Oficina da Criança

No dia 11/10/2014, o Departamento Infantil do Irmão Lauro realizou uma Oficina em Homenagem ao dia da criança.
Para visualizar as fotos deste belo evento, basta clicar na imagem abaixo.




GB

Descanse em paz

Aproxima-se o dia 02 de novembro, mais conhecido como dia de finados. É um dia de respeito, dedicado para que as famílias celebrem seus entes falecidos, e  enfeitam os túmulos com flores, acendam velas e muitas vezes mandam rezar missas pelos parentes que perderam. É um dia muito triste, pois através das homenagens feitas, as pessoas voltam a sofrer a dor da perda.  
Quando Tânatos visita o corpo físico e o resgata, o corpo decomposto muda de forma e modifica-se em outra substancia, conhecida por humo e dessa forma compõe papel importante na natureza.
As autoridades médicas passaram a considerar, a vida  quando o cérebro e o coração da pessoa estão funcionando e a morte cerebral como definição biológica de morte.  
Há um certo paradoxo quando vemos a inscrição em alguns túmulos: “Requiescat in pace”(RIP) a qual origina-se do latim, que significa “que ele descanse em paz”.
O corpo jamais vai descansar em paz...
Mas se entendermos que o corpo é vitalizado pelo espírito, e na morte do corpo, ocorre uma separação entre eles: O corpo transforma-se em humo, o espírito continua a viver como sempre fez, agora livre das restrições físicas. E como o verdadeiro caráter da pessoa, sua bondade, virtudes e ascendência moral, estão no espírito, é lógico presumir que ele estagiara em um plano espiritual mais elevado, após cumprir sua jornada na terra. Entretanto, se o caráter da pessoa, saturado de hipocrisia, egoísmo, desamor, desvio de virtudes, ou decadência moral, é lógico presumir que ele estagiara em um plano espiritual inferior, após cumprir sua jornada na terra.   
O espírito somente irá descansar na paz da consciência tranqüila, se utilizou sua  existência corpórea em crescimento interior e estendendo esse crescimento com o Amai-vos uns aos Outros, caso contrario, quem sabe, alguém insira no  túmulo que abriga seu corpo a inscrição “Requiescat in pace” (descanse em paz); Visto que  o descanso ou fadiga do espírito é uma escolha inerente a cada um. Cada um escreve sua própria inscrição...     
Grupo Lauro

Oração da Criança


Amigo.    
Ajuda-me agora, para que eu te auxilie depois.
Não me relegues ao esquecimento, nem me condenes à ignorância e à crueldade.
Venho ao encontro da tua aspiração, de teu convívio, de tua obra.
Em tua companhia estou na condição da argila na mão do oleiro.
Hoje, sou sementeira, fragilidade, promessa...
Amanhã, porém, serei tua própria realização.
Corrige-me, com amor, quando a sombra do erro envolver-me o caminho, para que a confiança não me abandone.
Protege-me contra o mal.
Ensina-me a descobrir o bem.
Não me afastes de Deus e ajuda-me a conservar o amor e o respeito que devo às pessoas, aos animais e às coisas que nos cercam.
Não me negues tua boa vontade, teu carinho e tua paciência.
Tenho tanta necessidade do teu coração, quanto a plantinha tenra precisa da água para prosperar e viver.
Dá-me tua bondade e dar-te-ei cooperação.
De ti depende que eu seja pior ou melhor amanhã.

Emmanuel / Chico Xavier
O Grupo Lauro deseja a todas  crianças um feliz dia.
Dan


Qual é o tema mesmo?

As palestras são uma das mais eficazes maneiras de promover  a divulgação do Espiritismo, levando sua mensagem libertadora e que merece o melhor daqueles que possuem a responsabilidade de apresentá-la.
No entanto, algumas questões devem ser observadas, seja pelos palestrantes, pelos que organizam e agendam, quanto pelos que ouvem.
É a questão do tema!
Percebemos que, em algumas vezes, saindo-se bem ou não, o palestrante anuncia um tema e isso atrai aqueles que se interessam por ele, outros que têm necessidade de ouvi-lo, sem falar que seguir um tema organiza o pensamento de quem fala e de quem ouve.
No entanto, percebemos a existência de palestrantes que, por falta de comprometimento com o próprio tema, acabam fazendo com que suas apresentações divaguem por vários temas superficialmente, sem se aprofundar em coisa alguma.
Quando isso ocorre, por melhor que seja a apresentação, o palestrante anuncia um tema, desenvolve vários e conclui sem compromisso com o tema que anunciou...
Deve haver profundo respeito para a realização de uma palestra Espírita, afinal a mensagem que ela encerra possui  determinante influência na edificação daqueles que ouvem, tanto quanto no entendimento claro ou equivocado que terão do Espiritismo.
Partindo do princípio de que todos somos imperfeitos e de pouco conhecimento real de algo tão grande como a Doutrina Espírita, a busca de todo palestrante deve ser a de empenhar a maior dedicação e constante cuidado em ser fiel ao que o Espiritismo verdadeiramente ensina e, com honestidade, verticalizar sua busca de fazer o melhor possível.
Não falamos de grandes apresentações de oratória, de palavras enfeitadas e empolgados discursos, mas sim de respeito com a Doutrina dos Imortais e com aqueles que ouvem.
Ao falar, o palestrante tem a oportunidade de influenciar o ouvinte com as suas informações e conceitos, fornecendo material ao seu mundo mental e que lhe conduzirá as ações e posturas.
Vemos mesmo em grandes eventos, considerados especiais e que juntam grandes quantidades de pessoas, com tema principal estabelecido para todos, palestras prontas de outros temas sendo realizadas, contando com o fato de que ninguém perceberá a negligência.
Quando no final da palestra, o ouvinte, achando que a apresentação foi boa ou não, tem dificuldade de lembrar qual o tema estudado, algo está errado, pois a intenção era a de aprofundar a mensagem principal.
Somente o despreparo e a falta de dedicação pode justificar uma palestra que diz muito sem falar nada, nossas capacidades são diferenciadas, mas respeitando as limitações de cada um, devemos buscar mensagens seguras e claras, e que apenas se obtêm caminhando pautados pelas obras de Allan Kardec.
Sem sermos fiéis ao tema que nos propomos, no dia seguinte, quando vamos falar da palestra para alguém, nos perguntamos:
— Qual foi o tema mesmo?


