Poema de Gratidão



Muito obrigado Senhor!
Muito obrigado pelo que me deste.
Muito obrigado pelo que me dás.

Obrigado pelo pão, pela vida, pelo ar, pela paz.
Muito obrigado pela beleza que os meus olhos vêem no altar da natureza.
Olhos que fitam o céu, a terra e o mar
Que acompanham a ave ligeira que corre fagueira pelo céu de anil
E se detém na terra verde, salpicada de flores em tonalidades mil.

Muito obrigado Senhor!
Porque eu posso ver meu amor.
Mas diante da minha visão
Eu detecto cegos guiando na escuridão
que tropeçam na multidão
que choram na solidão.

Por eles eu oro e a ti imploro comiseração
porque eu sei que depois desta lida, na outra vida, eles também enxergarão!

Muito obrigado Senhor!
Pelos ouvidos meus que me foram dados por Deus.
Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro
A melodia do vento nos ramos do olmeiro
As lágrimas que vertem os olhos do mundo inteiro!

Ouvidos que ouvem a música do povo que desce do morro na praça a cantar.
A melodia dos imortais, que se houve uma vez e ninguém a esquece nunca mais!
A voz melodiosa, canora, melancólica do boiadeiro.
E a dor que geme e que chora no coração do mundo inteiro!

Pela minha alegria de ouvir, pelos surdos, eu te quero pedir
Porque eu sei
Que depois desta dor, no teu reino de amor, voltarão a sentir!

Obrigado pela minha voz
Mas também pela sua voz
Pela voz que canta
Que ama, que ensina, que alfabetiza,
Que trauteia uma canção
E que o Teu nome profere com sentida emoção!

Diante da minha melodia
Eu quero rogar pelos que sofrem de afazia.
Eles não cantam de noite, eles não falam de dia.
Oro por eles
Porque eu sei, que depois desta prova, na vida nova
Eles cantarão!

Obrigado Senhor!
Pelas minhas mãos
Mas também pelas mãos que aram
Que semeiam, que agasalham.
Mãos de ternura que libertam da amargura
Mãos que apertam mãos
De caridade, de solidariedade
Mãos dos adeuses
Que ficam feridas
Que enxugam lágrimas e dores sofridas!

Pelas mãos de sinfonias, de poesias, de cirurgias, de psicografias!
Pelas mãos que atendem a velhice
A dor
O desamor!
Pelas mãos que no seio embalam o corpo de um filho alheio sem receio!
E pelos pés que me levam a andar, sem reclamar!

Obrigado Senhor!
Porque me posso movimentar.
Diante do meu corpo perfeito
Eu te quero rogar
Porque eu vejo na Terra
Aleijados, amputados, decepados, paralisados, que se não podem movimentar.

Eu oro por eles
Porque eu sei, que depois desta expiação
Na outra reencarnação
Eles também bailarão!

Obrigado por fim, pelo meu Lar.
É tão maravilhoso ter um lar!
Não é importante se este Lar é uma mansão, se é uma favela, uma tapera, um ninho, um grabato de dor, um bangalô, uma casa do caminho ou seja lá o que for.

Que dentro dele, exista a figura
do amor de mãe, ou de pai
De mulher ou de marido
De filho ou de irmão
A presença de um amigo
A companhia de um cão
Alguém que nos dê a mão!

Mas se eu a ninguém tiver para me amar
Nem um teto para me agasalhar,
nem uma cama para me deitar
Nem aí reclamarei.
Pelo contrário, eu te direi

Obrigado Senhor!
Porque eu nasci!
Obrigado porque creio em ti
Pelo teu amor, obrigado senhor!

Poema de Gratidão - Amélia Rodrigues (Divaldo Pereira Franco)

Voz que não fala



Eu sou a criança.
Ando pelo mundo, bastante incompreendida e também muito pouco compreendendo do que se passa em meu derredor.
Muitos pais rejeitaram-me obstinadamente sob os mais variados pretextos. Evitam-me qual se eu lhes fosse um flagelo sobre a Terra.
Chegam a temer-me ansiosamente.
Outros, privados da minha presença, lamentam-se e deploram a minha falta, qual a flor buliçosa ausente do jardim.
Muitos exploram a minha inocência, abusam de minha fragilidade e dilaceram as minhas esperanças.
Outros me abandonam, quando mais necessito de carinho e de apoio.
Há, felizmente, os nobres corações que se preocupam comigo.
Que choram com o meu desamparo e choram a minha fome, estendendo-me os braços fraternais através da bolsa generosa.
Jesus, eu Te peço, Senhor: Multiplicai esses corações que pulsam junto a mim, essas mãos que me afagam, essas mentes que me educam e retificam.
Eu sou a criança.
Falo a voz de todas as línguas e de todos os quadrantes do mundo.
Choro o pranto dos órfãos, choro a tristeza dos viciados e suplico a misericórdia dos justos e a bondade dos felizes.
Eu sou a criança.
Minha voz fala em silêncio, dirigindo-se a todos os corações que já possam compreender.

