Os seis dos 500 da Galiléia

                                                                                                                           
                                                     


João Cabete
                                


Não Autorizado
                                                                                                                         
Welson Barbosa

Jair Soares

                                                                    
Ranieri
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    


Jayme Paganini

Depois do Calvário, verificadas as primeiras manifestações de Jesus no cenáculo singelo de Jerusalém, apossara-se de todos os amigos sinceros do Messias uma saudade imensa de sua palavra e de seu convívio. A maioria deles se apegava aos discípulos, como querendo reter as últimas expressões de sua mensagem carinhosa e imortal. O ambiente era um repositório vasto de adoráveis recordações. Os que eram agraciados com as visões do Mestre se sentiam transbordardes das mais puras alegrias. Os companheiros inseparáveis e íntimos se entretinham em longos comentários sobre as suas reminiscências inapagáveis.

Foi nesse instante, de indizível grandiosidade, que a figura do Cristo assomou no cume iluminado pelos derradeiros raios do Sol. Era Ele. Seu sorriso desabrochava tão meigo como ao tempo glorioso de suas primeiras pregações, mas de todo o seu vulto se irradiava luz tão intensa que os mais fortes dobraram os joelhos. Alguns soluçavam de júbilo, presas das emoções mais belas de sua vida. As mãos do Mestre tomaram a atitude de quem abençoava, enquanto um divino silêncio parecia penetrar a alma das coisas. A palavra articulada não tomou parte naquele banquete de luz imaterial; todos, porém, lhe perceberam a amorosa despedida e, no mais íntimo da alma, lhe ouviram a exortação magnânima e profunda:



— "Amados — a cada um se afigurou escutar na câmara secreta do coração —, eis que retomo a vida em meu Pai para regressar à luz do meu Reino!... Enviei meus discípulos como ovelhas ao meio de lobos e vos recomendo que lhes sigais os passos no escabroso caminho. Depois deles, é a vós que confio a tarefa sublime da redenção pelas verdades do Evangelho. Eles serão os semeadores, vós sereis o fermento divino. Instituo-vos os primeiros trabalhadores, os herdeiros iniciais dos bens divinos. Para entrardes na posse do tesouro celestial, muita vez experimentareis o martírio da cruz e o fel da ingratidão. .. Em conflito permanente com o mundo, estareis na Terra, fora de suas leis implacáveis e egoístas, até que as bases do meu Reino de concórdia e justiça se estabeleçam no espírito das criaturas.

Negai-vos a vós mesmos, como neguei a minha própria vontade na execução dos desígnios de Deus, e tomai a vossa cruz para seguir-me. "Séculos de luta vos esperam na estrada universal. É preciso imunizar o coração contra todos os enganos da vida transitória, para a soberana grandeza da vida imortal. Vossas sendas estarão repletas de fantasmas de aniquilamento e de visões de morte. O mundo inteiro se levantará contra vós, em obediência espontânea às forças tenebrosas do mal, que ainda lhe dominam as fronteiras. Sereis escarnecidos e aparentemente desamparados; a dor vos assolará as esperanças mais caras; andareis esquecidos na Terra, em supremo abandono do coração.
Não participareis do venenoso banquete das posses materiais, sofrereis a perseguição e o terror, tereis o coração coberto de cicatrizes e de ultrajes. A chaga é o vosso sinal, a coroa de espinhos o vosso símbolo, a cruz o recurso ditoso da redenção. Vossa voz será a do deserto, provocando, muitas vezes, o escárnio e a negação da parte dos que dominam na carne perecível. "Mas, no desenrolar das batalhas incruentas do coração, quando todos os horizontes estiverem abafados pelas sombras da crueldade, dar-vos-ei da minha paz, que representa a água viva.
Na existência ou na morte do corpo, estareis unidos ao meu Reino. O mundo vos cobrirá de golpes terríveis e destruidores, mas, de cada uma das vossas feridas, retirarei o trigo luminoso para os celeiros infinitos da graça, destinados ao sustento das mais ínfimas criaturas!... Até que o meu Reino se estabeleça na Terra, não conhecereis o amor no mundo; eu, no entanto, encherei a vossa solidão com a minha assistência incessante. Gozarei em vós, como gozareis em mim, o júbilo celeste da execução fiel dos desígnios de Deus. Quando tombardes, sob as arremetidas dos homens ainda pobres e infelizes, eu vos levantarei no silêncio do caminho, com as minhas mãos dedicadas ao vosso bem.