Fonte: Jornal Verdade e Vida
Por Roosevelt A. Tiago



Sacolinhas de Natal 2014

Todo ano o Departamento Infantil realiza a confecção das sacolas de Natal, que é um presente para os alunos da Evangelização do Irmão Lauro. Você também pode ajudar neste trabalho !




Durante a semana nas reuniões do Grupo, estarão disponíveis para aqueles que se interessarem, sacolinhas de crianças de 4 á 14 anos para serem montadas.

Segue o link abaixo contendo os itens necessários para a confecção das sacolas.




GB

Herdeiro de Si Mesmo

Herdeiro de Si Mesmo
Cada um é o herdeiro de si mesmo. Na verdade, somos herdeiros de nós mesmos e a nossa herança é o que herdamos de reencarnações anteriores, que é o que aprendemos e vivemos anteriormente, o que somos e nos ensinos dos mestres de outras vidas.
A herança que por “acaso” recebemos dos outros, é o exemplo que deram e a vida que viveram conosco, é aquilo  que com eles aprendemos.
Quando renascemos, levamos espiritualmente e moralmente para a próxima reencarnação, esse patrimônio que é nosso e que se manifestará nas nossas tendências e maneira de ser, juntamente com aquilo que herdamos geneticamente de nossos pais, avós bisavós. Finalmente, de nossos ancestrais. Isto tudo misturado, naturalmente representará uma grande parte de nossos instintos naturais. Na realidade, cada um é herdeiro de si mesmo porque herdamos de nós mesmos.
A herança física parece-nos à primeira vista mais poderosa, mas não é. Apenas o homem não compreendeu que todo seu poder e a sua força vem do Espírito, por isso não sabem usá-los.
O dia em que compreender que “Ele é” o construtor de si mesmo, sob a misericórdia divina, (Os homens ainda não entenderam o Sábio filosofo, pois somos pródigos em conhecer o outro e não a nós mesmos)! compreenderá o ensinamento de Sócrates: Conhece-te a ti mesmo! e, então ele entenderá todo o Universo e muitas das razões da sua construção e das suas leis.
Em verdade nós somos o Universo, na sua grandeza e imensidade.      

Grupo Lauro  
                                                                           

Comprometidos com o Alto

A maioria dos seres comprometidos com o Alto, geralmente não dão resposta nenhuma aos seus detratores e “inimigos”, não se dispõem a se defender e não dão a menor bola, porque sabem que são criaturas portadoras de doenças do recalque e da frustração, em conflitos com elas mesmas.
O fato de elas  se utilizarem da estratégia do silêncio termina por irritar ainda mais o inexpressivo, posto que o incapaz, o que nutre a  atitude de quem se julga superior e faz alarde de suas qualidades e proezas. Quando ataca alguém, utilizando-se inclusive de métodos baixos, por estar mergulhado na lama, fica esperando uma reação no mesmo nível que adota, terminando por entrar em processo de elevada irritação, quando percebe que o outro não mergulha na mesma lama, uma vez que a pessoa que atinge a plenitude jamais volta a ser a mesma de antes.
O lamentável de tudo é que as pessoas, em maioria, quando em conversas contendo acusações, fofocas e calúnias, assim como escutam os boatos e as fofocas, não estão habituadas ao uso da inteligência para filtrarem o que ouvem, para processarem o indispensável “o que é que há por trás disso?”,
Existe também um certo medo, por saberem que quando a pessoa é maldosa ela, invariavelmente, se aborrece e se irrita quando alguém a questiona sobre a fofoca que faz e o veneno que espalha.
“Não vou falar nada, porque não quero me meter em confusão”.
Por conta disto, deixa a coisa pra lá, não chama a pessoa à responsabilidade e a deixa sair por aí espalhando a sua maledicência.
São criaturas omissas às tarefas e responsabilidades nas Casas Espíritas, muitas em busca de cargos, outras tantas, em busca de autopromoção com o sofrimento do próximo, poucas em busca de encargos e serviço.
Ética, na Casa Espírita, exige obediência aos princípios do Espiritismo. Para responder e agir dentro dessa Ética devemos nos perguntar: Quero? Devo? Posso?
Para responder essas perguntas sobre o querer, o dever e o poder, nós temos princípios, valores que nos orientam a responder. Nesse sentido a ética no  Espiritismo são os princípios de orientação do modo de agirmos e nos conduzirmos, se não for ainda possível na vida, ao menos dentro de uma Casa Espírita.  
A Doutrina Espírita pelos Benfeitores Espirituais  nos ensina:

629. Que definição se pode dar da moral?
A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus.O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.

630. Como se pode distinguir o bem do mal?
O bem é tudo o que é conforme a lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-Ia.

O Codificador indaga na questão (893) sobre qual a mais meritória das virtudes e recebe por resposta: Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal em favor do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade.
Ética Espírita, aliando a fé à razão - e pelo seu caráter educativo -, leva o homem à mudança positiva de comportamento. Daí a exortação do Codificador "Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más”
"Foi Jesus que apresentou o amor como fundamental para a vida, dando início ao primado do dever e da moral como essenciais à felicidade humana. Antes Dele, os princípios da ética moral eram graves, especialmente em Israel, atados às leis severas, estabelecidas por homens cruéis, mais interessados em punir, em vingar-se do que em educar e corrigir. Desde a Pena de Talião, que Ele substituiu pela do perdão, mediante o qual é concedido ao infrator à reabilitação, não ficando isento da responsabilidade do erro e das suas conseqüências, mas facultando-lhe possibilidades de retribuir à sociedade em bens os males que praticou”.

Deixo agora um problema de consciência, sinceramente, como está sua participação ou convívio na Casa Espírita, respondendo as perguntas:

Quero
Devo
Posso
Respeito
Compreendo


Bibliografia: Livro dos Espíritos
                    Mário Sergio Cortella
                    Espírito Carlos Torres Pastorinho 
                    A.R 
        
Grupo Lauro

Filhos e netos recordando João Cabete...





















































Esta foto retrata o momento em que João Cabete e sua filha Dinazara se
apresentavam no Centro Espírita Allan Kardec de Campinas, durante 4a.
Semana da Fraternidade, realizada em 1962, tendo como anfitrião o Grupo da
Fraternidade Irmão Vicente, recem-fundado. Vê-se ao fundo uma maquete do
projeto da Cidade da Fraternidade, tal como era concebido na época.





