Cala-te e Ajuda!


Frei Luiz
Se podes vislumbrar o mal encastelado sob ouropéis cintilantes, ajuda em silêncio, mesmo afrontando a ignorância e a ingratidão, lembrando-te do sacrifício propiciatório de Jesus por todos nós. Se no meio da incompreensão tu podes acender a lâmpada refulgente do Evangelho, mas se não te escutam, cala-te e confia no Divino Mestre, orando com fervor por estes que são incongruentes consigo mesmo. Se teu companheiro de jornada te crítica, eivado de inveja, orgulho ou ambição, cala-te e procura compreendê-lo; Jesus também foi censurado por Judas e, antes do beijo da traição, o qualificou de amigo. Se a calúnia e a maledicência batem à tua porta, fecha as janelas de tua alma a este ruído vulgar do mundo e procura encontrar dentro de ti mesmo a mansidão do Divino Mestre, calando e escutando o cântico sublime da Verdade em teu espírito. Se te perseguem e se te acusam, cala-te e confia nos anjos do Senhor, que distribuem Sua Justiça; pois os justos desta gozarão: Se te sentes só e pequenino no burburinho do mundo, ante o fragor das tempestades da alma, cala-te, recolhe-te, e na prece cheia de sinceridade encontrarás logo a companhia sublime do Divino Amigo para ajudares teus irmãos em provas.


Frei Luiz.

Mensagem psicografada pelo Irmão Presidente Luiz da Rocha Lima, em 28-8-1955
(no Lar de Frei Luiz)

A Cura Espiritual




A CURA ESPIRITUAL
Dr Marlene Nobre - sexta-feira, 12 de junho de 2015




1. A PRINCIPAL FINALIDADE DO ESPIRITISMO É “CURAR” O ESPÍRITO –
O Espiritismo não tem como finalidade principal urgente a cura das doenças do corpo. Embora, sem alarde, coopere nesse setor de ordem humana, o seu objetivo relevante é ensinar, é orientar o espírito, no sentido de libertar-se de seus recalques ou instintos inferiores até alcançar a“saúde moral” da angelitude. Por conseguinte, não pretende competir deliberadamente com a medicina do mundo, conforme pressupõe alguns médiuns e neófitos espíritas. Se esse objetivo fosse o essencial, então, os mentores que orientaram Allan Kardec na codificação da doutrina espírita certamente ter-lhe-iam indicado todos os recursos e métodos técnicos que assegurassem aos médiuns seguro êxito terapêutico no combate às doenças que afetam a humanidade.
2. OS ESPÍRITOS INSPIRAM E COOPERAM, SEM A INTENÇÃO DE DEPRIMIR A PROFISSÃO DOS MÉDICOS
O Alto inspira e coopera nas atividades terapêuticas utilizando os médiuns, mas sem qualquer intenção de deprimir ou enfraquecer a nobre profissão dos médicos, cujos direitos acadêmicos devem prevalecer acima da atuação dos leigos . Embora os espíritos benfeitores auxiliem por intuição os médicos dignos e piedosos, que se devotam a curar o ser humano, deveis considerar que os profissionais da Medicina também constituem uma legião de missionários dos mais úteis à humanidade. Mesmo porque, tais cientistas, além das suas funções comuns, ainda se dedicam a pesquisar elementos terapêuticos que vençam as moléstias rebeldes, de consequências fatais. Eis porque o Espiritismo não é destinado a concorrer com os médicos terrícolas, nem tem a pretensão de sobrepor-se sua capacidade profissional.
3. AS CURAS OBTIDAS POR INTERMÉDIO DA MEDIUNIDADE DE CURA TEM POR OBJETIVO PRINCIPAL CHAMAR A ATENÇÃO DO ENFERMO
O alívio, o reajuste físico ou as curas conseguidas por intermédio da faculdade mediúnica, têm por objetivo principal sacudir o ateísmo do enfermo, despertando-lhe o entendimento para os ensinamentos da vida espiritual. CENTRO ESPÍRITA – HOSPITAL DE ALMAS
4. CENTRO ESPÍRITA ALÉM DE ESCOLA TRATA DA ALMA
Nós os Espíritas, aceitamos, sem laivos de dúvidas, que o Centro Espírita, além de escola onde aprendemos o mecanismo da vida desvendado pela Codificação Kardequiana, é, também, hospital onde “as feridas do sentimento encontram medicação e todas as inquietudes recebem repouso”. Quando transformados em hospital de almas, o Centro Espírita ministra passes; oferece água fluidificada; favorece a desobsessão; abre canais de ajuda espiritual pela força da prece e do esclarecimento; revigora a esperança pela veiculação das promessas de Jesus e torna a fé inabalável com os alicerces racionais que a Nova Luz outorga a quem deseje, para a reconstrução de uma nova vida.
5. HOSPITAIS TRATAM O CORPO O ESPIRITISMO A ALMA
Os hospitais do mundo, atendendo a sua missão, estão preocupados, apenas com o corpo. O objetivo da Casa Espírita é o de corrigir as mazelas do espírito. Infelizmente a cirurgia mediúnica, está mais na moda do que o estudo da Doutrina. Há uma verdadeira febre antidoutrinária em razão da busca da saúde, como o uso rituais, imagens ou roupas especiais nas sessões de fluidoterapia, que comprometem a pureza e a simplicidade da prática do Espiritismo.
6. O ESPIRITISMO NÃO VEIO COMPETIR COM A CIÊNCIA

