Palavras de Arcano


Arcano nos contava que passou muitos anos de sua existência levando a palavra de Jesus a todos os companheiros de boa vontade. Diariamente, colocava-se à disposição das cercanias de movimentada estrada e abordava a cada um dos transeuntes, convidando-os a conhecerem a verdade das verdades: Nosso Senhor. E Arcano se prostrava e dizia: Pense que hoje estás aqui, amanhã poderás não estar, e onde estará teu coração e tua alma, pensaste em Jesus? Olhavam-no com desdém e prosseguiam na jornada. Passados muitos anos, Arcano repetia diariamente a mesma argumentação a todos que ali passavam. Um dia, um observador achegou-se a Arcano e lhe disse: Meu amigo, observo que estás há muitos anos a tentar modificar as criaturas e verifico que perdes o tempo, pois nenhuma delas se interessou pelas tuas palavras, pela tua argumentação. Não acha você que está na hora de parar, de desistir, uma vez que você a nenhum converteu?
O velho Arcano, franzindo a testa na sua peculiaridade que era constante, olhou o observador e lhe disse: Meu amigo, você tem razão, mas se eu desistir agora, eles é que me vencerão. Portanto, continuarei até a minha morte.
Nessa história de Arcano, fortaleçamos as nossas mentes e os nossos corações e prossigamos edificados em Jesus, independentemente dos transeuntes e observadores que possam nos apontar essa ou aquela saída.

José Grosso 
Dan 05/03/2012

História de Mabel

Eu não consigo, por mais que tente. Para mim é impossível.” São frases que podemos ouvir vez ou outra e que, em essência, não traduzem a verdade. Não há obstáculos intransponíveis ou insuperáveis ao ser humano que verdadeiramente em sua alma anseie por vencê-los.

Trago à memória espiritual Mabel Hubbard, que aos quatro anos de idade, teve insuperável e incendioso ataque de escarlatina e se tornou apática e calada. Alguns anos depois, a criança reclamou: “Por que os pássaros não cantam? Por que as flores não falam comigo?” As perguntas transformaram o coração dos pais que só então perceberam que a enfermidade deixara sua filha completamente surda. Mas ela tinha uma vantagem sob as demais crianças que nasciam surdas: Ela sabia falar. Como preservar isso era o grande desafio para seus pais.
O diretor de uma escola lhes disse que eles poderiam preservar a fala da filha, desde que a obrigassem a falar sempre, que jamais aceitassem gestos. Que eles a ensinassem pela vibração. Fizessem-na sentir a garganta, o ronronar do gato, o piano e ler os movimentos dos lábios. Assim foi, embora fosse doloroso por vezes não dar à criança o leite que apontava insistente, não até ela pedir: “quero leite” ou então fingir que não viam seus gestos desesperados para ir passear, até que ela falasse: “quero ir passear, quero sair.”  Quatro anos depois, Mabel estava adaptada em todos os aspectos à vida normal. A professora que ensinava as outras irmãs a ela também o fez. Ela aprendeu a ler, escrever, soletrar. A outra batalha a superar era continuidade para prosseguir os estudos, pois ela era uma criança surda.
Um dos funcionários da escola regular afirmou que a recuperação da fala pela criança surda custava mais caro do que compensaria ouvi-la falar, e mesmo que Mabel dissesse algumas palavras, por maior que fosse o êxito atingido na articulação, a sua inteligência continuaria sempre nas trevas.
Mabel derrubou todas as afirmativas demonstrando seus conhecimentos de história, geografia, matemática, respondendo às questões formuladas e lendo de forma excelente. Não se intimidou a menina. Ela fora criada na família com muitos parentes. Estava acostumada a viver com muita gente.
Ao lhe perguntarem se era surda, ela olha para sua professora e intrigada, indagou: “Senhorita, o que é uma criança surda?”
Essa criança se tornou mais tarde esposa de um homem que desde a meninice vivia às voltas com o som: Graham Bell. 
Era alegre, espirituosa, imensamente cativante. Durante 50 anos ela amparou e inspirou seu brilhante e excêntrico marido, o grande inventor.


