Serviço na fé

Espírito José Grosso
Se procuras o bem,
Não fuja ao serviço;
Saúde do vosso espírito
Encontra nele o bom serviço...

Enfrentar, sempre disposto,
A tarefa com Jesus,
E atender em si mesmo
De Deus, a exalsa luz!

“Faze a teu próximo,
O que desejas receber.”
Eis ao vosso caminho
De ser feliz e crescer!


(Trovas psicografadas no dia 12/09/2009 no Centro de Estudos Espíritas Allan Kardec, pelo médium Wagner G. Paixão)- Recebida por e-mail do Grupo Lauro

O homem e a mulher

Victor Hugo



O homem é a mais elevada das criaturas.
A mulher, o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono; para a mulher fez um altar.
O trono exalta e o altar santifica.
O homem é o cérebro; a mulher, o coração. O cérebro produz a luz; o coração produz amor. A luz fecunda; o amor ressuscita.
O homem é o génio; a mulher é o anjo. O génio é imensurável; o anjo é indefenível;
A aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher é a virtude extrema; A glória promove a grandeza e a virtude, a divindade.
O homem tem a supremacia; a mulher, a preferência. A supremacia significa a força; a preferência representa o direito.
O homem é forte pela razão; a mulher, invencível pelas lágrimas.
A razão convence e as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher, de todos os martírios. O heroísmo enobrece e o martírio purifica.
O homem pensa e a mulher sonha. Pensar é ter uma larva no cérebro; sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é a águia que voa; a mulher, o rouxinol que canta. Voar é dominar o espaço e  cantar é conquistar a alma.
 Enfim, o homem está colocado onde termina a terra; a mulher, onde começa o céu.


O mais conhecido de todos os escritores franceses, Victor Hugo, declarou-se adepto das verdades espíritas. Por meio das mesas girantes, obteve dos espíritos respostas para seus conflitos, como narra em seu texto publicado em 18 de setembro de 1854, na obra de autoria de Raymond Escholier, com o título “A Vida Gloriosa de Victor Hugo”.
Fonte Revista O Espírita

Aprendendo a Aprender


William Shakespeare 
     (1564-1616)
      Dan

Quando

Filho meu !

QUANDO, nas horas de íntimo desgosto, o desalento te invadir a alma e as lágrimas te aflorarem aos olhos, busca-me: eu sou aquele que sabe sufocar-te o pranto e estancar-te as lágrimas;
QUANDO te julgares incompreendido dos que te circundam e vires que, em torno, a indiferença recrudesce, acerca-te de mim: eu sou a LUZ, sob cujos raios se aclaram a pureza de tuas intenções e a nobreza de teus sentimentos;
QUANDO se te extinguir o ânimo para arrostares as vicissitudes da vida e te achares na iminência de desfalecer, chama-me: eu sou a FORÇA capaz de remover-te as pedras dos caminhos e sobrepor-te às adversidades do mundo;
QUANDO, inclementes, te açoitarem os vendavais da sorte e já não souberes onde reclinar a cabeça, corre para junto de mim: eu sou o REFÚGIO, em cujo seio encontrarás guarida para o teu corpo e tranqüilidade para o teu espírito;
QUANDO te faltar a calma, nos momentos de maior aflição, e te considerares incapaz de conservar a serenidade de espírito, invoca-me: eu sou a PACIÊNCIA, que te faz vencer os transes mais dolorosos e triunfar das situações mais difíceis;
QUANDO te debateres nos paroxismos da dor e tiveres a alma ulcerada pelos abrolhos dos caminhos, grita por mim: eu sou o BÁLSAMO que te cicatriza as chagas e te minora os padecimentos;
QUANDO o mundo te iludir com suas promessas falazes e perceberes que já ninguém pode inspirar-te confiança, vem a mim: eu sou a SINCERIDADE, que sabe corresponder à franqueza de tuas atitudes e à nobreza de teus ideais;
QUANDO a tristeza e a melancolia te povoarem o coração e tudo te causar aborrecimento, clama por mim: eu sou a ALEGRIA, que te insufla um alento novo e te faz conhecer os encantos de teu mundo interior;
QUANDO, um a um, te fenecerem os ideais mais belos e te sentires no auge do desespero, apela para mim: eu sou a ESPERANÇA, que te robustece a fé e te acalenta os sonhos;
QUANDO a impiedade recusar-se a relevar-te as faltas e experimentares a dureza do coração humano, procura-me: eu sou o PERDÃO, que te levanta o ânimo e promove a reabilitação de teu espírito;
QUANDO duvidares de tudo, até de tuas próprias convicções, e o cepticismo te avassalar a alma, recorre a mim: eu sou a CRENÇA, que te inunda de luz o entendimento e te habilita para a conquista da Felicidade;
QUANDO já não provares a sublimidade de uma afeição terna e sincera e te desiludires do sentimento de teu semelhante, aproxima-te de mim: eu sou a RENÚNCIA, que te ensina a olvidar a ingratidão dos homens e a esquecer a incompreensão do mundo;
E QUANDO, enfim, quiseres saber quem sou, pergunta ao riacho que murmura e ao pássaro que canta, à flor que desabrocha e à estrêla que cintila, ao moço que espera e ao velho que recorda. Eu sou a dinâmica da vida, e a harmonia da Natureza: chamo-me AMOR, o remédio para todos os males que te atormentam o espírito.
Estende-me, pois, a tua mão, ó alma filha de minhalma, que eu te conduzirei, numa seqüência de êxtases e deslumbramentos, às serenas mansões do Infinito, sob a luz brilhante da Eternidade.