Divaldo Pereira Franco em Diretrizes de Segurança, nos recomenda: “Não devemos trazer para o Espiritismo o que pertence aos outros ramos do conhecimento. A missão de curar é do médico. O Espiritismo Não veio competir com a ciência médica. Não devemos pretender transformar a Casa Espírita em nosso consultório médico”.
Esta recomendação nos conduz a concluir que o Centro Espírita é um hospital para a alma Não para o corpo. A cura deste poderá vir por consequência, pois Não desconhecemos as origens das doenças que nos afligem… Se a finalidade do hospital é curar o doente, quando esta cura acontece, o hospital alcançou o seu fim. Aí o paciente recebe alta e vai embora agradecendo a Deus Não ser preciso lá continuar. Já no Centro Espírita tal Não deve acontecer.
7. A FUNÇÃO DO CENTRO ESPÍRITA É ESCLARECER
A cura do mal físico ou espiritual deverá dar ao paciente motivo e condições para que na Casa permaneça, na busca de entender as razões pelas quais a doença o trouxe até ali e o porquê da cura. Nesta linha de raciocínio, compete aos espíritas compreender a missão verdadeira da Doutrina e a função real do Centro. Aquela é chamada com propriedade, de “Consoladora”, destinada à reforma íntima do homem; a este devemos dar o epíteto de “Célula Moderna do Cristianismo”, com a tarefa de interpretar a essência dos ensinamentos evangélicos à luz do Espiritismo, e divulgá-los ao mundo inteiro,viabilizando a implantação do reino de amor e fraternidade. Não é o objetivo do Espiritismo remendar corpos; antes, sim, cuidar de almas.
8. A PRINCIPAL FINALIDADE DO ESPIRITISMO É “CURAR” O ESPÍRITO
Quando Jesus curava os doentes que iam ao seu encontro, o seu objetivo era curar os corpos para, indiretamente, despertar ou “curar” as almas. E a mediunidade de cura tem, igualmente, essa finalidade. Muitos médicos, embora inconscientes do fenômeno, agem também como “médiuns”. A mediunidade de cura mediante o Espiritismo, em sua profundidade, é uma cooperação do objetivo crístico, condicionada a evangelização do homem. Nosso intuito é esclarecer quanto ao lamentável equívoco de muitos adeptos espíritas confundirem a finalidade precípua do Espiritismo, que é a de “curar o espírito enfermo”, e não a de estabelecer-se na Terra, uma única organização mundial de assistência médica, de caráter espírita, destinada a cuidar, essencialmente, da saúde do corpo de seus habitantes.
9. HÁ MÉDICOS MAIS BEM ASSISTIDOS QUE MUITOS MÉDIUNS DE CURA
Infelizmente, certas criaturas mercenárias ainda usam a sua faculdade mediúnica como para os negócios escusos, aliando a prática da caridade na seara espírita com a remuneração fácil da moeda do mundo!
10. MUITOS MÉDICOS ALEGAM QUE A CURA ESPIRITUAL É INTROMISSÃO DESLEAL QUE AFETA A SUA ESFERA PROFISSIONAL
Desde que a medicina acadêmica ainda não consegue curar todas as enfermidades do corpo físico e se mostra incapacitada para solucionar as doenças psíquicas de origem obsessiva, é evidente que os médicos não podem censurar os esforços do curandeirismo mediúnico, que tenta suprir as próprias deficiências médicas no tratamento das moléstias espirituais. A medicina oficial, malgrado o seu protesto à intrusão do médium ou do curandeiro na sua área do profissional, fracassa diante dos casos de obsessões, quando pretende tratá-los de modo diferente da técnica tradicional adotadas pelos espíritas e médiuns. O médico ou o médium transformam-se em instrumentos abençoados, quando junto aos enfermos preocupam-se mais em aliviá-los de sua dor, do que auferir qualquer vantagem material. Em consequência, o médico também pode desempenhar junto aos enfermos as funções de médium e atender às intenções dos espíritos benfeitores, caso seja uma criatura afetiva, sensível, e mais um sacerdote do que um homem de negócio.