Pequenas Notas


Dizia o novato que acompanhava Jesus: - Senhor, não consigo mais caminhar, meus pés doem.
E sentou-se a beira do caminho. Vê o Senhor se afastar, até desaparecer na curva da estrada.
O novato descansou os pés, e seguiu por estrada mais curta.
Hoje, o novato caminha em todas as estradas em busca do Senhor. Nessa busca incansável faz o percurso de joelhos...

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Se desejas acender a luz do evangelho no lar do teu próximo, verifique, se o evangelho de luz, já acendeu no lar do teu coração.

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A luz do amor estará te iluminando enquanto não o apagares com a sombra do ódio.

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Se vais semear nos campos do Senhor, verifique as sementes que carregas..


Fabiano

26/09/2014 (recebido na  reunião de sexta-feira)

Mensagem aos Médiuns

Palavras de Emmanuel
XI - MENSAGEM AOS MÉDIUNS
Venho exortar a quantos se entregaram na Terra à missão da mediunidade, afirmando-lhes que, ainda em vossa época, esse posto é o da renúncia, da abnegação e dos sacrifícios espontâneos. Faz-se mister que todos os Espíritos, vindos ao planeta com a incumbência de operar nos labores mediúnicos, compreendam a extensão dos seus sagrados deveres para a obtenção do êxito no seu elevado e nobilitante trabalho.
Médiuns! A vossa tarefa deve ser encarada como um santo sacerdócio; a vossa responsabilidade é grande, pela fração de certeza que vos foi outorgada, e muito se pedirá aos que muito receberam. Faz-se, portanto, necessário que busqueis cumprir, com severidade e nobreza, as vossas obrigações, mantendo a vossa consciência serena, se não quiserdes tombar na luta, o que seria crestar com as vossas próprias mãos as flores da esperança numa felicidade superior, que ainda não conseguimos alcançar! Pensai as conseqüências dos vossos mínimos atos, porquanto é preciso renuncieis à própria personalidade, aos desejos e aspirações de ordem material, para 'que a vossa felicidade se concretize.
VIGIAR PARA VENCER
Felizes daqueles que, saturados de boa-vontade e de fé, laboram devotadamente para que se espalhe no mundo a Boa Nova da imortalidade. Compreendendo a necessidade da renúncia e da dedicação, não repararam nas pedras e nos acúleos do caminho, encontrando nos recantos do seu mundo interior os tesouros do auxilio divino. Acendem nos corações a luz da crença e das esperanças, e se, na maioria das vezes, seguem pela estrada incompreendidos e desprezados, o Senhor enche com a luz do seu amor os vácuos abertos pelo mundo em suas almas, vácuos feitos de solidão e desamparo.
Infelizmente, a Terra ainda é o orbe da sombra e da lágrima, e toda tentativa que se faz pela difusão da verdade, todo trabalho para que a luz se esparja fartamente encontram a resistência e a reação das trevas que vos cercam. Dai nascem as tentações que vos assediam, e partem as ciladas em que muitos sucumbem, à falta da oração e da vigilância apregoadas no Evangelho.
QUEM SÃO OS MÉDIUNS NA SUA GENERALIDADE
Os médiuns, em sua generalidade, não são missionários na acepção comum do termo; são almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram, sobremaneira, o curso das leis divinas, e que resgatam, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso. O seu pretérito, muitas vezes, se encontra enodoado de graves deslizes e de erros clamorosos. Quase sempre, são Espíritos que tombaram dos cumes sociais, pelos abusos do poder, da autoridade, da fortuna e da inteligência, e que regressam ao orbe terráqueo para se sacrificarem em favor do grande número de almas que desviaram das sendas luminosas da fé, da caridade e da virtude. São almas arrependidas que procuram arrebanhar todas as felicidades que perderam, reorganizando, com sacrifícios, tudo quanto esfacelaram nos seus instantes de criminosas arbitrariedades e de condenável insânia.
AS OPORTUNIDADES DO SOFRIMENTO
As existências dos médiuns, em geral, têm constituído romances dolorosos, vidas de amargurosas dificuldades, em razão da necessidade do sofrimento reparador; suas estradas, no mundo, estão repletas de provações, de continências e desventuras. Faz-se, porém, necessário que reconheçam o ascetismo e o padecer, como belas oportunidades que a magnanimidade da Providência lhes oferece, para que restabeleçam a saúde dos seus organismos espirituais, combalidos nos excessos de vidas mal orientadas, nas quais se embriagaram à saciedade com os vinhos sinistros do vicio e do despotismo.
Humilhados e incompreendidos, faz-se mister que reconheçam todos os benefícios emanantes das dores que purificam e regeneram, trabalhando para que representem, de fato, o exemplo da abnegação e do desinteresse, reconquistando a felicidade perdida.
NECESSIDADE DA EXEMPLIFICAÇÃO
Todos os médiuns, para realizarem dignamente a tarefa a que foram chamados a desempenhar no planeta, necessitam identificar-se com o ideal de Jesus, buscando para alicerce de suas vidas o ensinamento evangélico, em sua divina pureza; a eficácia de sua ação depende do seu desprendimento e da sua caridade, necessitando compreender, em toda a amplitude, a verdade contida na afirmação do Mestre: “Dai de graça o que de graça receberdes.”
Devendo evitar, na sociedade, os ambientes nocivos e viciosos, podem perfeitamente cumprir seus deveres em qualquer posição social a que forem conduzidos, sendo uma de suas precípuas obrigações melhorar o seu meio ambiente com o exemplo mais puro de verdadeira assimilação da doutrina de que são pregoeiros.
Não deverão encarar a mediunidade como um dom ou como um privilégio, sim como bendita possibilidade de reparar seus erros de antanho, submetendo-se, dessa forma, com humildade, aos alvitres e conselhos da Verdade, cujo ensinamento está, freqûentemente, numa inteligência iluminada que se nos dirige, mas que se encontra igualmente numa provação que, humilhando, esclarece ao mesmo tempo o espírito, enchendo-lhe o íntimo com as claridades da experiência.
O PROBLEMA DAS MISTIFICAÇÕES
O problema das mistificações não deve impressionar os que se entregam às tarefas mediúnicas, os quais devem trazer o Evangelho de Jesus no coração. Estais muito longe ainda de solucionar as incógnitas da ciência espírita, e se aos médiuns, às vezes, torna-se preciso semelhante prova, muitas vezes os acontecimentos dessa natureza são também provocados por muitos daqueles que se socorrem das suas possibilidades.
Tende o coração sempre puro. E com a fé, com a pureza de intenções, com o sentimento evangélico, que se podem vencer as arremetidas dos que se comprazem nas trevas persistentes. ê preciso esquecer os investigadores cheios do espírito de mercantilismo!...
Permanecei na fé, na esperança e na caridade em Jesus - Cristo, jamais olvidando que só pela exemplificação podereis vencer.
APELO AOS MEDIUNS
Médiuns, ponderai as vossas obrigações sagradas! preferi viver na maior das provações a cairdes na estrada larga das tentações que vos atacam, insistentemente, em vossos pontos vulneráveis.
Recordai-vos de que é preciso vencer, se não quiserdes soterrar a vossa alma na escuridão dos séculos de dor expiatória. Aquele que se apresenta no Espaço como vencedor de si mesmo é maior que qualquer dos generais terrenos, exímio na estratégia e tino militares. O homem que se vence faz o seu corpo espiritual apto a ingressar em outras esferas e, enquanto não colaborardes pela obtenção desse organismo etéreo, através da virtude e do dever comprido, não saireis do círculo doloroso das reencarnações.

