Elogio e autoelogio

De uns tempos para cá, exacerbou-se de forma preocupante o hábito dos espíritas em elogiar e exaltar personalidades em público. É um tanto incompreensível que uma Doutrina fundamentada na humildade de espírito, possa ter caído nesse lugar comum, próprio das seitas dominadas pela irracionalidade.

Vamos narrar alguns fatos sem, no entanto, citar nomes para não ferir susceptibilidades. A situação é grave e está contribuindo sobremaneira para ridicularizar o Espiritismo.

Dias atrás, num programa de televisão, certa personalidade espírita estava concedendo uma entrevista. O entrevistador, cuja conduta na imprensa é a de fazer muitos elogios, aproveitou a oportunidade para ouvir do seu entrevistado algo que apoiasse a própria postura no vídeo. A pergunta mostrava claramente sua intenção:

- E quanto ao elogio, não se deve elogiar, estimular, incentivar alguém que realiza grandes obras, grandes eventos?

A pergunta, além de colocar o elogio e o estímulo no mesmo patamar, era também induzida. Isso é, trazia em si a resposta que ele, o entrevistador, gostaria de ouvir.

O entrevistado não separou as coisas e acabou envolvido pelo clima que dominava a situação. A resposta que deu foi no mínimo estranha. Primeiro, disse que o elogio tinha mesmo um comprometimento. Não citou qual. Depois, trocando o termo "elogiar" por "estimular", fez um verdadeiro discurso argumentando a favor do elogio.

Começou dizendo que todos precisam de estímulos e indaga o por quê de só se apedrejar e nunca se estimular. Infelizmente, neste caso, trocou alhos por bugalhos, pois estímulo é uma coisa e elogio outra bem diferente. Se alguém vem a público dizer que uma pessoa é "maravilhosa", "fantástica", "brilhante", "inesquecível", "insubstituível" e outras coisas mais, certamente está elogiando e não estimulando, no sentido que o entrevistado quis dar à palavra. Neste caso há sim um estímulo, mas ao ego da criatura.

A seguir, o entrevistado citou um pensamento de uma jovem rosa cruz, que disse ser pessimista: “Quando alguém cai, a humanidade cai com ela”. Afirmou que pensa ao contrário. Segundo ele, quando alguém se levanta, a humanidade se levanta com ele.

À primeira vista esse pensamento pode parecer correto, mas se o analisarmos cuidadosamente, vamos verificar que traz em si um equívoco: o de se preocupar só com as coisas boas e deixar de lado as ruins. Ora, mas é das coisas ruins que devemos nos ocupar no Espiritismo, pois são as que destroem as boas coisas. A bandeira do verdadeiro espírita é a do autoconhecimento, conforme nos coloca Allan Kardec:

"Examinai os vossos defeitos, e não as vossas qualidades, e se vos comparardes aos outros, procurai o que existe de mau em vós" - (Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 27:4).

 A jovem rosa cruz estava certa, pois centrou sua preocupação nos problemas do ser que luta e cai. Quando faz isso, alerta para que todos façamos um esforço para não deixar os nossos irmãos caírem. É o amor ao próximo, conforme nos exorta o Evangelho.

A seguir, o entrevistado fala uma coisa no mínimo estranha: "A inveja não deixa sermos parceiros da pessoa jubilosa, mas o prazer nos leva a ter compaixão porque exalta o ego. Nós nos tornamos benfeitores".

Declaração de puro sofisma. Esmiuçando, diz que aquele que não é parceiro da pessoa "jubilosa" é um invejoso. Depois, que o prazer, (de ser jubiloso?) leva-nos a ter compaixão, porque exalta o ego e nos torna benfeitores. Benfeitores por estimular o ego?

Ora, mas o Espiritismo não tem como fundamento combater a exaltação do ego? Não é o ego exaltado o responsável por todas as desgraças humanas? Não é através dele que se fortalece o orgulho, a vaidade e o egoísmo? Pelo menos é isso que está nos livros espíritas.

Em outra ocasião, esse mesmo entrevistado já afirmou que seu guia espiritual tem o seguinte pensamento: "quando nos conhecemos, os elogios não nos exaltam". Sem comentários!