11. AS CURAS ESPIRITUAIS TEM A FINALIDADE DE DESPERTAR E ATRAIR PARA O ESPIRITISMO AQUELES QUE SE ENCONTRAM AINDA COM SUA MENTE DISTANTE DE ENTENDER O LADO ESPIRITUAL
Repetimos novamente, que as curas espíritas incomuns despertam e atraem para o Espiritismo os homens ateus, médicos ortodoxos, religiosos dogmáticos e até os indiferentes, que depois de abalados em sua velha atitude mental não podem deixar de respeitar e mesmo interessar-se pelos ensinamentos valiosos da vida imortal. Muitas criaturas, depois de exaustas da sua vida “via-crucis” pelos consultórios médicos, hospitais cirúrgicos ou pelas estações terapêuticas, já decepcionados e descrentes das chapas radiográficas,dos eletro-cardiogramas, da radioterapia, da encelografia, ou mutilados pela cirurgia, aceitam incondicionalmente os princípios morais e espirituais do espiritismo, depois de cura dos extraordinariamente pela água fluidificada, pelos passes mediúnicos ou medicamentos receitados pelos espíritos desencarnados.
12. O BEM DAS CURAS ESPIRITUAIS SUPERA OS EQUÍVOCOS DO MEDIUNISMO
Embora o Espiritismo não seja um movimento com o intuito de competir com a medicina oficial, ele corresponde, no entanto, à promessa abençoada do Cristo, quando prometeu o envio do Consolador no momento oportuno para curar os enfermos de espírito, embora isso os homens ainda devam conseguir atraídos primeiramente pela cura do corpo físico. Embora nem todos os familiares dos enfermos beneficiados simpatizam, de início, com os preceitos espiríticos, muitas vezes, os mais sensíveis terminam aceitando a tese da reencarnação e a ação cármica da Lei de Causa e efeito que rege os destinos da alma em prova educativa na matéria. Eis os motivos por que os mentores espirituais ainda endossam o receituário mediúnico sob o patrocínio do Espiritismo, apesar das receitas inócuas, esdrúxulas ou completamente anímicas,produto da precipitação, ignorância ou puro animismo dos incipientes. O bem espiritual já conseguido no serviço benfeitor do receituário mediúnico sob a égide espírita, supera satisfatoriamente os equívocos e as imprudências de um mediunismo de urgência, mais preocupado pela cura do corpo físico, do que mesmo com a saúde do espírito imortal.
13. OS HOMENS AINDA NÃO FAZEM JUS À SAÚDE FÍSICA ABSOLUTA
Na realidade, os homens ainda não fazem jus à saúde física em absoluto, ante o desvio psíquico que exercem sobre si mesmos, no trato das paixões e dos vícios perniciosos que perturbam a contextura delicada do perispírito.
14. SÃO CURADAS AS PESSOAS QUE ESTÃO COM SUAS PROVAS CÁRMICAS TERMINADAS
As pessoas de melhor graduação espiritual, ou que se encontram no fim de suas provas cármicas dolorosas pelo sofrimentos ou vicissitudes morais já sofridas nas vidas anteriores, realmente são eletivas e beneficiadas pela homeopatia, irradiações fluídicas, passes mediúnicos ou água fluidificada, dispensando a medicina cruciante das reações tóxicas. Eis por que há tanta decepção e variedade quanto ao êxito do tratamento dos homens, na Terra, pois a terapêutica salvadora de determinada criatura é completamente inócua aplicada a outro enfermo nas mesmas condições físicas.

