem-se na penumbra da solidão.
Senhor Jesus! São eles filhos do universo tanto quanto as árvores e as estrelas, a eles deste o direito de aí estarem, permita que ouçam e vejam tua presença, na paz emanada de Deus, e que quando para aqui neste mundo voltarem, possam sentir a alma em paz, e, em grande contentamento possam compreender como o mundo é belo e quão magnânimo é o teu amor.  

Padre Donizetti – Dan (psicofonicamente)    


PS


Dic Feliz Dia dos Pais







Suas incansáveis horas de dedicação, de carinho, de atenção a cada um de nós, que trazemos dentro do coração seu nome escrito com letras douradas.
Quantos anos de trabalho e paciência para com todos.
Não temos palavras para conseguir traduzir o agradecimento que você merece.
Em nome de todos nós do Grupo Lauro, nosso muito obrigado por ser tão presente, amigo, querido e admirado por todos nós nesta bendita casa.
Que o dia dos pais você se sinta abraçado e envolvido com sentimentos de gratidão e amor.
Que Jesus e os benfeitores espirituais continuem te amparando e dando toda força necessária hoje e sempre!
Com carinho de todos os seus filhos que te elegeram.
Ohana*! 

Filhos do Grupo da Fraternidade Irmão Lauro

* Ohana quer dizer família. Família quer dizer nunca abandonar ou esquecer. Lilo e Stitch

PS

O Amor dos Amores




Espíritas ou não ao abordarem o tema amor, cada um expõe seu entendimento, na tentativa de arrazoá-lo com a assertiva do Espiritismo ou tese própria.
As explanações providas no “segredo” vivencial de cada um deles situam o amor no lugar comum do humano. O abrigo temerário da “erudição” como fachos se alimentado das verdades eternas.


Ante o Amor humano:

Os velhos que fizeram bodas de ouro, afirmam que o amor é - paciência - tolerância e completam, que amor são também companhia, amizade e saudade. Será que o amor envelhece?

Os jovens que sonham no namoro ou recém-casados, dizem que o amor é principalmente toque, é pegada. Todos os sonhos das meninas e meninos estão errados? São coisas que se lêem, aquelas banalidades em textos sem pé, sem profundidade. Devaneios e idealismos e renúncias e purezas, que alguém publicou... Quando o homem casa, é que se vê que o amor não passa de idealismo do eu. Será que o amor desvanece pelo tédio da rotina?

O Pai de família, com olhares no horizonte - Amor é coisa da juventude. Depois de certa idade, amor é mais costume e costume sai de moda. Será que o amor é costume?

A mãe da família - Amor? Bem, têm amor de noiva, que é quase só castelos de nuvens. Tem o de jovem casada, que é também flocos de nuvens. Será que o é um floco de nuvens?

O solteirão, que se imagina irresistível e incansável - Amor é perigo. Só é bom com mulher sem compromissos. O melhor é amor forte e curto, que embriaga enquanto dura e não tem tempo para se complicar. Será que o amor embriaga?

O Religioso protestante afirma que o amor é sublimar a atração entre os dois seres, é atingir a mais alta e pura das emoções. Será o amor atração sublimada?

O religioso católico não elimina o sexo do amor - pelo contrário, o sexo, no amor, é tão importante como os seus demais componentes - o altruísmo, a fidelidade, a capacidade de sacrifício, a ausência do egoísmo. Será que amor é para os santos?

A matrona sossegada - Amor? Amor é uma coisa que dói dentro do peito. Dói devagarzinho, quentinho, confortável. É a mão que vem da cama vizinha, de noite, e segura na sua, adormecida. Será o amor uma mão que segura a sua?

Amor é ter medo - medo de quase tudo - da morte, da doença, do desencontro, da solidão. Amor pode ser uma rosa e pode ser um cumprimento, um beijo, uma xícara de chá. Mas o Amor dos amores, mais importante e verdadeiro, é o Amor que sobreviveu à Cruz...