Página do Professor Rubens Costa Romanelli: "O Primado do Espírito" capitulo 3, paginas 16-18, 1.965 (acervo do Dan)



Filhos Adotivos

Filhos existem no mundo que reclamam compreensão mais profunda para que a existência se lhes torne psicologicamente menos difícil.
Reportamo-nos aos filhos adotivos que abordam o lar pelas vias da provação, sem deixarem de ser criaturas que amamos enternecidamente.
Coloquemos-nos na situação deles para mais claro entendimento do assunto.
Muitos de nós, nas estâncias do pretérito, teremos pisoteado os corações afetuosos que nos acolheram em casa, seja escravizando-os aos nossos caprichos ou apunhalando-lhes a alma a golpes de ingratidão. Desacreditando-lhes os esforços e dilapidando-lhes as energias, quase sempre lhes impusemos aflição por reconforto, a exigir-lhes sacrifícios até que lhes ofertamos a morte em sofrimento pelo berço que nos deram em flores de esperança.
Um dia, no entanto, desembarcados no Mais Além, percebemos a extensão de nossos erros e, de consciência desperta, lastimamos as próprias faltas.
Corre o tempo e, quando aqueles mesmos espíritos queridos que nos serviram de pais retornam à Terra em alegre comunhão afetiva, ansiamos retomar-lhes o calor da ternura mas, nesse passo da experiência, os princípios da reencarnação, em muitas circunstâncias, tão somente nos permitem desfrutar-lhes a convivência na posição de filhos alheios, a fim de aprendermos a entesourar o amor verdadeiro nos alicerces da humildade.
Reflitamos nisso. E se tens na Terra filhos por adoção, habitua-te a dialogar com eles, tão cedo quando possível, para que se desenvolvam no plano físico sob o conhecimento da verdade. Auxilia-os a reconhecer desde cedo, que são agora seus filhos do coração, buscando reajustamento afetivo no lar, a fim de que não sejam traumatizados na idade adulta por revelações à base de violência, em que frequentemente se lhes acordam no ser as labaredas da afeição possessiva de outras épocas, em forma de ciúme e revolta, inveja e desesperação.
Efetivamente, amas aos filhos adotivos com a mesma abnegação com que te empenhas a construir a felicidade dos rebentos do próprio sangue. Entretanto, não lhes ocultes a realidade da própria situação para que não te oponhas à Lei de Causa e Efeito que os trouxe de novo ao teu convívio, a fim de olvidarem os desequilíbrios passionais que lhes marcaram a conduta em outro tempo.
Para isso, recorda que, em última instância, seja qual seja a nossa posição nas equipes familiares da Terra, somos, acima de tudo, filhos de Deus.
Pelo Espírito Emmanuel (Do livro “Astronautas do Além”, de Francisco Cândido Xavier e J. Herculano Pires - Espíritos diversos)



Os Pioneiros da Evangelização


A dedicação à infância foi um dos principais objetivos do Grupo Lauro. A Evangelização foi e tem sido de fundamental importância uma vez que é necessário educar a criança para o futuro. Ao longo desses anos, a Evangelização conquistou seu papel pedagógico e doutrinário na filosofia cristã e passou por diversas transformações, entre acertos e erros. Atualmente, a pedagogia do Departamento Infantil está construída nas bases do bosquejo pedagógico cristão. Conheça como começou essa história...

Seguem abaixo trechos de uma entrevista realizada em Novembro/2005, com as evangelizadoras e ex-diretoras do Departamento Infantil, que carinhosamente são chamadas de Tia Edi e Tia Neusinha. Na época, a reportagem foi realizada pelos evangelizadores Rafael, Edna e Simone.

Departamento Infantil (DI): Tia Edi, após inauguração do Irmão Lauro na atual sede, quanto tempo depois iniciou a evangelização ?
Edi: Evangelização? Quantos anos tem o Irmão Lauro?

DI: Nós sabemos são quarenta e dois anos. Na Padre Arlindo deve ter trinta anos.
Edi: Eu calculo que comecei no Departamento Infantil por volta de 1975.

“QUANDO EU FUI À INAUGURAÇÃO DO IRMÃO LAURO, ERA APENAS UMA LAJE E NÓS FIZEMOS O PRIMEIRO CHÁ EMBAIXO DESSA LAJE”

DI: Quantas crianças tinham naquela época?
Edi: Quando eu comecei no Departamento Infantil tinha no máximo vinte crianças.

DI: Qual era o objetivo na época?
Edi: No começo era a alegria de evangelizar e ajudar as crianças, porque eu sempre dizia para todos que mesmo que elas não escutassem a semente vai seguir com eles. No começo éramos um pouco criticados, as crianças que iam ao Irmão Lauro jogavam pedra e matavam passarinhos. Ninguém aprende nada num dia, é devagarzinho, né? O dia que eles aprenderem a semente vai ficar. O dia que eles precisarem de alguma coisa eles vão lembrar.
Eu vou contar uma passagem rápida para vocês: uma vez teve uma mãe que veio falar comigo, “o meu filho vem estudar aqui há tanto tempo e até hoje vocês não mandaram um caderno e um lápis para ele”. Na verdade ela achou que o menino estava estudando em um grupo escolar, entendeu? Eu expliquei para ela o que nós fazíamos, mostrei a evangelização. Ela não sabia o que fazíamos, ela mandava, mas na verdade os pais não sabiam. Os pais não iam as reuniões.