Aulas de Inglês

O Grupo Lauro oferece aulas de inglês gratuitas e lanche para as crianças matriculadas na evangelização, uma vez por semana, aos sábados das 12h00 ás 13h00, após a aula é servido lanche.
Aqueles que manifestarem interesse deverão comparecer no dia e horário da aulas. 


Horário:12h00 às 13h00 
Local: Grupo Lauro

Aproveite !

Entrevista com o Espírito André Luiz



André Luiz

Nesta entrevista, concedida ao Dr. Lauro Michielin, diretor do Anuário Espírita para a edição de 1964, n.º 1, André Luiz (espírito) respondeu às perguntas formuladas de  números ímpares através do médium Waldo Vieira e as de números pares através do Médium Francisco Cândido Xavier. Os temas são os mais diversos — sexualidade, homossexualidade, reencarnação, vida atual, etc..

1.Qual a quantidade aproximada de habitantes espirituais – em idade racional – que se desenvolvem, presentemente, nas circunvizinhanças da Terra?
“Será lícito calcular a população de criaturas desencarnadas em idade racional, nos círculos de trabalho, em torno da Terra, para mais de vinte bilhões, observando-se que alta percentagem ainda se encontra nos estágios primários da razão e sendo esse número passível de alterações constantes pelas correntes migratórias de espíritos em trânsito nas regiões do planeta.
2. A quantidade de espíritos que vivem nas diversas esferas do nosso planeta tende, atualmente, a aumentar ou a diminuir?
“Qual acontece na crosta planetária, as esferas de trabalho e evolução que rodeiam a Terra estão muito longe de quaisquer perspectivas de saturação, em matéria de povoamento.”
3. Considerando-se que as criaturas dos reinos vegetal e animal, deste e de outros planos, absorvem elementos de economia planetária, pergunta-se: O nosso planeta dispõe de recursos para a manutenção e sustentação de uma comunidade de número ilimitado de indivíduos ou a despensa celeste do nosso domicílio cósmico se destina a uma sociedade de proporções limitadas, ainda que de dimensões desconhecidas?
“Certo, nos limites do orbe terreno não é justo conceituar os problemas da vida física fora de peso e medida, entretanto é preciso considerar que as ciências aplicadas à técnica, à indústria e à produção, nos vários domínios da natureza, assegurarão conforto e sustento a bilhões de espíritos encarnados na Terra, com os recursos existentes no planeta, por muitos e muitos séculos ainda, desde que o homem se disponha a trabalhar.”
4. Espíritos originários da Terra, têm emigrado, nos últimos séculos, para outros orbes?
“Seja de modo coletivo ou individual, em todos os tempos, espíritos superiores têm saído da Terra no rumo de esferas enobrecidas, compatíveis com a elevação que alcançaram. Quanto a companheiros de evolução retardada, principalmente os que se fizeram necessitados de corretivo doloroso por delitos conscientemente praticados, em muitos casos, sofrem temporária segregação em planos regenerativos.”
5. Espíritos originários de outras plagas costumam estagiar na Terra em encarnações de exercício evolutivo?
“Isso acontece com frequência, de vez que muitos espíritos superiores reencarnam no planeta terrestre a fim de colaborarem na educação da humanidade, e criaturas inferiores costumam aí sofrer curtos ou longos períodos de exílio das elevadas comunidades a que pertencem, pela cultura e pelo sentimento, porquanto a queda moral de alguém tanto se verifica na Terra quanto em outros domicílios do Universo.”
6. Considerando-se a enorme distância geométrica existente entre dois ou mais orbes de um sistema solar ou entre dois ou mais sistemas solares, pergunta-se: a – os espíritos, em seu desenvolvimento evolutivo, ligam-se, necessariamente, a determinados orbes? b – na imensidão dos espaços que separam dois ou mais corpos celestes vivem, também, inteligências individuais?
“a) Em seu desenvolvimento, sim, qual acontece com a pessoa que em determinada fase de experiência física se vincula, transitoriamente, a certa raça ou família. b) Isso é perfeitamente compreensível; basta lembrar as milhares de criaturas que atendem aos interesses de um país ou de outro nas extensões do oceano.”
7. Quais os processos de locomoção utilizados nas migrações interplanetárias, considerando-se a possibilidade de migrações de entidades de categoria até mesmo criminosa, como parece ser o caso dos imigrantes do sistema planetário de Capela?
