Espiritismo: Sobre o consumo de carne

Por: Vasco Fernandes Bueno Junior 

O consumo de carne é ou não censurado dentro das obras da codificação ou
qualquer outra obra espírita? O que podemos afirmar acerca desse assunto?.
Em primeiro lugar precisamos tomar cuidado ao afirmarmos algo a respeito
da doutrina para que não caiamos na leviandade. Como podemos afirmar
que determinado conteúdo não está nas obras que conhecemos?
Conhecemos bem, só para exemplificar, as obras básicas mais a Revista
Espírita, sem falar nas obras de André Luiz, Emmanuel, Eurípedes
Barsanulfo etc? Nossa memória é falha muitos vezes nos enganando, como
já disse Descartes: “Quanto a mim, nunca supus que meu espírito fosse em
nada mais perfeito do que os dos outros; com freqüência desejei ter o
pensamento tão rápido, ou a imaginação tão clara e diferente, ou a
memória tão abrangente ou tão pronta, quanto alguns outros.” 1;
não podemos portanto afirmar sem estudar e sim levantar uma bibliografia
que mostre-nos o caminho a seguir.
Bem, podemos afirmar que não conhecemos, e nem mesmo lemos, todas as
obras da doutrina espírita mas, como discutiremos a seguir, ela não censura
o consumo de carne ou de qualquer forma viva, antes sim orienta os casos
em que se abster de seu consumo é meritório. Como o próprio Paulo de
Tarso no Novo Testamento disse:
Coríntios I 6.12 Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas
convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar
por nenhuma delas." 2
O domínio da carne no nosso nível evolutivo ainda é grande, por isso não
podemos nos isolar mas podemos evitar que nos dominem.
A impressão que a carne é necessária deriva das nossas próprias
necessidades, que em determinado momento da nossa trajetória evolutiva
foi necessária para que nosso corpo material fosse formado. Para esclarecer
melhor esta questão nos reportamos ao artigo de Bernardino da Silva
Moreira, Espiritismo e Vegetarianismo. 3
Consumir ou não?
Em O Livro dos Espíritos questão 723 4, Kardec obtêm uma resposta dos
Espíritos que dizem ser a carne necessária devido à consistência do nosso
corpo físico o que, portanto, não condena o consumo de carne. No livro
Novas Mensagens de autoria do espírito Humberto de Campos – médium
Chico Xavier –, ele discorre sobre um plano onde o hábito alimentar é
extremamente sutil, em comparação ao nosso:
"Na atmosfera, ao longe, vagavam nuvens imensas, levemente azuladas,
que nos reclamaram a atenção, explicando-nos o mentor da caravana
fraterna que se tratava de espessas aglomerações de vapor d'água, criadas
por máquinas poderosas da ciência marciana, afim de que sejam supridas as
deficiências do líquido nas regiões mais pobres e mais afastadas do largo
sistema de canais, que ali coloca os grandes oceanos polares em contínua
comunicação, uns com os outros.
Tais providências, explica o espírito superior e benevolente, destinam-se a
proteger a vida dos reinos mais fracos da Natureza planetária, porque, em
Marte, o problema da alimentação essencial, através das forças
atmosféricas, já foi resolvido, sendo dispensável aos seus habitantes
felizes a ingestão das vísceras cadavéricas dos seus irmãosinferiores, como acontece na Terra, superlotada de frigoríficos e de
matadouros." 5
Continuando, em O Livro dos Espíritos, nas perguntas de 720 a 722 e 724 6
as respostas dos Espíritos se referem a responsabilidade e objetivo
meritórios para os quais a abstenção do consumo de carne se verificaria de
bom proveito, um deles se sabe é o caso dos médiuns passistas como
exposto em O Livro dos Fluidos, pelos espíritos Eurípedes Barsanulfo et al e
psicofonia de João Berbel, nas páginas 263 e 264:
"Nesse nosso estudo dos fluidos, e pensando nos fenômenos mediúnicos de
efeitos físicos, não haveria outro fator de fluido aí preponderante, mais
grosseiro e assim mais apto a agir do Além ao nosso plano denso?