DI: O que a evangelização contribui para as senhoras?
Edi: Contribui no meu crescimento, eu aprendi muito com as crianças, porque, além de ter estudar para passar para elas, elas passaram muitas coisas para mim. Eu aprendi realmente muitas coisas da parte espiritual, porque eu só tinha a prática como professora.
Neuzinha: Eu também, a evangelização ensinou-me e educou-me, aprendi a ser mais gente, aprendi a amar. Eu não evangelizava, as crianças me evangelizam.

DI: Qual foi a experiência que as senhoras angariaram pessoalmente?
Edi: Pessoalmente eu angariei para o meu futuro, eu aprendi com as crianças, que, além de tudo, tem um espírito que é muito importante para min. Tudo acrescentava para o meu futuro, a partir daquela data eu estava criando uma nova vida, estava aprendendo com as crianças que a parte espiritual é mais importante com a parte material, isso ficou para o resto da minha vida.
Neuzinha: Foi o meu crescimento espiritual, porque sempre acreditei no espírito eterno e a criança tem um espírito que traz conhecimentos e nós adultos somos privilegiados por trabalhar com elas.

DI: Na época que as senhoras evangelizavam houve um fato marcante para as duas?
Edi: Quando eu evangelizava, eu estava com os pequenos e uma vez uma criança chegou e disse: “tia eu trouxe um presente para você”. Ele me deu um vidrinho e quando olhei havia um mosquitinho. É um mosquitinho que tem no vidro? Perguntei: “Tia esse é um mosquito da minha coleção, que estou dando pra você”. Eu me emocionei muito com aquilo e guardo até hoje. Eu nunca esqueci.
Neuzinha: Eu tenho duas histórias que marcaram muito na evangelização. Uma foi um catatau que chegou acompanhado da mãe com um pacotinho nas mãos. “A senhora aceita?” Dentro do pacotinho havia um dentinho. Ela tirou o primeiro dentinho e deu para mim. Mostrei o dente para a tia Edi e ela me disse: “Filha, essa criança gosta muito de você”. Eu guardo até hoje, fiz um pingente com ele.
A outra foi o Celso, ele tinha onze anos e estava com câncer no intestino. Esse menino era muito dedicado a mim, tínhamos uma afinidade espiritual muito grande, chegou o dia da sua última dor, ele me abraçou e disse que estava com dor. Esse foi o último abraço que eu recebi do Celso, eu tinha certeza que ele está bem no plano espiritual.

DI: Na época que as senhoras evangelizavam o mundo estava diferente, hoje as crianças têm internet, celular, estão sabendo de tudo o que acontece, o mundo está globalizado. Diante disso, a evangelização contínua igual ou sofreu atualização?
Edi: Eu só tenho a experiência na evangelização de anos atrás, o que eu colocar hoje não seria válido porque eu não estou evangelizando. Eu acredito que os espíritos das crianças ainda aceitem histórias. Falando agora como professora, a criança grava. Vocês têm mais experiência nos dias de hoje do que eu, mas não têm a experiência do passado que eu tive e eu não tenho a experiência do presente de vocês.
Neuzinha: Eu ainda continuo sendo evangelizadora, eu ainda continuo com aquele trabalho de contar histórias, damos um conceito baseado numa história. Eu trabalho a história e trago os ensinamentos do evangelho de Jesus sobre ela. Exemplo: uma criança que não come isso ou que não faz aquilo, eu conto a história e ponho para a criança o respeito, o amor, a gratidão, entendeu? Como você disse, o meio de comunicação está trazendo muitas coisas para as crianças, mas também traz coisas ruins para o espírito. Não adianta ficarmos no meio daquela comunidade, isso é um desenvolvimento, um crescimento do homem, mas muitas coisas desenvolvidas de forma errada, porque a criança hoje fica muito voltada na imagem, eles gravam dentro deles, não gravam? Nós temos que tomar muito cuidado com o meio de comunicação, meio da imagem, porque talvez o nosso mundo esteja assim devido isso, o pai hoje não tem tempo para o filho e fica ali, buscando e somando, porque é captador de todas as coisas.

DI: Como começou a evangelização no Grupo Lauro, quantas pessoas tinham na época, quais os evangelizadores que iam?
Edi: Os evangelizadores eram o Arnaldo, a Íris, a Josefina, que está no plano espiritual, éramos os quatro que trabalhávamos. Naquela época nos preocupávamos com a parte educativa, porque as crianças não tinham nenhuma formação, elas não sabiam ainda que era uma coisa espiritual, elas eram muito carentes do espírito e também do corpo, eram carentes de pão. Nós fazíamos de tudo por elas. Ninguém achava que estivéssemos fazendo grande coisa. No começo nós ensinávamos a doutrina, a moral e tudo. Mas houve uma vez que uma das crianças matou um passarinho e então todos disseram do que valia essa evangelização.

DI: Isso aconteceu dentro do Grupo tia?
Edi: Não, na casa dele. Ele matou o passarinho e contou na escolinha que o tinha matado. Isso valeu para uma porção de pessoas que não eram a favor, porque é lógico, as crianças destroem as coisas e tudo. Então eles criticaram dizendo que a evangelização não levaria a nada. Pois eu disse: acredito que a semente que nós estamos plantando vai crescer e o dia que eles tiverem um problema eles vão lembrar de umas palavras que nós deixamos no coração deles.