“Esses processos de locomoção, no plano espiritual, são numerosos. A técnica não se relaciona com a moral. Os maiores criminosos do mundo podem viajar num jato, sem que isso ofenda os preceitos científicos.”
8. Onde começa o Umbral?
“A rigor, o Umbral, expressando região inferior da espiritualidade, pelos vínculos que possui com a ignorância e com a delinquência, começa em nós mesmos.”
9. Onde se situa “Nosso Lar”?
“Não possuímos termos terrestres para falar em torno da geografia no plano espiritual, mas podemos informar que as primeiras fundações da cidade “Nosso Lar” por espíritos pioneiros da evolução brasileira se verificaram no espaço do território conhecido como Estado da Guanabara.”
SEXO
10. Por que a disciplina sexual é recomendada pelo plano espiritual cristão?
“Claramente que a disciplina sexual é recomendável em qualquer plano da vida para que a degradação não arruíne os valores do espírito.”
11. Há alguma relação entre sexo e mediunidade?
“Tanto quanto a que existe entre mediunidade e alimentação ou mediunidade e trabalho, relações essas nas quais se pede equilíbrio.”
12. As funções reprodutoras do sexo se destinam, somente, da vida na Terra?
“Em muitos outros orbes, compreendendo-se, porém, que mundos existem nos quais as funções reprodutoras não são compreensíveis, por enquanto, na terminologia terrestre.”
13. Espíritos sensuais mantêm atividades de natureza sexual após a desencarnação?
“Aos milhões, reclamando educação dos recursos do sentimento e das manifestações afetivas, como acontece nos caminhos da humanidade.”
14. Os perispíritos das entidades espirituais que se localizam nas vizinhanças da Terra conservam o órgão do aparelho sexual humano?
“Sim, e por que não? O órgão sexual é tão digno quanto os olhos e como não se deve atribuir aos olhos os horrores da guerra o órgão sexual não pode ser responsável pelo vício.”
15. Os espíritos conservam, para sempre, as condições de masculino e feminino?
"Respondamos com os orientadores espirituais de Allan Kardec que, na questão número 201, de 'O Livro dos Espíritos' afirmaram, com segurança, que o espírito tanto reencarna no corpo de formação masculina quanto no corpo de formação feminina.”
HOMOSSEXUALIDADE
16. Como explicar os homossexuais?
“Devemos considerar que o espírito reencarna, em regime de inversão sexual, como pode renascer em condições transitórias de mutilação ou cegueira. Isso não quer dizer que homossexuais ou intersexos estejam nessa posição, endereçados ao escândalo e à viciação, como aleijados e cegos não se encontram na inibição ou na sombra para ser delinquentes. Compete-nos entender que cada personalidade humana permanece em determinada experiência merecendo o respeito geral no trabalho ou na provação em que estagia, importando anotar, ainda, que o conceito de normalidade e anormalidade são relativos. Lembremo-nos de que se a cegueira fosse a condição da maioria dos espíritos reencarnados na Terra, o homem que pudesse enxergar seria positivamente considerado minoria e exceção.”
17. Se vivemos tantas vezes participando da formação de casais frequentemente diversos, como explicar o ciúme?
"O ciúme é característico de nossa própria animalidade primitiva, sombra que a educação dissipará.”
18. O espírito desencarnado também está sujeito a crises prolongadas de ciúme? “Como não? A desencarnação é um acidente no trabalho evolutivo, sem constituir por si qualquer solução aos problemas da alma."
19. Como explicar a paixão que, tantas vezes, cega o indivíduo? (A paixão é, somente, uma doença humana?)
“Ainda aqui animalidade em nós é a explicação.”
20. O adultério é, sempre, causa de conflitos quando da volta dos cúmplices ao plano espiritual?
“Sim.”
REENCARNAÇÃO
21. A reencarnação é lei imperativa em todos os orbes do Universo?
“Mais razoável dizer que a reencarnação é princípio universal, compreendendo-se que existem esferas sublimes nas quais a reencarnação, como recurso educativo, já atingiu características inabordáveis ao conhecimento humano atual.”
22. Se a Medicina da Terra aumentar – num futuro não muito distante – a média da vida humana na crosta, do ponto de vista educacional, uma única existência, de 500 anos, por exemplo, bastaria para libertar o espírito das necessidades da escola terrena?
"Cabe-nos aguardar o apoio mais amplo da Medicina à saúde humana, com vista à longevidade, entretanto, em matéria de libertação espiritual o problema se relaciona com a vontade acima do tempo. Quando a pessoa se decide ao burilamento próprio, com ânimo e decisão, a existência física de cinquenta anos vale muito mais que o tempo correspondente a cinco séculos, sem orientação no aprimoramento moral de si mesma.”