A capacidade do espírito humano de sobrepor-se às adversidades e vencer limitações está muito além do que possa você imaginar?
Quem comanda o corpo é o espírito e se este colocar em ação sua férrea vontade superará obstáculos considerados impossíveis.
Não digas “não consigo”. Recorde Mabel na vontade e prossiga, prossiga; se você não puder, todavia, ser Mabel, sê você mesmo, que ouve os pássaros a cantar, e quiçá Jesus permitir, ouvir também os anjos de Deus a te falar... Se fizeres isto terás, de todas as conquistas que já conseguistes, conquistado a maior de todas: a tua conquista individual.
 Receba meu carinhoso abraço,
Sabrina 

Conduta ética


J.G.PASCALE
A evolução espiritual processa-se, necessariamente, no campo moral – pelo menos é o que podemos depreender da Ética Espírita –; não decorre, portanto do conhecimento cientifico nem da maestria intelectual, embora esses predicados possam facilitar o aprendizado moral.
Talvez, entre todos os exercícios morais, o mais difícil seja o de perdoarmos aos nossos devedores. “Você me paga...”, clama o instinto de vingança. Contraditoriamente, no entanto, na oração que nos foi ensinada por Jesus, dizemos: “Perdoais as nossas dividas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.
A cada dia, à medida que prejudicamos o nosso semelhante – seja um parente, um amigo ou um estranho –, com atos, palavras ou, mesmo, em pensamentos, cometemos infrações às Leis de Deus; são débitos que acumulamos, os quais deveremos saldar cedo ou tarde. Também os outros, claro, praticam atos ilícitos contra nós e contraem dividas perante Deus. Então, em nossas preces, pedimos o perdão de nossos erros, confiando na misericórdia divina – e esperamos a remissão de nossas ofensas; porém, como fica a parte em que prometemos, igualmente, perdoar aos que nos ofenderam? A quem estamos enganando?
Encaremos o problema de frente: ainda não conseguimos erradicar do nosso coração o ressentimento, o rancor e o ódio. Onde está o amor? A verdade é que precisamos diminuir a distância entre as nossas boas intenções – que explicitamos com belas palavras, faladas ou escritas – e os nossos atos, não só por uma questão de coerência, mas principalmente porque a nossa infraestrutura moral tem por base a nossa consciência, que é onde estão escritas as Leis de Deus, conforme O Livro dos Espíritos de Allan Kardec, questão 621.

J.G. PASCALE é Filósofo, Palestrante Espírita e jornalista, ex- editor responsável do Jornal Espírita, Quando da LAKE e agora órgão da Federação Espírita do Estado de São Paulo
Grupo lauro

Efeito Colateral

Insatisfeito, o espírito busca valores autênticos num mundo degradado, debate-se entre os pontos contrários à sua cultura espiritual; como e de que maneira conciliar a sua manutenção na sociedade, que nem sempre representa os verdadeiros interesses da maioria, com anseios e promessas de liberdade, felicidade e justiça para todos? Nesse mundo degredado enfrenta diariamente o problema de ter ou não sentido, de ser ou não absurdo, sem nexo.
Guerras, poluição desnecessária, tufões, catástrofes as mais variadas, enchentes repetitivas, massacres, misérias, violência, doenças e desamor, sem remédio, são coisas que fazem o espírito recém-chegado se perguntar se esse mundo “tem sentido”, se ele “tem jeito”, se tudo isso não é um absurdo, e se perguntam se esse mundo tem razão de ser assim como está.
Este é verdadeiramente o efeito colateral da ausência de Jesus na criança; o estado vibratório é que comanda a energia do psicossoma, sob sua orientação se dá a união do gameta masculino com o feminino, é aí que se faz a aproximação definitiva do espírito à matéria. É o choque biológico.
Entre os seis e os sete anos de idade é que se considera como definitivo e consolidado o processo de reencarnação. Portanto, lembrar e levar Jesus ao coração da criança nesse período é fator preponderante para sua trajetória. O que absorver nesse período espalhará pelo mundo...
Assim confia a divina lei: nos pais, professores, orientadores e evangelizadores como verdadeiros benfeitores diretos de Jesus a semear o espírito infantil com as sementes do amor e fraternidade, para que o mundo amanhã se desenvolva na calma plácida como o olhar do Cristo. Recorda à criança e a ti mesmo as sublimes diretrizes:
Perdão não se pede. Conquista-se.
Aqueles que não sabem obedecer, além de atrapalharem os que obedecem, jamais vão saber mandar.
Se o boi soubesse a força que tem, ninguém lhe botaria canga.
Você e a criança são as forças renovadoras mais poderosas do mundo. Façamos, pois, cada um a sua parte e deixemo-nos guiar por Jesus.