Extraído do Livro Emmanuel editado em 1.938 - psicografado por  Chico Xavier




Os 3 beijos de Judas

Allan Kardec
1804-1869




Allan Kardec, em sua famosa viagem de 1862, contada em livro, diz ter recebido 3 beijos de Judas (Revista Espírita, março de 1863) referindo-se aos maus espíritas. O título do artigo é “Falsos irmãos e amigos ineptos”. O codificador identifica as vertentes dessas personalidades:







- Não são prudentes nem moderados.
- Estimulam a divulgação de temas excêntricos.
- Aceitam e divulgam mensagens apócrifas ou mentirosas.
- Outros, adocicados e hipócritas, com olhar oblíquo e palavras melosas sopram a discórdia enquanto pregam a união.
-Usam questões irritantes ou ferinas para provocarem dissidências.

- Excitam a inveja.
Grupo Lauro

Em Prece

Materialização de Emmanuel

Atingíramos a reunião da noite de 27 de setembro de 1956, marcada pelos nossos instrutores para fixar o término da segunda série de mensagens psicofônicas recolhidas em nosso grupo e destinadas constituição do presente livro. 
Outras tarefas chamar-nos-iam a atenção. Aguardavam-nos outras atividades, outros setores.
Estávamos, por essa razão, intensamente emocionados, quando Emmanuel, o nosso devotado orientador, tomou a palavra e orou comovidamente.
A sua prece tocante assinalava a conclusão das páginas faladas que integrariam o novo tomo de instruções obtidas em nosso santuário de serviço espiritual.
E foi por isso que, em se fazendo de novo o silêncio, tínhamos lágrimas nos olhos e todos dizíamos, através do verbo inarticulado, de coração alçado ao Céu: — Benfeitores da Luz Divina, Deus vos recompense a tolerância e a bondade!... Preces queridas de nosso templo, ficai conosco! Mensagens de amor e luz, ide ao mundo consolando e instruindo! Noites abençoadas, adeus! adeus!..


Senhor, Jesus.
Com a nossa jubilosa gratidão pela assistência de todos os minutos - humildes servos daqueles servidores que te sabem realmente servir, aqui te ofertamos o nosso louvor singelo, a que se aliam as nossas súplicas incessantes.
No campo de atividade em que nos situas, por acréscimo de confiança e misericórdia,faze-nos sentir que todos os patrimônios da vida te pertencem, a fim de que a ilusão não nos ensombre o roteiro.
Mostra-nos, senhor, que nada possuímos além das nossas necessidades de regeneração, para que aprendamos a cooperar contigo, em nosso próprio favor.
E, na ação a que nos convocas, ilumina-nos o passo para que não estejamos distraídos.
Que a nossa humildade não seja orgulho.
Que o nosso amor não seja egoísmo.
Que a nossa fé não seja discórdia.
Que a nossa justiça não seja violência.
Que a nossa coragem não seja temeridade.
Que a nossa segurança não seja preguiça.
Que a nossa simplicidade não seja aparência.
Que a nossa caridade não seja interesse.
Que a nossa paz não seja frio enregelante.
Que a nossa verdade não seja fogo destruidor.
Em torno de nós, Mestre, alonga-se, infinito, o campo do bem, a tua gloriosa vinha de luz, em que te consagras com os homens, pelos homens e para os homens à construção do reino de Deus.
Dá-nos o privilégio de lutar e sofrer em tua causa e ensina-nos a conquistar, pelo suor da cada dia, o dom da fidelidade, com o qual estejamos em comunhão contigo em todos os momentos de nossa vida.
Assim seja.


Vozes do Grande Além-Emmanuel/Chico Xavier
Arnaldo Rocha

O Evangelho da Perdição

  
Edgar Morin
A perda da salvação, a aventura desconhecida

Se houvesse navegadores do espaço, sua rota no aglomerado de 
Viagem ignoraria a muito marginal Via Láctea e passaria longe do 
pequeno sol periférico que tem em sua órbita o minúsculo planeta 
Terra. Como Robinson em sua ilha, pusemo-nos a enviar sinais em 
direção às estrelas, até agora em vão, e talvez em vão para 
sempre. Estamos perdidos no cosmos.