No final da questão, o entrevistado saiu-se com outra ideia não menos estranha, dizendo que não haveria qualquer problema em se bater palmas para alguém. Disse mais: que só aplaudia aqueles que ele gostasse do trabalho. Se a pessoa se envaidecesse, seria uma fraqueza dela. Ensina que o problema do elogio está no elogiado ser vaidoso ou não. Ora, mas é a vaidade ou o elogio que é o problema central?

Vejamos. Se o elogio não tiver qualquer problema no tocante à alteração da personalidade humana, os traficantes de droga também estarão isentos de seus crimes. Eles podem argumentar que oferecem os tóxicos nada mais. Se alguém vira viciado, o problema é dele. Então quem é mais nocivo: o tóxico ou a tendência ao vício que algumas pessoas possuem? O tóxico, claro, pois ele é o elemento de estímulo do vício.

No caso das drogas, temos de fazer um trabalho de esclarecimento para conscientizar as pessoas da infelicidade que é transformar-se num alienado mental pelo seu uso.  Mas é preciso também combater o tráfico e a droga em si.

No caso da vaidade, estamos frente a uma situação de maior gravidade, pois quase todos possuímos tendências ao orgulho e egoísmo. Além de alertarmos para os danos da vaidade e do orgulho na felicidade do Espírito, precisamos lutar contra tudo que pode estimulá-los. Daí o elogio ser tão nocivo.

Há aquele que matreiramente apregoa que gosta de palco – Esperando que o público o veja como humilde confessamente. Quanto desequilíbrio! é a vaidade obsessora.

Quanto ao bater palmas para esse ou aquele expositor que visita a casa espírita, isso já se tornou um hábito desagradável e pelo que se vê, defendido pelos que deveriam trazer o esclarecimento. Vimos centros onde se batiam palmas até para quem fazia a prece de abertura. No meio da palestra, se o expositor discorre sobre assunto edificante e é mais enfático em sua explanação, haja aplausos...

Infelizmente, entre nós espíritas, cumprir a tarefa de expositor passou a ser motivo de "júbilo" e não de prestação de serviço. A exposição doutrinária transformou-se em pedestal de auto realização. Certas imitações de oradores conhecidos, que se faz em todo o país, é uma vergonha.

Para acertarmos no caso do aplauso, basta usarmos o bom senso. Se estamos fazendo um evento doutrinário não convencional, não há motivos para se deixar de aplaudir o convidado, mesmo que não gostemos de sua apresentação. Fazê-lo, faz parte da educação.  No entanto, se alguém vier falar numa reunião pública convencional, não há qualquer motivo para aplaudi-lo. O orador estará explicando a Doutrina Espírita ao povo, como se faz em outros dias de reuniões. Por que, pois, aplaudi-lo? Não é necessário. É preciso que tenhamos cuidado para que os trabalhos públicos não se transformem em fábrica de vaidades.

Recentemente, num evento promovido no Nordeste, um renomado expositor fez a palestra de encerramento. Ao finalizá-la, saiu do palco de apresentação entre pétalas de rosas, cânticos e lágrimas! Outro, em comemoração aos seus muitos anos de serviço na causa, adentrou um estádio lotado de pessoas que acenavam com fitas brancas.  Será que isso é normal? Existe alguma outra religião ou filosofia racional que age assim? Não estaria havendo exageros da parte de quem organiza? Os homenageados não estariam sendo coniventes com tais coisas? São situações claras de estímulo à idolatria de vivos, lamentavelmente.

Já fizemos críticas nesta coluna aos títulos de cidadania que são distribuídos a oradores, pois é uma cerimônia politiqueira que nada acrescenta ao Movimento, a não ser fortalecer a idolatria em torno dos envolvidos. Mas tudo continua como se não fosse com eles. Os expositores de renomes são cercados por admiradores fanáticos que, para agradar seus ídolos, promovem tais descalabros. Frequentemente, eles criam o próprio espaço à sombra do idolatrado. São procurados para intermediarem favores e visitas apostolares. Uma boa oportunidade para criarem também o próprio mito.