DI: Essa dificuldade de evangelizar era dentro do Grupo?
Edi: Já era dentro do Grupo, porque havia irmãos nossos que não acreditavam na evangelização, as crianças eram rebeldes, eram muito rebeldes, naquela época não tinha sacolinha de natal, entendeu... nós estávamos começando mesmo, era só uma coisa de amor, mas foi crescendo, crescendo bem devagar e os pais não participavam.

DI: As crianças eram da comunidade mesmo?
Edi: Eram só crianças do Pq. Bristol, mas valeu a pena. Hoje eu olho para trás e digo valeu a pena.

DI: Essa pergunta que farei, eu gostaria que as senhoras respondessem com o coração. Qual a importância que o Grupo Lauro teve e tem para vocês?
Edi: O Grupo Lauro teve e tem, vou pôr no presente também e terá, já vou pôr no futuro. Quando qualquer coisa, em qualquer momento que eu me lembrar que uma criança precisa de ajuda, eu penso no Irmão Lauro. Ele foi o início para mim, onde eu iniciei na doutrina, comecei a estudar no Irmão Lauro, porque para eu evangelizar eu me dediquei mais, foi um momento muito oportuno da minha vida. Eu estava com muitas dificuldades de saúde e foi onde encontrei grandes amigos. O Irmão Lauro sempre será para mim a casa onde eu aprendi muito.
Neuzinha: Na verdade eu não ia para o Irmão Lauro eu frequentava outro lugar. Meu vizinho falou do Grupo e eu fui. Foi lá que eu conheci a Edi (carinhosamente Neuzinha chamada de mãe) conheci uma outra família, sempre me dediquei bastante e sempre que posso quero estar lá, mesmo na minha rebeldia. A minha vida são as crianças, são elas que me fortalecem, não são os trabalhos que eu faço no Lauro, é a criança. Eu não estou evangelizando, mas as crianças estão eternamente no meu coração.

DI: De tudo que as senhoras viveram na Evangelização, de todas as experiências que tiveram, o que podem falar para o pessoal que está começando?
Edi: Em primeiro lugar acreditem no que vocês estão fazendo com amor e estão fazendo com o coração. As dificuldades existem e são as alavancas que levam ao trabalho. Eu vou contar para vocês uma história bem pequenininha: havia uns sapinhos que queriam subir a montanha, quando eles começaram a subir outros que estavam lá no alto da montanha gritavam: Vocês não vão subir, não vão conseguir e alguns desistiram. Quase chegando no topo, novamente eles ouviram: Não adianta, vocês não conseguem e então desistiram. Mas um único sapinho continuou e chegou ao topo. Vendo isso os que gritavam perguntaram: Como conseguiu? E ele fez um sinal, era surdo. Esse sapinho não ouviu nada dos negativos que os outros que não acreditaram voltaram. É que o que eu digo para os evangelizadores que já trabalharam e chegaram a uma certa idade e não têm condições, por qualquer motivo, de continuar: deixe os lugares para os mais jovens, e para os mais jovens é importante acreditar no que vão fazer e ter muito amor, fechando os ouvidos para o que os outros dizem, porque as dificuldades existem e que os outros vão querer desanimá-los. Não desanimem, sigam em frente.
Neusinha: Não adianta dizer que vão mudar de casa, eu vou ali ou vou lá, porque todo o lugar tem dificuldades. A dificuldade nos faz crescer e para isso temos que enfrentar a dificuldade; é como uma pedra no caminho, damos um chute e seguimos em frente. Não dê ouvido a ninguém, porque nada é fácil, mas vale a pena deixar o caminho que você escolheu. Quero deixar aos evangelizadores esta no caminho que fiz: “Criança é como uma rosa, quando todas as pétalas estão juntas, essa rosa é sempre bem vinda para enfeitar, alegrar e colorir, mas quando as pétalas se separam não têm utilidade, junte e regue todas as pétalas de sua criança e a transforme numa grande e linda rosa”.

DI: Houve um momento difícil da evangelização em que a senhora pensou em desistir?
Edi: Não houve esse momento,  eu só deixei de ir no momento em que de fato comecei a perder a visão e não pude ir mais. O momento mais difícil foi em que tive que assumir, tive que falar alto e não vou falar o nome da pessoa disse: “Vocês não fazem nada no Departamento Infantil, vocês estão aqui perdendo seu tempo, porque essas crianças não aproveitam nada”. Foi um momento muito difícil, em que eu disse agora temos que ficar, temos que mostrar que somos capazes. Foi difícil porque foi dito em uma reunião de diretoria, na frente de todos, eu não fui poupada na frente dos meus outros irmãos.
Eu quero agradecer ao Irmão Lauro a oportunidade que nos deu, a você Simone que me deu a oportunidade de ter você junto, a todas as crianças, porque todos nós trabalhamos juntos, nós éramos uma só família e vamos lutar e cantar, inventar música... foi muito bom,  foi uma parte da minha vida maravilhosa. Eu não esqueço e se hoje eu seguro esse problema que eu estou levando eu devo ás crianças que me seguraram, ao Irmão Lauro que me deu força, a Jesus acima de tudo e eu quero continuar, o que vocês precisarem de mim podem contar.
Eu quero lembrar uma pessoa do infantil que aproveitou e foi preparada, a Maria José. Começou pequenininha conosco, ela teve a primeira crise de diabete quando ela estava no Departamento Infantil, peguei ela com 10 anos, são coisas que você vai olhando pelo caminho e você fala: quanta gente aproveitou esse Departamento Infantil- e vocês vão dizer: quantas daqui para frente vão aproveitar. Vocês agora estão preparando o futuro, depende de vocês, o que dependeu de mim eu fiz com muito amor e eu tenho certeza, tenho fé em vocês que vão vencer e vão produzir muito mais do que eu.