Esse cosmos formidável está ele próprio votado à perdição. Ele nasceu, portanto é mortal. Dispersa-se a uma velocidade espantosa, enquanto astros se chocam, explodem, implodem. Nosso Sol, que sucede a dois ou três outros sóis defuntos, se consumirá. Todos os seres vivos são lançados na vida sem o terem pedido, estão prometidos à morte sem o terem desejado. Vivem entre nada e nada, o nada de antes, o nada de depois, cercados de nada durante. Não são apenas os indivíduos que estão perdidos, mas, cedo ou tarde, a humanidade, depois os últimos vestígios de vida, finalmente a Terra. O próprio mundo vai em direção à morte, seja por dispersão generalizada ou por retomo implosivo à origem... Da morte deste mundo um outro mundo nascerá talvez, mas o nosso estará irremediavelmente morto. Nosso mundo está votado à perdição. Estamos perdidos.
Este mundo que é o nosso é muito frágil na base, quase inconsistente: nasceu de um acidente, talvez de uma desintegração do infinito, a menos que consideremos que surgiu do nada. De qualquer modo, a matéria conhecida não é senão uma ínfima parte da realidade material do universo, e a matéria organizada não é senão uma ínfima parte dessa ínfima parte. São as organizações entre entidades materiais, átomos, moléculas, astros, seres vivos, que adquirem consistência e realidade para nossos espíritos; são as emergências que surgem dessas organizações, a vida, a consciência, a beleza, o amor, que, para nós, têm valor: mas essas emergências são perecíveis, fugazes, como a flor que desabrocha, o brilho de um rosto, o tempo de um amor...
A vida, a consciência, o amor, a verdade, a beleza são efêmeros. Essas emergências maravilhosas supõem organizações de organizações, oportunidades inusitadas, e elas correm a todo instante riscos mortais. Para nós, elas são fundamentais, mas elas não têm fundamento. Nada tem fundamento absoluto, tudo procede em última ou primeira instância do sem-nome, do sem-forma. Tudo nasce da circunstância, e tudo o que nasce está prometido à morte.
E vejam: as últimas emergências, os últimos produtos do devir, a consciência, o amor, devem ser reconhecidos como primeiras normas e primeiras leis.
Mas eles não adquirirão a perfeição nem a inalterabilidade. O amor e a consciência morrerão. Nada escapará à morte. Não há salvação no sentido das religiões de salvação que prometem a imortalidade pessoal. Não há salvação terrestre, como prometeu a religião comunista, ou seja, uma solução social em que a vida de cada um e de todos se veria livre da infelicidade, do acaso, da tragédia. É preciso renunciar radical e definitivamente a essa salvação.
 Precisamos também renunciar às promessas infinitas. O humanismo ocidental nos votava a conquista da natureza, ao infinito. A lei do progresso nos dizia que este devia ser perseguido sem descanso e sem fim. Não havia limite ao crescimento econômico, à inteligência humana, à razão. O homem havia se tornado para si mesmo seu próprio infinito. Podemos hoje rejeitar esses falsos infinitos e tomar consciência de nossa irremediável finitude. Como diz Gadamer, é preciso “deixar de pensar a finitude como a limitação na qual nosso querer-ser infinito fracassa, (mas) conhecer a finitude positivamente como a verdadeira lei fundamental do dasein”. O verdadeiro infinito está além da razão, da inteligibilidade, dos poderes do homem. Será que ele nos atravessa de lado a lado, totalmente invisível, e se deixa apenas pressentir por poesia e música?
Ao mesmo tempo que a consciência da finitude, podemos doravante ter uma consciência de nossa inconsciência e um conhecimento de nossa ignorância: podemos saber doravante que estamos na aventura desconhecida. Acreditamos, confiando numa pseudociência, que conhecíamos o sentido da história humana. Mas, desde a aurora da humanidade, desde a aurora dos tempos históricos, estávamos já numa aventura desconhecida, e nela estamos mais que nunca. O curso seguido pela história da era planetária saiu da órbita do tempo reiterativo das civilizações tradicionais para entrar num devir cada vez mais incerto.
Estamos votados à incerteza que as religiões de salvação, inclusive a terrestre, acreditaram ter eliminado: “Os bolcheviques não queriam ou não podiam compreender que o homem é um ser frágil e incerto, que realiza uma obra incerta num mundo incerto”.
(D. Tchossitch, Le Temps du mal, I, Paris. L'Age d'Homme, 1990, p.186)
Precisamos compreender que a existência no mundo físico (e a do próprio mundo físico) se paga a um preço extraordinário de degradação, de perda, de ruína, que a existência viva se paga a um preço extraordinário de sofrimento, que toda alegria, toda felicidade humanas se fazem pagar e se farão pagar pela degradação, a perda, a ruína e o sofrimento.
 Estamos na itinerância. Não marchamos por um caminho demarcado, não somos mais teleguiados pela lei do progresso, não temos nem messias nem salvação, caminhamos na noite e na neblina Mas não se trata de errância ao acaso, ainda que haja acaso e errância; podemos ter também idéias-guias, valores eleitos, uma estratégia que se enriquece ao modificar-se. Não se trata apenas de uma marcha para o abatedouro. Somos movidos por nossas aspirações, podemos dispor de vontade e de coragem. A itinerância se alimenta de esperança. Mas é uma esperança privada de recompensa final; ela navega no oceano da desesperança.
A itinerância está votada a este mundo, isto é, ao destino terrestre. Mas contém ao mesmo tempo uma busca do mais além. Não do “mais além” fora do mundo, mas do “mais além” do hic et nunc, do “mais além” da miséria e da infelicidade, do “mais além” desconhecido próprio justamente da aventura desconhecida.
É na itinerância que se inscreve o ato vivido. A itinerância implica a revalorização dos momentos autênticos, poéticos, extáticos da existência, e igualmente - já que todo objetivo atingido nos lança num novo caminho e toda solução inaugura um novo problema - uma desvalorização relativa das idéias de objetivo e de solução. A itinerância pode plenamente viver o tempo não apenas como continuum que liga passado/presente/futuro, mas como retorno às fontes (passado), ato (presente) e possibilidade (tensão voltada ao futuro).