Mensagem do espírito Scheilla, recebida em out. 2005/publicada no jornal Vozes do Lauro, em nov. de 2005.     

Profecia Maia

O século XX foi um século de grandes transformações: guerras avassaladoras, inventos e descobertas científicas, tragédias climáticas e o período em que mais se acentuou o individualismo humano. No fim do século ocorreram especulações a respeito do fim do mundo, como é comum ocorrer a cada mudança de década, de século ou de milênio. Chegamos ao terceiro milênio sob as mesmas especulações, mas o mundo continuou em sua lei natural, negando todas as afirmativas e profecias que propagavam o seu fim, o juízo final.  A humanidade, como no século anterior, continua enfrentando, neste milênio, as mesmas dificuldades do passado, somadas ainda a outras angariadas pelo uso inadequado dos recursos do planeta.
Passados já doze anos do século XXI, em meio ao despertar para questões de sustentabilidade, somos surpreendidos, com base numa das profecias maias, com o fim do mundo em 2012.
A civilização maia se iniciou por volta de 700 a.C e seu adiantamento na astronomia, na matemática, nas artes é reconhecido por cientistas até hoje. O conhecimento desse povo acerca da ciência atribuiu à sua profecia um valor questionável para alguns, inquestionável para outros. Dizem alguns que a profecia maia propagada não se refere à destruição do mundo, mas provavelmente a mudanças para o nosso planeta, o despertar para uma nova consciência. Segundo um professor da Universidade de São Paulo, em 2012 terminará um Grande Ciclo, que dura 1.870.000 dias, um pouco mais de 5125 anos, e a partir disso um novo ciclo começará. 
Atribuir, entretanto, a mudança a que se refere a civilização maia ao ano de 2012 pode ser errôneo, uma vez que não se pode afirmar que calendário desse povo corresponda a nossa era, que marca o seu primeiro ano a partir do nascimento de Cristo. Se tomarmos por referência a idéia de que o nascimento do Cristo, como indicam alguns historiadores, pode estar adiantado ou atrasado em quatro anos, o nosso calendário poderá estar incorreto, não tendo exata correspondência à data do calendário maia.
O planeta Terra, com ou sem profecias, tem passado por revoluções periódicas, por cataclismos, desde os primórdios da humanidade. Allan Kardec, no século XIX, já trazia em sua obra "A Gênese" informações referente às revoluções gerais e também às perturbações locais pelas quais passaram e ainda passarão o planeta Terra.
Quando ainda não havia satélites ou telescópios modernos, Kardec já mencionava os equinócios (fenômeno em que a duração do dia é idêntica à da noite, e os hemisférios Norte e Sul recebem a mesma quantidade de luz, fenômeno que ocorre duas vezes ao ano, normalmente nos dias 21 de março e 23 de setembro). Essa teoria foi mencionada pelos gregos possivelmente no século 2 a.C.
Kardec menciona ainda a precessão dos equinócios (o movimento do equinócio avança a cada ano de alguns minutos). Explica-nos ele que esse movimento pode interferir na temperatura dos meses, no aquecimento e resfriamento dos pólos, no deslocamento gradativo do mar. Todas essas mudanças, entretanto, operam-se lentamente, tornando-se visíveis ao longo de alguns séculos. Nenhuma referência à destruição do planeta em razão desse fenômeno, entretanto, é mencionada.