No interior de São Paulo, ficou conhecidíssimo o caso do dirigente que distribuiu cartas na região, sugerindo aos centros espíritas que levassem placas de prata ao homenageado da noite, pois com isso eles entrariam para os "anais da história". Isso não faz o menor sentido. Não estaremos nos dando muita importância e sentando nos primeiros lugares da festa, como nos alerta o Evangelho?

O maior exemplo de postura cristã ainda está encarnado. Trata-se de Francisco Cândido Xavier. Ele é quem fez o Movimento no Brasil. Embora muitos o idolatrem, ele nunca se deixou envolver nessas estapafúrdias homenagens. Hoje, goza dos frutos do seu trabalho. Sempre se colocou como um "burro manco", a serviço do Senhor. Por que não imitarmos a sua humildade e simplicidade de espírito? Precisamos pensar nisso seriamente.

Certa feita, uma mulher tendo ficado tocada pelas pregações de Jesus, gritou em meio à multidão: "Bem-aventurados os peitos em que mamastes". E o Senhor lhe respondeu: "Mais bem-aventurados são os que fazem a vontade de meu Pai".

O Mestre, nosso modelo por excelência, não admitia sequer que alguém lhe chamasse de "bom". Bom é Deus, dizia. Por que motivo estamos nos deixando levar por esse espírito de vaidade? Não se estaria repetindo a atitude garbosa dos antigos fariseus? Essas pompas e grandiloquências, observadas à volta de alguns expoentes, não seria a repetição dos faustos da Igreja Católica?

Todos somos criaturas imperfeitas. Se algum Bem conseguimos fazer, certamente ele deve ser creditado a Deus que a tudo realiza.  Paulo de Tarso, em umas de suas advertências, disse que nem o que planta nem o que rega é coisa alguma, mas Deus, que dá o crescimento. Procuremos imitar esses mestres em sua conduta.

A humanidade decadente oferece condições para que a iniquidade se multiplique. O momento que vivemos é de muita gravidade e os dirigentes espíritas sérios precisam tomar nas mãos as rédeas de suas casas, para dirigi-las com retidão e coragem.

O Evangelho espírita é o guia moral de todos nós. Nas grandes questões da vida, é a ele que precisamos recorrer. Evitemos deixar nos envolver nas armadilhas do momento, que estão sendo colocadas para atrair incautos, venha de quem vier.


(A Voz do Espírito- Josué de Freitas)