Estamos na aventura desconhecida. A insatisfação que faz recomeçar a itinerância jamais poderia ser saciada por esta. Devemos assumir a incerteza e a inquietude, devemos assumir o dasein, fato de estar aí sem saber por quê. Cada vez mais haverá fontes de angústia e cada vez mais haverá necessidade de participação, de fervor, de fraternidade, os únicos que sabem, não aniquilar, mas rechaçar a angústia. O amor é o antídoto, a réplica - não a resposta - à angústia. É a experiência fundamentalmente positiva do ser humano, em que a comunhão, a exaltação de si, do outro, são levadas ao seu melhor, quando não se alteraram pela possessividade. Será que não se poderia degelar a enorme quantidade de amor petrificado em religiões e abstrações, votá-lo não mais ao imortal, mas ao mortal?
 A boa-má nova
 Mas, mesmo assim, a perdição permanecerá inscrita em nosso destino.
Eis a má nova: estamos perdidos, irremediavelmente perdidos. Se há um evangelho, isto é, uma boa nova, esta deve partir da má: estamos perdidos mas temos um teto, uma casa no planeta onde a vida criou seu jardim, onde os humanos formaram seu lar, onde doravante a humanidade deve reconhecer sua casa comum.
Não é a Terra prometida, não é o paraíso terrestre. É nossa pátria, o lugar de nossa comunidade de destino de vida e morte terrestres. Devemos cultivar nosso jardim terrestre o que quer dizer civilizar a Terra. O evangelho dos homens perdidos e da Terra-Pátria nos diz: sejamos irmãos, não porque seremos salvos, mas porque estamos perdidos.(Na verdade, a idéia de salvação nascida da recusa da perdição trazia em si a consciência recalcada da perdição. Toda religião de vida após a morte trazia em si, recalcada, a consciência da irreparabilidade da morte.)
  Sejamos irmãos, para viver autenticamente nossa comunidade de destino de vida e morte terrestres. Sejamos irmãos, porque somos solidários uns dos outros na aventura desconhecida.
Como dizia Albert Cohen: “Que esta espantosa aventura dos humanos que chegam, riem, se mexem, depois subitamente param de se mexer, que esta catástrofe que os espera não nos faça ternos e compassivos uns para com aos outros, isto é inacreditável”.(O vous, frères humains, Paris, Gallimard, 1972.)
 Ela não é nova, a má nova: desde a emergência do espírito humano, houve tomada de consciência da perdição, mas essa tomada de consciência foi abafada pela crença na sobrevivência e pela esperança da salvação. Todavia, cada um é secretamente acompanhado pela idéia da perdição, cada um a carrega consigo em profundidades maiores ou menores. Ela não é nova, a boa nova: o evangelho dos homens perdidos regenera a mensagem de compaixão e comiseração pelo sofrimento do príncipe Sakyamuni e o sermão da montanha de Jesus de Nazaré, mas, no cerne da boa nova, não há nem salvação por salvaguarda/ressurreição do eu, nem libertação por desaparecimento do eu.
 O apelo da fraternidade
 O apelo da fraternidade não se encerra numa raça, numa classe, numa elite, numa nação. Procede daqueles que, onde estiverem, o ouvem dentro de si mesmos, e dirige-se a todos e a cada um. Em toda parte, em todas as classes, em todas as nações, há seres de “boa vontade” que veiculam essa mensagem. Talvez eles sejam mais numerosos entre os inquietos, os curiosos, os abertos, os temos, os mestiços, os bastardos e outros intermediários.
O apelo à fraternidade não deve apenas atravessar a viscosidade e a impermeabilidade da indiferença. Deve superar a inimizade. A existência de um inimigo mantém ao mesmo tempo nossa barbárie e a dele. O inimigo é produzido por cegueira às vezes unilateral, mas que se torna recíproca quando respondemos com uma inimizade que nos torna igualmente hostis. É verdade que os egocentrismos e os etnocentrismos, que suscitaram e não cessam de suscitar inimigos, são estruturas inalteráveis da individualidade e da subjetividade (E. Morin, La Méthodet. 2, La Vie de la Vie, op. cit, p. 164-173), mas, assim como essa estrutura comporta um princípio de exclusão no eu, ela comporta um princípio de inclusão num nós, e o problema chave da realização da humanidade é ampliar o nós, abraçar, na relação matri-patriótica terrestre, todo ego altere reconhecer nele um alter ego, isto é, um irmão humano.
Precisamos superar a repulsa diante do que não se conforma às nossas normas e aos nossos tabus, e superar a inimizade contra o estrangeiro, sobre o qual projetamos nossos temores do desconhecido e do estranho; isso requer um esforço recíproco que venha desse estrangeiro, mas é preciso que alguém comece...
Há o inimigo que matou, violou, torturou. Mas não podemos excluí-lo da espécie humana, e não podemos nos fechar à possibilidade do arrependimento. A concepção complexa da multipersonaÍidade nos ensina que há várias pessoas num único indivíduo, e que não podemos encerrar esse indivíduo em sua pessoa criminal. Definir um ser humano como criminoso, dizia Hegel, é suprimir-lhe todos os seus outros traços humanos que não são criminosos. Ninguém pode ser condenado para sempre. A magnanimidade, o arrependimento e o perdão nos indicam a possibilidade de deter o círculo vicioso da vendeta, da punição, da vingança - nossa contra o inimigo e do inimigo contra nós. Precisamos deter a máquina infernal permanente que fabrica sem parar e em toda parte crueldade com crueldade. Também aqui não esperemos resolver esses problemas de forma paradisíaca, mas saibamos lutar contra o horror uma vez que, como vimos, uma das finalidades planetárias profundas é a resistência contra a crueldade do mundo. (Sabemos também que a grande dificuldade é poder viver sem bode expiatório. O bode expiatório está profundamente ancorado não apenas em nossa animalidade, mas também em nossa humanidade, alimentado pelos tormentos, as preocupações e as angústias propriamente humanos).
 Habitar a Terra. Viver por viver.
 Somos habitantes da terra.
Citamos Hölderlin e completamos sua frase dizendo: prosaicamente e poeticamente, o homem habita a Terra. Prosaicamente (trabalhando, visando objetivos práticos, procurando sobreviver) e poeticamente (cantando, sonhando, gozando e amando, admirando), habitamos a Terra.