Falemos sim de um terceiro agente influindo aí e que se forma também do
fluido cósmico universal. Trata-se de um fluido diferenciadamente mais
forte, mais pesado, mais condensado, que é o fluido ectoplásmico.
Ele é emanado através de uma descarga pesada.
Para elucidar sobre as características desse fluido, tomemos como
exemplo as pessoas que se alimentam de carne, que a têm como seu
principal cardápio. Seus fluidos são visivelmente pesados, porque
convivem no seu corpo com uma carga fluídica também pesada e
condensada.
Com tal peso fazendo parte de si própria, a criatura pode ela mesma
sentir-se muito mal. E se ela tocar sobre outra criatura, esta também
[poderá] sentir-se-á mal.
Atente-se então para isso quando se for participar de sessões de
transmissão de passes. Não se deve de maneira alguma alimentar da
carne, porque dela emanam tais fluidos pesados, condensados, e as
criaturas que recorrem ao passe de seu portador contraem esse
peso e poderão sentir-se mal. O passista carnívoro estará passando
fluidos perniciosos a quem recebe o passe.
Já o fluido magnético simples, o fluido cósmico universal, é um fluido
benéfico do qual podemos valer-nos em qualquer circunstância da vida para
atender uma criatura necessitada. Sobrecarregando dele uma pessoa, ao
nela tocar, imediatamente pode-se movimentar esse fluido positivo e, com
esse descarga fluido-magnética formada pelo que se denomina passe, podese curá-la." 7
Outras advertências de mesmo teor são feitas no mesmo livro na página
438, parágrafos 1 e 4. 8
Ainda em O Livro dos Fluidos nas páginas 267 e 268 temos explicação sobre
o mau uso feito dos fluidos pesados que emanam das pessoas que se
alimentam em excesso ou tem a carne como principal alimento do cardápio:
"Então entendamos que o fluido ectoplásmico não é essencialmente maléfico
por se qualificá-lo pesado. É-o porquê é uma matéria mais pesada em
relação a um outro fluido.
No ser humano esse fluido pode ser causa de uma enfermidade. Através
dele é que os obsessores plasmam os ovóides, além de tantas outras
moléstias que lançam no corpo humano.
Exatamente por ser uma matéria grosseira, modelável pelos espíritos
inferiores, estes o utilizam demais para gerar enfermidades nas criaturas.
Quando aí no plano físico as pessoas alimentam-se em excesso,
quando alimentam-se de carne, do sangue, tais espíritos
inferiorizados, dos quais temos em profusão nessa nossa psicosfera
terrestre, lançam mão dos pensamentos e do próprio ectoplasma
dessas criaturas para agir maleficamente. São espíritos de grande
inferioridade, espíritos vampiros que se alimentam e agem com tais fluidos.
Vampiros, sim, que se comprazem em alimentar desses pesados fluidos e
corporificá-los, plasmá-los, lançá-los às criaturas que estejam à volta de sua
fonte de origem.Tal a razão porque onde há matadouros depara-se com quantidades desses
espíritos inferiores vampirizando as vacas e outros animais que são abatidos
nesses locais, para se alimentarem ou, melhor dito, adquirirem a matéria
bruta que ali se encontra em profusão. Dali plasmam-na e transferem o
produto da vampirização a outras criaturas, que desconhecem o processo
quando se repastam dos restos animais.
Tantas vezes esses infelizes obsessores sugam esses fluidos, adquiridos
assim nesse repasto bestial, e usam essa força e esse processamento para
levá-los até uma criatura que acha-se enferma sobre um leito de dor. Com
esse expediente estão lançando ali um micróbio, um verme transposto de
um naco de carne que às vezes já está em estado de putrefação.
Sim, é dali, daquele pesado fluido ectoplásmico que os obsessores retiram a
força plasmadora que permite levar vermes a um acamado, como se fosse
um ovóide.