A Consciência não jaz sob algema na massa craniana

O pesquisador materialista afirma que a consciência humana (ou o espírito) é resultante exclusivo das funções cerebrais e está confinada no crânio. Para ele, quando o corpo morre a consciência (ou o espírito) desaparece. A rigor, não existem proposições científicas que apoiem a sobrevivência da alma após a morte, e muito menos a comunicação dos mortos.
Contudo, diante do acúmulo de fatos, a exemplo da sensibilidade extrafísica de Chico Xavier, que não foram explicados pelas leis da natureza ou foram analisados algumas vezes como fraude, um grupo de cientistas metafísicos resolveu interrogar a ciência – e não os médiuns. A conclusão desses cientistas está contida no livro Irreducible Mind. A obra parte da lógica de que fenômenos como a mediunidade, a telepatia e experiências de quase-morte são indícios de que o velho modelo teórico vigente nos meios academistas é incompleto. [1]
Para o psiquiatra da Universidade da Virgínia (EUA) Edward Kelly, a ciência vem ignorando um princípio científico básico, o da “falseabilidade ou refutabilidade”, ou seja, todo cientista sério deveria estar sempre procurando um vácuo na sua tese – e não o contrário. Para Kelly, a mediunidade pode ser um desses vácuos, por isso é plausível desvendar o mistério da consciência, que instiga filósofos e cientistas há milênios. [2]
Os pesquisadores clássicos acreditam que parte do problema está em considerar mente e cérebro uma coisa só. Porém, Edward Kelly propõe que o cérebro seja encarado como um aparelho de TV. A consciência seriam seus programas. Um defeito na TV (cérebro) pode alterar a qualidade da imagem, mas não o conteúdo dos programas (consciência). Ou seja, sem a TV, não podemos enxergar nosso seriado favorito, mas o seriado existe mesmo assim. Só não pode ser assistido. Funcionaria de um jeito parecido com a consciência: dependemos do cérebro para percebê-la, mas ela não está, segundo a proposta, encarcerada dentro do aparelho (cérebro). [3]
Essa realidade garantiria sobrevida da consciência além do corpo, abrindo a possibilidade de explicar a ideia de que a consciência segue vagando por aí após a morte e pode se comunicar com outras consciências, vivas, encarnadas ou não. [4] Kelly propõe que os cientistas tradicionais questionem suas convicções e prestem mais atenção em fenômenos hoje ignorados, como a mediunidade.
Por quanto tempo filósofos, cientistas e religiosos têm ponderado o que acontece após a morte? Existe vida após a morte, ou nós simplesmente desaparecemos no grande desconhecido? Embora corpos individuais estejam destinados à autodestruição, o sentimento vivo, a consciência, o “quem sou eu?” – É uma fonte de baixa voltagem de energia operando no cérebro. Mas essa energia não desaparece com a morte. Um dos mais seguros axiomas da ciência é que a energia nunca morre; ela pode ser criada mas não destruída”. [5]
Não existiríamos sem a consciência. Aliás, nada poderia existir sem consciência. Pesquisadores recordam que a morte não existe em um mundo sem espaço atemporal. Não há distinção entre passado, presente e futuro. É apenas uma ilusão teimosamente persistente. A imortalidade não significa uma existência perpétua no tempo sem fim, mas reside fora de tempo completamente. [6]
Articulam alguns acadêmicos que a consciência é um produto da atividade cerebral, que surge para dar coerência às nossas ações no mundo. O cérebro toma a decisão por conta própria e ainda convence seu “titular” que o responsável foi ele. Assim sendo, somos um só: o que é cérebro também é mente. A sensação de que existe um eu que habita e controla o corpo é apenas o resultado da atividade cerebral que nos ilude. Então não há nenhum “espírito” na máquina cerebral.
Será mesmo? É óbvio que as muitas deduções dos múltiplos experimentos da neurociência reducionista são ardis da ficção. “A mente tem a dinâmica de um mosaico de luzes que se projetam pela consciência, que se contrai ou expande diante do que nos emociona.” [7] Desse Universo abstrato “emanam as correntes da vontade, determinando vasta rede de estímulos, reagindo ante as exigências da paisagem externa, ou atendendo às sugestões das zonas interiores.” [8]
Há estudos consistentes que comprovam a total impossibilidade de se medir com precisão o tempo entre o estímulo cerebral e o ato em si, o que, aliás, já derruba todas as precipitadas teses materialistas. A consciência e a inteligência não são um curto-circuito nem o subproduto casual do intercâmbio de quaisquer neurônios. Enquanto a ciência demorar-se abraçada à matéria e não alcançar a dimensão do que não pode palpar, ver e ouvir, ficará ainda extremamente distante de tanger as imediações da verdade que investiga.
O atributo essencial do ser humano é sem dúvida a inteligência, mas a causa da inteligência não reside no cérebro humano, mas sim no ser espiritual que sobrevive ao corpo físico e pode se comunicar com o homem encarnado. Graças ao Espiritismo, no seu aspecto filosófico e experimental, está sendo possível construir a sólida ponte sobre o abismo que separa matéria e espírito. Os mortos podem ser ouvidos. Todo brado de coroados “nobeis” de ciência alça a sua voz para nos expressar a morte da matéria.
Já é tempo de nos instruir ante os ensinos da ciência pós-mecanicista dos séculos passados e de nos livrarmos da camisa de força que o materialismo do século XIX infligiu aos nossos julgamentos filosóficos. Neurocientistas, “químicos e físicos, geômetras e matemáticos, erguidos à condição de investigadores da verdade, são hoje, sem o desejarem, sacerdotes do Espírito, porque, como consequência de seus porfiados estudos, o materialismo e o ateísmo serão compelidos a desaparecer, por falta de matéria, a base que lhes assegurava as especulações negativistas.”. [9]
 Jorge Hessen  Brasília/DF

Referências bibliográficas:
[2] Idem
[3] Idem
[4] Idem
[6] Idem
[7] Facure Nubor Orlando. Operações Mentais e como o Cérebro Aprende, disponível no Site  www.geocities.com/Nubor_Facure acesso em  22/03/2013
[8] Xavier, Francisco Cândido. No Mundo Maior, Ditado pelo Espirito André Luiz, RJ: Ed.. FEB,     1997, cap. 4
[9] Xavier, Francisco Cândido. Nos domínios da mediunidade, Ditado pelo Espírito André Luiz,    “prefácio” do Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1999.