Meimei
Livro Escultores de Almas - Psicografia Chico Xavier em 1.987

Vidas Sucessivas

A soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.
Catetos? Hipotenusa?
Certamente o não familiarizado com a geometria, reclamará:
– Isso é grego para mim!
Realmente, é coisa de grego, do genial Pitágoras (580-500 a.C.), estabelecendo as relações entre os lados do triângulo retângulo. A partir dessas elucubrações inacessíveis aos não iniciados, ele e seus discípulos demonstraram que as leis que regem o Universo podem ser expressas em termos matemáticos.
Toda a Física estrutura-se nesse princípio e a própria Teoria da Relatividade, de Albert Einstein, (1879-1955), que revolucionou a Ciência, exprime-se num enunciado matemático: E = mc2.
Como todos os grandes filósofos gregos, Pitágoras excursionou pelos domínios do Espírito.
Concebeu a imortalidade e as vidas sucessivas. As almas retornam à carne indefinidamente, em incontáveis existências, até atingir um grau de aprimoramento que lhes permita harmonizar-se com o Universo, para viver em altos planos do infinito.
Comentam detratores que Pitágoras ensinava a metempsicose, a transmigração das almas em corpo de animal.
O membros da escola pitagórica não comiam carne. Afirmava-se, jocosamente, que não o faziam para não correr o risco de se servirem do cadáver de um familiar desencarnado.
– Cuidado! Pode ser seu bisavô!
Na verdade, a metempsicose é anterior a Pitágoras. Estava disseminada na cultura popular, mas não fazia parte do círculo dos iniciados pitagóricos, tanto, que Hierocles, um de seus discípulos, esclarece:
Aquele que espera ser posto no corpo de um animal, depois da morte, tornando-se destituído de razão por causa de seus vícios, ou numa planta por causa de seu embotamento e estupidez, está infinitamente iludido, e absolutamente ignorante da forma essencial da nossa alma, que jamais se pode modificar, sendo e continuando a ser, sempre, homem. Diz-se que alguém se torna deus ou besta, conforme suas virtudes ou vícios, embora em sua natureza não possa ser nem uma coisa nem outra; apenas pela semelhança que tenha com uma ou com outra.
Realmente é fácil identificar alguns comportamentos bestiais na sociedade humana:
• Feroz como um leão.
• Venenoso como uma cascavel.
• Indolente como uma preguiça.
• Falastrão como um papagaio.
• Irrequieto como um macaco.
• Teimoso como uma mula.
• Comilão como um suíno.
Tais fraquezas não nos precipitarão de retorno aos reinos inferiores, em futura reencarnação, embora devamos reconhecer que muita gente o merece. Elas nos dizem que ainda há muito de animalidade primitiva em nossa personalidade.
Segundo a Doutrina Espírita todos os seres vivos têm um princípio espiritual, seja uma árvore, um animal, um peixe, um inseto… Está submetido a leis de evolução, que ao longo dos milênios lhe darão a complexidade necessária para a conquista da razão e do livre-arbítrio.
Surgirá, então o Espírito, o ser dotado da capacidade de pensar, segundo define a questão 76, de O Livro dos Espíritos.
A partir desse estágio, deixa de ser conduzido e passa a conduzir-se com seus próprios recursos, valorizando suas aquisições.
Firma-se como uma individualidade, um filho de Deus, dotado de suas potencialidades criadoras, à sua imagem e semelhança, como está na expressão bíblica.
Conquistada a razão, transformados em Espíritos, numa transição definitiva que ocorre em outros planos da Criação, jamais retornaremos à irracionalidade.
A Lei Divina não admite retrocessos. Este é um preceito tão perfeito quanto os postulados matemáticos enunciados por Pitágoras.
Está presente na sábia máxima atribuída a Allan Kardec:
Nascer, viver, morrer, renascer ainda e progredir sempre. Esta é a Lei.