Outro fato que supostamente poderia destruir o mundo em 2012 diz respeito à colisão de um planeta com a Terra. O que na verdade ocorre, segundo afirmações da astronomia, é que foram detectadas diferenças entre a distância desse planeta, indicando uma atração gravitacional por corpos estranhos além de sua órbita. Temor semelhante ocorreu em 1910, na passagem do cometa Halley, em que muitos acreditavam que a Terra seria destruída. O cometa passou; tudo permaneceu; nada foi destruído.
Profecias, misticismos, segredos, revelações sempre se impuseram à humanidade como um modo de ela mesma interpretar e compreender o mundo diante daquilo que lhe parecia inexplicável. E assim caminhamos até hoje, mesmo com o despertar da ciência que nos impõe uma verdade relativa, antes oculta pelo véu da credulidade e da ignorância.
São os sinais dos tempos dirão alguns acerca dos flagelos, da violência e do terror que imperam no mundo. O Espiritismo, por intermédio de seu codificador, nos esclarece que a nossa Terra, como parte do Universo, está sujeita à lei do progresso que O rege. O nosso globo continuará sofrendo transformações, lentas ou abruptas, visando ao progresso físico e moral de nosso planeta, de modo a torná-lo mais habitável.
O Espiritismo não questiona ou critica as grandes profecias ou revelações que profetizam o fim do mundo, mas as coloca no âmbito das conjecturas, pois, caso a Terra esteja no envelhecimento natural comum a todos os corpos, este envelhecer não se dará a tão breve tempo, a ponto de destruí-la repentinamente. Por outro lado, as informações espíritas assemelham-se às ideias contidas em profecias que afirmam que o mundo passará por uma nova consciência. Ainda que as vicissitudes de nossa Terra sejam muitas e nos levem às vezes à descrença, a humanidade entrará numa nova fase.
Há um grande conflito de geração de espíritos voltados para o bem e para o mal, o que parece ser necessário ao progresso de cada um, rumo à transformação do planeta. Não pensemos, portanto, no fim do mundo, ainda que alguém insista. Vivamos 2012 imbuídos no despertar de nossa alma para as nossas imperfeições, para a compreensão do outro, para o despertar da  fraternidade. Desse modo colaboraremos, cada um, para a o fim deste mundo, para darmos início a um mundo novo, que será vivenciado pelas novas gerações de espíritos que ainda virão. 
A transição para uma Nova Era está inserida em um Planejamento Divino:  Através da busca da espiritualização, superação das dores e construção de uma nova sociedade, a Humanidade caminha para a regeneração das consciências.  Cabe, a cada um, longa e árdua tarefa de ascensão. Trabalho e amor ao próximo com Jesus, este o caminho, pois, sem dúvida, não teremos que temer nem um dilúvio, nem  o abrasamento do planeta, nem fatos desse gênero, visto que não  se pode denominar cataclismos a perturbações locais que se têm produzido em todas as épocas. Apenas haverá um cataclismo de natureza moral, cujos instrumentos serão os próprios homens os quais compreenderão que a Mãe Terra será sempre o nosso lar perene.
É isso que a doutrina espírita tem profetizado, ainda que haja profecias que afirmem o contrário.
Grupo Lauro