23. É de esperar-se que nos próximos milênios, quando a Terra se tornar um centro de solidariedade e de cultura, seja dispensado o processo de reencarnação como elemento indispensável de experiências e estudos?
“Digamos, com mais propriedade, que o espírito, alcançando a sublimação, não mais se encontra sujeito ao processo de reencarnação, por medida educativa, conquanto prossiga livre para reencarnar, como, onde e quando deseje, em auxílio voluntário aos semelhantes.”
24. A duração média de vida dos encarnados racionais de outros orbes corresponde à terrena?
“Não. Essas etapas de tempo variam de mundo a mundo.”
25. Todas as reencarnações, mesmo as dos indivíduos vinculados a condições inferiores, são objeto de um planejamento detalhado por parte dos administradores espirituais?
“Há renascimentos quase que automáticos, principalmente se a criatura ainda permanece fronteiriça à animalidade, entendendo-se que quanto mais importante o encargo do espírito a corporificar-se, junto da humanidade, mais dilatado e complexo o planejamento da reencarnação.”
26. As organizações espirituais que pautam as suas atividades dentro de programas alheios aos princípios cristãos também procedem a execuções de programas para a reencarnação de tarefeiros determinados em suas organizações?
“Sim.”
27. Reencarnações de espíritos de ordem superior, presididas por espíritos elevados, em meio inferior, estão sujeitos a represálias da parte de organizações espirituais interessadas na ignorância humana?
“Natural que assim seja. Recordemos o próprio Jesus.”
28. Se um espírito encarnado com propósitos cristãos pode, pela má conduta, transformar-se num instrumento das trevas, é de se perguntar se um espírito encarnado sob os vínculos de organizações ainda não cristianizadas no Espaço, pode, também, transformar-se num instrumento ostensivo do programa do bem?
“Perfeitamente. Assim ocorre porque o íntimo de cada um prevalece sobre o rótulo que caracterize a pessoa no ambiente humano."
ATUALIDADES
29. Sabemos que outras civilizações terrenas se desfizeram em épocas remotas. Diante do perigo atual de uma conflagração atômica, é de se perguntar: estamos às portas da nova Jerusalém ou no começo de um novo fim?
“Na condição de espíritas-cristãos encarnados e desencarnados, pensemos no futuro da humanidade em termos de evolução, otimismo, confiança, progresso. De todas as calamidades, a civilização sempre surgiu em novos surtos de força para o burilamento geral, ao influxo da Providência Divina, ainda mesmo quando pareça o contrário.”
30. Habitantes de outros orbes conhecem a humanidade terrena, sua história, costumes, etc.?
“Sim.”
31. Diante dos progressos alcançados pela ciência, conseguirá o homem aportar a outros corpos de nosso sistema solar?
“Ninguém pode traçar fronteiras às conquistas da ciência humana. Quanto mais dilatados o serviço e a fraternidade, a educação e a concórdia na Terra, maiores as possibilidades do homem nas conquistas do espaço cósmico.”
32. Se a ciência humana se servir de seus recursos, pondo em risco a estabilidade do planeta, é de se esperar esteja a humanidade da Terra sujeita a uma intervenção direta da parte de outros planetas?
“Nossa confiança na sabedoria da Providência Divina deve ser completa. Ainda mesmo que a Terra se desintegrasse numa catástrofe de natureza cósmica, Deus e a vida não deixariam de existir. Uma cidade arrasada num cataclismo não significa a destruição de um povo inteiro. Justo que, em nos considerando coletivamente, temos feito por merecer longas aflições e duras provas na Terra, entretanto, diante da Infinita Bondade, devemos afastar quaisquer ideias sinistras da cabeça popular carecedora de harmonia e esperança para evoluir e servir. Amemo-nos uns aos outros. Realizemos o melhor ao nosso alcance. Convençamo-nos de que o bem vive para o mal como a luz para a sombra. Edifiquemos o mundo melhor começando em nós mesmos, e confiemos na palavra fiel do Cristo, que prometeu amparar-nos e auxiliar-nos “até o fim dos séculos”. E assim nos exprimindo não nos propomos afirmar que, a pretexto de contar com Jesus, podemos andar irresponsáveis ou desatentos. Não. Forçoso trabalhar e cumprir as obrigações que a vida nos trace, a fim de sermos amparados e auxiliados por ele, sejam quais forem as circunstâncias.”