Reconheçamos, então, de modo significativo: tanta e tanta doença é
proveniente, é extraída do ectoplasma." 9 Nota: conforme os livros de André
Luiz, este último parágrafo não pode ser entendido com sendo que a doença
é extraída do ectoplasma, pois ele mesmo não é a fonte da doença, e sim
que o ectoplasma é usado para plasmar ovóides que facilitarão a instalação
de uma doença ou a deixarão mais grave. Em O Livro dos Fluidos temos um
detalhamento maior acerca dos ovóides e a diferença entre esses e os
espíritos-ovóides nas páginas de 326 a 330. 10
Então o que devemos fazer? comer ou não comer carne? No versículo
seguinte ao que iniciamos o artigo temos um pensamento que parece se
encaixar bem:
"Coríntios I 6.13 Os alimentos são para o estômago e o estômago para os
alimentos; Deus, porém aniquilará, tanto um como os outros. Mas o corpo
não é para a prostituição, mas para o Senhor, e o Senhor para o corpo.” 11
Temos aqui que o corpo não mais existirá ou seja, morre o corpo de carne e
vamos para o plano espiritual não mais havendo necessidade de alimentos
sólidos ou materiais.
Temos mais informações nos livros da série André Luiz. No primeiro livro,
Nosso Lar, páginas 27, 28, 61 e 63 12, o próprio André nos diz que se
alimenta de sopas e líquidos na cidade espiritual e nenhum alimento sólido.
Mas André Luiz trata da questão do consumo de carne? Continuando pela
sua obra em Missionários da Luz, páginas 50 a 51 13, encontramos
descrição acerca dos fluidos pesados que exalam das vísceras e do sangue
dos animais mortos e que ficam neles impregnados. Para fixar a idéia e
ampliar nosso entendimento temos as questões de 367 a 370A 14 em O
Livro dos Espíritos que discorre sobre a influência do organismo no
discernimento do Espírito encarnado o que confirma a influência do que
consumimos sobre nosso organismo e consequentemente sobre o livre
exercício de nossas faculdades como Espírito.
Temos uma comunicação do Irmão X – médium Chico Xavier –, de nome
Treino Para A Morte, do livro Cartas e Crônicas, págs 21 à 24:
"Em razão disso, não posso reportar-me senão ao meu próprio ponto de
vista, com as deficiências do selvagem surpreendido junto à coroa da
Civilização.
Preliminarmente, admito deva referir-me aos nossos antigos maus hábitos.
A cristalização deles, aqui, é uma praga tiranizante.
Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua
gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais. O cemitério
na barriga é um tormento, depois da grande transição. O lombo de
porco ou o bife de vitela, temperados com sal e pimenta, não nos
situam muito longe dos nossos antepassados, os tamoios e os
ciapós, que se devoravam uns aos outros." 15Agora vejamos o que nos dizem os Espíritos em O Livro dos Espíritos:
“710. Nos mundos superiores, têm os seres vivos necessidade de alimentarse?
Têm, mas seus alimentos estão em relação com a sua natureza. Tais
alimentos não seriam bastante substanciosos para os vossos estômagos
grosseiros; assim como os deles não poderiam digerir os vossos alimentos.”
16
Citando a comunicação do espírito Humberto de Campos sobre Marte, temos
que atentar para em O Livro dos Espíritos questão 637 17, Kardec trata da
culpabilidade da pessoa que come carne humana. Vemos que a resposta dos
Espíritos se refere ao nível de conhecimento que tem a pessoa que pratica
tais atos o que vale não somente para carne humana mas também para
carne animal e alimentação vegetal. Então seria lícito alimentarmo-nos de
carne de um animal que matamos ou mesmo de um fruto que colhemos?
Somos tanto mais culpados quanto mais compreendemos infringir uma lei
quando matamos um ser vivo para nos alimentar. Quanto à designação “ser
vivo”, queremos lembrar que tudo que o ser humano usa para se alimentar
é vivo, não só do reino animal, mas também do reino vegetal; portanto
estamos sujeitos às leis de Deus no que se refere ao abuso e não ao uso
sadio que possamos fazer dos nossos irmãos inferiores, sejam eles do reino
animal ou vegetal.