Encerramento da Evangelização 2015

O dia 12/12/2015 foi marcado como o encerramento dos trabalhos deste ano da evangelização da casa Lauro. 
Além da entrega dos presentes para as crianças, a confraternização contou com um lanche muito especial de Pizzas doces e salgadas. 
Foi um dia memorável para o Irmão Lauro, agora só nos resta descansar para o ano que vem!


Sacolas de natal - 12/12/2015.



GB

Encerramento da Evangelização 2014


 O Irmão Lauro encerrou suas atividades, em 2014, na Evangelização, com uma grande festa, com apresentação de show de mágica, lanche especial para as crianças e a entrega das sacolinhas de Natal!
Agradecemos a todos que colaboraram, de alguma forma, para este trabalho, e aguardamos a volta todos em 2015 !
Confira as fotos clicando na imagem abaixo.




GB

52 anos do Irmão Lauro!

No dia 19/11/2015 foi realizada a palestra da Sra. Hilda Regina em homenagem ao aniversário de 52 da casa. Foi uma confraternização memorável, digna da importância que o Irmão Lauro tem na vida de cada um de nós.
Para visualização de todas as fotos do evento, clicar no link "Fotos".


Foto tirada em 19/11/2015 (Quinta-feira), na palestra de Hilda Regina.





GB




Almoço beneficente 29/11/2015

Aconteceu no dia 29/11/2015 o último almoço beneficente de 2015, marcando a última confraternização do ano entre trabalhadores, frequentadores e associados da casa. Foi uma grande festa!
Para visualizar todas as fotos, clicar no link abaixo da foto.

Foto tirada em 29/11/2015





GB

A infância e as tecnologias – Pais, todo cuidado é pouco!