Fontes consultadas:
CERQUEIRA, W. Equinócios. Disponível em http://www.brasilescola.com, acesso em 14 jan. 2012
KARDEC, A. Revoluções do globo. In: A Gênese. Disponível em: http://www.espirito.org.br, acesso em 15 jan. 2012.

Por que me tornei evangelizadora?

Estava eu com 21 anos e metade de meu coração completamente vazio, sem saber ao certo o porquê deste vácuo em meu ser. Já fazia um bom tempo que eu me sentia desta maneira, contudo não fazia nenhum esforço para sair desta inércia que mantinha este sentimento dentro de mim.
Um dia em que eu sentia uma tristeza profunda resolvi ir a uma reunião do Grupo Lauro. Durante a reunião, algo dentro de mim me instigava a oferecer algo a esse grupo e como eu sabia que eles trabalhavam com crianças, pensei que poderia ajudar de alguma forma nesta luta.

Ao final do encontro procurei o Tio Dic, uma das pessoas que eu sempre via no grupo e que eu sabia o nome, perguntei a ele se poderia ajudar no trabalho com as crianças, ele falou que sim e me apresentou à tia Fernanda, uma evangelizadora que estava nessa mesma reunião. Ela me explicou que era julho e as crianças estavam em recesso, mas que haveria uma oficina e se eu quisesse aparecer para conhecer ou ajudar, seria legal.
Neste mesmo dia, tanto o Dic quanto a Fê haviam comentado que o trabalho era de evangelização, fiquei com o pé meio atrás no início. Antes de conhecer o trabalho, pensei: o que a evangelização poderia agregar para essas crianças?
Compareci à oficina e me simpatizei com as pessoas que ali estavam! Principalmente com um garoto que, na época, devia ter seus 7 anos. Senti uma vontade enorme de abraçá-lo e dar um amor que eu nunca sentira antes. Mesmo não acreditando muito no poder da evangelização, resolvi ir à volta as aulas e tentar aprender um pouco do sistema que era utilizado.
Conforme fui participando das aulas, conhecendo os evangelizadores, as crianças, o objetivo de toda aquela união de amor e dedicação, pude perceber que o trabalho ali realizado era muito mais do que singelas aulinhas sobre o evangelho. Era sim uma verdadeira tentativa de mostrar aos pequenos o verdadeiro sentido de caridade, amor e fé.
Quando percebi, já estava com o coração totalmente imerso nesse ambiente prazeroso (apesar de árduo muitas vezes). Hoje, afirmo, com toda a minha felicidade, que tento ser  evangelizadora e que, apesar de todos os meus dois milhões de defeitos, quero dar às crianças o máximo de amor e moral que estiver ao meu alcance. Sempre tentando realizar a minha reforma íntima para passar de coração tudo que as lições têm para ensinar, da forma mais pura possível.

Festa de Encerramento

No dia 10 de dezembro realizamos a festa de encerramento da evangelização. Foi um evento bastante singelo, mas cheio de alegria. As nossas crianças estavam felizes porque receberam seus presentes na sacolinha de Natal, e nós felizes por eles e por termos cumprido nossa tarefa.

As sacolinhas, em sua maioria, estavam muito bem feitas, demonstrando que os nossos colaboradores as fizeram com muito carinho. Em breve publicaremos algumas fotos da entrega.

Aos companheiros que colaboraram conosco, os nossos agradecimentos. Vocês fazem parte dessa tarefa.
Recebam o nosso “Ave Cristo”!
                                                           
                                                    A Diretoria  

Parábola do Evangelizador

Evangelizador, o semeador de Jesus
O evangelizado, hoje, é o semeador do Consolador prometido por Jesus ontem..
Naquele mesmo dia, Jesus tendo saído de casa, sentou-se perto do mar; e se reuniu ao seu redor uma grande multidão de gente; por isso Ele subiu num barco, onde sentou-se com todo povo estando a margem; e lhes disse muitas coisas por parábolas, falando-lhes desta maneira:
Aquele que evangeliza saiu a evangelizar e, enquanto evangelizava, uma parte de seu esforço perdeu-se pelo caminho, pois muitos obstáculos surgiram: incompreensão, falta de apoio, pais desorientados, lares atormentados, crianças esfaimadas de carinho, sedentas de amor.
Outra parte de seu esforço perdeu-se em corações endurecidos, onde não havia muita ternura, mas logo surgiu uma esperança, veio o entusiasmo, a empolgação, mas o sol das dificuldades levantou-se a seguir e transformou em cinza a breve esperança.
Outra parte dos esforços do evangelizador caiu entre os espinhos da materialidade, e assim que principiou a dar frutos, os chamados do prazer material cresceram e sufocaram os frutos.
Outra parte, enfim, caiu em coraçõezinhos repletos de ternura, e deu frutos, alguns grãos rendendo cento por um, outros sessenta e outros trinta.
Que ouça aquele que tem ouvidos para ouvir:
Escutai vós a parábola do Evangelizador.
Todo evangelizador que conhece o evangelho e não se esforça por perseverar nessa afanosa tarefa, os obstáculos e dificuldades surgem e lhe tiram a alegria de evangelizar.
Esse se assemelha ao evangelizador que recebeu a tarefa de evangelizar e fica pelo caminho.
Aquele que semeia o Evangelho se depara com alguns corações endurecidos; pode se entusiasmar, se empolgar, mas se as raízes do sentimento espírita cristão e seus luminosos postulados não estiveram ínsitos na própria alma do evangelizador, o sol das dificuldades transformará em cinzas a boa vontade e a empolgação.
E sobrevindo os revezes da vida e a perseguição do orgulho e da vaidade do próprio evangelizador, já que a evangelização não oferece papel de destaque no mundo, tira ele daí motivo de escândalo e queda.
Aquele que evangeliza entre os espinheiros da materialidade, e se mantém preso a esses mesmos cuidados de maneira excessiva, acaba por perder-se e sua palavra é abafada, tornando-se infrutífera.
Aquele, porém, que persevera, se esforça, se dedica, tem o coração enternecido pela faina evangelizadora, esse irá encontrar coraçõezinhos ávidos por sua ternura e saberá reconhecê-los em meio às urzes do caminho.
A semente da evangelização estará presente em suas palavras, em seus exemplos.
Sua prática evangelizadora irá dar frutos suculentos para os Espíritos imortais, chegando a produzir cem, ou sessenta e trinta por um.     
Grupo Lauro
             Adaptado do Reformador         