JUDAS ESCARIOTES


19 de Abril de 1935
Espírito Humberto de Campos
Chico Xavier
Fonte: Livro Crônicas de Além-Túmulo 


Silêncio augusto cai sobre a Cidade Santa. A antiga capital da judéia parece dormir o seu sono de muitos séculos. Além descansa Getsêmani, onde o Divino Mestre chorou numa longa noite de agonia, acolá está o Gólgota sagrado e em cada coisa silenciosa há um traço da Paixão que as épocas guardarão para sempre. E, em meio de todo o cenário, como um veio cristalino de lágrimas, passa o Jordão silencioso, como se as suas águas mudas, buscando o Mar Morto, quisessem esconder das coisas tumultuosas dos homens os segredos insondáveis do Nazareno.
Foi assim, numa destas noites que vi Jerusalém, vivendo a sua eternidade de maldições.
Os espíritos podem vibrar em contacto direto com a história. Buscando uma relação íntima com a cidade dos profetas, procurava observar o passado vivo dos Lugares Santos. Parece que as mãos iconoclastas de Tito por ali passaram como executoras de um decreto irrevogável. Por toda a parte ainda persiste um sopro de destruição e desgraça. Legiões de duendes, embuçados nas suas vestimentas antigas, percorrem as ruínas sagradas e no meio das fatalidades que pesam sobre o empório morto dos judeus, não ouvem os homens os gemidos da humanidade invisível.
Nas margens caladas do Jordão, não longe talvez do lugar sagrado, onde Precursor batizou Jesus Cristo, divisei um homem sentado sobre uma pedra. De sua expressão fisionômica irradiava-se uma simpatia cativante.
- Sabe quem é este? – murmurou alguém aos meus ouvidos. – Este é Judas.
- Judas?!...
- Sim. Os espíritos apreciam, às vezes, não obstante o progresso que já alcançaram, volver atrás, visitando os sítios onde se engrandeceram ou prevaricaram, sentindo-se momentaneamente transportados aos tempos idos. Então mergulham o pensamento no passado, regressando ao presente, dispostos ao heroísmo necessário do futuro. Judas costuma vir à Terra, nos dias em que se comemora a Paixão de Nosso Senhor, meditando nos seus atos de antanho...
Aquela figura de homem magnetizava-me. Eu não estou ainda livre da curiosidade do repórter, mas entre as minhas maldades de pecador e a perfeição de Judas existia um abismo. O meu atrevimento, porém, e a santa humildade de seu coração, ligaram-se para que eu o atravessasse, procurando ouvi-lo.
-O senhor é, de fato, o ex-filho de Iscariot? – Sim, sou Judas – respondeu aquele homem triste, enxugando uma lágrima nas dobras de sua longa túnica. Como o Jeremias, das Lamentações, contemplo às vezes esta Jerusalém arruinada, meditando no juízo dos homens transitórios...
- É uma verdade tudo quanto reza o Novo Testamento com respeito à sua personalidade na tragédia da condenação de Jesus?
- Em parte... Os escribas que redigiram os evangelhos não atenderam às circunstâncias e às tricas políticas que acima dos meus atos predominaram na nefanda crucificação. Pôncio Pilatos e o tetrarca da Galiléia, além dos seus interesses individuais na questão, tinham ainda a seu cargo salvaguardar os interesses do Estado romano, empenhado em satisfazer as aspirações religiosas dos anciãos judeus. Sempre a mesma história. O Sanedrim desejava o reino do céu pelejando por Jeová, a ferro e fogo; Roma queria o reino da Terra.