Sereis a união onde houver separatividade, sacrifício onde existir o falso gozo, claridade onde campearem as trevas, porto amigo, edificio na rocha da fé viva, onde pairarem as sombras da desorientação. Sereis meu refúgio nas igrejas mais estranhas da Terra, minha esperança entre as loucuras humanas minha verdade onde se perturbar a ciência incompleta do mundo!... "Amados, eis que também vos envio como ovelhas aos caminhos obscuros e ásperos. Entretanto, nada temais! Sede fiéis ao meu coração, como vos sou fiel, e o bom ânimo representará a vossa estrela! Ide ao mundo, onde teremos de vencer o mal! Aperfeiçoemos a nossa escola milenária, para que aí seja interpretada e posta em prática a lei de amor do Nosso Pai, em obediência feliz à sua vontade augusta!"



Sagrada emoção senhoreara-se das almas em êxtase de ventura. Foi então que observaram o Mestre, rodeado de luz, como a elevar-se ao céu, em demanda de sua gloriosa esfera do Infinito. Os primeiros astros da noite brilhavam no alto, como flores radiosas do Paraíso. No monte galileu, cinco centenas de corações palpitavam, arrebatados por intraduzível júbilo. Velhos trêmulos e encarquilhados desceram a costa, unidos uns aos outros, como solidários, para sempre no mesmo trabalho de grandeza imperecível. Anciãs de passo vacilante, coroadas pela neve das experiências da vida, abraçavam-se às filhas e netas, jovens e ditosas, tomadas de indefinível embriaguez dalma.

. Os antigos discípulos, cercando a figura de Simão Pedro, choravam de contentamento e esperança. Naquela noite de imperecível recordação, foi confiado aos quinhentos da Galiléia o serviço glorioso da evangelização das coletividades terrestres, sob a inspiração de Jesus-Cristo. Mal sabiam eles, na sua mísera condição humana, que a palavra do Mestre alcançaria os séculos do porvir. E foi assim que, representando o fermento renovador do mundo, eles reencarnaram em todos os tempos, nos mais diversos climas religiosos e políticos do planeta, ensinando a verdade e abrindo novos caminhos de luz, através dos bastidores eternos do Tempo.



Foram eles os primeiros a transmitir a sagrada vibração de coragem e confiança aos que tombaram nos campos do martírio, semeando a fé no coração pervertido das criaturas. Nos circos da vaidade humana, nas fogueiras e nos suplícios, ensinaram a lição de Jesus, com resignado heroísmo. Nas artes e nas ciências, plantaram concepções novas de desprendimento do mundo e de belezas do céu e, no seio das mais variadas religiões da Terra, continuam revelando o desejo do Cristo, que é de união e de amor, de fraternidade e concórdia.



Na qualidade de discípulos sinceros e bem-amados, desceram aos abismos mais tenebrosos, redimindo o mal com os seus sacrifícios purificadores, convertendo, com as luzes do Evangelho, à corrente da redenção, os espíritos mais empedernidos. Abandonados e desprotegidos na Terra, eles passam, edificando no silêncio as magnificências do Reino de Deus, nos países dos corações e, multiplicando as notas de seu cântico de glória por entre os que se constituem instrumentos sinceros do bem com Jesus-Cristo, formam a caravana sublime que nunca se dissolverá.