DI: A evangelização é uma das bases de sustentação do Grupo, gostaria que a senhora comentasse?
Edi:  Primeiro, em termos espirituais, o espírito da criança é informação, precisa muito mais do que tudo ser evangelizado mesmo, quem é o futuro do Grupo Lauro? São as crianças, para isso precisam estar evangelizadas, nós não queremos crianças preparadas para levar o Irmão Lauro para frente? As crianças já estão levando, porque elas estão levando os evangelizadores, elas aprendendo, futuramente elas serão as evangelizadoras. A Simone não é? A Renata não é? São as crianças que levam, elas têm lembranças boas dos evangelizadores, eu acho isso muito importante. Jesus mesmo dizia “Deixai vir a mim os pequeninos” não é novidade para o Irmão Lauro e nem para nós.
Neuzinha: É verdade, porque é a criança que sustenta em qualquer casa, seja espírita ou não. Vocês já pararam para pensar no sábado, naquele horário, o intercâmbio de crianças, temos que ser modelos, respeitar um ao outro temos que amar realmente.


“TEMOS QUE AMAR REALMENTE, PORQUE O AMOR TRANSFORMA”


Edi: Eu quero agradecer a Deus por ter trazido vocês aqui, aos amigos, a você Simone eu fico tão feliz de você pertencer ao Departamento Infantil e estar ocupando o lugar que você ocupa, que Deus proteja vocês e que vocês possam continuar cada vez mais com as crianças do Grupo Irmão Lauro. Muito obrigado, foi uma grande oportunidade que vocês me deram.
Neuzinha: Eu agradeço a vocês, porque foram vocês que nos deram a oportunidade, estávamos precisando, porque Deus é bondade, amor e carinho.

Publicado originalmente no extinto Jornal Vozes do Lauro, em novembro de 2005, quando o Grupo da Fraternidade irmão Lauro completava 42 anos de existência. 

GB


Vale a pena ler

Se educar um filho nunca foi uma tarefa fácil, agora então, parece ainda mais assustador. Independentes ou crentes disto, as crianças de hoje estão acostumadas a receber mais informações que suas mentes são capazes de suportar.
O livro, "Pais Inteligentes Formam Sucessores, Não Herdeiros", de Augusto Cury, aponta os principais problemas que os pais estão enfrentando com essa geração formada de ansiedade, irritabilidade e insatisfação crônica.
Um dos pontos citados na obra do autor é o que queremos de nossos filhos e como contribuímos na formação deles para serem herdeiros ou sucessores. Abaixo, algumas dicas de Augusto Cury sobre como formar seres capazes de pensar sozinhos e não cair nos motivos que levam a ruína de uma família.
1 - Para prevenir o desenvolvimento de herdeiros gastadores de herança, o autor fala que a primeira coisa a se fazer é ensinar as armadilhas do ritual de consumo e ensinar o consumo responsável.
2 - Exemplos de vida são fundamentais. Por isso, primeiro, preste atenção em como você age para depois cobrar melhores desempenhos de seus filhos.
3 - Transforme dificuldade em oportunidade. Se você não tem muitos recursos, saiba que a melhor maneira de formar um sucessor é levar os jovens a transformar a escassez em garra, o caos em oportunidade criativa e inspirá-los a ter sonhos e disciplina.
4 - Não seja um manual de regras para seus filhos. Se assim fizerem, estarão aptos a lidar com máquinas e consertá-las, mas não a formar pensadores.
5 - Conte sua história. Pais inteligentes deixam seus filhos saberem as dificuldades e perdas que enfrentaram para chegar onde estão.
6 - Ensine o valor da liberdade e negocie os limites.
7 - Pratique a arte da gratidão.
8 - Seja tolerante. Pais inteligentes não podem ser críticos em excesso.
9 - Abandone o vício de reclamar. Seja transparente e cumpra o que promete.
10 - Não dê bens materiais em excesso. Pais inteligentes não devem dar roupas, brinquedos, tênis, aparelhos eletrônicos em excesso, mesmo se forem milionários.
Augusto Cury ainda descreve, em frases, as principais diferenças de filhos criados de forma responsável e de filhos criados em blindagem.
"Herdeiros vivem à sombra de seus pais, sucessores constroem seu próprio legado."
"Herdeiros são especialistas em reclamar, sucessores são peritos em agradecer."
"Herdeiros são manipuladores, sucessores são conquistadores."
"Herdeiros são imediatistas, sucessores pensam no futuro, planejam e sonham a médio e longo prazo."
"Herdeiros são conformistas, amam a lei do menor esforço, sucessores são empreendedores, amam a lei do maior esforço."

Dan




Sugestão de aula para Evangelização: Quem se elevar será rebaixado

Lúdico: Os reis e os servos


Montagem do lúdico: Para realizar a aula é necessário recortar bonequinhos de papel e bonequinhos de plástico.
Depois os evangelizadores darão estes bonequinhos para a sala, obviamente quase todos irão querer o bonequinho REI de papel, mas não irá ter para todos, então alguns irão ficar com o bonequinho SERVO de plástico. Após isso, deixar as crianças colorirem os bonequinhos por aproximadamente 10 á 15 minutos.
Por último, os evangelizadores irão pegar todos os bonecos e afundá-los em uma vasilha d’agua, e então o que acontecerá com os bonequinhos de plástico (servos) ? E o que acontecerá com os bonequinhos de papel (reis) ?