Por Dan – 10/08/2017 às 02h30min 


PS

Resignação e Resiliência












"O homem que sofre é semelhante a um devedor de grande soma, a quem o credor dissesse: “Se me pagares hoje mesmo a centésima parte, darei quitação do resto e ficarás livre; se não, vou perseguir-te até que pagues o último centavo”. O devedor não ficaria feliz de submeter-se a todas as privações, para se livrar da dívida, pagando somente a centésima parte da mesma? Em vez de queixar-se do credor, não lhe agradeceria? (Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V - item 12)".

A palavra resignação aparece com bastante frequência em palestras e livros espíritas. Também está presente nas obras básicas de Allan Kardec, especialmente no Evangelho Segundo o Espiritismo ─ Cap. V - “Bem aventurados os Aflitos”.

Esse capítulo aborda, inicialmente, a temática do sofrimento e das provas e expiações e suas origens nesta e noutras existências, causas de muitos de nossos problemas atuais, em vista de nossas escolhas e pela semeadura que fazemos ao longo da nossa esteira reencarnatória. No final, o capítulo aborda o suicídio. Contudo, destacaremos, aqui, o seu item 12 ─ “Motivos de Resignação”.

Resignação

Quando adentramos a Doutrina Espírita, muitas questões perpassam por nossas mentes. Logo nos deparamos com algum expositor nos orientando para sermos resignados. O que seria, então, resignação? Como compreender os dramas que a vida nos propõe, frutos ou não de nossas escolhas? Como proceder para ser considerado um indivíduo resignado?

Muitas vezes, entendemos resignação como aceitação do problema ou da dor, sem buscarmos alívio, respostas ou o entendimento para o que ocorre conosco. E também, principalmente, porque devemos ser resignados, questionando aonde isso vai nos levar.

“A resignação, ou ainda aceitação, na espiritualidade, na conscientização e na psicologia humana, geralmente se refere à experienciar uma situação sem a intenção de mudá-la. A aceitação não exige que a mudança seja possível ou mesmo concebível, nem necessita que a situação seja desejada ou aprovada por aqueles que a aceitam. De fato, a resignação é freqüentemente aconselhada quando uma situação é tanto ruim quanto imutável, ou, quando a mudança só é possível a um grande preço ou risco. [...] Noções de aceitação são proeminentes em muitas fés e práticas de meditação”. Por exemplo, a primeira nobre verdade do Budismo, "a vida é sofrimento", convida as pessoas a aceitarem que o sofrimento é uma parte natural da vida.” ( Wikipédia, a enciclopédia livre).

É justamente esse significado que complica o ensinamento. Se resignação é somente aceitação, sem expectativas de mudanças, ou, mesmo, aceitação pura e simples, fica muito fácil a derrapagem na acomodação, na inércia. É só dizer que “Deus quer assim”, e que nada pode mudar.

Se muitos dos nossos problemas não podem ser mudados nesta existência, podemos, entretanto, pela sua compreensão, mudar a forma de enfrentá-los. Ou aliviamos o tal “sofrer”, passando pela dor, sem lamentação ou reclamação constante (atitude essa, muitas vezes, responsável por mais dor), ou fazemos o problema ou a dor parecerem maior do que realmente são.

No que diz respeito à citação budista ─ “a vida é sofrimento” ─, é válido ressaltar que esse sofrer significa “passar por”, sofrer uma situação de dor. Não recebe, portanto, a conotação de lamentação, desesperação.

A Terra, por ser um mundo de provas e expiações, obviamente não é um paraíso de delicias. Estamos aqui para evoluir. A dor, nesse caso, quase sempre, transforma-se no impulso evolutivo necessário à nossa caminhada. Atrelada à Lei de Ação e Reação, ela nos convida, não raras vezes, ao reajuste, ao resgate de nossos débitos anteriores ou atuais.


Quando temos um problema, a dor que dele resulta é um fato - algo que acontece ou aconteceu. O sofrimento é a nossa resposta a esse fato, a nossa reação diante da dor, do fato, do problema.