Humberto de Campos (Espírito)

Grupo Lauro: Esses personagens foram  Identificados mediunicamente DAN
            (nota-se em todos eles o amor pelas crianças)



Espírito Amigo (Flores)

Nasceu em Belo Horizonte (MG) a 12 de junho de 1903. Filho do ilustre Professor Benjamim Flores e Dª Terezinha Flores. Descendente de uma linhagem de professores, herdou dessa venerável casta de educadores aquele culto educacional, tendo fundado várias escolas, preocupava-se, sobremaneira, em anular o analfabetismo.
Dedicou-se também à assistência aos necessitados, sendo extremamente caridoso e devotado ao socorro das criaturas menos felizes.
Não se casou. Achava que, ligando-se pelos laços matrimoniais a uma companheira, teria que dividir seu tempo, pois a primeira caridade começa no lar. Desempenhava altas funções na Secretaria de Fazenda do Estado de Minas Gerais. Apesar de boa situação no funcionalismo público, viveu sempre pobre, porque o seu desprendimento chegava a tal ponto que, com visível prejuízo de suas próprias necessidades materiais, distribuía todos os seus vencimentos aos necessitados: crianças, velhos e enfermos.
Preparado espiritualmente para os grandes cometimentos da Doutrina Espírita à luz do Evangelho de Jesus, inclinava-se humilde e bondosamente para os corações sofredores e procurava, na medida de suas posses, solucionar os problemas de cada um. O socorro se fazia do lado material, porém sem proselitismo. Não distinguia religião ou nacionalidade. Convencia os sofredores de que o Pai Misericordioso não permite uma cruz superior aos ombros de cada um. Muitos fogem revoltados e praticam atos tresloucados, aumentando ainda mais o peso de sua cruz do futuro.
Dotado de espontânea alegria, que era uma das suas forças de atração, sabia dizer as coisas no momento exato. Nas tribunas revelou-se sempre fecundo expositor, positivando amplos conhecimento da Doutrina, do Evangelho e, principalmente, dos problemas sociais, onde teve sempre o seu campo de trabalho maior.
Amigo incondicional das crianças, reunia-as, de várias classes sociais, tirando lições vivas da vida de cada uma, incentivando-as para aquela ajuda mútua ensinada por Jesus: “Dar com a mão direita, sem que a esquerda o perceba”. A título de contar histórias, ensaiar o canto, a poesia, o esquete, o teatro, juntava os pobres e os mais abastados, incentivando o que tinha mais a socorrer o menos aquinhoado, dando ele próprio o exemplo. Quantas vezes foi ao serviço de socorro nos morros e nas favelas, acompanhado pela garotada, muitos dos quais levando ajuda aos necessitados por iniciativa própria, fruto das lições do Mestre Flores.
Antônio Loreto Flores foi fundador de várias instituição espíritas, escolas profissionais e primárias. No seu trabalho, nas diversas instituições, mereceu todo o seu labor, ininterrupto e constante, o Centro Espírita Amor e Caridade, casa que fundou em 1947, e da qual foi o Presidente até o seu retorno ao Plano Espiritual.
Até a década de 40 do século passado, os hansenios eram internados compulsoriamente em colônias – os humilhantes leprosários, versão nova do Vale dos Imundos da velha Palestina. Por inspiração de Antônio Flores, o Deputado Federal Romeu de Campos Vergal, seu amigo, apresentou projeto de lei, sancionado pelo Presidente da República, extinguindo o confinamento dos portadores do mal de Hansen. E o primeiro centro espírita da Colônia Santa Isabel, município de Betim (MG), surge com o nome de “Campos Vergal”, fundado por Flores e alguns amigos em 1º de julho de 1947. Entre eles o hanseniano João Baptista da Costa, apelidado carinhosamente “João Pipoca”, desencarnado em 17 de novembro de 1982, com 78 anos, e que dirigiu aquela casa espírita por muitos anos, tornando-se muito querido e admirado por todos.
Tendo vivido para o Espiritismo, o querido companheiro deu à Doutrina Espírita tudo quanto podia uma criatura dar com desprendimento, sem ostentação, sem alarde, modestamente, como quem só conhecia deveres, esquecido de si mesmo, como missionário de um grande e nobre ideal.
Longa e pertinaz moléstia o prendeu ao leito por alguns meses, meses de angústia e no  dia 22 de julho de 1954, aos 51 anos de idade, desprendia-se do convívio terreno o emérito Professor Antônio Loreto Flores – espírito  que consagrou espontaneamente a sua existência à prática do bem.