Alergia e Obsessão

A noite de 15 de julho de 1954 trouxe-nos a alegria do primeiro contato com o Espírito do Doutor Francisco de Menezes Dias da Cruz, distinto médico e denodado batalhador do Espiritismo, que foi Presidente da Federação Espírita Brasileira, no período de 1889 a 1895, desencarnado em 1937.
Tomando as faculdades psicofônicas do médium Chico Xavier, pronunciou a palestra aqui transcrita, que consideramos precioso estudo em torno da obsessão.
Subordinando o assunto ao tema “alergia e obsessão”, elucida-nos sobre a maneira pela qual facilitamos a influenciação das entidades Infelizes ou inferiores em nosso campo físico, desde as mais simples perturbações epidérmicas aos casos dolorosos de avassalamento psíquico.

Quem se consagra aos trabalhos de socorro espiritual há de convir, por certo, em que a obsessão é um processo alérgico, interessando o equilíbrio da mente.
Sabemos que a palavra «alergia» foi criada, neste século, pelo médico vienense Von Pirquet, significando a reação modificada nas ocorrências da hipersensibilidade humana.
Semelhante alteração pode ser provocada no campo orgânico pelos agentes mais diversos, quais sejam os alimentos, a poeira doméstica, os polens das plantas, os parasitos da pele, do intestino e do ar, tanto quanto as bactérias que se multiplicam em núcleos infecciosos.
As drogas largamente usadas, quando em associação com fatores proteicos, podem suscitar igualmente a constituição de alérgenos alarmantes.
Como vemos, os elementos dessa ordem são exógenos ou endógenos, isto é, procedem do meio externo ou interno, em nos reportando ao mundo complexo do organismo.
A medicina moderna, analisando a engrenagem do fenômeno, admite que a ação do anticorpo sobre o antígeno, na intimidade da célula, liberta uma substância semelhante à histamina, vulgarmente chamada substância «H», que agindo sobre os vasos capilares, sobre as fibras e sobre o sangue, atua desastrosamente, ocasionando variados desequilíbrios, a se expressarem, de modo particular, na dermatite atípica, na dermatite de contato, na coriza espasmódica, na asma, no edema, na urticária, na enxaqueca e na alergia sérica, digestiva, nervosa ou cardiovascular.
Evitando, porém, qualquer preciosismo da técnica científica e relegando à medicina habitual o dever de assegurar os processos imunológicos da integridade física, recordemos que as radiações mentais, que podemos classificar por agentes «R», na maioria das vezes se apresentam, na base de formação da substância «H», desempenhando importante papel em quase todas as perturbações neuropsíquicas e usando o cérebro como órgão de choque.
Todos os nossos pensamentos definidos por vibrações, palavras ou atos, arrojam de nós raios específicos.
Assim sendo, é indispensável curar de nossas próprias atitudes, na autodefesa e no amparo aos semelhantes, porquanto a cólera e a irritação, a leviandade e a maledicência, a crueldade e a calúnia, a irreflexão e a brutalidade, a tristeza e o desânimo, produzem elevada percentagem de agentes «R», de natureza destrutiva, em nós e em torno de nós, exógenos e endógenos, suscetíveis de fixar-nos, por tempo indeterminado, em deploráveis labirintos da desarmonia mental.
Em muitas ocasiões, nossa conduta pode ser a nossa enfermidade, tanto quanto o nosso comportamento pode representar a nossa restauração e a nossa cura.
Para sanar a obsessão nos outros ou em nós mesmos, é preciso cogitar dos agentes «R» que estamos emitindo.
O pensamento é força que determina, estabelece, transforma, edifica, destrói e reconstrói.
Nele, ao influxo divino, reside a gênese de toda a Criação.
Respeitemos, assim, a dieta do Evangelho, procurando erguer um santuário de princípios morais respeitáveis para as nossas manifestações de cada dia.
E, garantindo-nos contra a alergia e a obsessão de qualquer procedência, atendamos ao sábio conselho de Paulo, o grande convertido, quando adverte aos cristãos da Igreja de Filipos:
— «Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é nobre tudo o que é puro, tudo o que é santo, seja, em cada hora da vida, a luz dos vossos pensamentos”. »

Espirito Dias da Cruz

Psicofonia por intermédio de Chico Xavier 

Novo Fim

Chico Xavier- Jovem


Nasceste no lar que precisavas,
Vestiste o corpo físico que merecias,
Moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.
Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.
Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.
Teus parentes, amigos são as almas que atraíste, com tua própria afinidade.
Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.
Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência.
Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos e atitudes...
São as fontes de atração e repulsão na tua jornada.
Não reclames nem te faças de vítima.
Antes de tudo, analisa e observa.
A mudança está em tuas mãos.
Reprograma tua meta, busca o bem e viverás melhor.
Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.