Atentemos também que não devemos condenar alguém pelo simples fato
dele comer ou não carne, isso não nos torna melhores ou piores que
ninguém. Para ilustrar a questão, há uma suposição de que o ditador Adolf
Hitler era vegetariano 18 no entanto Chico Xavier tinha a carne em seu
cardápio. Para compreender melhor o que queremos dizer, transcrevemos
abaixo a assertiva de Jesus:
“Mateus 15.11 Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o
que sai da boca, isso é o que o contamina.
(...)
Mateus 15.17 Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce pelo
ventre, e é lançado fora?
Mateus 15.18 Mas o que sai da boca procede do coração; e é isso o que
contamina o homem.
Mateus 15.19 Porque do coração procedem os maus pensamentos,
homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e
blasfêmias.” 19
Abstinência do consumo de carne
Quanto a abstinência do consumo de carne podemos citar que João Batista
se alimentava de mel silvestre e gafanhotos como está na Bíblia, Novo
Testamento:
"Marcos 1.6 Ora, João usava uma veste de pêlos de camelo, e um cinto de
couro em torno de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre." 20
Francisco de Assis alimentava-se de frutos desde que saiu de casa, ver
Francisco de Assis. Também temos a informação que Emmanuel restringiu a
dieta de Chico Xavier a pouca carne, somente de certos tipos e com
reduzida freqüência só que infelizmente não temos bibliografia a esse
respeito.
Temos mais informações que transcrevemos abaixo:
(...)"Outro autor espiritual - Emmanuel -, no livro O Consolador – psicografia
de Chico Xavier – também tece comentários com essa linha de pensamento,
na questão 129:
‘129 – É um erro alimentar-se o homem com a carne dos irracionais?
- A ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes conseqüências,
do qual derivaram numerosos vícios da nutrição humana. É de lastimarsemelhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da
criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esse valores
nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem a
necessidade absoluta dos matadouros e frigoríficos. Temos a considerar,
porém, a máquina econômica do interesse e da harmonia coletiva, na qual
tantos operários fabricam o seu pão cotidiano. Suas peças não podem ser
destruídas de um dia para o outro, sem perigos graves. Consolemo-nos com
a visão do porvir, sendo justo trabalharmos, dedicadamente, pelo advento
dos tempos novos em que os homens terrestres poderão dispensar da
alimentação os despojos sangrentos de seus irmãos inferiores.’
Outro aspecto interessante a considerar é aquele relativo ao trabalho
realizado pelos médiuns no Centro Espírita, que requer uma disciplina no
tocante ao consumo de carne, especialmente carne vermelha e suína: nos
dias em que o médium vai atuar, dando passe ou numa reunião de
desobsessão, é solicitado que não faça uso desse tipo de alimentação, bem
como de temperos fortes, para que forneça melhores condições de uso de
seus fluidos pelos trabalhadores do mundo espiritual. O mesmo conselho é
dado a quem esteja fazendo um tratamento espiritual no Centro Espírita,
recebendo passes de cura: para que possa receber os fluidos que lhe são
doados, com maior eficácia, convém não ingerir carne no dia do tratamento.
A esse respeito buscamos no Portal do Espírito (www.espirito.org.br) o
seguinte texto em artigo de Eugênio Lysei Junior:
‘32. A ingestão de carne influencia na tarefa do passe?
Sim. Embora o passista não deva ser obrigatoriamente vegetariano,
encarando o passe como recurso terapêutico físico e espiritual, geralmente
utilizado quando apresentamos indisposições de variada ordem, é útil
abstermo-nos de alimentos mais pesados, tal qual fazemos quando em
tratamentos médicos convencionais. A alimentação do passista afeta os
fluidos que este doará no momento do passe. Conforme aprendemos na
questão 724 de O Livro dos Espíritos, a abstinência de carne será meritória
se a praticarmos em benefício dos outros. Tendo em mente o benefício do
próximo, compre-nos preferir a alimentação vegetariana pelo menos no dia
exato da tarefa.’