Grupo Lauro

Crianças do Grupo Lauro




Umas brancas, outras negras, aparentes cores.
Chegam em algazarra, alegria em difusão,
Apesar de diáfanas, esquecem seus temores.
É a pureza da inocência em aluvião.

Cantam e conhecem a essência da verdade,
Desta e de outras reencarnações.
Que não há salvação, sem amor e caridade,
Porvir de esperança, de novas gerações.

Retiram-se alegres, cheias de suavidade,
A brilhar como a linda constelação de Centauro.
Vibrando amor e fraternidade,
Jesus! Olhai as crianças do Grupo Lauro,

Para seguirem reta estrada,
Hoje e sempre amparadas,
E conduzidas para a tua seara,
Flores de Deus, sempre perfumadas.

Quando adultas cristãs,
Não esqueçam o novo e o velho,
Unidas como verdadeiras irmãs.
Iluminadas pela luz do evangelho.

Dediquem-se com todo fervor,
Não julguem, e nem sejam juiz,
Recompensa, de muita paz interior,
E sempre contarás com o eterno amigo André Luiz.


Recebida em 04/1980
Reunião Mocidade- Espírito Anônimo


PS

Mediunidade




A prática mediúnica deve ser gratuita, como orienta o princípio do Evangelho Segundo o Espiritismo que reflete o pensamento de Jesus: “Daí de graça o que de graça recebestes”  

Em mediunidade, o agente ativo é o espírito comunicante e o agente passivo é o médium.
É comum, em reuniões mediúnicas o dirigente responsável pedir passividade ao médium, ou seja, submeter-se a ação do espírito, benfeitor ou não. A passividade mental possibilita autenticidade ao fenômeno. Diferentemente a atividade mental pode propiciar animismo. A passividade ideal compreende conhecimento e disciplina, anulando hesitações e interferências.


O componente moral é indispensável, por sabermos que o controle das comunicações passa pelos valores íntimos do médium. Quanto mais aperfeiçoamento moral, abnegação, domínio das técnicas mediúnicas, desinteresse por resultados e obstinação em servir, mais reais e construtivos serão os resultados.

Os espíritos em desequilíbrio assim serão contidos para o esclarecimento desejado e os benfeitores com no nosso magnetismo enobrecido operarão, como o oleiro molda o vaso perfeito na docilidade do barro que se oferece para obra de arte.

Vale ainda considerar que o médium não deve ser endeusado. A mediunidade não é mágica, não é sobrenatural, não é milagrosa, muito menos castigo ou punição como afirmam alguns. Ela é acima de tudo uma ferramenta de trabalho, de serviço ao próximo. A ignorância dos seus reais objetivos tem gerado um perigoso fenômeno na comunidade espírita e não espírita, que é a promoção dos médiuns á categoria de pessoas especiais. Essa ocorrência é comum quando se tratam dos médiuns curadores (efeitos especiais), que acabam sendo guindados á condição de superstars. A mediunidade não pode se reduzir a um balcão de atendimento para a solução de problemas imediatos. A mediunidade de efeitos intelectuais, relegada por vezes a um segundo plano, é sem dúvida a mais útil para o nosso processo de crescimento, pois possibilita verdadeiramente o intercâmbio superior e o acúmulo de conhecimentos nobres.

Nessa linha sugerimos o estudo dos livros “Desobsessão”, “Nos Domínios da Mediunidade” todos de autoria de André Luiz pelas mãos fiéis de Chico Xavier.

“Não é a mediunidade que te distingue. É aquilo que fazes dela”
Seara dos médiuns- Emmanuel             

Grupo Lauro – Extraído da Revista O Espírita – Set/dezembro 2018             

As estrelas brilham...