Jesus estava entre essas forças antagônicas com a sua pureza imaculada. Ora, eu era um dos apaixonados pelas idéias socialistas do Mestre, porém o meu excessivo zelo pela doutrina me fez sacrificar o seu fundador. Acima dos corações, eu via a política, única arma com a qual poderia triunfar e Jesus não obteria nenhuma vitória. Com as suas teorias nunca poderia conquistar as rédeas do poder já que, no seu manto de pobre, se sentia possuído de um santo horror à propriedade. Planejei então uma revolta surda como se projeta hoje em dia na Terra a queda de um chefe de Estado. O Mestre passaria a um plano secundário e eu arranjaria colaboradores para uma obra vasta e enérgica como a que fez mais tarde Constantino Primeiro, o Grande, depois de vencer Maxêncio às portas de Roma, o que aliás apenas serviu para desvirtuar o Cristianismo. Entregando, pois, o Mestre, a Caifás, não julguei que as coisas atingissem um fim tão lamentável e, ralado de remorsos, presumi que o suicídio era a única maneira de me redimir aos seus olhos.
- E chegou a salvar-se pelo arrependimento?
- Não. Não consegui. O remorso é uma força preliminar para os trabalhos reparadores.
Depois da minha morte trágica submergi-me em séculos de sofrimento expiatório da minha falta. Sofri horrores nas perseguições infligidas em Roma aos adeptos da doutrina de Jesus e as minhas provas culminaram em uma fogueira inquisitorial, onde imitando o Mestre, fui traído, vendido e usurpado. Vítima da felonia e da traição deixei na Terra os derradeiros resquícios do meu crime, na Europa do século XV. Desde esse dia, em que me entreguei por
amor do Cristo a todos os tormentos e infâmias que me aviltavam, com resignação e piedade pelos meus verdugos, fechei o ciclo das minhas dolorosas reencarnações na Terra, sentido na fronte o ósculo de perdão da minha própria consciência...
- E está hoje meditando nos dias que se foram... - pensei com tristeza.
- Sim... Estou recapitulando os fatos como se passaram. E agora, irmanado com Ele, que se acha no seu luminoso Reino das Alturas que ainda não é deste mundo, sinto nestas estradas o sinal de seus divinos passos. Vejo-O ainda na Cruz entregando a Deus o seu destino...
Sinto a clamorosa injustiça dos companheiros que O abandonaram inteiramente e me vem uma recordação carinhosa das poucas mulheres que O ampararam no doloroso transe... Em todas as homenagens a Ele prestadas, eu sou sempre a figura repugnante do traidor... Olho complacentemente os que me acusam sem refletir se podem atirar a primeira pedra... Sobre o meu nome pesa a maldição milenária, como sobre estes sítios cheios de miséria e de infortúnio. Pessoalmente, porém, estou saciado de justiça, porque já fui absolvido pela minha consciência no tribunal dos suplícios redentores.
Quanto ao Divino Mestre – continuou Judas com os seus prantos – infinita é a sua misericórdia e não só para comigo, porque se recebi trinta moedas, vendendo-O aos seus algozes, há muitos séculos Ele está sendo criminosamente vendido no mundo a grosso e a retalho, por todos os preços em todos os padrões do ouro amoedado...
- É verdade – concluí – e os novos negociadores do Cristo não se enforcam depois de vendê-lo.
Judas afastou-se tomando a direção do Santo Sepulcro e eu, confundido nas sombras invisíveis para o mundo, vi que no céu brilhavam algumas estrelas sobre as nuvens pardacentas e tristes, enquanto o Jordão rolava na sua quietude como um lençol de águas mortas, procurando um mar morto.