As crianças de 8 a 12 anos que vivem conectadas à Internet constituem o grupo mais vulnerável para um abusador sexual. Segundo especialistas mencionados pelo diário “La Nación” de Buenos Aires, os pais que começam a se preocupar com a vida virtual de seu filho quando esse faz 12 anos estão chegando atrasados. Segundo Sebastián Bortnick, presidente da ONG argentina Cibersegura, que propôs a lei que transformou em delito a caça sexual a menores pela Internet e outros meios eletrônicos, “é preciso prestar atenção mais cedo, pois a partir dos 8 anos já correm risco”, disse. [1]
Os perigos são reais, vejamos: os argentinos estão comovidos com o assassinato de Micaela Ortega, uma adolescente de 12 anos, encontrada morta no final de semana, após permanecer 35 dias desaparecida. Segundo fontes oficiais, ela conheceu o assassino no Facebook. O promotor que investiga o caso, Rodolfo De Lucia, contou à imprensa que “Luna”, o assassino, convenceu Micaela a acompanhá-lo, dizendo que a levaria para a casa de uma amiga, a mesma que “Luna” inventou no Facebook. [2]
Para os estudiosos da temática, quase 70% das crianças (meninos e meninas) entre 10 e 12 anos, já criaram um perfil numa rede social. Naturalmente ainda são crianças, entretanto não estão mais na infância. Convivem ou sobrevivem absorvidas por emblemáticas relações virtuais, com escasso contato com o mundo real e ignoram os gravíssimos perigos que os cerca. Recordo que 50 anos atrás nos agrupávamos para brincar na casa de um amigo, de um parente, na rua ou na praça, contudo hoje em dia as crianças se agrupam nas redes virtuais (sem noção de realidade).
Desde a popularização do rádio – inventado por Marconi, em 1895 e disseminado em grande parte do mundo até as décadas de 30 e 40 – da expansão da TV, inventada por John Baird em 1925, e disseminada no Brasil a partir dos anos 50 e da invasão da Internet, a partir da década de 90 – com a criação dos sistemas de rede (web) – atribuída a Tim Berners Lee, o nível de informação das pessoas aumentou consideravelmente. Mesmo aqueles considerados ignorantes na sociedade atual detêm um volume de informação muito maior que há cinco décadas.” [3]
Em tempos de cibernética é urgente monitorarmos nossos filhos sob às regras necessárias da vigília cristã, antes que nossos rebentos completem os 11 anos. Agindo assim, podemos instrumentalizá-los de consciência  crítica, a fim de lidarem com o mundo virtual, conduzindo-os à vigilância diante das arapucas advindas pela Internet.
Consequentemente, é imperioso explicar aos filhos sobre os perigos das redes sociais (Facebook, Instagram ou Snapchat), investigar diariamente o que eles acessam na Internet, o que assistem (filmes), o que ouvem (músicas) e com quem articulam mensagens. Urge fazer isso de forma amorosa, numa relação de proteção. Esse procedimento dos pais acarretará benefício aos filhos e eles perceberão que estamos cautelosos e que podem dialogar conosco sobre o que fazem e com quem conversam nos universos virtuais.
Seguramente, os pais que negligenciaram até aqui o controle das viagens dos filhos nas trilhas dos smartphones, notebooks, tablets etc., quando começarem a monitorar ficarão espantados ao adentrarem nos perfis e correspondências dos filhos (menores de 12 anos). Há cem por cento de chance de descobrirem correspondências incomodativas por lá. Toda cautela é pouca! Lembrando que no monitoramento não pode haver suspensões hostis quanto ao uso da tecnologia, até porque a “coisa proibida” é mais sedutora para eles. É necessário dimensionar aos filhos a confiança de que estão sendo vigiados para o seu próprio bem.
Apoiados no bom senso doutrinário, é importante aprendermos a enfrentar os desafios cibernéticos, com a intenção de procurar a verdade e de esclarecer nossos filhos. É bastante salutar que saibamos separar o trigo do joio. A Internet, a despeito das informações incorretas, das agressões, das infâmias, da degradação e do crime, é sem dúvida um instrumento de grandiosas realizações que dignificam o homem e preparam a sociedade para um porvir mais promissor, e nossos filhos não podem estar alheios a isso.
Vivemos num estágio social em que o mundo virtual é quase o real, mas ele nos surge como sonho. Alguns sonham com cuidado, outros se perdem nos conflitos dos delírios oníricos. Em todos esses estágios há o perigo disso virar pesadelo. Esse é o preço que a sociedade contemporânea paga pelo avanço das tecnologias, apesar de muitos cidadãos ainda não terem se dado conta de que seus atos pelas vias virtuais estão estabelecendo desastres morais de consequências imprevisíveis.
A Internet permitirá um contato mais rico com a monumental obra espírita. Hoje é possível elaborar cursos interativos, por exemplo, uma discussão das obras espíritas clássicas, assinalando links relevantes entre os diferentes textos, e com comentários feitos por autores consagrados. Os livros da Codificação podem ser disponibilizados em hipertexto, em versões de fácil consulta. Relatos específicos podem ser colecionados e indexados para pesquisa rápida etc. etc. etc.
Mas cuidado! Ora, se devemos prestar atenção redobrada ao atravessar uma avenida de trânsito intenso, devemos ter a máxima cautela ao navegar na web, pois os perigos são reais. Também nós adultos devemos estar atentos para evitar cair em emboscadas cibernéticas. Mas apesar dos riscos e temeridades, não devemos demonizar as novas tecnologias tal qual fazia a Inquisição na Idade Média, queimando os livros e dilacerando a cultura.
Jorge Hessen
Brasília-DF

Referências:


Eutanasia- A falsa porta da "paz eterna"