Explicação: Logo, os bonequinhos de papel irão afundar, mas os de plástico não. Com isso, concluímos que aqueles que quiserem se elevar com a arrogância serão rebaixados e aqueles que mantiverem uma postura humilde serão naturalmente elevados, mas nunca perderão sua humildade.




GB

Mais









Coesão de pensamentos:
Mais perdão
Mais aprendizado
Mais simplicidade
Mais autocrítica
Mais bondade
Mais tolerância
Mais paciência
Mais fé
Mais caridade
Mais atitudes
Mais silencio
Mais trabalho desinteressado ao semelhante
Mais alegria
Mais compreensão
Mais esperança
Mais responsabilidade
Mais desvelo com a obrigação
Mais zelo com o problema dos outros
Mais afeto na conversa
Mais generosidade sem afetação
Para que a criatura seja fraternista, à frente dos Benfeitores da Fraternidade, é preciso apresentar mais, na própria renovação interior.  

Espírito Menescal

Almoço Beneficente

Venha participar do nosso almoço beneficente e aproveite para conhecer a casa Irmão Lauro !
Além das refeições e sobremesas, serão realizadas as tradicionais rifas e leilões.
Toda a renda arrecada é usada para a manutenção do grupo.


Preço: R$ 25,00 (refrigerante não está incluso)
Local: Salão principal
Data: 20/07/2014 (domingo)
Horário: á partir de 12h30





Mais informações: irmaolauro@bol.com.br

GB

A responsabilidade de dirigir uma instituição espírita

Xerxes Luna – Revista Reformador – 21/06/2014

Considerações iniciais
Constantemente temos recebido mensagens do plano espiritual superior informando-nos sobre a gravidade dos tempos atuais e sua influência na transformação a que está sendo submetida a humanidade, em seu natural estágio evolutivo, objetivando transformar-se numa sociedade característica de um mundo de regeneração, ou seja, numa sociedade onde a prática do bem ocorre em maior proporção que a do mal. Chamam-nos também a atenção sobre o papel do Espiritismo neste momento de tamanha relevância para o destino do planeta e a responsabilidade das casas espíritas em sua feição de células propagadoras dos ensinamentos, orientações e vivência trazidas pela Terceira Revelação, transmitida a Allan Kardec pelos Espíritos superiores.
Assim, diante desse contexto, se faz imperativo que cada dirigente, cada trabalhador ou colaborador de uma Instituição espírita atente para a gravidade de sua tarefa e para o compromisso inadiável de exemplificar os ensinamentos espíritas em todo o decorrer do exercício de sua função, principalmente nas suas relações interpessoais e nas realizações doutrinárias sob sua condução. Ter acesso aos ensinamentos espíritas, estudá-los e divulgá-los, sem que façamos esforço para praticá-los, resulta em erro grave de que um dia teremos que prestar contas.
A responsabilidade com as diretrizes doutrinárias espíritas
Diante da complexidade do mundo atual, da moderna leitura da realidade, das constantes renovações de ideias, das alterações dos padrões sociais e das significativas modificações dos costumes que atingem a sociedade contemporânea, urge que os dirigentes das instituições espíritas estejam atentos e vigilantes para que a base doutrinária, em que se assenta o Espiritismo, não venha a ser abalada ou mesmo desnaturada, a pretexto de modernidade ou sintonia com outras linhas de pensamentos estranhas aos princípios espíritas. O fazer espírita deve ser realizado com simplicidade, sem complexidade, ou inovações que afrontem o bom senso, os fundamentos doutrinários e, acima de tudo, o propósito de esclarecer, educar e irmanar as criaturas, sob pena de a Instituição perder seu rumo, seu propósito de iluminar almas, e seus dirigentes falharem na tarefa de difundir o Espiritismo tal qual nos foi entregue pelo plano espiritual superior. É natural que a Casa Espírita receba trabalhadores, os mais diversificados possíveis, nos mais diferentes estágios de conhecimento doutrinário e que nela também ocorra a natural rotatividade de voluntários, entretanto, todos, sem exceção, devem estar comprometidos com as bases doutrinárias e suas ações e realizações devem nelas estar assentadas plenamente. Para isso, os dirigentes das casas espíritas devem acompanhar, mais intimamente, todo o fazer doutrinário realizado em sua Instituição.
A responsabilidade em liderar os trabalhadores da Instituição
“O verdadeiro líder não tem necessidade de comandar, contenta-se em apontar o caminho.” (Henry Miller).
Liderar, portanto, é fazer desabrochar o potencial dos liderados na direção correta, no rumo certo, com vista à concretização de objetivos comuns. O verdadeiro líder, principalmente quando na direção de uma Instituição Espírita, motiva seus companheiros a trabalharem com liberdade, com responsabilidade, com respeito aos ensinamentos doutrinários, com eficiência (fazer a coisa corretamente) e com eficácia (fazer a coisa certa).
Prima pelo diálogo, pela coerência entre o falar e o agir, doutrinariamente falando, e por ouvir, sempre que possível, o grupo, pois sabe que pouco se erra quando se pensa conjuntamente numa mesma direção.
Nas suas relações interpessoais prioriza a boa educação, a cordialidade, a ética, a concórdia e a coerência moral crista exemplificada por Jesus, pois tem consciência de que para se fazer servidor do Mestre, na função a que foi chamado a exercer, precisa exemplificar, com maior constância, os ensinamentos a que se propõe irradiar.
A responsabilidade em conquistar e acolher novos trabalhadores
Dar oportunidade de trabalho ao frequentador que esteja motivado a prestar serviço à Instituição que o acolhe é dever, inadiável, de todo dirigente de Casa Espírita, desde que os motivos do pleiteante estejam sintonizados com os propósitos do Espiritismo, pois uma das finalidades da Instituição Espírita é ajudar as criaturas a se melhorarem espiritualmente, a partir de uma mudança de comportamento que contemple a prática do bem e o amor ao próximo.
Por outro lado, sabemos que a renovação faz parte da lei de progresso. Os que hoje trabalham numa Instituição amanha partirão e deverão ser substituídos por outros, essa é a lei. Urge que os novos trabalhadores sejam, desde já, preparados para assumir sua tarefa presente e futura com competência, eficácia e comprometimento doutrinário, sob pena de, no porvir, a Instituição perder seu rumo ou, quem sabe, até mesmo desaparecer.
O dirigente de uma Casa Espírita não deve assumir suas funções em ter em mente essa realidade, pois seu chamamento ao trabalho não está associado, unicamente, ao tempo presente; o futuro também faz parte do seu compromisso. Daí a importância de direcionar, com mais atenção, seu olhar para os novos trabalhadores, de bem acolhê-los e de bem prepará-los. Nessa sintonia cabe aos atuais servidores da Casa orientá-los e tratá-los com gentileza, paciência, espírito de companheirismo, solidariedade e fraternidade, inserindo-os, sempre que necessário, no espaço de decisão do grupo em que trabalham a fim de que se sintam partícipes do processo, com vez e voz nas ações que levarão adiante no seu trabalho.
A presença de novos integrantes numa equipe de trabalhadores possibilita o surgimento de novas visões da realidade, de novas ideais, de novas formas de fazer, de novas motivações, tão necessárias ao dinamismo do trabalho espírita. Paralelamente, esses novos trabalhadores devem ser conscientizados de que uma Instituição organizada e séria tem seus padrões de funcionamento, suas diretrizes de trabalho lavradas em Estatuto e Regimentos internos. Os que acham que uma organização espírita não necessita dessas diretrizes esclareçamos:
Os que nenhuma autoridade admitem não compreendem os verdadeiros interesses da Doutrina. Se alguns pensam poder dispensar toda direção, a maioria, os que não se creem infalíveis e não depositam confiança absoluta em suas próprias luzes, se sentem necessitados de um ponto de apoio, de um guia, ainda que apenas para ajudá-los a caminhar com segurança. [1]
Conclusão
A tarefa de dirigir e/ou participar dos trabalhos de uma Casa Espírita requer muita responsabilidade e espírito de equipe. As necessidades de serviço são imensas e sua execução se faz urgente.
A velocidade com que as transformações estão ocorrendo no mundo impõe a todos os que queiram contribuir com o progresso da humanidade, um dinamismo e dedicação em suas ações, compatíveis com a rapidez e importância de tais ocorrências.
O Espiritismo, como Doutrina comprometida com o progresso, não pode ficar fora desse momento. Por isso, aquele que for convocado, pelo Alto, a dirigir uma Instituição espírita deve bem se conscientizar de seus compromissos e de sua responsabilidade para que, ao final do mandato, possa dizer, com a consciência tranquila: missão cumprida!