Emmanuel - Chico Xavier

Chico Xavier e os Espíritos Obsessores



Em conversa reservada conosco, em sua casa, Chico certa vez nos disse, enquanto íamos anotando resumidamente a sua palavra:

"Eu já sofri, meu filho, o assedio de muitos espíritos que, de todas as maneiras, tentaram comprometer a tarefa do livro por nosso intermédio; os Bons Espíritos, Emmanuel, sempre estiveram comigo, mas nunca me isentaram das lutas que são minhas...

Houve época em que o assedio deles, dos espíritos infelizes, durava semanas e até meses; eles queriam que eu abandonasse tudo...

Ora, deixar tudo para fazer o que?

Colocavam idéias estranhas na minha cabeça - deitava-me e levantava-me com elas, mas eu não podia parar...

Perguntava a Emmanuel, ao Dr. Bezerra, se alguma coisa poderia ser feita, porque eu não estava agüentando; eram perturbações no espírito e sinais de doença no corpo, doenças-fantasmas evidentemente, dores por todos os lados, um pavor inexplicável da morte...

Eles me diziam que eu tivesse paciência, porque, com o tempo, tudo haveria de passar.

Mas não passava...

Às vezes, para mim, um dia parecia uma eternidade.

Então, não me restava alternativa, há não ser continuar trabalhando sob aquela pressão psicológica tremenda.

Escutava espíritos perturbadores gargalhando aos meus ouvidos, me ironizando - e eu já estava na mediunidade havia um bom tempo!...

Na hora do serviço da psicografia, eles desapareciam, mas depois, voltavam.

Eu não podia viver em transe: tinha que cuidar da vida.

Apanhei muito dos espíritos inimigos da Doutrina, não a socos ou pontapés, mas a alguma coisa equivalente...

Não foi fácil.

Somente a custa de muita oração e trabalho na caridade é que fui me desligando naturalmente daqueles pensamentos.

Não pensem que tudo para mim, na mediunidade, tenha sido um mar de rosas; por vezes, eu me sentia sitiado - de um lado, a incompreensão dos encarnados e, de outro, o assedio espiritual que, em verdade, em maior ou menos grau, todo médium experimenta. "

E prosseguiu:

"Já conversei com muitos companheiros de valor na mediunidade que estavam estreitamente vampirizados pelos espíritos, que a eles pareciam colados, como se estivessem sugando a sua energia mental...

Não é brincadeira.

Os espíritos, em maioria, quando deixam o corpo, ficam por aqui mesmo.

Poucos são os que acham o caminho para as Dimensões Mais Altas...

O médium que não persevera na tarefa e que, doente como estiver, não procura cumprir com os deveres acaba anulado pelos seus desafetos invisíveis de outras vidas...

Emmanuel me perguntava:

- "Chico, o que é que você tem?"

Eu respondia a ele:

- "Estou triste, deprimido..." então, vamos trabalhar - me respondia -, porque, se não trabalhar, eu não posso ficar pajeando você...

" Foi assim que eu me habituei a trabalhar quase sem nenhum descanso. Como é que eu ia parar?!

Certa vez, os espíritos que me assediavam me levaram a ficar de cama: comecei a tremer, ter febre alta,e não era doença nenhuma.

Ainda bem que, de modo geral, a Humanidade vive alheia a influencia mais incisiva dos espíritos obsessores, oferecendo obstáculos à sintonia com eles, pois, caso contrário, a casa mental dos homens seria invadida...

Por este motivo, explica Emmanuel, os médiuns necessitam de vigilância dobrada.

Hoje, eu já me sinto um tanto mais calejado - as cicatrizes são tantas que os espíritos não encontram mais lugar para bater..." (Risos)

E arremata, bem humorado:

- "Hoje, eu já estou praticamente morto: eles não vão se preocupar com um... cadáver, não é?"

Salve Chico Xavier!