Pintura de Leonardo da Vinci
A noite satura-se com o perfume das almas bem formadas e tudo vibra amor... Na benção benigna de numes, sob a proteção de alcandoradas emanações do espírito.
As estrelas brilham muito mais, quanto maior for o escuro da noite. A prece é nossa estrela, a qual resplandecerá, rompendo as trevas, repousando sua claridade nos píncaros da espiritualidade maior.

Quando nas emanações do natalício do menino Jesus, e, no bojo de tribulações e inseguros ante situações difíceis, repusemos nossos pensamentos e corações, serenos e confiantes no abrigo do menino de luz. 

E sentiremos na alma: - Vinde a mim todos vós que tendes sede de justiça e sereis saciados. Então fortalecidos Nele, com fé inabalável de seu amor, compreenderemos que nada se move sem a vontade Divina.

Daqui onde estou faço de minha prece a sua prece, e juntos faremos a luz da vida e da esperança brilhar com toda luminância:

Amado Jesus,
A ti neste instante meu coração se une na prece de luz por mim e pelos meus irmãos.
Fortalecei-nos diante dos problemas que vão acontecendo na caminhada da vida.
Daí-nos a compreensão necessária para perceber que o aprimoramento do ser não se faz sem dificuldades.

Que vossa misericórdia também nos conceda o discernimento da fé cristã, para que diante das dificuldades permanece confiante em Ti.
Que nós não ousemos enfraquecer-nos ao desânimo, nem lamentarmos os dissabores da “sorte” nem tampouco, mascarar a esperança de tudo vir a convergir para sua magnânima bondade.

Mas, que sigamos eretos e autênticos ao vosso chamado de amor. Daí-nos para isso, confiança e fortaleza, e o conhecimento da verdade e a prática da justiça. Que seus desígnios possamos buscar e cumprir sempre, fazendo-nos valer da luz- guia que sois, para todos gratuitamente...

E por acréscimo de tua misericórdia, abençoai mãos algozes e os ceifadores do bom ânimo, e os corações intransigentes; Assim, como tua luz-guia brilha que   brilhe neles também. Assim seja!

Irmã Rosália - Dan
    
      
          

Você que pensa...


Oração

Você que pensa somente: no trabalho; na panela;
no arroz e no feijão...
E é claro, com dinheiro na mão...
Ao retornar por aqui, verás quanta falta te fez a oração.

Filomena

Até Breve!

Circundando a coroa de flores na bela faixa lia-se: Até breve. Quantos já se foram com essa singela homenagem de esperança de reencontro?
Inúmeros amigos, com os quais palmilhamos alegrias e lágrimas, vivenciando a fraternidade pura de irmãos em luta em si mesmos.

E lá se foram eles, antecedendo-nos a viagem, deixando-nos saturados de lembranças e saudades. Quantas histórias e lições nos ministraram, quanta tolerância conosco, quanta humildade, ao compreenderem nossas próprias limitações...

Aos que nos antecederam, nossos mais profundos sentimentos de gratidão, pela luminosidade, com que emolduraram a Fraternidade. Comprometemo-nos, em dias que já se vão, a vivenciar a fraternidade: Muito se pedira há quem muito foi dado e nós muito recebemos.

Na acústica de nossa alma assenta-se, a amiga advertência: Nosso objetivo é com Jesus, e com Ele iremos até o fim. Não temamos as tempestades do mundo, porque segundo o meigo zagal, a imagem deste mundo passa, e esta noite mesmo poderão vir buscar nossa alma para a expiação e para responder por nossas próprias responsabilidades.

Hospedes de Jesus e seus mensageiros na “Mansão  Fraternidade” continuem conosco em espírito e verdade, auxiliando-nos á trajetória, dando-nos coragem e estímulo para suplantarmos deficiências, para sermos dignos de nos reencontrarmos na “Mansão  Fraternidade” no nosso intransferível, até breve.       