[1] KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Trad. Guillon Ribeiro, ed. Esp. Rio de Janeiro; FEB, 2005, pt 2, cap. Constituição do Espiritismo, it. O Chefe do Espiritismo, p. 423 e 422, respectivamente.


Conversa fiada...

Certa tarde estava em estudo em nosso Campo Espiritual, ou Colônia Espiritual, quando fomos procurados por Jerônimo, dedicado protetor espiritual de uma família residente em Campo Alto.
Jerônimo explicou-nos a necessidade do socorro dos irmãos da Casa Espírita na qual temos humildes responsabilidades.
Atendendo o dedicado amigo, rumamos a nossa Casa Espírita, e lá chegando, notamos a presença do Soares e do Armando, companheiros, voltados à visitação de enfermos.
Nisso apressada senhora adentrou ao salão em prantos:
- Dr. Soares, me ajude, pelo amor de Deus! Meu irmão Afonso, aquele que é porteiro na Prefeitura, e querido de todos, vai perder o emprego, e olhe que o Prefeito nutre grande afeição por ele; faz dois meses que ele recusa tomar agua e sucos, e quase não se alimenta, faz as necessidades em qualquer lugar, e ainda as atira nos outros. – O Doutor sabe que sou católica, não entendo de espiritismo, Dr. me ajude, pois, o salário dele é o sustento da casa, e se ele continuar assim vai morrer..
-Calma, disse, Soares, Armando vamos! Vamos Soares até a casa da Jandira?
- Vamos, mas antes iremos à busca do Márcio, pois, é neste momento o único médium de “incorporação” disponível. O Márcio? Diz, Armando, mas, é médium consciente, e cheio de dúvidas, dando uma pausa, completou: - mas, enfim, vamos lá.    
Acompanhamos os quatro até a casa do Afonso, na entrada havia um aglomerado de pessoas.
- Vamos entrar – Márcio sente-se nesta cadeira, exclamou Soares.
- Armando iniciou a prece e o Márcio começou a falar por intuição nossa.
- Estou vendo dois espíritos como que, saindo de um buraco, e vindo em direção a algo como um aparelho de sucção, imediatamente os espíritos passaram a ser doutrinados pelo Soares. E carinhosamente foram acolhidos, para se libertarem de graves débitos adquiridos entre eles e o Afonso, trajetória que relatarei oportunamente.    
- Finda a doutrinação Jerônimo “incorporou-se” e proferiu sentida prece de agradecimento a Deus.
Alguns instantes depois para surpresa de todos, eis que Afonso se levanta e solicita agua, e começa a gritar, onde estou? Nossa que sujeira, o que está acontecendo? Levantou-se foi ao banho e se alimentou.
Márcio, atônico, estava espantado.      
Aproveitamos a alegria cristã do ambiente e enviamos a nossa mensagem utilizando o Márcio, através da escrita:
- Caro Márcio, Deus te ilumine pela disposição no trabalho; o médium consciente se vê ou se apura pelo resultado, imagine você, se só conversa fiada iria curar..
Muitos acreditam que “recebem” espíritos e não os “recebem”, e muitos que duvidam os “recebem”, apesar dos escolhos oriundos do intercâmbio. Mas, hoje, talvez se desanuviaram tuas duvidas, lembre-se, conversa fiada não cura, não traz lenitivo, prossiga, pois, te reconhecemos um companheiro  serio, honesto e sincero nos teus propósitos a serviço do bem.
 Que Jesus te abençoe, hoje e sempre.
Muita Paz,
Fabiano      

