Tudo Passa









Todas as coisas, na Terra,
passam...
Os dias de dificuldades,
passarão...
Passarão também
os dias de amargura
e solidão...
As dores e as lágrimas
passarão.
As frustrações
que nos fazem chorar...
um dia passarão.
A saudade do ser querido
que está longe, passará.

Dias de tristeza... 
Dias de felicidade... 
São lições necessárias que,
na Terra, passam,
deixando no espírito imortal
as experiências acumuladas.

Se hoje, para nós,
é um desses dias
repletos de amargura,
paremos um instante.

Elevemos
o pensamento ao Alto,
e busquemos a voz suave
da Mãe amorosa
a nos dizer carinhosamente:
isso também passará...

E guardemos a certeza,
pelas próprias dificuldades
já superadas,
que não há mal
que dure para sempre.

O planeta Terra,
semelhante
a enorme embarcação,
às vezes parece
que vai soçobrar
diante das turbulências
de gigantescas ondas.

Mas isso também passará,
porque Jesus está
no leme dessa Nau,
e segue com o olhar sereno 
de quem guarda a certeza
de que a agitação
faz parte do roteiro
evolutivo da humanidade,
e que um dia também passará...

Ele sabe que a Terra
chegará a porto seguro,
porque essa é a sua destinação.

Assim, 
façamos a nossa parte
o melhor que pudermos,
sem esmorecimento,
e confiemos em Deus, 
aproveitando cada segundo, 
cada minuto que, por certo...
também passarão..."

" Tudo passa..........exceto DEUS!"
Deus é o suficiente!

Chico Xavier - Emmanuel

Escolhos da Mediunidade

“De muitas dificuldades se mostra inçada a prática do Espiritismo  e nem sempre isenta de inconvenientes a que só um estudo sério    e completo pode obviar.”   Allan Kardec (LM –Introd.)

           
Escolhos, segundo o dicionário Aurélio: Rochedo à flor da água. Recife. Dificuldade, obstáculo. Perigo, risco.

            No capítulo XVIII de O Livro dos Médiuns, o Codificador expõe os perigos e inconvenientes da mediunidade e em vários outros pontos da obra adverte quanto aos escolhos, isto é, aos riscos e dificuldades que podem surgir na prática mediúnica. Entretanto, são poucos os que atentam para os cuidados necessários a esse exercício, seja porque imaginam que tais riscos não existem e que não é difícil manter o intercâmbio com o plano espiritual já que os espíritos se comunicam espontaneamente, seja porque não dão valor ao estudo, preferindo deixar para os “guias” a tarefa de orientá-los.
            Esse tipo de pensamento e de conduta tem ocasionado sérios problemas, especialmente aos médiuns e integrantes de grupos mediúnicos e acabam por influir negativamente no próprio Movimento Espírita, visto que disseminam a confusão, favorecem ao surgimento de movimentos paralelos, de práticas estranhas, tudo isto expressando a ausência de estudo, e até mesmo de uma leitura distorcida dos ensinamentos doutrinários, na qual se mesclam o personalismo, a vaidade, a precipitação.
            Vejamos como Allan Kardec destaca os escolhos da mediunidade:

1 – Inconvenientes e perigos
No capítulo mencionado acima, o Codificador registra os riscos de se tentar o exercício da faculdade mediúnica em pessoas com algum tipo de transtorno mental e nas crianças.
            Assinala, logo de início, que a faculdade mediúnica não é uma patologia mental, mas que pode ser considerada um estado anômalo, isto é, anormal (aqui com o sentido de fora do padrão normal do cérebro), pois que o médium entra em transe. Portanto, a prática da mediunidade para aqueles que apresentem distúrbios mentais seria uma sobrecarga psíquica que agravaria as limitações já existentes.
            Em relação às crianças, mesmo que a faculdade se apresente espontaneamente, deve-se evitar o seu exercício, pois como é óbvio, elas não têm condições de entender as responsabilidades inerentes ao intercâmbio com os espíritos.