A vida humana é tecida de prosa e de poesia. A poesia não é apenas uma variedade de literatura, é também um modo de viver na participação, o amor, o fervor, a comunhão, a exaltação, o rito, a festa, a embriaguez, a dança, o canto, que efetivamente transfiguram a vida prosaica feita de tarefas práticas, utilitárias, técnicas. De resto, todo ser humano fala duas linguagens a partir de sua língua. A primeira denota, objetiviza, funda-se na lógica do terceiro excluído; a segunda fala antes através da conotação, isto é, o halo de significações contextuais que cerca cada palavra ou enunciado, joga com a analogia e a metáfora, tenta traduzir as emoções e os sentimentos, permite à alma exprimir-se. Do mesmo modo, há em nós dois estados freqüentemente separados, o estado primeiro ou prosaico, que corresponde às atividades racionais/empíricas, e o estado justamente dito “segundo”, que é o estado poético, mas também a música, a dança, a festa, a alegria, o amor, e que culmina em êxtase.
       É no estado poético que o estado segundo torna-se primeiro.
Fernando Pessoa dizia que em cada um de nós há dois seres: o primeiro, o verdadeiro, é o de seus devaneios, de seus sonhos, que nasce na infância e prossegue por toda a vida, e o segundo, o falso, é o de seus aparências, de seus discursos e de seus atos. Diremos de outro modo: dois seres coexistem dentro de nós, o do estado prosaico e o do estado poético; esses dois seres constituem nosso ser, são suas duas polaridades, necessárias uma à outra: se não houvesse prosa, não haveria poesia: o estado poético só se manifesta como tal em relação ao estado prosaico.
O estado prosaico nos coloca em situação utilitária e funcional e sua finalidade é utilitária e funcional.
O estado poético pode estar ligado a finalidades amorosas ou de fraternidade, mas é também em si mesmo seu próprio fim.
Os dois estados podem se opor, se justapor ou se misturar. Nas sociedades arcaicas, havia interações estreitas entre ambos: o trabalho cotidiano, a preparação da farinha no almofariz, por exemplo, era acompanhado de cantos e escandido por ritmos; os preparativos para a caça ou a guerra se faziam por ritos miméticos que comportavam cantos e danças. As civilizações tradicionais viviam da alternância entre as festas, momentos de suspensão dos tabus, de exaltação, de desperdício, de embriaguez, de consumo, e a vida cotidiana, submetida às coerções, votada à frugalidade e à parcimônia.
A civilização ocidental moderna separou prosa e poesia. Rarefez e em parte esvaziou as festas em proveito do lazer, noção-sacola que cada um preenche como puder. A vida de trabalho e a vida econômica foram invadidas pela prosa (lógica do ganho da rentabilidad,e etc.(Há evidentemente, na vontade de riqueza e de lucro, no exercício do comando de empresa, nos riscos do jogo da Bolsa, nas aventuras da estratégia, fontes de volúpia poética, da qual se valem capitalistas e empresários...); a poesia refugiou-se na vida privada, de lazer e de férias e teve seus desenvolvimentos próprios com os amores, os jogos, os esportes, os filmes e, evidentemente, a literatura e a poesia propriamente ditas.
(Houve duas revoltas históricas da poesia literária contra a vida prosaica, utilitária, burguesa. A primeira, no início do século XIX, foi o romantismo, especialmente em sua origem alemã. A segunda foi o surrealismo, que manifestou como o romantismo, mas de maneira mais explícita, ’a recusa da poesia de se deixar encerrar numa pura e simples expressão literária, e sobretudo a vontade de se encarnar na vida. O surrealismo quis levar adiante o empreendimento de desprosaização da vida cotidiana iniciado por Arthur Rimbaud, para revelar o maravilhoso no cotidiano aparentemente mais sórdido ou mais banal.)
 Hoje, neste fim de milênio, a hiperprosa se estendeu, com a invasão da lógica da máquina artificial em todos os setores da vida, a hipertrofia do mundo tecnoburocrático, o alastramento do tempo cronometrizado, sobrecarregado e estressado em deterimento do tempo natural de cada um. A traição e a derrocada da esperança poética do triunfo universal da fraternidade espalhou um grande lençol de prosa sobre o mundo. E, enquanto em toda parte, sobre as ruínas da promessa poética de mudar a vida, os retornos às fontes étnicos e religiosos se esforçam por regenerar as poesias da participação comunitária, a prosa do econocratismo e do tecnocratismo, que reduz a política à gestão, triunfa no mundo ocidental, certamente por algum tempo, mas o tempo deste presente. Ora, mesmo que a política não deva mais assumir o sonho de eliminar a prosa do mundo realizando a felicidade na Terra, ela não deve se encerrar no prosaico. Vale dizer que a política do homem não tem por objetivo apenas “a sociedade industrial evoluída”,“a sociedade pós-industrial” ou “o progresso técnico”. A política do desenvolvimento, no sentido em que a entendemos, e que comporta dentro dela a idéia de meta-desenvolvimento, requer a plena consciência das necessidades poéticas do ser humano.
Nessas condições, a invasão da hiperprosa requer uma contra-ofensiva poderosa de poesia, que por sua vez iria de par com o renascimento fraternitário e o aparecimento do evangelho da perdição.
Com efeito, a tomada de consciência da Terra-Pátria pode por si mesma nos colocar em estado poético. A relação com a terra é estética e, mais ainda, amorosa, às vezes extática. Como não vacilar de êxtase quando de repente uma enorme lua surge com assombro no horizonte da noite que nasce? Como não chegar quase a desfalecer ao contemplar o vôo das andorinhas? Serão apenas maravilhosas máquinas voadoras, gritam unicamente para se comunicar alguma informação? Não terão uma volúpia, uma embriaguez louca em dar viravoltas, mergulhar até o chão, subir de novo ao céu, roçar-se mutuamente sem jamais se tocar?
 É vão, repetimos, sonhar com um estado poético permanente que, de resto, se cansaria de si próprio ou se tornaria selvagem se fosse ininterrupto. Isso seria ressuscitar de outra forma as ilusões da salvação terrestre. Estamos condenados à complementaridade e à alternância poesia/prosa.