Dan

"A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos...." 
( Pablo Picasso)








    

Visão espírita da Páscoa



Encontramo-nos, mais uma vez, na época da Páscoa. Páscoa é uma palavra hebraica que significa "libertação". Com o êxodo, a Páscoa hebraica significa a lembrança perene da libertação do povo hebreu da escravidão do Egito, por Moisés.
Como cristãos, somos levados ao longínquo passado ao recordar a passagem de Jesus pela terra, a sua mensagem de perdão aos inimigos e de amor à humanidade inteira. Esta época tem para os espíritas um significado muito especial, pois lembra-nos que Jesus, vencendo a morte, nos transmitiu um ensinamento fundamental: o de que a vida continua para além do corpo físico, pois ele fez questão de aparecer aos apóstolos e a Maria de Magdala, após o sepultamento.
Mas, aqui reside uma diferença substancial entre as religiões cristãs e o espiritismo – a crença na ressurreição de Jesus.
Para nós, espíritas, Jesus ressurgiu no seu corpo perispirítico ou espiritual e não com o corpo físico, esse já em decomposição, com danos irreversíveis no cérebro ao fim de pouco tempo, de acordo com a ciência.

As Igrejas cristãs continuam defendendo a ideia de que o Cristo “subiu aos Céus” em corpo e alma, e de que o mesmo sucederá a todos os “eleitos” no chamado “juízo final”.

A doutrina espírita, defensora da lógica e do bom-senso refuta essa teoria, pela impossibilidade física de seres que já faleceram ao longo dos séculos terem os respectivos corpos reconstituídos nas suas estruturas orgânicas no dia do juízo final. Poder-se-ia argumentar que a Deus nada é impossível, mas porque iria Ele derrogar as suas próprias leis naturais, recorrendo a milagres?! Para mostrar o Seu poder aos homens? Mas Deus apenas é. Nada precisa de provar.

Simultaneamente, tal ideia é contra qualquer noção de justiça e de moral, pois mais justa será sempre a concessão ao homem duma nova oportunidade de renascimento, tantas vezes quantas as necessárias, de modo a que este tenha a possibilidade de corrigir os erros cometidos e de evoluir no aprendizado intelecto-moral, de modo a alcançar novos patamares de crescimento, rumo à perfeição.

É pela lei dos renascimentos, que o homem se aproxima de Deus: ao “nascer de novo”, criam-se as condições de igualdade de oportunidades para todos os espíritos e cumprem-se as palavras de Jesus: “em verdade vos digo que ninguém verá a luz dos céus, se não nascer de novo”.

Outro aspecto que desde sempre nos foi transmitido pela religião judaico-cristã tradicional é a noção da “culpa”. Jesus sofreu o processo da crucifixação para nos “salvar” dos nossos “pecados”, cometidos desde Adão e Eva. E aqui em Portugal aí está a procissão do Senhor dos Passos, realizada na Sexta-Feira Santa, simulacro que nos assusta desde tenra idade, do “enterro” de Jesus, realizada à noite, com todo o aparato e negrume necessários à manutenção da nossa “culpa”.

Para os espíritas, que não possuem rituais, nem proibições de comidas ou de trabalho, a Páscoa é a época de lembrar mais uma vez a necessidade da “libertação do homem velho”, no dizer de Celso Martins para que, refletindo no exemplo de Jesus, possa nascer o “Homem Novo”.

Em vez de nos agarrarmos às exterioridades das celebrações pascais, aproveitemos esta época para tentarmos mudar alguns dos nossos hábitos, ser menos egoístas, mais caridosos e amigos com todos os que nos rodeiam. Essa a verdadeira mensagem que Jesus nos deixou e a certeza de que estará sempre ao nosso lado cuidando do nosso orbe e de cada um de nós, auxiliando-nos no reerguimento, após cada uma de nossas quedas.

Comemore, então, meu amigo, uma “outra” Páscoa. Não a do chocolate ou a do sofrimento, mas a sua Páscoa, a da sua “libertação”, refletindo na sua transformação interior, a Páscoa da valorização da própria vida na certeza da imortalidade.

Boa Páscoa
Grupo Lauro