Na hora da irritação

Na hora da irritação que te ocorra:

não grites;
não escrevas;
não prometas;
não te ausentes;
não compres;
não vendas;
não te agites;
não opines;
não gracejes;
e não reclames.
Recolhe-te ao silêncio por alguns minutos, e entrega-te à oração, rogando o auxílio da Providência Divina.
Sentirás, então, que a crise te haverá deixado e retomarás a normalidade da própria vida, para reger com segurança as próprias decisões.

Autor: Emmanuel Médium: Francisco Cândido Xavier Obra: Luz e Vida


Se tivermos caridade

Filhos
DEUS nos abençoe.

A obra do Cristo, hoje como ontem, é a caminhada do amor, em serviço aos semelhantes, através de estradas em que a sombra, muitas vezes, ruge e domina.

Problemas, dificuldades, aflições, incompreensões, obstáculos, crises, dores, lutas e sacrifícios surgirão na senda, por desafios da construção que nos compete realizar...entretanto, para a romagem possuímos a CARIDADE, como sendo a luz inextinguível que o MESTRE nos legou.

Tropeços aos montes repontarão do cotidiano...mas, se tivermos CARIDADE, serão removidos em silêncio, para que a harmonia se reajuste.

Discórdias gritarão, concitando-nos a conflitos desnecessários nas trevas... entretanto, se tivermos CARIDADE, os ânimos conturbados se apaziguarão, para que a serenidade nos comande o destino.

Injúrias virão, a modo de serpes, insuflando no ambiente as projeções de que são portadoras... todavia, se tivemos CARIDADE, a prece virá do nosso coração à força do verbo, a fim de que se convertam em bênçãos de paz.

Deserções inesperadas induzir-nos-ão à tristeza e ao desanimo, ante a falta de companheiros que se nos erigiam, em sustentáculos da esperança... se tivermos CARIDADE, porém, o vazio da fileira será preenchido e os irmãos ausentes voltarão mais tarde para mais ampla cooperação.

Provas rudes cairão sobre nós, como sejam aquelas que se vinculam às conseqüências do passado culposo, comprometendo-nos a estabilidade de ação e conjunto... no entanto, se tivemos CARIDADE, as lágrimas regenerativas e as dores esfogueantes das lides expiatórias encontrarão consolo que as atenue.

Tentações inquietantes pesar-nos-ão nos círculos afetivos, carreando ameaças contra a segurança de nossa fé... contudo, se tivemos CARIDADE, o amor vibrará em nossas almas, desfazendo as tramas obscuras da obsessão.

Desentendimentos no âmbito mais intimo de nossos ideais aparecerão, à maneira de insetos destruidores, carcomendo a plantação promissora de nossas realizações com Jesus...mas, se tivermos CARIDADE, encontraremos os recursos precisos para extirpá-los, sem que o fel da mágoa nos intoxique as fontes da fraternidade e da confiança.

Para todas as proporções da vida, onde a vida nos apresente um enigma a resolver, ligado às exigências de nossa tarefa e melhoria, aperfeiçoamento e elevação, recordemos a sublime condicional:SE TIVERMOS CARIDADE...

Em todos os lugares e em todas as situações, a bondade do Cristo nos chama ao divino testemunho: Caridade, Caridade.

Não esmoreçamos, perante o quadro de trabalho, da demonstração de exemplo e humildade, a que estamos intimados pelos nossos próprios compromissos, à frente do Senhor...
Jesus permanece conosco e, se tivermos CARIDADE, venceremos.


Espírito Fabiano - Psicografado por Chico Xavier em 1.948*
*nosso querido Fabiano.*

A prece altera os desígnios de Deus?



Por Jorge Hessen


Recorda Kardec que a prece é recomendada por todos os Espíritos. Renunciar a ela é ignorar a bondade de Deus; é rejeitar para si mesmo a sua assistência; e para os outros, o bem que se poderia fazer. [1] O Cristo instruiu: “por isso vos digo: todas as coisas que vós pedirdes orando, crede que as haveis de ter, e que assim vos sucederão.” [2]

A prece se reveste de características especiais, pois a par da medicação ordinária, elaborada pela Ciência, o magnetismo nos dá a conhecer o poder da ação fluídica e o Espiritismo nos revela outra força poderosa na mediunidade curativa e a influência da oração. O Codificador, ao emitir seus comentários na questão 662 de O Livro dos Espíritos, afirma que “o pensamento e a vontade representam em nós um poder de ação que alcança muito além dos limites da nossa esfera corporal. A rigor, a eletricidade é energia dinâmica; o magnetismo é energia estática; o pensamento é força eletromagnética.” [3]