            2 – A obsessão
Kardec afirma, no capítulo XXIII de O Livro dos Médiuns, ser a obsessão o maior risco ou dificuldade que os médiuns enfrentam na prática mediúnica e também um dos mais freqüentes. (it.242)
            Em razão do estágio evolutivo da Humanidade, pode-se dizer que, em âmbito geral, todos somos ainda vulneráveis às influências negativas, que podem levar o indivíduo a condutas viciosas e à permanência em patamar mental e espiritual inferior, até que se conscientize da necessidade de sua transformação moral.
            O Codificador esclarece que, diante do perigo da obsessão ocorre o questionamento se não é lastimável o ser-se médium (244) como também o inconveniente das comunicações dos espíritos. Argumenta, então, que os espíritos não são uma criação dos médiuns ou dos espíritas e que estes não provocam a manifestação daqueles. Ocorre exatamente o contrário. Assim, a influência que exercem na vida dos encarnados é constante, conforme registra a questão 459 de O Livro dos Espíritos.
            Segundo a regra geral, ressaltada por Kardec, o médium que receba más comunicações psicográficas ou psicofônicas, está sob a influência de  espíritos inferiores. Ele apresenta várias advertências: a) quanto ao cuidado em querer publicar tudo o que o médium recebe, sendo necessária uma análise rigorosa do teor das mensagens, para evitar-se dar a público idéias excêntricas, utopias, etc.; b) refere-se ao médium que se melindra diante de alguma crítica feita às comunicações que recebe, pois nesse caso é bem nítida a influência de espírito fascinador; c) enfatiza que “toda comunicação dada por um médium obsidiado é de origem suspeita e nenhuma confiança merece”.
            3 – Contradições

            Capítulo XXVII de O Livro dos Médiuns.
            Sendo as comunicações mediúnicas provindas de espíritos de diferentes categorias, é natural que se observe diferentes opiniões e pensamentos, tal como ocorre entre os encarnados.
            Allan Kardec esclarece que as comunicações podem trazer o cunho da ignorância ou do saber, da inferioridade ou da superioridade moral
            É importante citar que os espíritos superiores jamais se contradizem. Entretanto suas mensagens são apropriadas a cada época e cada lugar.
            Cabe aos verdadeiros espíritas aprofundar os conhecimentos para que possam distinguir o joio do trigo. A questão da forma é secundária, o essencial é que as idéias e os princípios que apresentem estejam fundamentados na Doutrina Espírita.
           
 4 – Mistificações
            As comunicações de espíritos mistificadores são consideradas por Kardec como os escolhos mais desagradáveis da prática mediúnica.
            Nenhum médium está livre de ser enganado por algum espírito mal-intencionado, visto que não existe médium perfeito. O que vale dizer que há premente necessidade de estudo, vigilância, conduta moral elevada, a fim de que o médium possa perceber e identificar cada vez com mais acuidade os espíritos que dele se aproximam e que desejem comunicar-se por seu intermédio.
            Kardec aconselha: “Estudai, comparai, aprofundai.”
            A par disso, é primordial a constante busca de aperfeiçoamento moral do medianeiro, para que possa merecer a presença dos bons espíritos no desempenho de seu trabalho.
            O instrutor espiritual Alexandre, no cap. IX do livro “Missionários da Luz”, leciona:
            “Se aspirais ao desenvolvimento superior, abandonai os planos inferiores. Se pretendeis o intercâmbio com os sábios, crescei no conhecimento, valorizai as experiências, intensificai as luzes do raciocínio! (...) Se desejais a presença dos bons, tornai-vos bondosos por vossa vez!”

            5 – Animismo
            Importantes esclarecimentos quanto ao animismo são registrados por Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, cap. XIX, it.223 – 2ª q. até a 7ª.
            Este é um tema muito debatido entre os que se interessam pelo estudo da mediunidade e por aqueles que a estão praticando. O animismo pode ser considerado também uma dificuldade que os médiuns enfrentam e nem sempre estes e os integrantes de grupos mediúnicos identificam quando ocorre.
            Assim, a alma do médium, em certas circunstâncias, pode comunicar-se sem que ele tenha consciência do fato. Essa possibilidade é usada como argumento por aqueles que não  admitem a idéia da manifestação dos espíritos, tudo atribuindo ao inconsciente dos médiuns.
            Em todos os aspectos sobressai a recomendação do Codificador quando diz, enfaticamente, que devemos estudar, comparar e aprofundar as diretrizes espíritas.
            Joanna de Ângelis, por sua vez, aconselha: “Estuda e estuda-te”. (In Celeiro de Bênçãos)O que vale dizer, estuda – a Doutrina Espírita; estuda-te – a ti mesmo. É primordial que o médium se auto-analise para conhecer o teor dos próprios pensamentos e distinguir aqueles que lhe são peculiares e os que provêm dos espíritos comunicantes.
            Importa lembrar que toda comunicação leva o colorido anímico do médium, ou seja, suas características de personalidade, de seu acervo pessoal, sem que seja animismo propriamente dito. O médium é o intérprete do pensamento do espírito e irá revestir esse pensamento com suas características pessoais, o seu modo de ser, de se expressar.
           

