O cristão verdadeiro vive do equilíbrio

O cristão verdadeiro vive do equilíbrio
Fabiano de Castella









A natureza nos dá exemplos de equilíbrio em sua organização, exceto quando há interferência da vaidade humana, que a leva ao desequilíbrio. O corpo humano é possivelmente proporcional, no equilíbrio de formas, como desejou Leonardo da Vinci em seu Homem Vitruviano.  Nota-se, entretanto, em todos os tempos, o desequilíbrio das criaturas pelas mais diversas causas: o uso inadequado do corpo, o desamor, a falta de fé, os maus pensamentos, o excesso de vaidade e tantas outras razões que poderíamos enumerar, contrariando a nossa natureza, que deve ser a do equilíbrio.
Buscar esse equilíbrio não tem sido tarefa fácil. Manter a mente sã e o corpo são requer de cada um de nós, a cada dia, força interior para suportar nossas provas e para não recrudescermos diante delas e de tal modo que as nossas perturbações espirituais possam influenciar a matéria.     
O espiritismo, entretanto, nos orienta, no Evangelho Segundo o Espiritismo: as relações que existem entre o corpo e a alma, por se acharem em dependência mútua, importa cuidar de ambos. Amai, pois, a vossa alma, porém, cuidai igualmente do vosso corpo, instrumento daquela. Desatender as necessidades que a própria Natureza indica, é desatender a lei de Deus. Não castigueis o corpo pelas faltas que o vosso livre-arbítrio o induziu a cometer e pelas quais é ele tão responsável quanto o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que causa.
O espírito Fabiano nos alerta: “O cristão verdadeiro vive do equilíbrio”. É necessário, portanto, que cuidemos do nosso corpo, ponderemos nossas ações, vigiemos nossos pensamentos, colocando-os na balança de nossa alma, para que encontremos o ponto de equilíbrio daquilo que somos e daquilo que desejamos ser, para que não soframos solidão ou desajuste, como nos ensinou um companheiro espiritual.
Jesus, no Sermão da Montanha, disse aos discípulos: “Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? Para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens.” Ouçamos a palavra do Cristo, porque nós somos também o sal da terra, e o sal, em equilíbrio, é importante agente na natureza. Nós também somos um agente de transformação do mundo e de nós mesmos.
Trabalhemos com equilíbrio, oremos com equilíbrio, sejamos humildes com o equilíbrio, orgulhosos com equilíbrio, como orienta Fabiano, em prece proferida na Colônia Espiritual Alvorada* ao companheiro desencarnado, que ocupava a Enfermaria XII, orientação esta que também cabe a nós, tão necessitados de equilíbrio e de ajustes, em tão conturbada esfera dentro de nós mesmos:
   
Querido irmão desta colônia
Muita Paz

Guarda-te do mal, contudo pratique o Bem.
Esconde-te das paixões, todavia desenvolve as possibilidades que já possues por menores que sejam.
Oculta -te  dos maus pensamentos, porém não deixes de emitir pensamentos superiores em benefício de teu próximo e de ti mesmo.
Apaga-te diante dos grandes, mas não impeças que a verdade, mesmo com sacrifício de teus interesses, se espalhe no mundo.
Não te exaltes o bastante de modo que venham a zombar de ti, nem te humilhes tanto, de tal forma, que venham te desprezar.
O Cristão verdadeiro vive do equilíbrio e faz de uma vida fraterna e caridosa sua fortaleza.
Segue Jesus em tudo o que te for possível, até o fim de teus dias e viverás em planos mais altos da espiritualidade.
A esfera superior começa no mundo, dentro de ti mesmo.
Muita Paz.

*Nota: Segundo informações espirituais, trata-se de Colônia Espiritual plasmada, geograficamente, nas proximidades de Matão, cidade do interior de São Paulo. A Enfermaria XII trata-se de um dos leitos ocupado por irmão desencarnado, que aguarda recuperação.  