Finalmente, gostaríamos de observar que qualquer mudança de hábito
alimentar deve ter um acompanhamento médico, digo dos médicos da Terra,
para que seja uma mudança efetivamente saudável, sem danos para o
organismo."(...) 21
Bernardino da Silva Moreira trata do assunto da eliminação do consumo de
carne no artigo Espiritismo e Vegetarianismo 22 em que trata dos problemas
resultantes de tal abstinência.
Conclusão
Queremos enfatizar que, como regra geral, para recebermos de forma
segura e completa a ajuda dos planos superiores, necessitamos estar o mais
receptivos possível; para isso devemos evitar ao máximo a influência da
matéria como indicado em O Livro dos Espíritos questão 846 23, que se
relaciona aos atos da vida e a influência do organismo.
O consumo de carne não é censurado nas obras espíritas mas sempre
recomendado como ideal a não dela se fazer uso – sobretudo abusivo –
pelos motivos expostos. Ressaltamos, no entanto, que não só no que se
refere ao consumo de carne mas em qualquer ato da vida temos liberdade
para decidir o que fazer ou não, fica a cargo de cada um a escolha do
caminho a seguir, nunca se esquecendo das suas conseqüências.
Queremos também ressaltar que pode não ser saudável (pelo contrário,
pode até mesmo ser muito perigoso) o interrompimento brusco do consumo
de carne. Colocando como ideal, seria muito saudável se conseguíssemoseliminar o consumo da carne em nossa alimentação mas, se não
conseguirmos, pelo menos evitando os excessos de consumo já teremos
dado um grande e importante passo para melhorar nosso equilíbrio
orgânico.
Vale lembrar que toda dieta deve ser acompanhada por um nutricionista
para que a ausência das substâncias contidas na carne não venham a causar
desequilíbrios no organismo tal como a anemia.
Dentro do exposto acima, chamamos a atenção para o cuidado que devemos
ter para não cair em atitudes hipócritas, agarrando-nos ao vegetarianismo
como se esse fosse uma tábua de salvação em detrimento dos valores mais
urgentes do espírito, quais sejam o desenvolvimento do amor, da renúncia,
da caridade, da abnegação, que devemos ter como temas centrais para
nossa própria felicidade.
A reforma íntima urge, e se dela nos ocuparmos com sincero esforço de
crescer e evoluir, certamente repensaremos velhos hábitos, dentre os quais,
a dieta nossa de cada dia.
(*) Vasco é estudante do curso Básico II, da Terça-Feira à noite, no GEMB.
Colaborou: Hamilton José Orlando de Paula
Apêndices
1. Reproduzimos o artigo em
http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo110.html:
Artigo: Espiritismo e Vegetarianismo
Autor: Bernardino da Silva Moreira
Segundo diversos estudiosos do assunto, os seres humanos evoluíram como
carnívoros, daí considerarem que temos o direito de viver, segundo nossas
predisposições dietéticas naturais. Não há como negar, a humanidade está adaptada
a uma dieta que tem como principal elemento a carne e não a uma dieta
predominantemente vegetal. As provas são gritantes e como exemplo podemos citar,
as populações de camponeses carentes que não dispõem de carne em abundância.
Ora, sabemos que as populações forçadas a se alimentarem com uma dieta pobre
em proteínas, mas com alto teor de carboidratos por muito tempo, acabam
lamentavelmente sofrendo de problemas vários, tais: cirrose hepática, pelagra,
beribéri, kwashior-kor (doença tropical que atinge crianças, causada por insuficiência
de proteínas na alimentação. Esta é a denominação nativa em Gana) e outras mais
causadas pela deficiência de proteínas.
Um dos casos mais famosos na história do vegetarianismo, foi o de George Bernard
Shaw que é citado como exemplo, devido sua vida ativa até aos noventa anos com
sua dieta especial. Mas isso é apenas um lado da história, o que muitos não sabem é
que uma anemia grave causada por seu vegetarianismo quase o matou em certo
período, e ele só foi salvo por aceitar receber uma medicação à base de extrato de
fígado. Isso na época causou um alvoroço, devido aos líderes do movimento
vegetariano que irados, não pouparam o dramaturgo idoso dos ataques virulentos
por ter desrespeitado os princípios do vegetarianismo, esquecidos ou pouco se
importando com a sobrevivência de Shaw.