5 – Outros escolhos

            Podemos ainda citar como dificuldades e que são também riscos na prática mediúnica, a vaidade, o orgulho, o egoísmo, o personalismo e outros tantos defeitos que ainda preponderam na alma humana.
            O espírito Joana d’Arc, em mensagem constante do cap. XXXI de O Livro dos Médiuns, it. XII, adverte:
             “A faculdade de que gozam os médiuns lhes granjeiam os elogios dos homens. As felicitações, as adulações, eis, para eles o escolho. Rápido esquecem a anterior incapacidade que lhes devia estar sempre presente à lembrança. Fazem mais: o que só devem a Deus atribuem-no a seus próprios méritos. Que acontece então? Os bons Espíritos os abandonam, eles se tornam joguete dos maus e ficam sem bússola para se guiarem. Quanto mais capazes se tornam, mais impelidos são a se atribuírem um mérito que lhes não pertence, até que Deus os puna, afinal, retirando-lhes uma faculdade que, desde então, somente fatal lhes pode ser.
            Nunca me cansarei de recomendar-vos que vos confieis ao vosso anjo guardião, para que vos ajude a estar sempre em guarda contra o vosso mais cruel inimigo, que é o orgulho.”
           

 Suely Caldas Shubert

Suely Schubert é médium, autora de dezenas de livros e produtos audiovisuais, conferencista renomada, com exposições em todo o Brasil e no exterior.
Fundadora e dirigente da Sociedade Espírita Joanna de Ângelis, em Juiz de Fora, MG, desde a juventude dedica-se às lides espíritas.
Grande estudiosa e pesquisadora, apresenta com singular propriedade temas da mais alta significação: mediunidade, mente, obsessão, psiquismo, fenômenos espíritas, comportamento, evangelho e outros mais.
Resultado de sua persistente e dedicada busca da compreensão dos desafios existenciais, Suely adquiriu o precioso e amplo conhecimento que compartilha com seus companheiros de jornada, para que todos possam alcançar de forma mais segura a plenitude.


Seja feliz hoje


Hoje é o melhor dia para ser feliz. Não projete a felicidade para o amanhã, pois se você não for feliz hoje é quase certo que não será também amanhã.
Felicidade não é um acontecimento, mas um estado de espírito. Se você não for feliz no seu mundo íntimo, nada do mundo externo será capaz de lhe propicionar felicidade.
As pessoas verdadeiramente felizes são otimistas, gratas, alegres, dinâmicas, toleram as suas e as imperfeições dos outros, amam a vida e sente-se mais felizes quando trabalha pela felicidade do próximo. Você poderá pensar que elas são felizes porque sua vida caminha bem. Não. Sua vida caminha bem porque elas primeiramente são felizes.
Você já reparou que a felicidade gosta de pessoas felizes? Que a prosperidade procura os próspero? Que a saúde anda de mãos dadas com os sãos. Que coisas boas ocorrem para áqueles que pensam bem? Eis aí o resultado da lei da atração.
Se quiser ser feliz agora mesmo, pare um minuto para contar as bençãos recebidas, as vantagens de que você já dispõe, os episódio felizes que já viveu, as pessoas que o amam e as ínfinitas possibilidades que ainda o aguardam a partir de agora. Mas se você quiser voltar a pensar no que ainda lhe falta, saiba que a ingratidão é a grande prisioneira da sua felicidade.
Viva o dia de hoje como se fosse o derradeiro dia da sua passagem pela vida terrena. Viva cada encontro como se fosse a última véz que você estará com aquela pessoa.
Faça o seu trabalho como se você não tivesse mais possibilidade de corrigi-lo.
Se você tiver disposto a viver este dia com a intensidade do último momento, pode ter certeza de que não terá tempo para ser infeliz.