O Grupo Lauro


Grupo Lauro iniciou-se por volta de 1960, em uma sala do Edifício Copam, quando funcionava como uma secretaria do Oscal ( Organização Social Cristã André Luiz). Nessa época, o militar Lauro Siqueira, já desencarnado, comunicou-se em algumas reuniões através de uma médium e, por essa razão, Lauro Siqueira foi escolhido como mentor espiritual da casa. Em 23 de novembro de 1963 foi fundado, de fato, o Grupo da Fraternidade Irmão Lauro, nas bases do ideal do amor e do compromisso com a doutrina espírita, seguindo as orientações de espíritos com grande tarefa na fraternidade como Scheilla, José Grosso, Fritz Shein, Palminha, Ilka, Joseph Gleber e outros. Nessa época, o movimento da fraternidade era frequentado por personalidades como o ator Sérgio Cardoso, a escritora Ligia Fagundes Telles, o jornalista Assis Chateubriand, Laudo Natel, entre outros.
Na década de 1970, o casal Glauco e Maria Parente doaram um terreno, no bairro  Parque Bristol, onde se iniciou a construção da atual sede do Grupo Lauro, onde encontra-se a sua pedra fundamental. O Grupo da Fraternidade Irmão Lauro deverá sempre seguir seu estatuto, o sonho de fraternidade, os ditames espirituais que sempre farão dele esse facho de imensa luz registrado na espiritualidade.

Imaginário ou Realidade?


Imaginário ou Realidade?
Navegando pelo blog, vi, do acervo pessoal de Dan, algumas fotografias de espíritos materializados. Muitos, se virem as fotos, poderão se perguntar: será fraude, montagem ou “coisa psíquica”, como diz um conhecido opositor do Espiritismo? Ou será uma verdade, dado que há, nestas fotos, a reconhecida assinatura de Francisco Cândido Xavier? A mim, todas são verdadeiras. Não tenho a pretensão de defender o Espiritismo e fazê-los crer que os espíritos existem, mesmo porque o Espiritismo não tem o propósito de angariar adeptos, antes disso, a sua proposta é de nos auxiliar a nos fazer melhores a cada dia. O fato é que, ao ver essas fotografias, captadas por câmera de magnésio, veio a minha lembrança encontros que participei quando ainda era assídua frequentadora da Casa Irmão Lauro.
Jovem ainda, pude participar de reuniões de materialização, em que fenômenos, a maioria explicável à luz da ciência, ocorriam em pequena sala da casa espírita. Os fenômenos lá ocorridos não podiam se assemelhar aos ocorridos com os médiuns Peixotinho e Chico Xavier, uma vez que o corpo mediúnico da Casa Lauro não tinha a formação ectoplasmática desses médiuns, mas a grandiosidade dos fenômenos era suficiente para, em nossa alma, se tornarem perenes.
Naquela época, costumava-se iniciar os trabalhos com singelo hino espiritualizante, cantado em tom suave e baixo pelos companheiros presentes. Em seguida, éramos interrompidos por um prolongado silvo e por vigorosas batidas que pareciam ser dadas em um forte peito nu. Era o sinal de que precisávamos para compreender que os espíritos amigos ali se encontravam. Começava, ali, o intercâmbio com o mundo dos espíritos.
Era comum também uma voz gutural, vinda da parte mais alta da sala, se dirigir a nós, de forma carinhosa, ao mesmo tempo enérgica, nos chamando às responsabilidades que outrora assumimos. À medida que este espírito a nós se dirigia, luzes cintilavam, assemelhando-se a relâmpagos, na sala escura. A vibração daquele espírito era tão intensa que, por vezes, a voz nos faltava até para pronunciar singela prece.
Entre fenômenos como sapatos transportados, rostos materializados, luzes das mais variadas cores, suave perfume enchendo o ambiente, o forte cheiro de éter, sinalizando que os médicos do espaço estavam presentes para curar as nossas enfermidades, era ali, em pequena sala, com não mais de quinze pessoas, que pudemos conhecer uma das verdades: morre o corpo, vive o espírito.
Há, hoje, quem diga que as reuniões de materialização ou de intercâmbio com os espíritos não são necessárias. Será isso mesmo verdade ou tal fato ocorre por que não há mais “Peixotinhos”, “Fabios Machado” e “Franciscos Xavier” no meio espírita? É preciso refletir, pois nem só de prece vive o homem; espíritas necessitam conhecer espíritos.
As reuniões de materialização ou qualquer outra em que houve o intercâmbio mediúnico das quais participei (asseguro que não foram muitas), não só me fortaleceram na vida, mas também me ensinaram que o Espiritismo somente pode ser vivenciado em sua plenitude com estudo, trabalho, reforma íntima e, quando possível, com a sublime presença do mundo espiritual. Se não pudermos compartilhar disso, nos tornaremos espíritas-teóricos, sem a oportunidade de cumprir o “orai e praticai”.     
               Adriana 

Sugestão de Aula - "Órfãos"

Lúdico: Dobradura

Montagem do Lúdico: Faríamos uma aula de dobradura e ensinaríamos cada um a fazer um barquinho. Deveremos ter já o material separado, cortado para as crianças, elas podem até personalizar seu próprio barco pintado na folha, antes de dobrá-la.