Consultando os Espíritos superiores sobre o tema em pauta, Kardec pergunta na
questão 723:
“A alimentação animal é, com relação ao homem, contrária à lei da Natureza?
- Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem
perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas
forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar
conforme o reclame a sua organização.”
Se a lei natural é lei de Deus e a lei de conservação também, tentar mudar o código
divino, seria o mesmo que caminharmos para o abismo por vontade própria, o queseria, sem dúvida nenhuma, suicídio. Outro ponto importante, para cumprirmos com
a lei de trabalho, não podemos fugir da responsabilidade de mantermos o vigor
físico, que dependerá da alimentação em conformidade com a nossa organização.
“Para aqueles que não estudaram o problema isso pode ser difícil de entender.
Legumes são mais baratos do que carne, mas o problema é equilibrar o consumo de
legumes a fim de produzir, através da habilidade humana, o equilíbrio de
aminoácidos tão simplesmente oferecidos por qualquer pedaço de carne. Diferentes
vegetais possuem diferentes aminoácidos essenciais, mas não na combinação certa:
sem a combinação perfeita de todos os oito, nenhum deles produz o efeito
necessário no aparelho digestivo humano. Isso significa que, a fim de produzir uma
refeição vegetariana saudável, é necessário atingir um equilíbrio sutil baseado em
conhecimentos bioquímicos, empregando a mistura certa de elementos botânicos.
Isso demanda paciência e habilidade e explica porque, nas comunidades camponesas
ignorantes, uma dieta, a inevitável dieta vegetal causa tantas doenças sérias. No
estado atual das coisas, uma dieta vegetariana equilibrada é essencialmente um
fenômeno de classe média alta. Em contrapartida, uma dieta vegetariana adotada de
maneira imperfeita pelo povo continua sendo mortífera”.
Essas são as palavras do zoologista e especialista em comportamento humano,
Desmond Morris, registradas no livro “O Contrato Animal”.
Vamos agora analisar o outro lado da questão, fazendo coro com Kardec, na
pergunta 724 e ouvirmos o que têm a dizer os Espíritos superiores:
“Será meritório abster-se o homem da alimentação animal, ou de outra qualquer,
por expiação?
- Sim, se praticar essa privação em benefício dos outros. Aos olhos de Deus, porém,
só há mortificação, havendo privação séria e útil. Por isso é que qualificamos de
hipócritas os que apenas aparentemente se privam de alguma coisa.”
São raríssimas as pessoas que se privam de alguma coisa em benefício do próximo.
As razões de certas pessoas não comerem carne, não são realmente convincentes;
as justificativas de muitos têm base em filosofias espiritualistas e também na opinião
de alguns Espíritos afobados, que respondem a tudo sem se importarem com a
verdade. A carne não é fraca; a Ciência já provou isso. Por não comer carne, não
iremos ficar mais espiritualizados. A materialidade do Espírito é conseqüente com o
seu grau de evolução.
Conheci algumas pessoas que ao lerem sobre a vida de Francisco de Assis, deixaram
de comer carne como se isso fosse deixá-las mais espiritualizadas. O interessante é
que a moralidade, o amor ao próximo que era praticado pelo grande missionário de
Assis é colocado em plano secundário ou, o que é pior, imediatamente esquecido.
Os fariseus também não comiam a carne de porco e outros animais, que segundo
eles eram impuras; também vestiam-se de branco e lavavam as mãos, mas não
lavavam a alma. Eram sepulcros caiados por fora e por dentro eram cheios de
podridão.
Voltando ao mestre Kardec, iremos à questão 722:
“Será racional a abstenção de certos alimentos, prescrita a diversos povos?
- Permitido é ao homem alimentar-se de tudo o que não lhe prejudique a saúde.
Alguns legisladores, porém, com um fim útil, entenderam de interdizer o uso de
certos alimentos e, para maior autoridade às suas leis, apresentaram-nas como
emanadas de Deus.” (...)