Livro força espiritual - José Carlos de Lucca


Pretos Velhos - por Richard Simonetti


1 – O que dizer da manifestação de pretos velhos no Centro Espírita, com seu linguajar peculiar? Não devem ser estimulados a mudar a postura, instruindo-se?
                        Parece-me que a evolução não tem nada a ver com a expressão física ou linguística.Espíritos que se manifestam como pretos velhos podem ser muito evoluídos, tanto quanto branquelos podem ser atrasados.
 2 –     O problema é quando Espíritos apresentam-se como orientadores. Fica complicado aceitar que um mentor não tenha aprendido a falar.
                        Kardec orienta que devemos considerar o conteúdo, não a forma. Respeitando a opção do Espírito, tudo o que nos compete avaliar é se sua mensagem guarda compatibilidade com os princípios espíritas.
 3 –     Não devemos, portanto, opor resistência à manifestação de pretos velhos, índios, caboclos?…
                        Não vejo motivo para cultivar preconceitos, mesmo porque, não raro, Espíritos dessa condição, menos esclarecidos e ainda vinculados às tradições da raça, manifestam-se para serem ajudados, não para receberem lições de português.
 4 -     E se estivermos diante de um condicionamento mediúnico, médiuns falando como pretos velhos por imitação?
                        É um problema que compete ao dirigente resolver, avaliando se está diante de manifestação autêntica ou de mero condicionamento a partir da influência de outros médiuns. Não costuma acontecer com médiuns que se preparam adequadamente em cursos específicos sobre mediunidade.
 5 –     Diante de uma manifestação autêntica, se o preto velho é um Espírito evoluído, não será razoável que se manifeste com linguagem escorreita, sem maneirismos?
                        Penso que não devemos impor condições ao manifestante. Os Espíritos desencarnados, quando evoluídos, podem adotar a forma e o linguajar que lhes aprouver. É uma opção e um direito.
 6 –     Por que o fazem?
                        Pretos velhos revivem, nas manifestações, o tempo em que estiveram em regime de escravidão, que lhes foi muito útil, ajudando-os a superar o orgulho que marca o comportamento humano. É uma homenagem que prestam à raça negra e um exercício de humildade.
 7 –     Quanto à morfologia perispiritual, tudo bem. Quanto à palavra, não seria interessante usar uma linguagem atual, não africanizada?
                        Pode acontecer, mas aí vai depender do próprio grupo e de uma adequação dos médiuns. O Centro Espírita Amor e Caridade, em Bauru, foi orientado desde sua fundação, em 1919, por uma corrente africana. Seus representantes, em dado momento, observando a evolução do grupo, na década de 40, disseram: Pretalhada vai vestir casaca. Anunciavam por esta metáfora que a partir daquele momento eliminariam as expressões africanizadas, o que de fato ocorreu.
 8 –     Devemos, então, admitir que esses Espíritos façam uma adequação do linguajar, de conformidade com as tendências ou necessidades do grupo?
                      Exatamente. Um confrade, médium vidente, visitou certa feita um grande terreiro de Umbanda, em Vitória, Espírito Santo. Viu algo que o perturbou: o Espírito Frederico Figner, que foi dedicado diretor da Federação Espírita Brasileira, manifestar-se como um preto velho. Julgou estar tendo uma alucinação e logo esqueceu. Algum tempo depois, em visita a Uberaba, ouviu alguém perguntar a Chico Xavier por onde andaria Frederico Figner. E o médium: Anda dando assistência a um terreiro de umbanda em Vitória, no Espírito Santo.

Richard Simonetti é escritor, palestrante espírita e vice-presidente do CEAC (Bauru-SP). Também é diretor de divulgação da Doutrina Espírita, da mesma entidade. 




Influência Paralisante



A subjugação é uma constrição que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir a seu mau grado. Numa palavra: o paciente fica sob um verdadeiro jugo.

(O Livro dos Médiuns, 2.a parte, cap. XXIII, item 240, § 1.o)