Onde Estavas?

Mesa posta, banquete divinal,
Iguarias as mais variadas.
Abundante alimento espiritual.
Todas as providências tomadas.

Regozijam-se anjos anfitriões.
Chegam seres animados;
Pena; faltaram os garçons,
Mal servidos os convidados.


Retiram-se sem novidade...
Onde estava a bandeja do amor?
Onde estava o prato da caridade?
Onde a taça do humano calor?

Por definição  semântica não há mais de uma prioridade;
Tarefeiro, que foste chamado a servir,
onde está tua responsabilidade?
Atente, para triste cena, não volte se repetir.

Os Benfeitores Espirituais,
trabalhando com humildade e fraternidade,
afim de vossa negligência suprir,
Aqui estavam,
E tu? Onde estavas?
 
Os trabalhadores (Espíritos)

  

Regra de Evolução


Primeiro: ouve-te a ti mesmo no interior da tua consciência.

Segundo: ouve a teus irmãos que buscam despertar-te para a vida eterna.

Terceiro: resigna-te e procura diligentemente o caminho da humildade cristã.

Quarto: não te afastes do mal, mas trabalha para transformá-lo no bem de infinitos recursos espirituais.
Quinto: faze do amor a principal regra de tua conduta.

Sexto: convive com o Creador no templo interior de tua alma.

Depois disso estarás apto para penetrar o primeiro portal do Reino de Deus.

Espírito Ranieri  


Passe e Fluido

O passe é transfusão de fluído.
É uma permuta de períspirito para períspirito, muito semelhante a do sangue.
Como um enfermo orgânico poderá transmitir, na doação ou transfusão sanguínea, determinadas doenças ao socorrido, também o passista poderá transferir ao paciente os seus desajustes espirituais, subordinando-se essa transmissão, é natural, à afinidade que estabeleça entre si.
É indispensável, pois, que o passista esteja compenetrado do seu dever de sustentar clima mental sadio, elevado, para que no momento do passe transfunda energia restauradora.
A vontade que movimenta os fluídos regeneradores, capazes de rearmonizar o períspirito ou o organismo enfermiço, pode manipular fluidos deletérios pelo mesmo mecanismo, criando ou acentuando males em curso de instalação ou de desenvolvimento.
Há, por conseguinte, grande responsabilidade no ato fraterno de doar-se, cabendo ao passista ser uma permanente usina geradora de saúde e harmonia, trazendo em seu coração o desejo de ser útil ao seu próximo.
Em decorrência do desequilíbrio do passista, alguns pacientes podem revelar uma acentuação mórbida de seus sintomas. O assistente poderá concluir, apressadamente, que esteja operando sobre um doente desinteressado de sua própria cura. Não raro, porém, se analisar mais detidamente, concluirá que houve um desajuste seu e que, ao revés de ter transmitido fluidos benéficos, envolveu o socorrido em vibrações deletérias, as quais, então, reagiram negativamente sobre o períspirito agravando o quadro clinico.
O fluido é um veículo neutro que se molda aos ditames de nossa vontade, refletindo-nos inteiramente e tanto conduzindo a sublimação em si, quando, portanto miasmas umbralinos, pelos quais somos os responsáveis diretos.
 E a presença do mentor espiritual do passista não modifica esse mecanismo. O passista poderá receber-lhe fluidos puros. Estes, porém, tisnados ao contato de suas emanações individuais que lhes alteram o teor regenerativo poluindo-os antes de transferi-los ao enfermo. Ou poderá o passista, à semelhança do enfermo repelir o auxílio que lhe chega do Alto, por estar momentaneamente desajustado com a Espiritualidade Maior.
Ninguém, pois, substituirá o passista na sua necessidade fundamental de elevar-se espiritualmente, não se deixando vencer pelas induções silenciosas que recolhe diretamente da aura do assistido, porque a sua posição é de quem centraliza fluidos e lhes imprime as suas características de amor e humildade ou de desajuste e emoções indisciplinadas.

 
Roque Jacintho - Publicado na Revista da Fraternidade n. 3- 1966