Bibliografia
(Topo)
· 1 Descartes, R. Discurso do Método. São Paulo: Nova Cultural, 1999. 35 p.
· 2 Tarso, P. Coríntios 1. In: Bíblia. Tradução João Ferreira de Almeida. [S.l.:s.n,
1676-]. 6.12 vv.
· 3 Moreira, B. S. Espiritismo e Vegetarianismo. Terra Espiritual, [S.l]. Seção
Artigos. Disponível em:
http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo110.html. Acesso em:
05 abr 2005. Ver Apêndice 1.
· 4 Kardec, A. O Livro dos Espíritos. 76. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira,
1995. 723 q.· 5 Campos, H. Novas Mensagens. Psicografia Francisco Cândido Xavier. 5. ed. Rio
de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, [19--]. p. 57-58.
· 6 Kardec, A. O Livro dos Espíritos. 76. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira,
1995. q. 720-722, 724.
· 7 Barsanulfo, E.; Alonso I.; Alcântara M. O Livro dos Fluidos. Psicofonia João
Berbel. São Paulo: DPL, 1999. p. 263-264.
· 8 Barsanulfo, E.; Alonso I.; Alcântara M. O Livro dos Fluidos. Psicofonia João
Berbel. São Paulo: DPL, 1999. 438 p.
· 9 Barsanulfo, E.; Alonso I.; Alcântara M. O Livro dos Fluidos. Psicofonia João
Berbel. São Paulo: DPL, 1999. p. 267-268.
· 10 Barsanulfo, E.; Alonso I.; Alcântara M. O Livro dos Fluidos. Psicofonia João
Berbel. São Paulo: DPL, 1999. p. 226-330.
· 11 Tarso, P. Coríntios 1. In: Bíblia. Tradução João Ferreira de Almeida. [S.l.:s.n,

· 12 Luiz, A. Nosso Lar. Psicografia Francisco Cândido Xavier. 45. ed. Brasília:
Federação Espírita Brasileira, 1996. p. 27-28, 63-64.
· 13 Luiz, A. Missionários da Luz. Psicografia Francisco Cândido Xavier. 39. ed.
Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2004. p. 50-51.
· 14 Kardec, A. O Livro dos Espíritos. 76. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira,
1995. q. 367-370A.
· 15 Irmão X. Cartas e Crônicas. Psicografia Francisco Cândido Xavier. 7. ed.
Brasília: Federação Espírita Brasileira, 1966. p. 21-24.
· 16 Kardec, A. O Livro dos Espíritos. 76. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira,
1995. 710 q.
· 17 Kardec, A. O Livro dos Espíritos. 76. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira,
1995. 637 q.
· 18 Moreira, B. S. O Mito de que Hittler era vegetariano. Tradução Fernando
Mendes. Sítio Vegetariano, [S.l]. Seção Vegetarianos Famosos Disponível em:
http://www.vegetarianismo.com.br/artigos/hitler.html. Acesso em: 05 abr 2005.
· 19 Mateus. Mateus. In: Bíblia. Tradução João Ferreira de Almeida. [S.l.:s.n,
1676-]. vv. 15.11,15.17-19.
· 20 Marcos. Marcos. In: Bíblia. Tradução João Ferreira de Almeida. [S.l.:s.n,
1676-]. 1.6 vv.
· 21 PERGUNTAS MAIS FREQUENTES. IRC Espiritismo, [S.l]. Seção Perguntas
respondidas: Alimentação Disponível em: http://www.ircespiritismo.org.br/irc_resp_alimentacao.html#1 Acesso em: 05 abr 2005
· 22 Moreira, B. S. Espiritismo e Vegetarianismo. Terra Espiritual, [S.l]. Seção
Artigos. Disponível em:
http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo110.html. Acesso em:
05 abr 2005. Ver Apêndice 1.
· 23 Kardec, A. O Livro dos Espíritos. 76. ed. Brasília: Federação Espírita Brasileira,
1995. 846 q.