Explicação: O barco precisa de um porto seguro, então as crianças seriam o barco. As águas seriam nossa vida, às vezes na calmaria, mas às vezes em Turbulência. Todos nós precisamos de um porto seguro, que nos dê rumo, segurança. Em seguida, mostramos fotos de barcos maiores, com âncora e explicaríamos a função daâncora : parar. Mostraríamos o leme que direciona. Nosssos pais seriam o leme e a âncora. Sem eles, órfãos de pai e mãe, ficamos à deriva, sem rumo certo, sem nosso porto seguro.

Sugestão de Aula - "Deus"

Lúdico: Bonequinhos de Balões

Montagem do Lúdico: Pede-se para as crianças, ou para os evangelizadores, encherem uma bexiga para cada criança e depois os evangelizadores desenhariam nas bexigas um rosto. Por último amarra-se um pedaço de barbante nas pontas das bexigas e entrega-as para as crianças.

Explicação: Para explicar a aula, os evangelizadores fariam uma relação entre o "ar" e "Deus". Nós não conseguimos enxergar o ar, mas sabemos que ele existe porque foi ele que encheu a bexiga. Assim é Deus, nós não conseguimos vê-LO, mas sabemos de sua existência, senão nada teria sentido.

Palavras de Arcano


Arcano nos contava que passou muitos anos de sua existência levando a palavra de Jesus a todos os companheiros de boa vontade. Diariamente, colocava-se à disposição das cercanias de movimentada estrada e abordava a cada um dos transeuntes, convidando-os a conhecerem a verdade das verdades: Nosso Senhor. E Arcano se prostrava e dizia: Pense que hoje estás aqui, amanhã poderás não estar, e onde estará teu coração e tua alma, pensaste em Jesus? Olhavam-no com desdém e prosseguiam na jornada. Passados muitos anos, Arcano repetia diariamente a mesma argumentação a todos que ali passavam. Um dia, um observador achegou-se a Arcano e lhe disse: Meu amigo, observo que estás há muitos anos a tentar modificar as criaturas e verifico que perdes o tempo, pois nenhuma delas se interessou pelas tuas palavras, pela tua argumentação. Não acha você que está na hora de parar, de desistir, uma vez que você a nenhum converteu?
O velho Arcano, franzindo a testa na sua peculiaridade que era constante, olhou o observador e lhe disse: Meu amigo, você tem razão, mas se eu desistir agora, eles é que me vencerão. Portanto, continuarei até a minha morte.
Nessa história de Arcano, fortaleçamos as nossas mentes e os nossos corações e prossigamos edificados em Jesus, independentemente dos transeuntes e observadores que possam nos apontar essa ou aquela saída.

José Grosso 
Dan 05/03/2012

História de Mabel

“Eu não consigo, por mais que tente. Para mim é impossível.” São frases que podemos ouvir vez ou outra e que, em essência, não traduzem a verdade. Não há obstáculos intransponíveis ou insuperáveis ao ser humano que verdadeiramente em sua alma anseie por vencê-los.