Sem desconsiderarmos os casos de patologias que agem sobre os centros da motricidade de certos indivíduos, fazendo-os ancilosados, mencionamos um gênero de perturbação obsessiva, que vem, sem dúvida, dominando companheiros desavisados ou desassisados que, gradualmente, se aprofundam em miasmas infelizes, sem que disso se apercebam.
Referimo-nos ao que poderíamos chamar de obsessão anestesiante.
É válida a consideração pelos anestésicos, quando eles representam conquistas abençoadas do progresso do mundo, objetivando o impedimento das dores torturantes. Entretanto, identificamos outros tipos de substâncias, trabalhadas por psiquismos cruéis e infelicitadores que, quando assimiladas pela alma, têm o poder de detê-las na caminhada para a frente.
Variados têm sido os que se deixam conduzir pelas influências narcóticas de muitas mentes atreladas ao mal ou ao marasmo, do Mundo Invisível, naturalmente desleixados com relação à vigilância íntima, realizando seus afazeres, quando os realizam, como quem se desincumbe de um fardo pesado e difícil, mas não como quem participa do alevantamento espiritual da Humanidade.
Encontram-se elementos que se acostumaram a deixar tudo para que seja feito amanhã, quando o dia de hoje pede disposição e não adiamento.
Ninguém pode, em sanidade de consciência, afirmar que estará no corpo somático no dia seguinte. Temos aí, então, maior razão para que não retardemos os labores que têm regime de urgência em nossa pauta de tarefas.
Diversos irmãos da Terra, portadores de enorme quota de má vontade ou deixando as próprias mentes mergulhadas na displicência, são envolvidos nos vapores letárgicos, paralisantes, que impedem a continuidade dinâmica da obra sob seus cuidados.
Há sempre uma providência que se pode procrastinar.
Surgem problemas a solucionar na esfera de renovação do Espírito, sempre postergados, sem que os companheiros se deem conta de que poderão estar sendo minados por fluidos anestesiantes da vontade.
Uma vez que não puderam impedir que muitas criaturas aceitassem e desejassem servir na Seara do Cristo, Entidades do Além, inimigas do progresso e da luz, que não se dão por vencidas com a primeira perda, fazem com que esses mesmos indivíduos não se movimentem no bem, que tem caráter de premência e que depende tão somente da boa vontade dos lidadores. Estão no movimento do bem, mas não atuam com o bem, o que é sempre lastimável.
Não fazemos apologia das neuroses da pressa. Não estamos aconselhando desequilíbrios e irreflexão, seriamente comprometedores. Estamos, isto sim, conclamando aos que costumam meditar nas questões da alma, para que não se permitam o amolentamento, a preguiça, a pachorra, em pleno labor de Jesus, quando da Terra inteira se erguem gritos de imensa necessidade de equilíbrio e de paz.
*   *   *
É importante cuidar do corpo, repousar, quando os trabalhos imponham desgastes. É da Lei Divina.
Se o problema é de enfermidade física ou estafa orgânica ou mental, é justo se providencie o devido tratamento.
O que não nos cabe fomentar ou aplaudir é a postura dos que estão sempre esgotados, por pouco ou nada que façam, exigindo largos períodos de estacionamento, e, quando se decidem por algo fazer, demoram sem rendimento positivo, complicam a atividade geral, francamente embriagados por energias anestesiantes que, ameaçadoramente, têm tomado em seu bojo a muitos seareiros irrefletidos, preparando-lhes grandes tormentos de remorsos e angústias para logo mais, quando a hora propícia e ideal para o trabalho do bem já houver passado.
Quando sintas que, não obstante o repouso, não tens ânimo para as leituras e quefazeres edificantes, ou quando a sonolência tornar-se presença comum em suas horas de estudo ou de necessária atenção aos chamados do Infinito, ergue a tua oração e roga dos Benfeitores Celestes o socorro, a assistência de que careças, a fim de te desviares desses dardos morbíficos que se destinam a retardar a ação do bem na Terra, produzindo narcose nos combatentes invigilantes, exatamente porque esse bem, em última análise, é a atuação de Jesus Cristo reafirmando o Seu amor a todos nós, ovelhas desgarradas do Seu rebanho, da esperança e da ação.
Camilo.
Psicografia de J. Raul Teixeira. Em 05.07.2010.

Poema de Gratidão



Muito obrigado Senhor!
Muito obrigado pelo que me deste.
Muito obrigado pelo que me dás.

Obrigado pelo pão, pela vida, pelo ar, pela paz.
Muito obrigado pela beleza que os meus olhos vêem no altar da natureza.
Olhos que fitam o céu, a terra e o mar
Que acompanham a ave ligeira que corre fagueira pelo céu de anil
E se detém na terra verde, salpicada de flores em tonalidades mil.

Muito obrigado Senhor!
Porque eu posso ver meu amor.
Mas diante da minha visão
Eu detecto cegos guiando na escuridão
que tropeçam na multidão
que choram na solidão.