Senão versus razão

Certo dia, lemos um texto em que o autor dizia que a cada início de ano fazia um balanço em sua vida. Conta-nos Cortella, o autor a que nos referimos, que estabelece duas colunas: a "do apesar de" e a do "por causa de"*, para avaliar o quanto deve ou não continuar realizando certas atividades, certos costumes. Segundo ele, se a coluna do "por causa de" for maior que a do "apesar de", ótimo, estamos no caminho certo. Agora, se a coluna do "apesar de" for maior que a do "por causa de", então é hora de refletir e mudar.
Achamos a idéia muito interessante e pensamos que se trata do livre-arbítrio. Tudo que fazemos ou vivenciamos depende do senão e da razão. Se continuamos casados, solteiros ou com o mesmo namorado depende dos senões e das razões; se continuamos ou mudamos de emprego, se continuamos morando no mesmo bairro, entre outras questões, dependerá dos senões e das razões. Atuar na casa espírita não poderia ser diferente. A decisão de atuarmos mediunicamente, de nos dedicarmos à tarefa de evangelização, à visita, aos passes, assumir um cargo de direção, entre tantas outras tarefas que podemos realizar, depende de senões e de razões.
Quando nos propomos a realizar uma tarefa, parece-nos que só há razões, entretanto virão, certamente, os senões. É nesse momento exato que nos perguntamos se  permanecemos ou não na tarefa, permaneceremos ou não na casa. É o nosso conflito entre senão versus razão.        
Na casa espírita é inevitável que vacilemos em nossa caminhada. Se até Pedro e Tiago vacilaram na Casa do Caminho, conosco não seria diferente. Mas se conseguirmos ponderar a nossa coluna da razão e do senão, tanto melhor definiremos com que qualidade realizaremos a nossa tarefa na casa que escolhemos nos dedicar.
Como se aproxima o aniversário do Grupo Lauro, não pudemos deixar de pensar em nossa tarefa e nos senões e nas razões. Aos 48 anos do Grupo Lauro, a sua existência só teve razões, jamais senões, e assim deverá continuar: nas razões de fraternidade e de amor ao próximo. Haverá, entretanto, seareiros que, a exemplo de Tiago, titubearão na tarefa, talvez porque não saibam compreender a dimensão de um compromisso assumido na casa espírita.  
Em 23 de novembro comemora-se o dia em que o Grupo Lauro materializou-se na Terra. Aproveitemos a oportunidade para exercitar a nossa coluna de senão e de razão e quem sabe possamos dar ao aniversariante talvez o único presente que espera de cada um de nós: conhecer as verdadeiras razões pelas quais escolhemos estar ali.

Jesus em Nós,
Grupo Lauro  

*Nota do Grupo Lauro: comentamos inicialmente que o autor dividia a coluna em razão e senão, porém retificamos o texto, tal como menciona o autor, que usa "apesar de" e "por causa de", embora use também como sinônimo senão e razão.  

Sugestão de Aula: Parentesco Corporal e Espiritual



Primeiramente os evangelizadores colaram algumas folhas de papel pardo, para formar um grande mural. Depois deitamos aproximadamente umas 8 crianças e contornamos os seus traços. Por último, os evangelizadores deram tinta para as crianças e elas pintaram os seus traços no mural. A idéia da aula fez com que as crianças interagissem bastante entre si.
EXPLICAÇÃO:
Existem, portanto, duas espécies de famílias: as famílias por laços espirituais e as famílias por laços corporais. As primeiras, duradouras, fortificam-se pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das diversas migrações da alma. As segundas, frágeis como a própria matéria, extinguem-se com o tempo, e quase sempre se dissolvem moralmente desde a vida atual. Esses espíritos que se encarnam numa mesma família, sobretudo como parentes próximos, ligados por relações anteriores, que se traduzem pela afeição durante a vida terrena. Mas pode ainda acontecer que esses Espíritos sejam completamente estranhos uns para os outros, separados por antipatias igualmente anteriores.