Trago à memória espiritual Mabel Hubbard, que aos quatro anos de idade, teve insuperável e incendioso ataque de escarlatina e se tornou apática e calada. Alguns anos depois, a criança reclamou: “Por que os pássaros não cantam? Por que as flores não falam comigo?” As perguntas transformaram o coração dos pais que só então perceberam que a enfermidade deixara sua filha completamente surda. Mas ela tinha uma vantagem sob as demais crianças que nasciam surdas: Ela sabia falar. Como preservar isso era o grande desafio para seus pais.
O diretor de uma escola lhes disse que eles poderiam preservar a fala da filha, desde que a obrigassem a falar sempre, que jamais aceitassem gestos. Que eles a ensinassem pela vibração. Fizessem-na sentir a garganta, o ronronar do gato, o piano e ler os movimentos dos lábios. Assim foi, embora fosse doloroso por vezes não dar à criança o leite que apontava insistente, não até ela pedir: “quero leite” ou então fingir que não viam seus gestos desesperados para ir passear, até que ela falasse: “quero ir passear, quero sair.”  Quatro anos depois, Mabel estava adaptada em todos os aspectos à vida normal. A professora que ensinava as outras irmãs a ela também o fez. Ela aprendeu a ler, escrever, soletrar. A outra batalha a superar era continuidade para prosseguir os estudos, pois ela era uma criança surda.
Um dos funcionários da escola regular afirmou que a recuperação da fala pela criança surda custava mais caro do que compensaria ouvi-la falar, e mesmo que Mabel dissesse algumas palavras, por maior que fosse o êxito atingido na articulação, a sua inteligência continuaria sempre nas trevas.
Mabel derrubou todas as afirmativas demonstrando seus conhecimentos de história, geografia, matemática, respondendo às questões formuladas e lendo de forma excelente. Não se intimidou a menina. Ela fora criada na família com muitos parentes. Estava acostumada a viver com muita gente.
Ao lhe perguntarem se era surda, ela olha para sua professora e intrigada, indagou: “Senhorita, o que é uma criança surda?”
Essa criança se tornou mais tarde esposa de um homem que desde a meninice vivia às voltas com o som: Graham Bell. 
Era alegre, espirituosa, imensamente cativante. Durante 50 anos ela amparou e inspirou seu brilhante e excêntrico marido, o grande inventor.


A capacidade do espírito humano de sobrepor-se às adversidades e vencer limitações está muito além do que possa você imaginar?
Quem comanda o corpo é o espírito e se este colocar em ação sua férrea vontade superará obstáculos considerados impossíveis.
Não digas “não consigo”. Recorde Mabel na vontade e prossiga, prossiga; se você não puder, todavia, ser Mabel, sê você mesmo, que ouve os pássaros a cantar, e quiçá Jesus permitir, ouvir também os anjos de Deus a te falar... Se fizeres isto terás, de todas as conquistas que já conseguistes, conquistado a maior de todas: a tua conquista individual.
 Receba meu carinhoso abraço,
Sabrina 

Conduta ética


J.G.PASCALE
A evolução espiritual processa-se, necessariamente, no campo moral – pelo menos é o que podemos depreender da Ética Espírita –; não decorre, portanto do conhecimento cientifico nem da maestria intelectual, embora esses predicados possam facilitar o aprendizado moral.
Talvez, entre todos os exercícios morais, o mais difícil seja o de perdoarmos aos nossos devedores. “Você me paga...”, clama o instinto de vingança. Contraditoriamente, no entanto, na oração que nos foi ensinada por Jesus, dizemos: “Perdoais as nossas dividas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.
A cada dia, à medida que prejudicamos o nosso semelhante – seja um parente, um amigo ou um estranho –, com atos, palavras ou, mesmo, em pensamentos, cometemos infrações às Leis de Deus; são débitos que acumulamos, os quais deveremos saldar cedo ou tarde. Também os outros, claro, praticam atos ilícitos contra nós e contraem dividas perante Deus. Então, em nossas preces, pedimos o perdão de nossos erros, confiando na misericórdia divina – e esperamos a remissão de nossas ofensas; porém, como fica a parte em que prometemos, igualmente, perdoar aos que nos ofenderam? A quem estamos enganando?
Encaremos o problema de frente: ainda não conseguimos erradicar do nosso coração o ressentimento, o rancor e o ódio. Onde está o amor? A verdade é que precisamos diminuir a distância entre as nossas boas intenções – que explicitamos com belas palavras, faladas ou escritas – e os nossos atos, não só por uma questão de coerência, mas principalmente porque a nossa infraestrutura moral tem por base a nossa consciência, que é onde estão escritas as Leis de Deus, conforme O Livro dos Espíritos de Allan Kardec, questão 621.