Temos necessidade vital de prosa, já que as atividades práticas prosaicas nos fazem sobreviver. Mas com freqüência, no reino animal, as atividades do sobreviver (buscar o alimento, a presa, defender-se contra os perigos, as agressões) devoram o viver, isto é, o gozar. Hoje, na Terra, os humanos passam grande parte de seu viver a sobreviver.
Precisamos trabalhar para que o estado segundo se torne primeiro. É preciso tentar viver não apenas para sobreviver, mas também para viver. Viver poeticamente é viver por viver.
 O evangelho da perdição
 O evangelho de fraternidade é para a ética o que a complexidade é para o pensamento: ele apela a não mais fracionar, separar, mas ligar, ele é intrinsecamente re-ligioso, no sentido literal do termo.
Religioso? Como não ficar embaraçado e incerto diante desta palavra? Ela está ligada a demasiados conteúdos divinos que lhe parecem consubstanciais, mesmo se a tomarmos em seu sentido mínimo: re-ligar.
De fato, a religião, no sentido ordinário do termo, se define em termos opostos aos do evangelho da perdição: uma fé em deuses ou num deus supremo, com cultos e ritos de veneração. A religião de salvação promete, além disso, uma vida gloriosa após a morte.
Na verdade, a religião com deus(es) é uma religião do primeiro tipo. A Europa moderna viu surgir religiões sem deuses que se ignoravam como tais e que podemos chamar religiões do segundo tipo. Assim, o Estado-nação extraiu dele mesmo sua própria religião. Depois, foi a esfera leiga, racional, científica que elaborou religiões terrestres. Robespierre quis uma religião da razão, Augusto Comte acreditou fundar uma religião da humanidade, Marx criou uma religião de salvação terrestre que se proclamou ciência. Pode-se mesmo pensar que o espírito republicano da França da Terceira República tinha algo de religioso, no sentido em que religava seus fiéis pela fé republicana e pela moral cívica. Malraux, ao anunciar que o século XXI seria religioso, não viu que o século XX era fanaticamente religioso, mas inconsciente da natureza religiosa de suas ideologias.
Assim, a palavra religião não pode mais se limitar às religiões com deuses. Mas, como recusamos considerar uma religião do segundo tipo (providencialismo e salvação), por que evocar a palavra religião?
Porque temos necessidade, para levar adiante a hominização e civilizar a Terra, de uma força comunicante e comungante.
É preciso um impulso, religioso neste sentido, para operar em nossos espíritos a reliance entre os humanos, que por sua vez estimule a vontade de ligar os problemas uns aos outros.
Pode-se considerar uma religião terrestre do terceiro tipo que seria uma religião da perdição?
Se o evangelho dos homens perdidos e da Terra-Pátria pudesse dar vida a uma religião, seria uma religião em ruptura tanto com as religião da salvação celeste quanto com as religiões da salvação terrestre, tanto com as religiões com deuses quanto com as ideologias que ignoram sua natureza religiosa. Mas seria uma religião capaz de compreender as outras religiões e de ajudá-las a reencontrar sua fonte. O evangelho da anti-salvação pode cooperar com o evangelho da salvação justamente na fraternidade que lhes é comum.
Essa religião, muitos de nós já a pré-vivemos, mas isoladamente, sem estarmos ainda re-ligados pela força comunicante e comungante.
         Essa religião comportaria uma missão racional: salvar o planeta, civilizar a Terra, realizar a unidade humana e salvaguardar sua diversidade. Uma religião que asseguraria, e não proibiria, o pleno emprego do pensamento racional. Uma religião que se encarregaria do pensamento leigo, problematizante e autocrítico oriundo da Renascença européia.
Seria uma religião no sentido mínimo do termo. Esse sentido mínimo não é redução ao racional. Ele contém algo de sobre-racional: participar daquilo que nos ultrapassa, abrir-se ao que Pascal chamava caridade e que podemos também chamar com-paixão. Compreende um sentimento místico e sagrado. Apela talvez a um ritual. Toda comunidade tem necessidade de comunhão. Nos ritos em que comungam os fiéis, estes sentem fortemente uma identidade que se liga a um sobre-racional e a um sobre-real, por eles chamado deus(es).
Seria uma religião sem deus, mas na qual a ausência de deus revelaria a onipresença do mistério.
Seria religião sem revelação (como o budismo), uma religião de (amor (como o cristianismo), de comiseração (como o budismo), na qual não haveria nem salvação por imortalidade! ressurreição do eu, nem libertação por desaparecimento do eu.
Seria uma religião das profundezas: a comunidade de sofrimento e de morte.
Seria uma religião sem verdade primeira, nem verdade final. Não sabemos por que o mundo é mundo, por que estamos no mundo, por que desapareceremos nele, não sabemos quem somos.
Seria uma religião sem providência, sem futuro radioso, mas que nos ligaria solidariamente uns aos outros na Aventura desconhecida.
Seria uma religião sem promessa mas com raízes: raízes em nossas culturas, raízes em nossa civilização, raízes na história planetária, raízes na espécie humana, raízes na vida, raízes nas estrelas que forjaram os átomos que nos constituem, raízes no cosmos onde apareceram as partículas que constituem nossos átomos.
Seria uma religião terrestre, não supraterrestre, e não mais de salvação terrestre. Mas seria uma de salvaguarda, de salvamento, de liberação de fraternidade.
Seria uma religião, como toda religião, com fé, mas, diferente das outras religiões que recalcam a dúvida pelo fanatismo, reconheceria em seu seio a dúvida e dialogaria com ela. Seria uma religião que assumiria a incerteza.
Seria uma religião aberta sobre o abismo.
 O reconhecimento da Terra-Pátria conflui com a religião dos mortais perdidos, ou melhor, desemboca nessa religião da perdição. Não há portanto salvação se a palavra significa escapar à perdição. Mas se salvação significa evitar o pior, encontrar o melhor possível, então nossa salvação pessoal está na consciência, no amor e na fraternidade, nossa salvação coletiva é evitar o desastre de uma morte prematura da humanidade e fazer da Terra perdida no cosmos, nosso “porto de salvação”.
  
MORIN, Edgar & KERN, Anne Brigitte. Terra-Pátria.P. Alegre, Sulina (3ª. Ed.), 2000. pg.171-182.

Dan