A imprensa tem noticiado que médicos e instituições hospitalares do mundo contemporâneo já incluem nas suas rotinas, de maneira sistemática e definitiva, a prática de estimular os pacientes quanto a fortalecer a esperança, o otimismo, o bom humor e a espiritualidade (religiosidade), os pensamentos como recursos imprescindíveis no combate às doenças. Esses procedimentos funcionam como remédios para a alma, obviamente, com repercussões benéficas para o corpo físico. Isso tem sido observado, sobretudo, em centros de tratamento de doenças graves, como câncer e patologias que exigem do enfermo uma força sobre-humana.

Em 2012, o The Huffington Post informou que Andrew Newberg, diretor de pesquisa no Hospital de Thomas Jefferson e Medical College, na Pensilvânia, realizou um estudo em que scanners de cérebro de ressonância magnética confirmou as formas em que a oração e meditação afetam o cérebro humano. Sua pesquisa mostrou que quando uma pessoa é dedicada à oração, há um aumento da atividade nos lobos frontais e a área da linguagem do cérebro, conhecida para se tornar ativo durante a conversa. [4] Segundo Newberg a cura física pode ocorrer como resultado do poder da oração. 

O estudo foi realizado participantes contendo corante radioativo inofensivo injetado enquanto eles estavam em profunda oração ou meditação. Corante emigrou para diferentes partes do cérebro em que o fluxo de sangue era o mais forte. Newberg chegou à conclusão de que, independentemente da religião, a oração cria uma experiência neurológica entre pessoas. [5] Eis aqui uma questão interessante para o tema ou seja a prece coletiva.

Será que a oração coletiva é mais poderosa? Sim! Se todos os que a fazem se associam de coração num mesmo pensamento e têm a mesma finalidade, porque então é como se muitos clamassem juntos e em uníssono. “Mas que importaria estarem reunidos em grande número, se cada qual agisse isoladamente e por sua própria conta? Cem pessoas reunidas podem orar como egoístas, enquanto duas ou três, ligadas por uma aspiração comum, orarão como verdadeiros irmãos em Deus, e sua prece terá mais força do que a daquelas cem.” [6]

O pensamento é dínamo condutor da vida física para a vida espiritual, pois nos permite estabelecer um relacionamento positivo com os espíritos que participam das atividades curadoras. Por outro lado, o pensamento também estabelece ligação a espíritos cuja presença pode ser prejudicial à nossa cura. Toda moeda tem dois lados e as leis da natureza são estradas de mão dupla. A mente é fonte de energia curativa ou de energia destruidora.

A prece sincera é, sem dúvida, um dos meios pelos quais a cura de um mal pode ser alcançada. Destarte, cremos que o assunto sobre a oração deveria ser tema de constante reflexão nos centros espíritas. Através dos estudos sérios são afastadas as considerações fantasiosas, puramente místicas, que impedem alcançar a sua essência e importância.

É comum surgirem aqueles que contestam a eficácia da prece, alegando que, pelo fato de Deus conhecer as necessidades humanas, torna-se dispensável o ato de orar, pois sendo o Universo regido por leis sábias e eternas, as súplicas jamais poderão alterar os desígnios do Criador. Sim, mas é através de um processo de modificação comportamental que o doente ganha forças para neutralizar a doença. 

O Espiritismo busca convencer o enfermo a reorientar seu comportamento mental pela fé raciocinada, sugerindo a oração que se potencializa na ética das atitudes de caridade, da qual deve resultar um modo particular de motivação para uma vida saudável e engrandecida muito acima dos dissabores e seduções do mundo material. 

Oremos, pois e sempre!


Referências bibliográficas:

[1] Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB 1990, cap 27

[2] Mc, XI: 24)

[3] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1994, questão 662

[4] Disponível, em http://healthylivingathome.club/2016/06/30/ciencia-revela-que-a-oracao-tem-efeitos-curativos-contra-doencas/

Acessado em 25/08/2016

[5] Disponível, em http://healthylivingathome.club/2016/06/30/ciencia-revela-que-a-oracao-tem-efeitos-curativos-contra-doencas/

[6] Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB 1990, cap 27