J.G. PASCALE é Filósofo, Palestrante Espírita e jornalista, ex- editor responsável do Jornal Espírita, Quando da LAKE e agora órgão da Federação Espírita do Estado de São Paulo
Grupo lauro

Efeito Colateral

Insatisfeito, o espírito busca valores autênticos num mundo degradado, debate-se entre os pontos contrários à sua cultura espiritual; como e de que maneira conciliar a sua manutenção na sociedade, que nem sempre representa os verdadeiros interesses da maioria, com anseios e promessas de liberdade, felicidade e justiça para todos? Nesse mundo degredado enfrenta diariamente o problema de ter ou não sentido, de ser ou não absurdo, sem nexo.
Guerras, poluição desnecessária, tufões, catástrofes as mais variadas, enchentes repetitivas, massacres, misérias, violência, doenças e desamor, sem remédio, são coisas que fazem o espírito recém-chegado se perguntar se esse mundo “tem sentido”, se ele “tem jeito”, se tudo isso não é um absurdo, e se perguntam se esse mundo tem razão de ser assim como está.
Este é verdadeiramente o efeito colateral da ausência de Jesus na criança; o estado vibratório é que comanda a energia do psicossoma, sob sua orientação se dá a união do gameta masculino com o feminino, é aí que se faz a aproximação definitiva do espírito à matéria. É o choque biológico.
Entre os seis e os sete anos de idade é que se considera como definitivo e consolidado o processo de reencarnação. Portanto, lembrar e levar Jesus ao coração da criança nesse período é fator preponderante para sua trajetória. O que absorver nesse período espalhará pelo mundo...
Assim confia a divina lei: nos pais, professores, orientadores e evangelizadores como verdadeiros benfeitores diretos de Jesus a semear o espírito infantil com as sementes do amor e fraternidade, para que o mundo amanhã se desenvolva na calma plácida como o olhar do Cristo. Recorda à criança e a ti mesmo as sublimes diretrizes:
Perdão não se pede. Conquista-se.
Aqueles que não sabem obedecer, além de atrapalharem os que obedecem, jamais vão saber mandar.
Se o boi soubesse a força que tem, ninguém lhe botaria canga.
Você e a criança são as forças renovadoras mais poderosas do mundo. Façamos, pois, cada um a sua parte e deixemo-nos guiar por Jesus.

Mensagem do espírito Scheilla, recebida em out. 2005/publicada no jornal Vozes do Lauro, em nov. de 2005.     