É bom lembrar, quanto a isso, que a dor pode vir atrelada ao campo das causas e efeitos, mas o sofrimento é opcional, ou seja, não sofrer no sentido de não se lamentar, não se desesperar, equivalendo dizer, não perder a esperança. Em verdade, isso não nos retira o cadinho da dor, mas sublima os nossos sentimentos em relação ao fato.

“O homem pode abrandar ou aumentar o amargor das suas provas, pela maneira de encarar a vida terrena. Maior é o eu sofrimento, quando o considera mais longo. Ora, aquele que se coloca no ponto de vista da vida espiritual, abrange na sua visão a vida corpórea, como um ponto no infinito, compreendendo a sua brevidade, sabendo que esse momento penoso passa bem depressa [...]”. (ESE - Cap. V, item 13).

Diante desses apontamentos, podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que resignação é dor sem sofrimento, momento em que o individuo, ante a imortalidade da alma, compreende o processo. Não pela subserviência, submissão ou inércia diante dos fatos, mas por uma oportunidade de crescimento que nos impulsiona à busca do melhor para nós e para o momento.

Resiliência

O caro leitor, nessa altura do texto, há de perguntar: - E a tal resiliência?

A resiliência começa justamente quando a dor nos encontra.

“Resiliência (psicologia) - A psicologia tomou essa imagem emprestada da física, definindo resiliência como a capacidade do indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse, etc. - sem entrar em surto psicológico. Tais conquistas, face essas decisões, propiciam forças na pessoa para enfrentar a adversidade. Assim entendido, pode-se considerar que a resiliência é uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano, condições para enfrentar e superar problemas e adversidades [...]”. (Wikipédia, a enciclopédia livre).

Quando o texto acima afirma que a Psicologia tomou emprestado o termo da Física, é porque resiliência é a “[...] Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação.” (Dic. online Priberam). Já na Medicina o termo se aplica quando um osso fraturado consegue retomar sua forma original. Podemos dizer, assim, que a resiliência se configura quando, diante de problemas, pressões e traumas, conseguimos superar os obstáculos “dando a volta por cima”, como diz popularmente. É a capacidade de organizar, avaliar e retomar o nosso caminho, com a percepção, porém,  de “dor” como fonte de crescimento, e não de sofrimento.

O que, então, nos faz resignados ou resilientes?

Podem ser considerados resignados e resilientes indivíduos que suportam grandes dramas na vida, ou passam por situações problemáticas constantemente e, mesmo assim, mantêm um olhar de paz e tranquilidade (considerando-se que os olhos são os espelhos da alma), superando os obstáculos que a vida coloca à sua frente, e dessa forma, superando a si mesmos.

O grande segredo, se é que podemos falar assim, encontra guarita na fé. A fé humana em si mesmo - autoconfiança. A fé divina no Criador, certeza absoluta de que não estamos sós, de que tudo passa e que nossas dores chegarão logo ao fim. Fé é a certeza de que o futuro nos reserva algo muito melhor. É a visão na vida futura, que glorifica os dias na Terra, de tantas provas e expiações. É visão mais além, que modifica o nosso comportamento diante das dores e aflições, e que, nos modificando, transforma tudo o que está à nossa volta.

Somos, portanto, artífices da nossa evolução espiritual, escultores de nós mesmos, tendo o cinzel da vontade como ferramenta para talhar as pedras que nos cobrem e dificultam a nossa existência, removendo, assim, os entulhos do passado para, então, lapidados e polidos, apresentarmos face nova diante do Criador e, afinal, podermos dizer, parafraseando o Apóstolo Paulo: “Já não sei se vivo no Cristo ou é o Cristo que vive em mim".


Por Leonardo Pereira - Orador Espírita

PS

Sextilhas de Caridade

As mãos do espírito José Grosso exprimindo um
gesto de fraternidade (luvas de parafina)



A busca da real caridade
O sol que a alma padece
Com lídima humildade
Mesmo a quem esquece
A caridade feita ao infortunado
Jesus o aquece.