Lamentavelmente a eutanásia é legal na Bélgica desde 2002. A lei belga estabelece que, para ter direito à eutanásia, os pacientes precisam demonstrar constante e insuportável sofrimento psicológico ou físico. Em 2013 houve 1.807 casos de eutanásia no país, a maioria deles de pessoas idosas sofrendo de doenças terminais (apenas 4% tinham distúrbios psiquiátricos).
A eutanásia tem suscitado controvérsias nos meios jurídicos. No Brasil, a Constituição e o Direito Penal são bem claros: a eutanásia constitui assassínio comum. Nas hostes médicas, sob o ponto de vista da ética da medicina, a vida é considerada um dom sagrado, e portanto é vedada ao médico a pretensão de ser juiz da vida ou da morte de alguém. A propósito, é importante deixar consignado que a Associação Mundial de Medicina, desde 1987, na Declaração de Madrid, considera a eutanásia como sendo um procedimento eticamente inadequado.
No entanto, na Bélgica, Sébastien, um belga, tem reivindicado uma autorização legal para morrer através da eutanásia. Para isso, argumenta que sofre psicologicamente por não conseguir aceitar sua homossexualidade.  Vive numa constante sensação de vergonha e de cansaço mental por estar atraído sexualmente por quem não deveria, segundo crê. É como se tudo fosse ao contrário do que gostaria de ser, alega. Há gigantesco apoio popular à eutanásia na Bélgica. O número total de casos aprovados tem crescido anualmente desde 2002.
A lei foi modificada em 2013 para consentir a prática inclusive para crianças em estado terminal. A lei estabelece que todas as mortes por eutanásia no país devem ser inspecionadas por um comitê de médicos e advogados. Para Gilles Genicot, professor de legislação médica da Universidade de Liége e membro do comitê que revê os casos de eutanásia, o desejo de Sébastian, por exemplo, não preenche o critério legal para a prática. [1]
Sem exteriorizar aqui nosso juízo sobre a auto rejeição da sexualidade de Sébastian, privilegiaremos as ponderações doutrinárias em torno do contra-senso da eutanásia oficializada. Sim! Não cabe ao homem, em circunstância alguma, ou sob qualquer pretexto legal, o direito de escolher e deliberar sobre a vida ou a morte de seu próximo, e a eutanásia, essa falsa piedade, atrapalha a terapêutica divina nos processos redentores da reabilitação espiritual.
Nós, espíritas, sabemos que a agonia física e emocional prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a enfermidade pertinaz pode ser, em verdade, um bem. A questão 920, de O Livro dos Espíritos, registra que “a vida na Terra foi dada como prova e expiação, e depende do próprio homem lutar, com todas as forças, para ser feliz o quanto puder, amenizando as suas dores”. [2]
Muitos infelizes crêem que a solução para seus sofrimentos é a morte através da eutanásia oficializada. Todavia, afirmamos que além de sofrer no mundo espiritual as dolorosas consequências de seu gesto equivocado de acovardamento e revolta diante das leis da vida, aquele que procura recursos para morrer pela eutanásia (uma espécie de suicídio indireto) ainda renascerá com todas as sequelas físicas resultantes da deliberação da morte antecipada, e terá que enfrentar novamente a mesma situação dolorosa que a sua inexistente fé e distanciamento de Deus não lhe permitiram o êxito existencial.
O verdadeiro espírita porta-se, sempre, em favor da manutenção da vida, respeitando os desígnios de Deus, buscando não só minorar seus próprios sofrimentos, mas também se esforçar para amenizar as dores do próximo (sem eutanásias), confiando na justiça perfeita e na bondade do Criador, até porque, nos Estatutos Dele não há espaço para injustiças e cada qual recebe da vida segundo suas necessidades e méritos. É da Lei maior!
Jorge Hessen
Brasília/DF

Perseverar









...perseveremos no bem sobretudo.
...a estrada provavelmente se nos erigirá lodacenta ou agressiva pelos tropeços e espinhos que apresente ...
Perseveremos servindo para transpô-la.
...o ambiente terá surgido carregado de nuvens, na condensação de injúrias ou incompreensões que nos circundem...
Perseveremos ofertando aos outros o melhor de nós em favor dos outros e os outros nos auxiliarão para vencer as sombras e dissipá-las.