Profecia Maia

O século XX foi um século de grandes transformações: guerras avassaladoras, inventos e descobertas científicas, tragédias climáticas e o período em que mais se acentuou o individualismo humano. No fim do século ocorreram especulações a respeito do fim do mundo, como é comum ocorrer a cada mudança de década, de século ou de milênio. Chegamos ao terceiro milênio sob as mesmas especulações, mas o mundo continuou em sua lei natural, negando todas as afirmativas e profecias que propagavam o seu fim, o juízo final.  A humanidade, como no século anterior, continua enfrentando, neste milênio, as mesmas dificuldades do passado, somadas ainda a outras angariadas pelo uso inadequado dos recursos do planeta.
Passados já doze anos do século XXI, em meio ao despertar para questões de sustentabilidade, somos surpreendidos, com base numa das profecias maias, com o fim do mundo em 2012.
A civilização maia se iniciou por volta de 700 a.C e seu adiantamento na astronomia, na matemática, nas artes é reconhecido por cientistas até hoje. O conhecimento desse povo acerca da ciência atribuiu à sua profecia um valor questionável para alguns, inquestionável para outros. Dizem alguns que a profecia maia propagada não se refere à destruição do mundo, mas provavelmente a mudanças para o nosso planeta, o despertar para uma nova consciência. Segundo um professor da Universidade de São Paulo, em 2012 terminará um Grande Ciclo, que dura 1.870.000 dias, um pouco mais de 5125 anos, e a partir disso um novo ciclo começará. 
Atribuir, entretanto, a mudança a que se refere a civilização maia ao ano de 2012 pode ser errôneo, uma vez que não se pode afirmar que calendário desse povo corresponda a nossa era, que marca o seu primeiro ano a partir do nascimento de Cristo. Se tomarmos por referência a idéia de que o nascimento do Cristo, como indicam alguns historiadores, pode estar adiantado ou atrasado em quatro anos, o nosso calendário poderá estar incorreto, não tendo exata correspondência à data do calendário maia.
O planeta Terra, com ou sem profecias, tem passado por revoluções periódicas, por cataclismos, desde os primórdios da humanidade. Allan Kardec, no século XIX, já trazia em sua obra "A Gênese" informações referente às revoluções gerais e também às perturbações locais pelas quais passaram e ainda passarão o planeta Terra.
Quando ainda não havia satélites ou telescópios modernos, Kardec já mencionava os equinócios (fenômeno em que a duração do dia é idêntica à da noite, e os hemisférios Norte e Sul recebem a mesma quantidade de luz, fenômeno que ocorre duas vezes ao ano, normalmente nos dias 21 de março e 23 de setembro). Essa teoria foi mencionada pelos gregos possivelmente no século 2 a.C.
Kardec menciona ainda a precessão dos equinócios (o movimento do equinócio avança a cada ano de alguns minutos). Explica-nos ele que esse movimento pode interferir na temperatura dos meses, no aquecimento e resfriamento dos pólos, no deslocamento gradativo do mar. Todas essas mudanças, entretanto, operam-se lentamente, tornando-se visíveis ao longo de alguns séculos. Nenhuma referência à destruição do planeta em razão desse fenômeno, entretanto, é mencionada.
Outro fato que supostamente poderia destruir o mundo em 2012 diz respeito à colisão de um planeta com a Terra. O que na verdade ocorre, segundo afirmações da astronomia, é que foram detectadas diferenças entre a distância desse planeta, indicando uma atração gravitacional por corpos estranhos além de sua órbita. Temor semelhante ocorreu em 1910, na passagem do cometa Halley, em que muitos acreditavam que a Terra seria destruída. O cometa passou; tudo permaneceu; nada foi destruído.
Profecias, misticismos, segredos, revelações sempre se impuseram à humanidade como um modo de ela mesma interpretar e compreender o mundo diante daquilo que lhe parecia inexplicável. E assim caminhamos até hoje, mesmo com o despertar da ciência que nos impõe uma verdade relativa, antes oculta pelo véu da credulidade e da ignorância.
São os sinais dos tempos dirão alguns acerca dos flagelos, da violência e do terror que imperam no mundo. O Espiritismo, por intermédio de seu codificador, nos esclarece que a nossa Terra, como parte do Universo, está sujeita à lei do progresso que O rege. O nosso globo continuará sofrendo transformações, lentas ou abruptas, visando ao progresso físico e moral de nosso planeta, de modo a torná-lo mais habitável.
O Espiritismo não questiona ou critica as grandes profecias ou revelações que profetizam o fim do mundo, mas as coloca no âmbito das conjecturas, pois, caso a Terra esteja no envelhecimento natural comum a todos os corpos, este envelhecer não se dará a tão breve tempo, a ponto de destruí-la repentinamente. Por outro lado, as informações espíritas assemelham-se às ideias contidas em profecias que afirmam que o mundo passará por uma nova consciência. Ainda que as vicissitudes de nossa Terra sejam muitas e nos levem às vezes à descrença, a humanidade entrará numa nova fase.
Há um grande conflito de geração de espíritos voltados para o bem e para o mal, o que parece ser necessário ao progresso de cada um, rumo à transformação do planeta. Não pensemos, portanto, no fim do mundo, ainda que alguém insista. Vivamos 2012 imbuídos no despertar de nossa alma para as nossas imperfeições, para a compreensão do outro, para o despertar da  fraternidade. Desse modo colaboraremos, cada um, para a o fim deste mundo, para darmos início a um mundo novo, que será vivenciado pelas novas gerações de espíritos que ainda virão. 
A transição para uma Nova Era está inserida em um Planejamento Divino:  Através da busca da espiritualização, superação das dores e construção de uma nova sociedade, a Humanidade caminha para a regeneração das consciências.  Cabe, a cada um, longa e árdua tarefa de ascensão. Trabalho e amor ao próximo com Jesus, este o caminho, pois, sem dúvida, não teremos que temer nem um dilúvio, nem  o abrasamento do planeta, nem fatos desse gênero, visto que não  se pode denominar cataclismos a perturbações locais que se têm produzido em todas as épocas. Apenas haverá um cataclismo de natureza moral, cujos instrumentos serão os próprios homens os quais compreenderão que a Mãe Terra será sempre o nosso lar perene.
É isso que a doutrina espírita tem profetizado, ainda que haja profecias que afirmem o contrário.
Grupo Lauro

Fontes consultadas:
CERQUEIRA, W. Equinócios. Disponível em http://www.brasilescola.com, acesso em 14 jan. 2012
KARDEC, A. Revoluções do globo. In: A Gênese. Disponível em: http://www.espirito.org.br, acesso em 15 jan. 2012.