Mesmo que o sol seja escuridão
Acende na alma a chama do teu lampião
Do Céu surgem estrelas de alegria
Branda e serena luz nos trás
Quem espalha luz entre lágrimas
Sorrisos de luz colherás.

Desejas a abonação
Do céu a felicidade
Altera aqui tua vida
Em modelo de caridade e bondade
É a chama do poente
Do florescer da solidariedade.

É chave que abre tua casa
Aonde os pedintes vem e vão
Deus espera que lhes reparta
O agasalho teto e pão
E reduzindo erros e pecados
Iniciamos a benção do perdão.

Se as leis Divinas
Buscas aprender
No êxito da peleja
São frutos a colher
Hosanas na eternidade
Em cânticos vamos receber.

Saiba o bem palmilhar
Na Boa Nova do Senhor
A vida na terra
Em graça e pendor
Nessa transmutação
A caridade será selo da nossa reencarnação.
Dan
PS



Almoço Beneficente 30/07/2017

Foi realizado neste domingo, dia 30 de julho o segundo almoço beneficente do ano do Grupo da Fraternidade Irmão Lauro. Agradecemos todos que compareceram e os trabalhadores que se envolveram de corpo e alma para realização e sucesso desse caloroso evento.



Fotos


PS

“Andar com fé eu vou...”










“Andá com fé eu vou. Que a fé não costuma faiá”, diz o refrão da música do cantor Gilberto Gil. Narra a carta aos Hebreus que a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. Cremos que fé é a certeza da aquisição daquilo que se tem como finalidade.

Sem a fé racional, nas situações de crise, seja de ordem econômica ou agravamento da insegurança pública, as relações sociais, pessoais e familiares se deterioram. Diante das incertezas, é comum que o medo domine as mentes de uns ou de outros. Pensar que não se conseguirá enfrentar uma doença, lidar com os erros, a perda do emprego ou dos bens materiais amplia o temor de muitos. Surge o pânico nalguns ante a chegada da velhice, da solidão, da perda de um amor e assim por diante. Caminha o tímido sob as ansiedade e desconfortos psicológicos.

Os irrequietos, os estressados visitam, cinco vezes mais, médicos que uma pessoa normal. O sintoma crônico da ausência de fé e do medo estão gerando enigmas físicos e emocionais, tais como infarto do miocárdio, úlcera e insônia. Para nós, estudiosos do Espiritismo, sabemos que a solução para o enfrentamento dos embates da vida e do medo é o exercício da fé coerente, apontando-nos o rumo do equilíbrio emocional. É igualmente a certeza da reencarnação e a convicção da imortalidade que nos reforça o alimento da fé diante dos desafios do viver.

Fundamentalmente, a fé deve apoiar-se na razão sempre. Até porque a fé não é um dom fornecido por Deus para alguém em especial, nem deve ser imposta de fora para dentro. A fé é o produto da conquista pessoal na busca da compreensão do caminho correto, das verdades que permeiam a essência das próprias vidas, por meio do conhecimento, da experiência, das reflexões pessoais e pelo esforço que se faz para o auto amor e por entender que o amor é a causa da vida, e a vida é o efeito desse amor.

Na mensagem de Jesus, aprendemos a lição da fé (transportadora de montanhas) da coragem, do otimismo, do bom senso capazes de renovar nossas tendências, impedindo que o medo, a depressão e a angústia se apossem de nosso cotidiano. Até porque “a fé não costuma faiá”.