...ansiedades e esperanças nos visitam a alma, transformando-se em obstáculos para a obtenção da alegria que nos propomos alcançar...
Perseveremos agindo na prática do bem e, dentro desse exercício salutar de sublimação, surpreenderemos, por fim, a região de acesso às bênçãos que buscamos.

...as lutas e desafios se nos avolumam na marcha...
perseveremos na humildade e na paciência que nos garantirão a segurança e a tranqüilidade das quais não prescindimos para seguir adiante.

...discórdias e problemas repontam das tarefas a que consagramos as nossas melhores forças...
Perseveremos na serenidade e na elevação, dentro dos encargos que nos assinalem a presença onde estivermos, e seremos aqueles ingredientes indispensáveis de união e de paz nos grupos do serviço de que partilhamos atendendo às obrigações que nos competem ao espírito de equipe.

...filhos, provas e tribulações, pedras e espinhos, conflitos e lágrimas, desarmonias e empeços existirão sempre na estrada que se nos desdobra à visão...
no entanto, se é fácil começar o apostolado do amor, é sempre difícil continuar em direção do remate vitorioso.

...perseverar é o impositivo de que não nos será lícito fugir...
Perseverar trabalhando e servindo, entendendo e edificando, aprendendo e redimindo...
...perseverar sempre de modo a nunca desanimar na construção do bem a fim de merecermos o bem maior.

Espírito: Bezerra de Menezes
Psicografia de Chico Xavier. Livro: Bezerra, Chico e Você

A Palavra de Jesus

Meimei

Reunião de 6 de outubro de 1955.
Na parte final de nossas tarefas, tivemos a alegria de ouvir Meimei, a nossa abnegada irmã de sempre, que nos falou, comovida, sobre a palavra de Jesus.





Meus irmãos.
Deus nos abençoe.
A palavra do Cristo é a luz acesa para encontrarmos na sombra terrestre, em cada minuto da vida, o ensejo divino de nossa construção espiritual.
Erguendo-a, vemos o milagre do pão que, pela fraternidade, em nós se transforma, na boca faminta, em felicidade para nós mesmos.
Irradiando-a, descobrimos que a tolerância por nós exercida se converte nos semelhantes em simpatia em nosso favor.
Distribuindo-a, observamos que o consolo e a esperança, o carinho e a bondade, veiculados por nossas atitudes e por nossas mãos, no socorro aos companheiros mais ignorantes e mais fracos, neles se revelam por bênçãos de alegria, felicitando-nos a estrada.
Geme a Terra, sob o pedregulho imenso que lhe atapeta os caminhos...
Sofre o homem sob o fardo das provações que lhe aguilhoam a experiência.
E assim como a fonte nasce para estender-se, desce o dom inefável de Jesus sobre nós para crescer e multiplicar-se.
Levantemos, cada hora, essa luz sublime para reerguer os que caem, fortalecer os que vacilam, reconfortar s que choram e auxiliar os que padecem.
O mundo está repleto de braços que agridem e de vozes que amaldiçoam.
Seja a nossa presença junto dos outros algo do Senhor inspirando alegria e segurança.
Não nos esqueçamos de que o tempo é um empréstimo sagrado e quem se refere a tempo diz oportunidade de ajudar para ser ajudado, de suportar para ser suportado, de balsamizar as feridas alheias para que as nossas feridas encontrem remédio e sacrificarmo-nos pela vitória do bem, para que o bem nos conduza à definitiva libertação.
Nós que tantas vezes temos abusado das horas para impor, aos que nos seguem, o Reino do Senhor, à força de reprovações e advertências, saibamos edificá-lo em nós próprios, no silêncio do trabalho e da renúncia, da humildade e do amor.
Meus irmãos, no seio de todos os valores relativos e instáveis da existência humana, só uma certeza prevalece – a certeza da morte, que restitui às nossas almas os bens ou os males que semeamos nas almas dos outros.
Assim, pois, caminhemos com Jesus, aprendendo a amar sempre, repetindo com Ele, em nossas proveitosas dificuldades de cada dia: - “Pai Nosso, seja feita a vossa vontade, assim na Terra como nos Céus.”


Chico Xavier