Por eles eu oro e a ti imploro comiseração
porque eu sei que depois desta lida, na outra vida, eles também enxergarão!

Muito obrigado Senhor!
Pelos ouvidos meus que me foram dados por Deus.
Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro
A melodia do vento nos ramos do olmeiro
As lágrimas que vertem os olhos do mundo inteiro!

Ouvidos que ouvem a música do povo que desce do morro na praça a cantar.
A melodia dos imortais, que se houve uma vez e ninguém a esquece nunca mais!
A voz melodiosa, canora, melancólica do boiadeiro.
E a dor que geme e que chora no coração do mundo inteiro!

Pela minha alegria de ouvir, pelos surdos, eu te quero pedir
Porque eu sei
Que depois desta dor, no teu reino de amor, voltarão a sentir!

Obrigado pela minha voz
Mas também pela sua voz
Pela voz que canta
Que ama, que ensina, que alfabetiza,
Que trauteia uma canção
E que o Teu nome profere com sentida emoção!

Diante da minha melodia
Eu quero rogar pelos que sofrem de afazia.
Eles não cantam de noite, eles não falam de dia.
Oro por eles
Porque eu sei, que depois desta prova, na vida nova
Eles cantarão!

Obrigado Senhor!
Pelas minhas mãos
Mas também pelas mãos que aram
Que semeiam, que agasalham.
Mãos de ternura que libertam da amargura
Mãos que apertam mãos
De caridade, de solidariedade
Mãos dos adeuses
Que ficam feridas
Que enxugam lágrimas e dores sofridas!

Pelas mãos de sinfonias, de poesias, de cirurgias, de psicografias!
Pelas mãos que atendem a velhice
A dor
O desamor!
Pelas mãos que no seio embalam o corpo de um filho alheio sem receio!
E pelos pés que me levam a andar, sem reclamar!

Obrigado Senhor!
Porque me posso movimentar.
Diante do meu corpo perfeito
Eu te quero rogar
Porque eu vejo na Terra
Aleijados, amputados, decepados, paralisados, que se não podem movimentar.

Eu oro por eles
Porque eu sei, que depois desta expiação
Na outra reencarnação
Eles também bailarão!

Obrigado por fim, pelo meu Lar.
É tão maravilhoso ter um lar!
Não é importante se este Lar é uma mansão, se é uma favela, uma tapera, um ninho, um grabato de dor, um bangalô, uma casa do caminho ou seja lá o que for.

Que dentro dele, exista a figura
do amor de mãe, ou de pai
De mulher ou de marido
De filho ou de irmão
A presença de um amigo
A companhia de um cão
Alguém que nos dê a mão!

Mas se eu a ninguém tiver para me amar
Nem um teto para me agasalhar,
nem uma cama para me deitar
Nem aí reclamarei.
Pelo contrário, eu te direi

Obrigado Senhor!
Porque eu nasci!
Obrigado porque creio em ti
Pelo teu amor, obrigado senhor!

Poema de Gratidão - Amélia Rodrigues (Divaldo Pereira Franco)

Voz que não fala



Eu sou a criança.
Ando pelo mundo, bastante incompreendida e também muito pouco compreendendo do que se passa em meu derredor.
Muitos pais rejeitaram-me obstinadamente sob os mais variados pretextos. Evitam-me qual se eu lhes fosse um flagelo sobre a Terra.
Chegam a temer-me ansiosamente.
Outros, privados da minha presença, lamentam-se e deploram a minha falta, qual a flor buliçosa ausente do jardim.
Muitos exploram a minha inocência, abusam de minha fragilidade e dilaceram as minhas esperanças.
Outros me abandonam, quando mais necessito de carinho e de apoio.
Há, felizmente, os nobres corações que se preocupam comigo.
Que choram com o meu desamparo e choram a minha fome, estendendo-me os braços fraternais através da bolsa generosa.
Jesus, eu Te peço, Senhor: Multiplicai esses corações que pulsam junto a mim, essas mãos que me afagam, essas mentes que me educam e retificam.
Eu sou a criança.
Falo a voz de todas as línguas e de todos os quadrantes do mundo.
Choro o pranto dos órfãos, choro a tristeza dos viciados e suplico a misericórdia dos justos e a bondade dos felizes.
Eu sou a criança.
Minha voz fala em silêncio, dirigindo-se a todos os corações que já possam compreender.

Meimei
Livro Escultores de Almas - Psicografia Chico Xavier em 1.987