Jorge Hessen

PS

Crônica: Carta Estimulante












Diz você, meu amigo, que, depois de haver assistido a alguns trabalhos interessantes de materialização, passou a, registrar estranhas modificações no modo de ver. Assinalou diversas entidades momentaneamente corporificada, à frente dos olhos, e, pela surpreendente claridade que irradiavam, compreendeu a beleza da vida Quando os clarões das luzes inexprimíveis se apagaram, retomou, quase desacoroçoado, à tarefa comum. A lembrança das sugestivas revelações perdurava-lhe na memória; entretanto, a via pública pareceu-lhe mais fria e o ambiente doméstico, onde ninguém se lhe afeiçoa, as idéias, figurou-se-lhe um cárcere ao pensamento. No dia seguinte, em retomando o serviço habitual, os companheiros de luta, menos esclarecidos, eram mais duros de suportar. Deslocara-se-lhe a mente. À maneira do lenhador que examina uma central elétrica, você passou a sentir o peso do trabalho no carvão comum. Para, que alimentar o fogo, a toras, de madeira, se há força acessível e eficiente? Tedioso cansaço assomou-lhe o coração. E marcou, espantado, o vigoroso conflito entre sua alma e a realidade, através de incoercível desajustamento. Não seria razoável abandonar toda atividade considerada por inferior e partir em busca das claridades de cima? Valeria a pena prosseguir enfrentando o barro da cerâmica em que você trabalha, quando a imortalidade se lhe patenteou, indiscutível e brilhante? Todavia, é forçoso considerar que se a semente pudesse despertar ante a grandeza de uma espiga madura e não se sujeitasse mais ao serviço que lhe compete na cova lodacenta, naturalmente o mundo se privaria, de pão. O plano espiritual, contudo, não pretende instalar a fome ou a ociosidade na Terra. O Planeta é uma escola em que a inteligência encarnada recebe a lição de que necessita. Entre a maloca indígena e o castelo civilizado, medeiam muitos séculos de cultura, com experiências vastíssimas e assombrosas, e, entre o palácio dos homens e o santuário dos anjos, há que andar por numerosos séculos ainda...  O Cristianismo que você abraçou, com tanta sinceridade e ternura, permanece repleto de ensinamentos nesse sentido. Diante do Tabor, em que Espíritos bem-aventurados se materializaram, ao lado do Mestre, em transfiguração indescritível, Pedro, deslumbrado, pede para que uma choupana seja ali construída, a fim de que nunca mais regressassem ao mundo vulgar; entretanto, o grande apóstolo é arrebatado, de lá, ao torvelinho de ação rotineira, dentro do qual perdeu e venceu, várias vezes, sob o tacão de vicissitudes humanas, até alcançar a verdadeira exaltação pelo martírio e pelo sacrifício. Envolve-se Paulo num dilúvio de bênçãos, nas vizinhanças de Damasco, mas, ao invés de acompanhar o Cristo magnânimo que o abraça, de improviso, é convocado a perambular, por muitos anos, entre desapontamento e pedradas, no seio da multidão. Que mais? O próprio Mestre, no Jardim da prece solitária, sente-se visitado por um anjo divino que desce do firmamento, em sublime esplendor; todavia, longe de segui-lo em carro de triunfo para as Esferas Superiores, desce para o cárcere, sofre o insulto da turba ameaçadora, e marcha, humilhado, para a crucificação. Não transforma, pois, a excelência do estímulo revelador em desalento para o trabalho natural. Valores imperecíveis não surgem de imediato. Tempo e esforço são as chaves do crescimento da alma. Se os Espíritos elevados reaparecem no intercâmbio dos dois círculos de vida, a que nos ajustamos, é que se inspiram no ministério da caridade e desejam acordar os homens para mais altas noções de justiça e fraternidade, a fim de que se fortaleçam e aprimorem, perante a continuidade da vida e da individualidade, além túmulo... Se você foi chamado às tarefas do oleiro, atenda, quanto possível, ao enriquecimento íntimo, nos estudos e serviços que a nossa, Consoladora Doutrina oferece, mas não olvide os tijolos e manilhas, telhas e vasos que a sua indústria foi convidada a materializar. Institua facilidade e abundância para que os menos favorecidos de recursos e de inteligência consigam construir seus ninhos aos quais se abrigam pobres aves humanas, em peregrinação aflitiva na erraticidade. Esforce-se para que seu nome seja louvado e abençoado pelos que compram e vendem, pelos que administram e obedecem, convencido de que, se não devemos esquecer a contemplação das estrelas, não encontraremos o caminho de acesso a elas se não acendermos alguma lamparina no chão.

Chico Xavier

PS